sábado, 30 de junho de 2012

COMO VOCÊ PODE ENCORAJAR SEU PASTOR?



Por Brian Croft

Com base nos e-mails, anotações e telefonemas que continuo a receber, confie em mim... seu pastor precisa de encorajamento. Ele necessita saber que o que ele faz semana após semana significa algo para Deus, bem como àqueles em favor de quem ele trabalha. Aqui estão 5 sugestões para fazer isso:

1) Demonstre apreciação por como ele trabalha duro. Talvez as palavras mais dolorosas que um pastor e sua esposa podem ouvir não são “Sermão ruim” ou “que foi uma decisão idiota” ou “Eu não gosto da maneira como você prega”. Antes, eu apresento as palavras que fazem com que essa mensagem seja mais dolorosa: “Você é preguiçoso”. Por causa disso, algumas das palavras que mais encorajadoras que um pastor e sua esposa podem ouvir são palavras de agradecimento pela forma como ele trabalha duro para pregar fielmente e cuidar do povo de Deus.

2) Dê um feedback específico a respeito do sermão. Não estou falando sobre o tapinha nas costas seguido do comentário “Belo sermão”. Em vez disso, seja específico: “Este insight do texto foi realmente útil”, ou “a aplicação me encontrou bem no lugar onde estou lutando”.

3) Reconheça o sacrifício da sua família. Isso incentivará a sua esposa e filhos, mas também significará muito para o pastor. Para o pastor, saber o que você está pensando sobre a família dele muitas vezes poderá significar mais do que o que você pensa a respeito dele.

4) Revele como você cresceu espiritualmente sob o seu ministério. Isso é algo para o qual o pastor trabalha. Ele deseja ouvir isso e espera que esteja ocorrendo em toda a sua congregação. Pare de mantê-lo em suspense e diga-lhe o que sabe.

5) Diga como você especificamente ora por ele. Dentre todas as pessoas, seu pastor deve saber o significado da oração. As coisas mais significativas que ouço não são: “Eu orei por você”, mas “Eu orei para que o sermão fosse pregado poderosamente e recebido de forma ávida”, ou “Orei para que Deus proteja a você e sua família contra o inimigo durante esta importante semana”.

Se não for dessa maneira, encontre uma maneira de incentivar o seu pastor esta semana. Nunca subestime o quão significativo e oportuno pode ser quando Deus levar você a fazer isso.


TRADUÇÃO LIVRE: Alan Rennê Alexandrino Lima

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O QUE O CESSACIONISMO NÃO É - PARTE 2

Por Nathan Busenitz

1.   Cessacionismo não é um ataque à Pessoa ou à obra do Espírito Santo.
Na verdade, apenas o oposto é verdadeiro.  Cessacionistas são motivados pelo desejo de ver o Espírito Santo glorificado Eles estão preocupados que, ao redefinir os dons, a posição continuísta barateie a natureza extraordinária dos dons, diminuindo a verdadeira obra miraculosa do Espírito nos estágios iniciais da igreja.

Cessacionistas estão convencidos de que, redefinindo a cura, a posição carismática apresenta um mau testemunho para o mundo ao ver que o doente não está curado. Redefinindo o dom de línguas, a posição carismática promove um tipo de jargão absurdo que vai contra tudo o que sabemos sobre o dom bíblico. Redefinindo o dom de profecia, a posição carismática dá credibilidade para aqueles que afirmam falar as palavras de Deus e ainda incorrem em erro. 

Portanto, esta é a principal preocupação dos cessacionistas: Que a honra do Deus Triuno e Sua Palavra sejam exaltadas – e que ela não seja banalizada por fracos substitutos.

E o que fazemos para saber se algo é autêntico ou não?  Através de sua comparação com o testemunho escrito das Escrituras. Será que ao irmos para a Bíblia para definirmos os dons significa que estamos desprezando o Espírito Santo? Muito pelo contrário. Quando examinamos as Escrituras, estamos indo ao próprio testemunho do Espírito Santo para descobrir que Ele revelou os dons que Ele concedeu.

Como cessacionista, eu amo o Espírito Santo. Nunca iria querer fazer qualquer coisa para desacreditar sua obra, diminuir os seus atributos, ou minimizar o seu ministério. Nem iria querer perder nada do que Ele esteja fazendo na igreja de hoje.  E eu não sou o único cessacionista que se sente assim.

