quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

John Frame
Por John Frame


A teologia sistemática procura aplicar a Escritura como um todo. Enquanto a teologia exegética focaliza passagens específicas e a teologia bíblica focaliza os traços históricos da Escritura, a teologia sistemática procura juntar todos os aspectos da Escritura, sintetizá-los. A sistemática pergunta: No que vai dar tudo isso? Ao investigar a fé, por exemplo, o teólogo sistemático examina o que os comentadores exegéticos dizem sobre Romanos 4, Efésios 2.8 e outras passagens da Bíblia que tratam desse tópico. Ele procura saber também o que os teólogos bíblicos dizem a respeito da fé na vida de Abraão, de Moisés, de Davi, de Paulo. Mas depois o teólogo sistemático pergunta: Que é que a Bíblia toda ensina sobre a fé? – ou sobre qualquer outra coisa. Pode ser um tópico mencionado na Escritura mesma, como a fé, ou pode ser um tópico tomado da nossa experiência – Que é que a Bíblia toda ensina acerca do aborto, acerca do desarmamento nuclear, acerca do socialismo?

Uma vez que teologia é aplicação, a mesma pergunta pode ser feita dessa maneira: Que é que a Bíblia diz a nós sobre a fé? Depois de saber o que a fé significou para Abraão, Moisés, Davi e Paulo, queremos saber o que nós devemos confessar. Há, pois, algo muito “existencial” na teologia sistemática, algo raramente notado. No esquematismo de Pratt, a teologia sistemática se centraliza na análise temática ou tópica e, daí, a Escritura funciona como “espelho”. É precisamente quando fazemos teologia sistemática que a questão da aplicação é levantada explicitamente (embora essa questão seja colocada implicitamente por todas as disciplinas teológicas).

Por um lado (como frequentemente se observa), a teologia sistemática depende da teologia exegética e da bíblica. Para desenvolver aplicações, o teólogo sistemático precisa saber o que cada passagem diz e conhecer os poderosos atos de Deus nela descritos. É especialmente importante para os teólogos sistemáticos contemporâneos que eles estejam cientes dos desenvolvimentos ocorridos na teologia bíblica, uma disciplina na qual novas descobertas são feitas quase diariamente. Muito frequentemente os teólogos sistemáticos (este aqui inclusive!) ficam muito atrás dos teólogos bíblicos na sofisticação da exegese que eles praticam.

Por outro lado (e este ponto é menos frequentemente observado), o reverso é também real: a teologia exegética e a bíblica dependem também da sistemática. Certamente é possível fazer melhor exegese de partes da Escritura se a pessoa tiver sensibilidade para o ensino completo da Escritura descoberto pela sistemática. E ela pode entender melhor a história da redenção se tiver uma perspectiva sistemática. Por conseguinte, as três formas de teologia – exegética, bíblica e sistemática – são mutuamente dependentes e correlativas; umas envolvem as outras. São “perspectivas” sobre a tarefa da teologia, não disciplinas independentes.

Que significa a palavra “sistemática” na frase “teologia sistemática”? À primeira vista podemos supor que ela se refere à coerência lógica ou à estrutura ordenada. Mas é evidente que todas as formas de teologia devem buscar tal coerência e tal estrutura, não só a sistemática. Outra possibilidade poderia ser que a teologia sistemática busca um objeto particular, um “sistema da verdade”, das Escrituras. Mas, que é um “sistema”? É a própria Escritura? Nesse caso, referir-se a isso aqui não ajuda. É algo que está na Escritura ou por trás dela? Seguir essa direção é perigoso. Anteriormente, na Primeira Parte, critiquei a ideia de que haja algo chamado “sentido” ou “sistema” que se coloque entre o teólogo e sua Bíblia. Há sempre o perigo de que a esse “sistema” se dê (na prática, se não na teoria) mais autoridade do que à própria Escritura, ainda que tão somente como uma espécie de tela ou de quadro indicativo por meio do qual devam ser supridos os dados escriturísticos. E esse é, naturalmente, o maior perigo da teologia sistemática. Por essas razões, não posso fazer nenhum uso positivo do termo “sistema” na frase “teologia sistemática”, o que significa que as três expressões – “teologia exegética”, “teologia bíblica” e “teologia sistemática” – são errôneas!

