quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

AVALIANDO ESCRITOS TEOLÓGICOS

John Frame
Por John Frame


Nos apêndices E, F e G pretendo reafirmar alguns dos princípios do livro que são particularmente relevantes para os “jovens teólogos”, seminaristas, que estão escrevendo os seus primeiros ensaios teológicos. Espero que eles também sejam úteis para alguns mais idosos! Embora muitos desses pontos tenham sido expostos no livro, espero colocá-los aqui numa forma talvez mais conveniente: listas de aferição pelas quais os estudantes podem comparar os seus escritos teológicos com os de outros.

A primeira lista de aferição é uma relação de maneiras pelas quais os artigos, as preleções e os livros podem ser avaliados.

1. Base Escriturística. As ideias são ensinos da Escritura? São ao menos coerentes com a Escritura? Naturalmente, esse é o principal critério.

2. Veracidade. Mesmo que uma ideia não se ache na Escritura, pode ser verdadeira – por exemplo, uma teoria a respeito da influência de Bultmann sobre Pannenberg.

3. Força lógica. A causa do autor é defendida adequadamente? Suas premissas são verdadeiras, seus argumentos são válidos?

4. Edificação (Ef 4.29). É espiritualmente proveitoso? Nocivo? É difícil dizer?

5. Vida cristã fiel. O texto exibe o fruto do Espírito, ou é blasfemo, indiscreto, descortês, etc.?

6. Importância. A ideia é importante? Trivial? Alguma coisa entre essas duas? Importante para alguns, mas não para outros?

7. Clareza. Os termos-chave são bem definidos, ao menos implicitamente? A estrutura formal é inteligível, bem pensada? As posições do autor são claras? Ele formula bem os pontos sobre os quais fala e distingue uns dos outros?

8. Profundidade. O texto lida com questões difíceis, ou só com questões fáceis? (Robert Dick Wilson, o grande especialista em Antigo Testamento, usava como lema: “Não fujo das questões difíceis” – um bom lema para ficar na memória dos teólogos). Vai ao âmago do assunto? Anota distinções e nuances sutis que outros escritores omitem? O texto demonstra discernimento extraordinário de alguma espécie?

9. Forma e estilo. São próprios para o assunto em foco? Mostram criatividade?

O ponto mais importante dessa lista é o primeiro, naturalmente. No ensino que ministro no seminário, me inclino a graduar os trabalhos dos alunos mais pela clareza, 7, pela força lógica, 3, e pela profundidade, 8, em razão da dificuldade de aplicar testes doutrinários e práticos num cenário acadêmico.

Os seguintes critérios não são sólidos, pelas razões discutidas no livro. Não faça uso destes na avaliação de obras teológicas.

10. Ênfase. Ver o Capítulo 6, A. Nessa espécie de crítica um teólogo ataca outro por ter uma “ênfase” imprópria. Mas isso que se chama ênfase normativa singular é coisa que não existe. Uma ênfase só se torna um problema quando leva a outros tipos de problema, os mencionados nos itens 1 a 9.

11. Comparabilidade. Ver o Capítulo 8, 1, (3)-(5). Aqui uma obra é criticada porque é parecida com outra obra considerada pobre. Contudo, essa semelhança nunca é base suficiente para crítica. Os pontos fortes e os pontos fracos devem ser avaliados individualmente.

12. Terminologia. Ver o Capítulo 6, C, (1) e o Capítulo 7, C e D (especialmente D, (5)). Criticar a terminologia de uma obra – suas metáforas, seus temas dominantes e suas definições – nunca é válido, a menos que a terminologia cause algum ou alguns dos problemas listados nos critérios 1 a 9. A terminologia propriamente dita nunca é o problema. Esse tipo de crítica cai sob a nossa condenação da crítica no “nível das palavras”, antes que no “nível das sentenças”.

FONTE: John M. Frame. A Doutrina do Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 385-386.

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