Porque amamos o Espírito Santo pela incrível e contínua obra do Espírito no corpo de Cristo. Suas obras de regeneração, habitação, batismo, selo, segurança iluminação, convencimento, confrontamento, confirmação, enchimento, e capacitação são todos os aspectos indispensáveis de seu ministério.

Porque amamos o Espírito Santo, somos motivados a estudar as Escrituras que Ele inspirou para aprender a andar de modo digno, sendo caracterizado pelo seu fruto.  Ansiamos ser cheios pelo Espírito (Ef. 5:18) o que começa por sermos cheios de Sua Palavra (Cl 3:16-17) e ser equipados com Sua espada, que é a Palavra de Deus (Ef 6:17).

Finalmente, por causa do amor que temos pelo Espírito Santo , o apresentamos de forma justa, para entender e apreciar seus propósitos( como ele no-lo revelou em Sua Palavra), e alinhar-nos com o que Ele tem feito no mundo. Isto mais do que tudo nos dá razão para estudar a questão dos dons carismáticos (cf. 1Co 12:7-11). Nosso objetivo neste estudo tem que ser mais do que mera correção doutrinária.  Nossa motivação deve ser de obter uma compreensão mais precisa da obra do Espírito Santo, de tal forma que possamos melhorar o nosso rendimento no serviço a Cristo, para glória de Deus.

2.   Cessacionismo não é um produto do Iluminismo.
Talvez a maneira mais fácil de demonstrar este ponto final é citar os líderes pré-Iluministas cristãos que sustentavam uma posição cessacionista.  Afinal, é difícil argumentar que a teologia de João Crisóstomo no século IV foi um resultado do racionalismo europeu do século XVIII.

Finalizando o assunto deste post, aqui estão dez líderes da história da Igreja a se considerar:

1. João Crisóstomo (c. 344–407):
A passagem inteira (falando sobre 1 Coríntios 12) é muito obscura, mas a obscuridade é produzida por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, fatos que ocorriam, mas agora não tem mais lugar.

(fonte: João Crisóstomo, Homilias em I Coríntios, 36.7 Crisóstomo está comentando 1 Co. 12:1-2 como introdução ao capítulo inteiro. Citado de 1-2 Coríntios in: Ancient Christian Commentary Series, 146.)

2. Agostinho (354-430):
Nos tempos antigos o Espírito Santo veio sobre os crentes e eles falaram em línguas, que não haviam aprendido, conforme o Espírito concediam que falassem. Estes foram sinais adaptados ao tempo. Pois aquilo foi o sinal do Espírito Santo em todas as línguas [idiomas] para mostrar que o Evangelho de Deus era para ser espalhado a todas as línguas sobre a terra.  Isto foi feito por um sinal, e o sinal findou.

(Fonte: Agostinho. Homilias sobre a Primeira Epístola de João, 6.10. Cf. Schaff, NPNF, First Series, 7:497-98)

3. Teodoreto de Ciro (c. 393 c. 466):
Em tempos antigos, aqueles que aceitaram a divina pregação e que foram batizados para a sua salvação, receberam sinais visíveis da graça do Espírito Santo trabalhando neles. Alguns falaram em línguas que eles não sabiam e que ninguém lhes havia ensinado, enquanto outros realizaram milagres ou profetizaram.  O coríntios também fizeram essas coisas, mas não usaram os dons como deveriam ter usado. Eles estavam mais interessados em se mostrar do que em usar os dons para a edificação da igreja . . . Mesmo no nosso tempo a graça é dada para aqueles que são julgados dignos do santo batismo, mas não pode assumir a mesma forma que possuía naqueles dias.

(Fonte: Teodoreto de Ciro. Comentário sobra a primeira epístola aos Coríntios, 240, 43; em referência à 1Co 12:1,7.  Citado de 1-2 Coríntios, ACCS, 117).

Nota: Os defensores do continuísmo, como Jon Ruthven (em seu trabalho, sobre a Cessação dos Charismata), também reconhece pontos de vista cessacionistas em outros Pais da Igreja (como Orígenes, no século 3, e Ambrósio no século 4).

Além disso, a esta lista, podemos incluir o nome mais conhecido da Idade Média, o escolástico do século 13, Thomás Aquino.

Mas, vamos avançar para a Reforma e a era Puritana.