Não obstante, não posso deter-me sem expressar a minha vibração pelo potencial da teologia sistemática em nossos dias. Se a teologia sistemática fosse meramente uma tentativa de fazer um bom arranjo de sistemas do passado, como os de Calvino, Hodge e Murray, ou uma tentativa de desenvolver outro sistema segundo o modelo deles, ela poderia ser muito bem considerada uma disciplina maçante. E receio que hoje em dia muitas vezes os estudantes a veem desse modo, preferindo suas recém-descobertas emoções na teologia bíblica ao que lhes parece pura monotonia na teologia sistemática. Veem-se, pois, poucos bons teólogos sistemáticos no mundo atual. Mas se os estudantes ou os estudiosos vissem a sistemática tão somente pelo que ela é – a tentativa de responder às questões da Bíblia toda, aplicando a soma total da verdade bíblica à vida –, a sistemática poderia voltar a ser vista como algo fascinante, algo merecedor de comprometida dedicação por toda a vida. A sistemática é de fato uma disciplina amplamente aberta. Há tantas tarefas à espera de que se realizem, tantas perguntas sendo feitas hoje e que nunca foram tratadas com seriedade por teólogos sistemáticos ortodoxos – a natureza da história, a natureza da linguagem religiosa, a crise de sentido na vida moderna, a teologia da libertação econômica, etc. E a sistemática também é amplamente adversa quanto à sua forma. Conforme minha definição, a teologia sistemática não precisa tomar a forma de um tratado acadêmico ou de imitar as convenções dos sistemas filosóficos. Ela pode tomar a forma de poesia, peça teatral, música, diálogo, exortação, pregação, ou qualquer outra forma apropriada. São poucos, porém, os que estão fazendo esse trabalho; precisamos de braços mais fortes para mover os remos.

FONTE: John Frame. A Doutrina do Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 228-230.

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 5ª PARTE

Joshua Harris
Por Joshua Harris


5.  O namoro, em muitos casos, tira a atenção dos jovens adultos de sua principal responsabilidade, que é de preparar-se para o futuro.
Nós não podemos viver no futuro, mas negligenciar nossas  obrigações atuais nos desqualificará para as responsabilidades de amanhã. Estar distraído por causa do amor não é tão mal assim - a não ser que Deus deseja que você faça algo diferente.

Uma das tendências mais tristes do namoro é desviar os jovens adultos do desenvolvimento dos seus talentos e habili­dades dadas por Deus. Ao invés de equiparem-se com o caráter, formação acadêmica e experiência necessária para obter o sucesso na vida, muitos permitem serem consumidos pelas ne­cessidades atuais que o namoro enfatiza.

Christopher e Stephanie começaram a namorar quando ambos tinham quinze anos de idade. De um modo geral, eles tinham o namoro modelo. Eles nunca se envolveram fisicamente e quando terminaram o namoro após dois anos, o fizeram de forma amistosa. Então que mal houve? Bem, nenhum no senti­do de que não criaram problemas. Mas podemos começar a enxergar alguns problemas quando pensamos no que Christopher e Stephanie poderiam ter feito ao invés de namo­rarem. Manter um relacionamento requer muito tempo e ener­gia. Christopher e Stephanie gastaram incontáveis horas con­versando, escrevendo, pensando e muitas vezes se preocupan­do com o seu relacionamento. A energia que empregaram os privou de outras ocupações. Para Christopher, o relacionamento sugou o seu entusiasmo pelo seu hobby de programação em computadores e pelo seu envolvimento no grupo de louvor da igreja. Apesar da Stephanie não culpar o Christopher, ela rejei­tou diversas oportunidades de viagens missionárias de curto prazo pois não queria ficar longe dele. O relacionamento deles consumiu um tempo que ambos poderiam ter gasto desenvol­vendo habilidades e explorando novas oportunidades.

