segunda-feira, 26 de março de 2012

CRISTÃOS PASSIVOS, EMPIRISTAS, OCUPADOS E APRESSADOS

Os filósofos e teólogos J. P. Moreland e William Lane Craig escreveram:

“Nossas igrejas, por infelicidade, estão superlotadas de pessoas que, na condição de cristãs, estão desperdiçando sua mente. Como observou Malik, elas podem ser espiritualmente regeneradas, mas sua mente não foi convertida: ainda pensam como descrentes. Apesar de seu compromisso cristão, elas continuam sendo basicamente personalidades vazias. O que é uma personalidade vazia? Alguém passivo, empírico, ocupado e apressado, incapaz de desenvolver uma vida interior. Trata-se de alguém especialmente individualista, infantil e narcíseo.

Imagine agora uma igreja cheia dessas pessoas. Qual será a compreensão teológica, a coragem evangélica e a penetração cultural dessa igreja? Se a vida interior realmente não importa tanto, por que desperdiçar tempo procurando desenvolver uma vida intelectual e espiritualmente madura? Alguém basicamente passivo não fará qualquer esforço para ler, preferindo antes se divertir. Quando um indivíduo possui uma orientação empírica, coisas como música, revistas cheias de figuras e mídias visuais em geral serão então mais importantes do que meras palavras em uma página ou pensamentos abstratos. Se a pessoa for apressada e distraída, ela terá pouca paciência para o conhecimento teórico e uma reduzida atenção incapaz de concentrar-se enquanto uma ideia está sendo cuidadosamente desenvolvida. E se alguém é muito individualista, infantil e narcisista, o que lerá, se é que lê alguma coisa? Livros sobre celebridades cristãs, novelas românticas cristãs que reproduzem o pior que o mundo tem a oferecer, livros de auto-ajuda cristãos cheios de slogans, moralmente simplistas, repletos de relatos e ilustrações e de diagnósticos inadequados dos problemas que o leitor enfrenta. O que não será lido são os livros que permitem às pessoas desenvolver uma compreensão bem pensada e teológica da fé cristã, e assumir seu papel na obra maior do reino de Deus. Uma igreja desse tipo ficará impotente para se levantar contra as poderosas forças da secularização que ameaçam arrastar as ideias cristãs na enxurrada do pluralismo irrefletido e do cientificismo desorientado. Essa igreja será tentada a medir seu sucesso basicamente em termos de números – alcançados por meio da adaptação cultural às personalidades vazias. Desse modo, a igreja acabará se tornando seu próprio coveiro, pois o meio para o seu ‘sucesso’ no curto prazo se transformará, com o correr do tempo, exatamente naquilo que a enterrará.

O que torna esse cenário descrito mais doloroso é saber que esse tipo de igreja não faz parte apenas de nossa imaginação; ao contrário, ele descreve muito bem inúmeras igrejas evangélicas hoje”.

FONTE: J. P. Moreland e William Lane Craig. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Vida Nova, 2008. pp.19-20.

2 comentários:

Clodoaldo Brunet disse...

Isso é lamentável, mas, infelizmente é a situação da maioria das igrejas. Hoje, a falta de conhecimento é vista como sinonimo de piedade. Já bachareis em teologia serem preteridos em presbitério não por sua falta de competência, mas justamente por sua capacidade acima dos demais. Isso, quebraria o status quo da situação. É lamentável mesmo. No meio acadêmico secular, muitas vezes há mais respeito pelo conhecimento do que dentro das igrejas. O mais lamentável ainda é que não estamos tratando de um conhecimento qualquer, mas, da revelação do criador dos céus e da terra.

ricardo eustaquio Lima disse...

O pior é o que estamos fazendo com o conhecimento sendo negligentes ,se nao o levamos a uma prática social constante e amplia.

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