4. Martinho Lutero (1483-1546)
Na Igreja primitiva, o Espírito Santo foi enviado de forma visível.  Ele desceu sobre Cristo na forma de uma pomba (Mt. 3:16), e à semelhança de fogo sobre os apóstolos e outros crentes.  (Atos 2:3) Esse derramamento visível do Espírito Santo foi necessário para o estabelecimento da Igreja primitiva, como também foram necessários os milagres que acompanharam o dom do Espírito Santo. Paulo explicou o propósito destes dons miraculosos do Espírito em I Coríntios 14:22, "as línguas são um sinal, não para os que crêem, mas para os que não crêem".  Uma vez que a Igreja tinha sido estabelecida e devidamente anunciada por estes milagres, a aparência visível do Espírito Santo cessou.

(Fonte: Martinho Lutero, traduzido por Theodore Graebner [Grand Rapids, Michigan: Zondervan, 1949]...., pp  150-172. A respeito do comentário de Lutero sobre Gálatas 4:6.)

5. João Calvino (1509-1564):
Embora Cristo não declare expressamente se Ele pretende que esse dom [de milagres] seja temporário ou a permaneça perpetuamente na Igreja, é mais provável que os milagres tenham sido prometidos apenas por um tempo, para dar brilho ao evangelho enquanto ele era novo ou em estado de obscuridade.

(Fonte: João Calvino, Comentário sobre os Evangelhos Sinóticos, III:389.)

O dom de cura, como o resto dos milagres, os quais o Senhor quis que fossem trazidos à luz por um tempo, desapareceu, a fim de tornar a pregação do Evangelho maravilhosa para sempre.

(Fonte: João Calvino, Institutas da Religião Cristã, IV: 19, 18.)

6. John Owen (1616-1683):
Dons que em sua própria natureza excederam completamente o poder de todas as nossas habilidades, essa dispensação do Espírito há muito cessou e onde ela agora é simulada por alguém, pode ser justamente presumida como um delírio entusiasmado.

(Fonte: John Owen, Obras, IV:518.)

7. Thomas Watson (1620-1686):
Claro, há tanta necessidade de ordenação hoje como no tempo de Cristo e no tempo dos apóstolos, quando então havia dons extraordinários na igreja, os quais agora cessaram.

(Fonte: Thomas Watson, As Bem-Aventuranças, 140.)

8. Mattew Henry (1662-1714):
O que eram esses dons nos é largamente dito no corpo do capítulo [1 Coríntios 12], ou seja, ofícios e poderes extraordinários, concedidos a ministros e cristãos nos primeiros séculos, para a convicção dos descrentes, e propagação do evangelho.

(Fonte: Mattew Henry, Comentário Completo, em referência a 1 Coríntios 12)

O dom de línguas foi um novo produto do espírito de profecia e dado por uma razão particular, retirar o judeu e demonstrar que todas as nações podem ser conduzidas à igreja. Estes e outros sinais da profecia, começaram como sinais, e há muito cessaram e foram deixados para trás, e nós não temos nenhum incentivo para esperar um avivamento deles; mas, pelo contrário, somos direcionados para o chamado das Escrituras a mais certa palavra de profecia, mais certa que vozes dos céus, e ela nos orienta a tomar cuidado, a busca-la e se firmar nela., 2 Pedro 1:29.

(Fonte: Mattew Henry, Prefácio ao Vol IV de sua Exposição do At e NT, vii.)

9. John Gill (1697-1771):
[Comentando 1 Coríntios 12:9 e 30,].

Agora esses dons foram concedidos comumente, pelo Espírito, aos apóstolos, profetas e pastores, ou anciãos da igreja, naqueles primeiros tempos: a cópia de Alexandria, ea versão Latina da Vulgata, dizem, "por um só Espírito".

(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:9.)

Não; quando estes dons estavam presentes, nem todos os possuíam.  Quando a unção com óleo, a fim de curar o doente, estava em uso, ela só foi executada pelos anciãos da igreja, e não pelos seus membros comuns, que deveriam buscar o doente nesta ocasião.

(Fonte: Comentário de John Gill de 1 Coríntios 12:30.)

10. Jonathan Edwards (1703-1758):
Nos dias de sua [Jesus] encarnação, os seus discípulos tinham uma medida dos dons miraculosos do Espírito, sendo habilitados desta forma para ensinar e fazer milagres.  Mas, depois da ressurreição e ascensão, ocorreu o mais completo e notável derramamento do Espírito em seus dons milagrosos que já existiu, começando com o dia de Pentecostes, depois da ressureição Cristo e Sua ascenção ao céu.  E, em conseqüência disto, não somente aqui e ali uma pessoa extraordinária era dotada de dons extraordinários, mas eles eram comuns na igreja, e assim continuou durante a vida dos apóstolos, ou até a morte do último deles, mesmo o apóstolo João, que viveu por cerca de cem anos desde nascimento de Cristo, de modo que os primeiros cem anos da era cristã, ou o primeiro século, foi a era dos milagres.