Namorar pode lhe dar a oportunidade de colocar em práti­ca ser um bom namorado ou uma boa namorada, mas será que são habilidades que valem a pena? Mesmo que você esteja saindo com a pessoa com quem irá se casar, a preocupação em ser a na­morada ou namorado perfeito, podem, na verdade impedi-lo de ser o futuro marido ou esposa que esta pessoa irá precisar um dia.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 37-38.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 4

Joshua Harris
Por Joshua Harris


4. O  namoro  geralmente  isola  o  casal  de  outros relacionamentos vitais.
Enquanto Garry e Jenny estavam namorando, eles não precisavam de mais ninguém. Como era para ficar com a Jenny, Garry não teve problemas em deixar de freqüentar o Estudo Bíblico de quarta à noite com a turma. Jenny nem pen­sou duas vezes sobre o fato de que mal falava com a irmã mais nova ou com a mãe agora que estava namorando o Garry. Também não se deu conta de que ao falar com eles sempre começava as suas frase com “Garry fez isso...” e “Garry disse isso e aquilo...” Sem querer, ambos tinham, egoisticamente e de forma tola, se privado de outros relacionamentos.

Pela própria definição, o namoro é basicamente duas pes­soas com o foco uma na outra. Infelizmente, na maioria dos casos o resto do mundo vira um pano de fundo esmaecido. Se você já fez o papel de “vela” ao sair com um casal de amigos que estão namorando, você sabe como isso é verdade.

De todos os problemas referentes ao namoro, este é pro­vavelmente o mais fácil de se resolver. Ainda assim os cristãos precisam levá-lo a sério. Por que? Primeiro, porque quando permitimos que um relacionamento exclua os outros, estamos perdendo a perspectiva. Em Provérbios 15:22 lemos: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos con­selheiros, há bom êxito”. Se tomamos as decisões da nossa vida baseados unicamente na influência de um relacionamento, pro­vavelmente estaremos fazendo julgamentos limitados.

É claro que cometemos este mesmo erro em muitos ou­tros relacionamentos não-românticos. Mas nos deparamos com este problema mais frequentemente no namoro, pois envolve nosso coração e emoções. E como o namoro focaliza os planos do casal, assuntos fundamentais relacionados ao casamento, família e fé estão arriscados.

E se duas pessoas não tiverem definido o seu nível de compromisso, eles estão definitivamente em risco. Você se coloca em uma posição precária ao se isolar das pessoas que o amam e o apóiam pois você mergulha de corpo e alma em um relacionamento romântico não fundamentado no compromisso. No livro Passion and Puríty (Paixão e Pureza), Elisabeth Elliot declara: “A não ser que um homem esteja preparado para pedir a uma mulher que seja a sua esposa, que direito tem de requisitar a sua atenção exclusiva? A não ser que tenha sido pedida em casamento, por que uma mulher sensível pro­meteria a qualquer homem a sua atenção exclusiva?” Quantas pessoas terminam seus namoros e encontram quebrados os seus laços de amizade com os outros.

Quando Garry e Jenny decidiram, em comum acordo, pararem de namorar, ficaram surpresos ao encontrarem os seus relacionamentos de amizade totalmente abandonados. Não que os seus amigos não gostassem dos dois; é que eles praticamente não os conheciam mais. Nenhum dos dois haviam investido tempo ou esforço na manutenção destas amizades enquanto estavam concentrados no seu namoro.


