terça-feira, 30 de outubro de 2012

NAMORO

Douglas Wilson
Por Douglas Wilson
Todo mundo namora. Ou pelo menos, todo mundo deveria namorar. Ou, se não namoram, então algo está errado, ou alguém é feio, certo? Mas nos Estados Unidos hoje, os relacionamentos entre garotos e garotas, homens e mulheres, maridos e esposas são um caso de hospital. O fato de que o orgulho reside no centro deste problema pode ser visto em nossas várias respostas às dificuldades. Quanto piores ficam nossos problemas, mais fé temos nos nossos métodos e procedimentos. Como aquela mulher no evangelho de Lucas, o tratamento que recebemos dos nossos médicos não tocam ou curam de fato nossa condição. E, como aquela mulher, nossas economias já se foram. O ponto inicial para a maior parte dos nossos relacionamentos de casamento, o moderno sistema de namoro recreativo, pode ser seguramente considerado como falido.
Considere como o nosso sistema funciona. Um rapaz nota uma moça que o atrai. Ele a convida para sair e ela aceita. Eles começam a sair juntos, e uma de duas coisas acontece. Ou eles se gostam ou não, e ambas as possibilidades trazem problemas. Se nenhum se agradou do outro, então ambos tiveram uma má experiência. Se ambos concordaram, então a tentação eventual para a imoralidade é forte, especialmente se se juntaram jovens – digamos, aos catorze anos. “Que bom que vocês se gostam!” “Ok, mãe!” E é claro, se um está interessado em ficar junto e o outro não, as possibilidades de confusão emocional e complicações interessantes são quase infindáveis.
Se o rapaz e a moça se veem com certa frequência, é muito fácil para eles entrarem no que pode ser chamado de zona de vulnerabilidade. Esta zona é aquele lugar em que alguém não consegue deixar o relacionamento sem que se machuque. Em algum ponto do relacionamento, o homem ou a mulher chegarão ao lugar em que, se romperem, se machucarão. Uma vez que as pessoas estejam dentro desta zona, estarão vulneráveis. Enquanto ele ou ela estiverem fora dessa zona, não estão de forma alguma ameaçados pelo relacionamento – é ainda apenas um relacionamento em potencial. E, é claro, em um relacionamento, o grau de vulnerabilidade que sentem um em relação ao outro dependerá de um número de fatores. Se um casal saiu apenas duas ou três vezes, talvez não haja tanto dano – ele virá depois que ambos tiverem visto vinte pessoas três ou quatro vezes. Algumas coisas se acumulam. Com outro casal, se tiverem namorado por três anos, sido bons amigos, e preservado a pureza sexual, um rompimento é nada menos que um divórcio sem as custas legais com advogado.
Isto quer dizer, é claro, que duas pessoas casadas estão na maior distancia possível no interior desta zona de vulnerabilidade. Não existe uma maneira de um casal se divorciar sem devastar a ambos de alguma maneira. Deus odeia o divórcio; Sua Palavra naturalmente fornece a proteção contra o tipo de dano que procede da desobediência. Consequentemente, Deus não nos permite adentrar nesta zona sem construir uma cerca de proteção ao nosso redor. Essa cerca é um juramento pactual; é o que chamamos de casamento. Uma aliança de união sexual permanente e fiel é feita diante de Deus e de inúmeras testemunhas; tanto o homem quanto a mulher declaram que irão entrar juntos nessa zona e permanecer lá. Viverão lá pelo resto de suas vidas.
Mas em nossa cultura, homens e mulheres são treinados para se tornar insensíveis de maneira que possam ir facilmente de um relacionamento a outro. Às vezes, há alianças de casamento feitas e quebradas, e às vezes não. Ir de um relacionamento a outro se tornou o passatempo nacional. As pessoas iniciam muito cedo com o namoro recreativo, e, apesar dos protestos, a maior parte dos namoros de hoje leva à relação sexual. Neste ponto, o padrão de comportamento entre os jovens que professam o cristianismo não é muito diferente do mundo. Porque a igreja adotou largamente um sistema mundano de namoro, os muros de proteção para os nossos filhos projetado por Deus foram quebrados. Fornecemos aos nossos filhos cristianismo o suficiente para assegurar-lhes que se sintam culpados quando fornicam, mas não o suficiente para assegurar sua pureza.
Nosso sistema de namoro recreativo está falido; é tempo de retornar ao padrão bíblico de ajuntamento. À parte do namoro ou corte bíblicos, há muitas consequências destrutivas – emocionais, sexuais e espirituais. Mas se um rapaz quer iniciar um relacionamento, e assume total responsabilidade por ele abaixo do pai da moça, há uma responsabilidade e proteção bíblicas. É o propósito deste pequeno livro definir, defender e descrever como o namoro ou corte bíblicos funcionam.