Mas, logo após a finalização do cânon da Escritura quando o apóstolo João escreveu o livro do Apocalipse, não muito antes de sua morte, os dons miraculosos tiveram seu fim na igreja. Pois, agora, a revelação escrita da mente e da vontade de Deus estava completa e estabelecida. Revelação na qual Deus havia perfeitamente gravado uma regra permanente e totalmente suficiente para Sua igreja em todas as eras.  Com a igreja e a nação judaica derrotadas, e a igreja cristã e a última dispensação da igreja de Deus estabelecidas, os dons miraculosos do Espírito já não eram mais necessários e, portanto, eles cessaram; pois embora eles tenham continuado na igreja por tantas eras, eles se extinguiram, e Deus fez com que fossem extintos porque já não havia ocasião favorável a eles.  E assim foi cumprido o que está dito no texto: “Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão;. Havendo ciência, desaparecerá".  E agora parece ser o fim para todos os frutos do Espírito tais como estes, e não temos mais razão de esperar que voltem.

(Fonte: Jonathan Edwards, sermão intitulado "O Espírito Santo deve ser comunicado ao Santos para sempre, In na graça da caridade, ou amor divino", em 1 Coríntios 13:8).

Os dons extraordinários foram dados para a fundação e o estabelecimento da igreja no mundo. Mas, depois que o cânon das Escrituras foi concluido e a igreja cristã foi plenamente fundada e estabelecida, os dons extraordinários cessaram.

(Fonte: Jonathan Edwards, Caridade e seus frutos, 29.)
* * * * *
Poderiamos adicionar a esta lista outros nomes: James Buchanan, R. L. Dabney, Charles Spurgeon, George Smeaton, Abraham Kuyper, William G. T. Shedd, B. B. Warfield. A. W. Pink, e assim por diante. Mas, tem que se admitir, eles são figuras históricas pós-iluministas.
Então, eu acho que é melhor usar seu testemunho em uma outra postagem.

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Original aqui.

TRADUÇÃO:  Traduzido por Isaias Lobao Pereira Junior e devidamente revisado por Arielle Pedrosa Borges.

O QUE O CESSACIONISMO NÃO É - PARTE 1

Por Nathan Busenitz

Muito barulho foi feito (nesse blog e em outro lugar) sobre os recentes comentários anti-cessacionistas feitos por um pastor popular de Seattle.  Não desejo começar uma guerra de palavras ou me envolver numa polêmica online.  Apenas espero fazer uma contribuição útil a esse tema.

Nos últimos anos, investiguei o registro histórico sobre os dons carismáticos, especialmente o dom de línguas.  Espero que o pastor citado, e seu co-autor, tratem o material de forma responsável em seus futuros trabalhos sobre o assunto (Quem sabe, talvez eles poderiam estar abertos a um livro com dois pontos de vista?)

Além disso, também espero que, ao criticar a posição cessacionista, os autores não criem uma caricatura do cessacionismo.  (Vou admitir que, com base no que li até agora, tenho medo de que a caricatura já esteja em construção.)

Contudo, em um esforço para desmantelar uma deturpação falaciosa antes de ser construída, ofereço os quatro seguintes esclarecimentos sobre o que o  cessacionismo não é:

1.   Cessacionismo não é contra o sobrenatural e nem nega a possibilidade dos milagres.
Quando se trata de compreender a posição cessacionista, a questão não é se Deus continua a fazer milagres hoje? Cessacionistas reconheceriam prontamente  que Deus pode agir a qualquer momento e da maneira que Ele escolher. John MacArthur explica que: 

Milagres na Bíblia (primariamente) ocorreram em três grandes períodos de tempo. O tempo de Moisés e Josué, o tempo de Elias e Eliseu, e o tempo de Cristo e os apóstolos.   . . . E durante esses três breves períodos de tempo, e somente neles, os milagres proliferaram; eles eram a norma, eram em abundância. Agora, Deus pode interpor-Se no fluxo humano sobrenaturalmente a qualquer hora que Ele quiser. Nós não o limitamos. O que simplesmente dizemos é que Ele escolheu limitar a Si mesmo em grande medida àqueles três períodos de tempo.

