sexta-feira, 15 de março de 2013

QUEM É A PEDRA?

Por William Hendriksen


O significado é: VOCÊ É PEDRO, ISTO É, ROCHA, E SOBRE ESTA ROCHA, ISTO É, SOBRE VOCÊ PEDRO, EDIFICAREI MINHA IGREJA. 'E eu disse a você, você é Kepha, e sobre esta kepha edificarei minha igreja'. Jesus, pois, está prometendo a Pedro que ele está para edificar sua igreja sobre ele! Eu aceito este ponto de vista.


Havendo dito isso, é necessário qualificar essa interpretação da seguinte forma. Jesus promete edificar sua igreja:

a. Não sobre Cefas como ele era por natureza, mas sobre ele considerado como um produto da graça. Por natureza esse homem era, em certo sentido, débil, muito instável, como já se indicou. Pela graça se tornara a mais corajosa, entusiasta e eficaz testemunha da verdade que o Pai lhe revelara com respeito a Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo. Foi nesse sentido que Jesus usou Pedro para edificar - reunir e fortalecer - sua igreja.

b. Não sobre Cefas considerado completamente isolado, mas sobre Cefas como o 'primeiro entre iguais' (Mt 10.2), isto é, sobre 'Pedro assumindo sua posição com os onze' (At 2.14). A autoridade que em 16.19 é delegada a Pedro é em 18.18 delegada aos Doze (ver também Jo 20.23). De fato, no exercício dessa autoridade a congregação local não deve ser desconsiderada (18.17).

Quando o Senhor disse as palavras registradas aqui em 16.18,19, ele certamente não quis dizer que Pedro agora podia começar a 'dominar' sobre os demais discípulos. Os demais não o entendiam dessa forma (18.1; 20.20-24), e Jesus certamente rejeitou tal interpretação (20.25-28; cf. Lc 22.24-30). Se Pedro mesmo houvesse concebido sua autoridade ou a de outros como a de um ditador, como poderia haver escrito uma passagem tão bela como 1Pedro 5.3?

c. Não sobre Cefas como fundamento primordial. No sentido primário ou básico do termo, só há um único fundamento, e esse fundamento não é Pedro, e, sim, o próprio Jesus Cristo (1Co 3.11). Num sentido secundário, porém, é inteiramente legítimo falar dos apóstolo, inclusive Pedro, como o fundamento da igreja, porque esses homens sempre estavam desviando a atenção de si mesmos para Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador.

William Hendriksen. Comentário do Novo Testamento: Mateus. Vol. 2. São Paulo: Cultura Cristã, 2001. pp. 204-205.

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