segunda-feira, 23 de julho de 2012

“PESSOAS QUE COMETEM SUICÍDIO VÃO PARA O CÉU?”

Ed Welch
 Ed Welch

Há apenas duas respostas corretas para esta pergunta:

- “Por que você pergunta?” e

- “Parece que as coisas estão sendo realmente difíceis pra você. Por favor, diga-me o que está acontecendo”.

Permitimos pequenas variações destas perguntas, mas não dizemos o seguinte: “O suicídio não é o pecado imperdoável. Se pensarmos que o suicídio é imune ao sangue purificador de Cristo, não teremos compreendido a extensão da reenção”.
Isto pode ser teologicamente correto, mas é pastoralmente aterrador.

Aqui está o princípio: questões teológicas são muitas vezes perguntas pessoais disfarçadas; elas são sobre o que pesa no coração de uma pessoa. Por favor, não responda com proposições teológicas ou com diretrizes éticas. Em vez disso, use estas perguntas como o tempo para conhecer e pastorear a pessoa.

Hum. Isto soa como um conselho prudente, especialmente àqueles que fizeram tais perguntas, mas também soa um pouco suspeito. Parece uma distinção artificial e potencialmente perigosa entre teologia e ministério. Pastorear é algo profundamente teológico e, por isso, não estou tentando fazer uma distinção entre os dois. Minha preocupação é com o fato de a teologia, especialmente neste tipo de situação, poder ser oferecida da mesma forma como os pastores a aprenderam, como uma palestra.

Como pastores, temos que assimilar a teologia da sala de aula para que ela não seja mais uma série de proposições. Então, estaremos prontos para oferecê-la de maneira que sirva à pessoa a nossa frente. Estas duas respostas pastorais: “Por que você pergunta?” e “Parece que as coisas estão sendo realmente difíceis pra você...” refletem teologia pessoal e aplicada. Elas rapidamente nos levarão a lugares que vão além da ética do suicídio.

Elas podem nos levar a este lugar: “O irmão da minha amiga cometeu suicídio. E eu não tenho ideia do que dizer a ela”. Nesta situação, a teologia pastoral pode nos levar a dizer: “Você obviamente ama essa amiga. Conte-me um pouco mais a respeito do que ela está dizendo e como você pensa que pode encorajá-la”.

À medida que você conversar poderá lembrar-se de experiências anteriores nas quais pessoas que estiveram intimamente relacionadas com suicídio se sentem culpadas. Familiares e amigos sentem como se tivessem a obrigação de saber – de fazer ou dizer algo para impedir isso. Assim, você pode levantar esta questão e, juntos, estudar formas de convidar sua amiga para falar abertamente sobre isso. Se sua amiga se sente culpada, você pode ajudá-la a reformular sua culpa da seguinte maneira: “Você sabe que somos apenas humanos e não sabemos de todas as coisas. Talvez você esteja dizendo que desejava tanto poder fazer algo, mas não conseguiu. Você se sente mais impotente do que culpada. E você sente tamanha dor por saber que seu irmão estava sofrendo tanto”. Você poderia oferecer estas palavras experimentalmente e com o convite para ser corrigido.

Muitas vezes a “teologia” significa “respostas” e a maioria das pessoas não está procurando por respostas. Em vez disso, a teologia pastoral nos orienta sobre como amar sabiamente, e todas as pessoas estão procurando por isso.


TRADUÇÃO LIVRE: Alan Rennê Alexandrino Lima

2 comentários:

Filipe Luiz C. Machado disse...

Há um excelente comentário do puritano Francis Turretin sobre este assunto: http://2timoteo316.blogspot.com.br/2012/07/o-suicidio-e-o-sexto-mandamento-nao.html

Alan Rennê disse...

Filipe,

Muito obrigado pela indicação. Lerei atenciosamente.

Grande abraço!

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