Assim, o cessacionismo não nega a realidade de que Deus pode fazer o que Ele quiser, sempre que Ele quiser. (Salmo 115:3). O cessacionismo não coloca Deus numa caixa ou limita sua prerrogativa soberana.

Ele reconhece que havia algo único e especial sobre o período e realização de milagres que definiu os ministérios de Moisés e Josué, Elias e Eliseu, e Cristo e seus apóstolos. Além disso, ele reconhece o fato aparentemente óbvio que esses tipos de milagres (como a divisão do mar, a interrupção da chuva, a ressurreição dos mortos,o andar sobre a água, ou a cura instantânea de coxos e cegos) não estão ocorrendo hoje.

Assim, os cessacionistas concluem que:

A era apostólica foi maravilhosamente única e está finalizada. E o que aconteceu nesse tempo, portanto, não é o paradigma para a vida cristã.O paradigma para a vida cristã é estudar a Palavra de Deus, que é capaz de nos tornar sábios e perfeitos. (Isto) é viver pela fé e não por vista.  (Ibid.)

Mas, será que Deus ainda pode fazer coisas extraordinárias no mundo de hoje?  Certamente que sim, se Ele escolher. Na verdade, cada vez que os olhos de um pecador são abertos para evangelho, e uma nova vida em Cristo é criada, isto nada mais é do que um milagre.

Em seu útil livro, Continua? Samuel Waldron habilmente expressa a posição cessacionista desta forma: 102):

Não estou negando os milagres no mundo de hoje no sentido mais amplo de ocorrências sobrenaturais e providências extraordinárias. Estou apenas dizendo que não existem milagres no sentido mais estrito dos operadores de milagres, que se utilizam de sinais miraculosos para atestar a revelação redentora de Deus. Embora Deus nunca tenha se colocado para fora do Seu mundo, e ainda tenha liberdade para fazer o que Lhe apraz, quando Lhe apraz, como Lhe apraz, e onde Lhe apraz, Ele deixou claro que o progresso da revelação redentora, atestada por sinais miraculosos feitos por operadores de milagres, terminou na revelação apresentada no Novo Testamento.

Portanto, a questão não é: Deus ainda faz milagres?  

Em vez disso, a questão definitiva deve ser esta: Os dons miraculosos do Novo Testamento continuam operando  hoje na igreja de tal forma que o que era norma nos dias de Cristo e dos apóstolos  deva ser esperado hoje?

A isso, todo cessacionista responderia que "não".

2.   O Cessacionismo não é fundamentado em uma única interpretação do "perfeito" em I Coríntios 13:10.
Com relação a esse assunto, parece que existe tantas abordagens sobre “o perfeito” entre os eruditos cessacionistas quanto existem comentaristas que escrevem a respeito de 1 Coríntios 13:8-13. O espaço desse artigo não permite uma investigação completa sobre o tema, mas somente uma rápida explanação das principais posições.

As diferentes visões
(1) Alguns (como F.F. Bruce) argumentam que o próprio amor é o perfeito. Assim, quando a plenitude do amor vier, os coríntios deixarão seus desejos infantis.

(2) Alguns (como B.B. Warfield) afirmam que o cânon completo da Escritura é o perfeito. A Escritura é descrita como "perfeita em Tiago 1:25, um texto em que a mesma palavra para “espelho” (como no v. 12) é encontrada (em Tiago 1:23). Assim, a revelação parcial será aniquilada quando chegar a plena revelação da Escritura. 

(3) Alguns (como Robert Thomas) afirmam que  a maturidade da igreja é o perfeito.  Esta abordagem é baseada na ilustração do verso 11 e a conexão entre esta passagem e Ef.  4:11–13. O momento exato da "maturidade" da igreja é desconhecido,embora embora esteja muito associada ao fechamento do cânon e o fim da era apóstolica. (cf. Ef.  2:20).

(4)Alguns (como Thomas Edgar) veem a condução do crente à presença de Cristo (no momento da morte) como o perfeito. Esta perspectiva considera o aspecto pessoal da afirmação paulina no verso 12. A experiência pessoal de Paulo do pleno conhecimento quando ele for conduzido a presença de Cristo em sua morte. (cf. 2 Co. 5:8).