Talvez você tenha feito algo semelhante. Ou talvez co­nhece a dor e frustração de ser deixado de lado por causa de um namorado ou namorada. A atenção exclusiva normalmen­te esperada em um namoro tem a tendência de roubar dos dois a paixão pelo serviço na igreja e de isolá-los dos amigos que mais os amam, dos familiares que mais os conhecem, e, o mais triste, até de Deus, cuja vontade é, de longe, mais importante  que qualquer interesse romântico.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 36-37.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 3ª PARTE

Joshua, sua esposa, Shannon, e seus três filhos:
Joshua Quinn, Emma Grace e  Mary Kate.
Por Joshua Harris


3. O namoro geralmente confunde relacionamento físico com amor.
Dave e Heidi não tinham planejado se envolverem fisi­camente na primeira vez que saíram juntos. De verdade. Dave não fica “só pensando nisso” e a Heidi não é “aquele tipo de garota”. Aconteceu. Eles foram a um show juntos e depois as­sistiram a um filme de vídeo na casa da Heidi. Durante o filme, Heidi fez uma gozação a respeito da tentativa dele de dançar durante o show. Ele começou a fazer cócegas nela. A luta de brincadeirinha de repente parou quando eles se viram encaran­do um ao outro nos olhos, com Dave inclinado sobre ela no chão da sala de estar. Eles se beijaram. Parecia algo de cinema. Parecia tão correto!

Pode ter parecido certo, mas a introdução precoce de uma afeição física no relacionamento acrescentou confusão. Dave e Heidi não se conheciam de verdade, mas de repente se sentiam próximos. À medida que o relacionamento progre­dia, eles achavam difícil manter a objetividade. Quando ten­tavam avaliar as qualidades do relacionamento, eles imediata­mente visualizavam a intimidade e a paixão do seu relaciona­mento físico. “É tão óbvio que nós nos amamos” pensou Heidi. Mas será que era verdade? Só porque lábios se encontraram não quer dizer que corações se uniram. E só porque dois cor­pos são atraídos um ao outro não quer dizer que as duas pes­soas foram feitas uma para a outra. O relacionamento físico não é igual a amor.

Quando consideramos que a nossa cultura como um todo entende as palavras “amor” e “sexo” como sinônimas, não de­veríamos ficar surpresos que muitos relacionamentos confun­dem atração física e intimidade sexual com verdadeiro amor. Lamentavelmente, muitos namoros cristãos refletem esta falsa noção.

Quando examinamos o progresso da maioria dos rela­cionamentos, nós podemos ver claramente como o namoro promove esta substituição. Primeiro, como já ressaltamos antes, o namoro nem sempre leva a compromissos duradou­ros por toda a vida. Por esta razão, muitos namoros come­çam com a atração física; a atitude que está por trás disso é que os valores mais importantes vem da aparência física e da maneira como o parceiro se comporta. Mesmo antes que um seja dado, o aspecto físico e sensual do relacionamento assumiu a prioridade.

Em seguida, o relacionamento normalmente caminha a passos largos na direção da intimidade. Pelo fato do namoro não requerer compromisso, as duas pessoas envolvidas permitem que as necessidades e paixões do momento ocupem o cen­tro de palco. O casal não olha um para o outro como possíveis parceiros para toda a vida e nem avaliam as responsabilidades do casamento. Ao invés disso, eles concentram nas exi­gências do momento. E com esta disposição mental, o relaci­onamento físico do casal pode facilmente se tornar o foco.

E se um rapaz e uma garota pulam o estágio da amizade no relacionamento, a lascívia frequentemente se torna o interes­se comum que atrai o casal. Como resultado, eles avaliam a seri­edade do seu relacionamento pelo nível de envolvimento físico. Duas pessoas que namoram querem sentir que são especiais uma para a outra e elas podem expressar isso concretamente através da intimidade física. Elas começam a distinguir o seu “relacio­namento especial” ao se darem as mãos, beijarem-se e o restante que se segue. Por esta razão, a maioria das pessoas acredita que sair com alguém implica em envolvimento físico.

Concentrar no físico é claramente pecaminoso. Deus exige pureza sexual. E Ele faz isso para o nosso próprio bem. Envolvi­mento físico pode distorcer a perspectiva de cada um dos namora­dos e levá-los a decisões erradas. Deus também sabe que levare­mos as memórias de nosso envolvimento físico do passado para o casamento. Ele não quer que vivamos com culpa nem remorso.