As objeções a esta avaliação do sistema de namoro moderno tendem a ser rápidas. Por que não podemos apontar os sucessos, os finais felizes no moderno sistema de namoro? Alem disso, tudo isso parece funcionar na televisão. Três respostas vêm a mente. Primeira, é certo que qualquer pessoa de boa vontade se alegra quando um casal cristão piedoso namora, comporta-se e então, casa. As histórias de sucesso dentro do sistema de namoro recreativo moderno, que certamente existem não são o problema com ele. Nada dito nas páginas seguintes deve ser tomado como direcionado contra cristãos piedosos que se juntaram pelo sistema de namoro. A crítica é direcionada contra o sistema em geral considerado como um sistema. As pessoas também sobrevivem a quedas de avião, às vezes sem nenhum arranhão, e devíamos nos alegrar com isso. Mas este reconhecimento não nos desqualifica a nos opor ao hábito geral de cair de aviões.
Isto se relaciona ao segundo ponto. Generalizações são legítimas se descreverem honestamente um padrão global. Esse tipo de generalização consequentemente não é refutada por contra exemplos particulares e individuais. Fariseus honestos viviam no tempo de Cristo, e não foram um embaraço às denuncias ácidas de sua seita religiosa como um todo. De fato, uma indicação de honestidade farisaica seria a sua prontidão em reconhecer a justiça do sarcasmo de Cristo. Assim as generalizações acerca do namoro recreativo não serão universalmente verdadeiras (são generalizações). O que devemos questionar acerca de uma generalização é se é honesta e justa, não se é verdadeira em um dado exemplo.
Terceiro, “as historias de sucesso” não são tão abundantes como pode ser assumido através de uma breve olhada de relance na igreja. Os cristãos não são tão abertos sobre seu comportamento sexual como os pagãos, e os lábios apertados podem ser enganosos. Nossa tendência é julgar baseado na aparência externa, e todos na igreja certamente parecem morais. Mas muitos pastores no seu aconselhamento pré-marital vão além de uma olhadela casual. Tragicamente, muitos pastores não se surpreendem quando descobrem casais de namorados cristãos que se relacionam sexualmente – “Vocês fazem isso?” O dado objetivo com relação a casais solteiros crentes no moderno jogo do namoro não é confortador.
Nosso sistema de namoro, considerado como um sistema, não prepara biblicamente os rapazes e moças para o casamento – pelo menos para o casamento conforme Deus projetou. Algumas razões básicas devem pelo menos introduzir o assunto abordado neste livro. O sistema de namoro moderno não treina os jovens para formar um relacionamento. Treina-os para uma série de relacionamentos, e posteriormente os treina para se tornarem insensíveis ao romper todos, exceto o atual. No mínimo, este sistema é bem mais uma preparação para o divórcio do que para o casamento.
Em adição, o moderno sistema de namoro recreativo encoraja ligações emocionais a parte das proteções de uma cerca de aliança. Isto tem sido chamado com precisão de promiscuidade emocional. Um homem e uma mulher não podem exercer sua função dentro de um relacionamento romântico sem se tornarem emocionalmente vulneráveis um ao outro. Nada há de errado nessa vulnerabilidade; apenas somos delicados o suficiente neste nível para necessitar de proteção antes que entremos em tal estado, uma proteção que a Bíblia afirma ser pactual.
Além do mais, o moderno sistema de namoro também deixa o pai da moça quase inteiramente fora de cena. O pai, que deveria proteger a pureza sexual da filha, envia-a para o escuro com algum rapaz altamente interessado, e aí faz o que acha ser seu dever, que é se preocupar. “Bem querida,” diz à sua esposa, “só nos resta orar. Não há outra opção.” E ele deve se preocupar, porque o moderno sistema de namoro espera uma certa dose de envolvimento físico. É verdade, a versão cristã evangélica desse sistema apenas permite preliminares o suficiente para deixar a todos preocupados que tudo tenha acabado mal sem qualquer liberação legal. Nós, de alguma forma, achamos que um crente piedoso é alguém que pode preaquecer o forno sem cozinhar a torrada.
 FONTE: Douglas Wilson. Her Hand in Marriage. Moscow, ID: Canon Press, 1997. pp. 5-9.
TRADUÇÃO: Tiago Ferreira da Cunha

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