(5) Alguns (como Richard Gaffin) veem o retorno de Cristo (e o fim desta era) como o perfeito. Este é o mesmo ponto de vista da maioria dos continuístas. Assim, quando Cristo voltar (como descrito no capítulo 15), a revelação parcial, como nós conhecemos agora, será completada.

(6) Alguns (como John MacArthur) compreendem  O estado eterno (no sentido geral) como o perfeito. Esta posição interpreta o neutro de to teleion como uma referência ao sentido geral dos eventos e não ao retorno pessoal de Cristo. Esta perspectiva combina as posições 4 e 5, citadas acima. De acordo com esta perspectiva: "Para os cristãos, o estado eterno inicia na morte, quando se encontram com o Senhor ou no arrebatamento, quando o Senhor o tomar para Si. (John MacArthur, Primeira Coríntios, p. 366).

Destas perspectivas, eu acho as três ultimas mais convincentes do que as três primeiras. Isto se deve principalmente, (eu confesso) ao testemunho da história da igreja. Dr. Gary Shogren, após um profundo estudo de mais de 169 referências patrísticas a esta passagem, conclui que a vasta maioria dos Pais da Igreja entendiam o perfeito como algo que está além desta vida(normalmente associando-o com o retorno de Cristo ou ao retorno de Cristo no céu.  Até mesmo João Crisóstomo (que era claramente um cessacionista) via desta maneira.  Embora não seja determinante, tal evidência histórica é de difícil rejeição.

Em todo caso, meu ponto aqui é simplesmente este: O intérprete pode tomar qualquer uma das posições acima e ainda permanecer cessacionista.  De fato, existem cessacionistas sustentando cada uma das posições listadas (como os nomes listados indicavam).

Deste modo, Anthony Thiselton observa em seu comentário sobre esta passagem: "O único ponto importante aqui é que poucos ou nenhum dos argumentos dos “cessacionistas” sérios dependem de uma exegese específica de 1 Cor 13:8-11 . . . Estes versos não devem ser usados como polêmica em nenhum dos lados neste debate "(NIGTC, pp 1063-1064). 1063–64).

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Original aqui.

TRADUÇÃO: Traduzido por Isaias Lobao Pereira Junior e devidamente revisado por Arielle Pedrosa Borges.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

AFINAL, O QUE ESTÁ ERRADO COM A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE?


Apesar de até o presente só ter melhorado a vida dos seus pregadores e fracassado em fazer o mesmo com a vida dos seus seguidores, a teologia da prosperidade continua a influenciar as igrejas evangélicas no Brasil.

Uma das razões pela qual os evangélicos têm dificuldade em perceber o que está errado com a teologia da prosperidade é que ela é diferente das heresias clássicas, aquelas defendidas pelos mórmons e "testemunhas de Jeová" sobre a pessoa de Cristo, por exemplo. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico. Ela não nega diretamente nenhuma das verdades fundamentais do Cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que a teologia da prosperidade diz, e sim o que ela não diz.
  • Ela está certa quando diz que Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que qualquer bênção vinda de Deus é graça e não um direito que nós temos e que podemos revindicar ou exigir dele. 
  • Ela acerta quando diz que podemos pedir a Deus bênçãos materiais, mas erra quando deixa de dizer que Deus tem o direito de negá-las quando achar por bem, sem que isto seja por falta de fé ou fidelidade de nossa parte.
  • Ela acerta quando diz que devemos sempre declarar e confessar de maneira positiva que Deus é bom, justo e poderoso para nos dar tudo o que precisamos, mas erra quando deixa de dizer que estas declarações positivas não têm poder algum em si mesmas para fazer com que Deus nos abençoe materialmente.
  • Ela acerta quando diz que devemos dar o dízimo e ofertas, mas erra quando deixa de dizer que isto não obriga Deus a pagá-los de volta.
  • Ela acerta quando diz que Deus faz milagres e multiplica o azeite da viúva, mas erra quando deixa de dizer que nem sempre Deus está disposto, em sua sabedoria insondável, a fazer milagres para atender nossas necessidades, e que na maioria das vezes ele quer nos abençoar materialmente através do nosso trabalho duro, honesto e constante.
  • Ela acerta quando identifica os poderes malignos e demônicos por detrás da opressão humana, mas erra quando deixa de identificar outros fatores como a corrupção, a desonestidade, a ganância, a mentira e a injustiça, os quais se combatem, não com expulsão de demônios, mas com ações concretas no âmbito social, político e econômico.
  • Ela acerta quando diz que Deus costuma recompensar a fidelidade mas erra quando deixa de dizer que por vezes Deus permite que os fiéis sofram muito aqui neste mundo. 
  • Ela está certa quando diz que podemos pedir e orar e buscar prosperidade, mas erra quando deixa de dizer que um não de Deus a estas orações não significa que Ele está irado conosco. 
  • Ela acerta quando cita textos da Bíblia que ensinam que Deus recompensa com bênçãos materiais aqueles que o amam, mas erra quando deixa de mostrar aquelas outras passagens que registram o sofrimento, pobreza, dor, prisão e angústia dos servos fiéis de Deus.
  • Ela acerta quando destaca a importância e o poder da fé, mas erra quando deixa de dizer que o critério final para as respostas positivas de oração não é a fé do homem mas a vontade soberana de Deus.
  • Ela acerta quando nos encoraja a buscar uma vida melhor, mas erra quando deixa de dizer que a pobreza não é sinal de infidelidade e nem a riqueza é sinal de aprovação da parte de Deus. 
  • Ela acerta quando nos encoraja a buscar a Deus, mas erra quando induz os crentes a buscá-lo em primeiro lugar por aquelas coisas que a Bíblia constantemente considera como secundárias, passageiras e provisórias, como bens materiais e saúde. 
A teologia da prosperidade, à semelhança da teologia da libertação e do movimento de batalha espiritual, identifica um ponto biblicamente correto, abstrai-o do contexto maior das Escrituras e o utiliza como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que não se encaixam. Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do Cristianismo bíblico que dificilmente poderia ser considerada como tal. Estou com saudades da época em que falso mestre era aquele que batia no portão da nossa casa para oferecer um exemplar do livro de Mórmon ou da Torre de Vigia...
 