O envolvimento físico pode fazer com que duas pessoas se sintam próximas. Mas se muitas pessoas que estão namo­rando examinassem o foco do seu relacionamento, eles prova­velmente descobririam que a lascívia é o que têm em comum.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 33-35.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 2

Joshua Harris e Shannon, sua esposa.
Por Joshua Harris

2. O namoro tende a pular a fase da “amizade” de um relacionamento.
Jack conheceu Libby em um retiro do colégio promovido por uma igreja. Libby era uma garota amigável com uma repu­tação de levar a sério o seu relacionamento com Deus. Jack e Libby começaram a conversar durante um jogo de vôlei e pare­cia que gostaram um do outro. Jack não estava interessado em um relacionamento intenso, mas queria conhecer melhor a Libby. Dois dias depois do retiro ele ligou e convidou-a para um cinema no final-de-semana seguinte. Ela aceitou.

Será que Jack deu o passo certo? Bem, acertou no que se refere a conseguir um programa, mas se ele realmente quisesse construir uma amizade, errou feio. Um programa a dois tem a tendência de levar um rapaz e uma garota além da amizade e na direção do romance muito rapidamente.

Você já ouviu alguém preocupado a respeito de sair sozi­nho com uma amiga de longa data? Seja, provavelmente ouviu esta pessoa dizer algo assim: “Ele me pediu para sair, mas eu temo que se começarmos a namorar isso mudará a nossa ami­zade”. O que ela está realmente dizendo? Pessoas que fazem declarações como esta, estando cientes disso ou não, reconhe­cem que o “programa” estimula expectativas românticas. Em uma amizade verdadeira você não se sente pressionado saben­do que gosta da outra pessoa, ou que ela gosta de você. Você se sente livre para ser você mesmo e fazer as coisas juntos sem gastar três horas na frente do espelho, assegurando-se de que você esteja perfeita.

C.S. Lewis descreve a amizade como sendo duas pessoas andando lado a lado em direção a um objetivo comum. Os seus interesses mútuos os aproximam. Jack pulou esta fase de “coi­sas em comum” ao convidá-la para um programa típico, um jantar e depois um cinema, sem preocupações filosóficas, onde o fato de serem “um casal” era o foco principal.

No namoro, a atração romântica geralmente é a base do relacionamento. A premissa do namoro é: “Eu estou atraído por você; então vamos nos conhecer melhor”. A premissa da amizade, por outro lado, é: “Nós estamos interessados nas mesmas coisas; vamos curtir estes interesses comuns juntos”. Se após o desenvolvimento de uma amizade, a atração romântica aparece, então é um ponto a mais.

Ter intimidade sem compromisso é defraudar. Intimida­de sem amizade é superficial. Um relacionamento baseado somente na atração física e nos sentimentos românticos apenas durará enquanto durarem os sentimentos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 1ª PARTE

Joshua Harris e sua esposa, Shannon.

Por Joshua Harris

1. O namoro leva à intimidade, mas não necessariamente a um compromisso.
Jamie era uma caloura no ensino médio; seu namorado, Troy, estava no último ano. Troy era tudo que a Jamie sonhou em um rapaz, e por oito meses eram inseparáveis. Mas dois meses antes do Troy partir para a faculdade, ele abruptamente anunciou que não queria mais ver a Jamie.

“Quando terminamos, foi definitivamente a coisa mais difícil que já aconteceu comigo” Jamie me contou depois. Mes­mo que fisicamente não passaram de um beijo, Jamie tinha entregado o seu coração e as suas emoções completamente ao Troy. Ele tinha aproveitado a intimidade enquanto servia às suas necessidades, mas a rejeitou quando estava pronto para seguir adiante.

Esta estória lhe parece familiar? Talvez você tenha ouvi­do algo semelhante de um amigo, ou talvez você mesmo tenha vivido isso. Como em muitos namoros, Jamie e Troy se torna­ram íntimos com pouco, ou mesmo nenhum, pensamento so­bre compromisso ou como seriam afetados quando terminas­sem. Podemos por a culpa no Troy por ter sido um canalha, mas façamos uma pergunta a nós mesmos. Qual é a idéia prin­cipal na maioria dos namoros? Geralmente o namoro estimula a intimidade pela própria intimidade - duas pessoas se aproxi­mam sem nenhuma real intenção de um compromisso de lon­go prazo.