ORIGINALMENTE PUBLICADO EM : Blog O Tempora, O Mores

quinta-feira, 7 de junho de 2012

ADÃO E A QUEBRA DOS DEZ MANDAMENTOS

Um Excerto de Edward Fisher

Nota Introdutória do Cristão Reformado
Edward Fisher foi um puritano londrino acerca de quem pouco se sabe, e morto por volta de 1655. De acordo com o Dr. Joel Beeke, “foi convertido ao pensamento puritano depois de conversar com Thomas Hooker”.[i] Fisher não era ministro ordenado, sendo, antes, um leigo “bastante versado nos temas teológicos”.[ii] É de sua autoria um livro intitulado The Marrow of Modern Divinity, publicado pela primeira vez em 1645 na forma de um diálogo entre quatro personagens: 1) Evangelista, que através das suas respostas a objeções levantadas apresenta a medula ou o cerne (“marrow”) da teologia reformada; 2) Neophytus, um cristão novo convertido; 3) Nomista, um legalista; e 4) Antinomista, alguém que não via razão para se falar em obediência à lei de Deus.

A obra de Edward Fisher teve ampla influência sobre um acontecimento denominado “Controvérsia do Cerne” (“Marrow Controversy”), entre os teólogos escoceses, de 1717 a 1723.[iii] Esta controvérsia teve início por conta do legalismo e neonomismo que ameaçava a Igreja da Escócia, porém, posteriormente, girou em torno “da defesa da necessidade da livre oferta do evangelho”.[iv] O livro em si apresenta grandemente aquele que é o pensamento reformado, tendo recebido o apoio entusiasmado dos irmãos Erskine (Ebenezer e Ralph), e de Thomas Boston, que se empenhou na publicação da obra em 1726, adicionando numerosas notas ao texto de Fisher. Interessantemente, os Erskine, Thomas Boston e outros que se posicionaram favoráveis ao livro ficaram conhecidos como The Marrow Men. É digno de nota que, de acordo com Joseph Hall, a controvérsia em torno do livro de Edward Fisher “é, em si, indicativa do declínio da ortodoxia teológica escocesa".[v] O testemunho de outro erudito, Michael D. Makidon, é o seguinte: “É lamentável, mas muitos dos críticos da obra estavam grosseiramente desinformados a respeito do seu conteúdo, no entanto, condenaram-no como heresia. Logo, aqueles que os subscreveram também foram condenados”.[vi]

Como Adão Quebrou os Dez Mandamentos? Eles Não Existiam – Ainda Introdução
Ninguém deve imaginar que Edward Fisher propôs que a quebra dos Dez Mandamentos por parte de Adão foi algo consciente. O Decálogo ainda não havia sido entregue de maneira formal e explícita. Contudo, isso não significa que os mesmos, como expressão da Lei Moral de Deus, que é eterna, ainda não existissem. Não havia ainda duas tábuas de pedra com os Dez Mandamentos, porém, a norma da lei, o seu cerne, já fora gravado no coração humano. É interessante a opinião de Francis Turretin, teólogo genebrino e professor da Academia de Genebra, instituição fundada por João Calvino. Discutindo o Pacto da Natureza[vii], Turretin afirma que o dever que o homem tinha para com Deus consistia num aspecto geral e noutro, especial. O geral “era o conhecimento de Deus e o culto devido a ele, justiça para com o seu próximo e todo tipo de santidade [...] O primeiro estava fundado na lei da natureza não escrita em um livro, mas gravada e estampada no coração”.[viii] Turretin fundamenta sua afirmação na passagem de Romanos 2.14-15: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se”.

O mandamento registrado em Gênesis 2.16-17 não era a única lei existente. Turretin diz que este mandamento era de cunho especial e simbólico. A árvore do conhecimento do bem e do mal era um sacramento, “um símbolo e prova da obediência do homem. Pois nela, como uma matriz, toda a lei natural estava incluída”.[ix]

Justifica-se, portanto, o arrazoado de Edward Fisher.

O Texto de Edward Fisher
O trecho traduzido abaixo é uma seção do primeiro capítulo na qual Evangelista explica a Nomista as sérias e graves implicações do pecado de Adão. Evangelista apresenta a Nomista quatro razões pelas quais a desobediência de Adão foi uma grande ofensa. Ele pergunta logo em seguida: “Poderia haver pecado maior do que o de Adão, visto que num piscar de olhos ele quebrou todos os Dez Mandamentos?”[x] Nomista, aparentemente assustado, diz: “Você diz que ele quebrou todos os Dez Mandamentos? Senhor, peço que me mostre onde!”

Eis a resposta:

1. Ele escolheu a si mesmo como outro deus quando seguiu o demônio.

2. Ele idolatrou e deificou o seu próprio ventre, como disse o apóstolo: “o deus deles é o ventre”.

3. Ele tomou o nome de Deus em vão, quando não acreditou nEle.

4. Ele não guardou o descanso e o estado em que Deus o colocou.

5. Ele desonrou seu Pai que estava no céu; e, portanto, seus dias não foram prolongados na terra que o Senhor Deus lhe havia dado.

6. Ele massacrou a si mesmo e a toda a sua posteridade.

7. De Eva, ele era virgem, mas com seus olhos e sua mente ele cometeu fornicação espiritual.

8. Como Acã, ele roubou o que Deus ordenara que fosse deixado de lado, e este roubo é a razão dos problemas de todo o Israel e de todo o mundo.

9. Ele deu um falso testemunho contra Deus, quando acreditou no testemunho que o diabo deu diante dele.

10. Como Amnom, ele cobiçou um mal, que cobiçado, custou-lhe a vida e a toda a sua descendência. Agora, quem considera que um ninho de males foi aqui cometido com um só golpe deve, necessariamente, como Musculus, ver o nosso caso como tal, que somos compelidos de todas as formas a bendizer a justiça de Deus, e condenar o pecado dos nossos primeiros pais, dizendo a respeito de toda a humanidade, como o profeta Oseias disse a respeito de Israel: “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (13.9).


[i] Joel R. Beeke e Randall J. Pederson. Paixão pela Pureza. São Paulo: PES, 2010. p. 323.

[ii] Ibid.

[iii] Para uma exposição interessante da Controvérsia do Cerne, remeto o leitor à obra já mencionada de autoria de Joel R. Beeke e Randall Pederson. Paixão pela Pureza. pp. 324-328.

[iv] Joseph H. Hall. “The Marrow Controversy: A Defense of Grace and the Free Offer of the Gospel”, “Mid-America Journal of Theology, nº 10 (1999). p. 241.

[v] Ibid. p. 243.

[vi] Michael D. Makidon. The Marrow Controversy. p. 73.

[vii] Nomenclatura usada por Turretin para se referir ao que comumente é denominado de Pacto das Obras.

[viii] Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Vol. 1. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 1992. p. 577.

[ix] Ibid. p. 579.

[x] Edward Fisher. The Marrow of Modern Divinity. 1991. p. 35. A presente edição é uma reimpressão da edição publicada por Thomas Boston, em 1726.
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