Intimidade que se aprofunda sem a definição de um ní­vel de compromisso é nitidamente perigoso. É como escalar uma montanha com uma parceira sem saber se ela quer a res­ponsabilidade de segurar a sua corda. Quando estiverem a seiscentos metros de altura em uma encosta, você não quer conversar sobre como ela se sente “presa” por causa do relacionamento. Do mesmo modo, muitas pessoas experimentam mágoas profundas quando elas se abrem emocionalmente e fisicamente apenas para serem abandonadas por outros que declaram que não estão prontos para um “compromisso sério”.

Um relacionamento íntimo é uma experiência linda que Deus deseja que experimentemos. Mas ele fez com que a reali­zação advinda da intimidade fosse um sub-produto do amor baseado no compromisso. Você poderá dizer que a intimidade entre um homem e uma mulher é a cobertura do bolo de um relacionamento que se encaminha para o casamento. Se olhar­mos para a intimidade desta forma, então na maioria dos na­moros só tem a cobertura. Normalmente falta a eles um propó­sito ou um alvo bem definido. Na maioria dos casos, especial­mente no colégio, o namoro é de curta duração, atendendo às necessidades do momento. As pessoas namoram pois querem aproveitar os benefícios emocionais e até físicos da intimidade sem a responsabilidade de um compromisso real.

Na verdade, isso é a essência da revolução original do namoro. O namoro não existia antigamente. Como eu o vejo, o namoro é um produto da nossa cultura direcionada à diversão e totalmente descartável. Muito antes da revista Seventeen[1] (Dezessete) dar dicas sobre namoro, as pessoas faziam as coi­sas de modo muito diferente.

Na virada do século vinte, um rapaz e uma garota ape­nas se envolviam romanticamente quando planejavam se ca­sar. Se um rapaz freqüentasse a casa de uma garota, a família e os amigos deduziam que ele tinha a intenção de pedir a sua mão. Mas as variações de atitude na cultura e a chegada do automóvel trouxeram mudanças radicais. As novas “regras” permitiam às pessoas entregarem-se a todas as emoções do amor romântico sem nenhuma intenção de casamento. A es­critora Beth Bailey documentou estas mudanças em um livro cujo título, From Front Porch to Backseat (Do Alpendre ao Ban­co de Trás), diz tudo sobre a diferença na atitude da sociedade quando o namoro passou a ser a norma. Amor e romance passa­ram a ser aproveitados pelas pessoas apenas pelo seu valor de entretenimento.

Apesar de muita coisa ter mudado desde os anos 20, a ten­dência dos namoros em caminhar na direção de uma maior in­timidade sem compromisso permanece praticamente a mesma.

Para o cristão este desvio negativo está na raiz dos pro­blemas do namoro. A intimidade sem compromisso desperta desejos - emocionais e físicos - que nenhum dos dois pode sa­tisfazer se agirem corretamente. Em I Tessalonicenses 4:6 a Bíblia chama isso de “defraudar”, em outras palavras, roubar alguém ao criar expectativas mas não satisfazendo o que foi prometido. O Pr. Stephen Olford descreve defraudar como “despertando uma fome que não podemos satisfazer justamente” prometendo algo que não podemos ou não iremos cumprir.
Intimidade sem compromisso, semelhante à cobertura sem o bolo, pode ser gostoso, mas no final passamos mal.


[1] N.T.:A revista Seventeen é direcionada ao público adolescente abordan­do temas como sexo e relacionamentos semelhante às revistas Querida, Capricho, etc.

domingo, 11 de novembro de 2012

VISÃO FEDERAL: UMA PEQUENA DEFINIÇÃO

Peter J. Leithart, Jim Jordan e Douglas Wilson: representantes da Visão Federal

Nos últimos dez anos ou mais, comunidades reformadas primeiramente nos Estados Unidos e de forma mais recente e profunda na Europa, têm ficado desnorteadas por um movimento teológico de origem recente, mas de raízes históricas profundas. É interessante que mesmo a tentativa de dar um nome a esse movimento se mostra difícil, visto ser ele conhecido por várias designações, quais sejam elas: 1) Teologia da Avenida Auburn, em referência à Auburn Avenue Presbyterian Church, em Monroe, Louisiana, que hospeda conferências nas quais as ideias do movimento têm sido mais consistentemente promovidas; 2) Shepherdismo, em reconhecimento à influência de Norman Shepherd, professor de Teologia Sistemática no Westminster Theological Seminary de 1963 a 1981, que articulou e promoveu várias das principais doutrinas do movimento; 3) Monopactualismo, que repudia a distinção reformada histórica entre um Pacto das Obras e o Pacto da Graça, insistindo que se trata de apenas um pacto entre Deus e o homem antes e depois da Queda; 4) Neonomismo ou Neolegalismo, rótulo aplicado por alguns dos seus críticos mais severos, que entendem que o seu entendimento peculiar acerca da Teologia do Pacto implica uma soteriologia sinergista; e 5) Visão Federal, nome preferido por seus proponentes, que enfatiza “a reformulação da tradicional Teologia do Pacto, dando destaque à visão em detrimento do sistema proposicional”.[i]
            J. Ligon Duncan afirma que, “entre outras coisas, a Visão Federal acredita que a Teologia do Pacto clássica necessita de uma reforma bíblica e de uma fresca implantação nas igrejas reformadas e nas vidas dos cristãos reformados”.[ii] De acordo com E. Calvin Beisner, a Visão Federal possui contornos híbridos, afetando áreas como a soteriologia, a eclesiologia e a sacramentologia.[iii] No que diz respeito à sacramentologia, a Visão Federal defende um sacramentalismo modificado que se aproxima da doutrina católica do ex opere operato. Steve Wilkins, um dos mais proeminentes visionistas federais, chega a identificar os sacramentos como meios efetivos para converter, não apenas santificar. Ele diz:
Se alguém foi batizado, está em pacto com Deus; pacto é união com Cristo. Então, estar no pacto traz todas as bênçãos de se estar em Cristo [...] Porque estar em pacto com Deus quer dizer estar em Cristo, aqueles que estão no pacto possuem todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais.[iv]

            Tal afirmação certamente inclui a salvação como sendo uma das bênçãos espirituais advindas do sacramento do batismo. Interessantemente, outras críticas feitas à Visão Federal incluem a da apresentação de um arminianismo modificado e a aproximação da Nova Perspectiva sobre Paulo, conforme defendida por N. T. Wright. Sobre a primeira, o entendimento é que a eleição de alguém depende, em última instância, da sua fidelidade ao pacto. Alguém pode ser justificado e, ainda assim, ser condenado devido a apostasia.[v] No que diz respeito à última, a concepção da Visão Federal em muito se aproxima do comentário de N. T. Wright sobre Romanos 2.13: “A justificação, no final, será por meio de performance, não de possessão”.[vi] Trata-se de algo interessante porque, nos dizeres de Beisner, “paradoxalmente, a eficácia dos sacramentos pode ser frustrada por recipientes indignos”.[vii]


[i] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Phillipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed Publishing, 2006. Kindle Edition.
[ii] J. Ligon Duncan. “Risking the Truth: Interviews on Handing Truth and Error in the Church”. Acessado em 23/02/2012. .
[iii] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Kindle Edition.
[iv] Ibid.
[v] Ibid.
[vi] Leander E. Keck (Ed.). New Interpreter’s Bible: Acts-First Corinthians. Vol. 10. Nashville: Abingdon, 2002. p. 440. N. T. Wright é o escritor do comentário de Romanos dessa série.
[vii] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Kindle Edition.
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