segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SOBRE TIMOTHY KELLER E JOEL TAYLOR

“Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Tessalonicenses 5.21).

Na semana passada compartilhei um post escrito por Joel Taylor[1], intitulado 5 Reasons To Be Cautious with Tim Keller’s Theology. Nele o autor aponta cinco razões pelas quais precisamos ser cautelosos em relação à teologia de Timothy Keller, pastor-senior na Reedemer Presbyterian Church, em Manhattan, Nova York. As razões apontadas por Joel Taylor são as seguintes: 1) Endosso a um livro de uma mística oriental feminista chamada Adele Calhoun; 2) Keller considera o cristianismo atraente tanto para crentes como para descrentes, inclusive afirmando que o propósito da existência da igreja é dar as boas-vindas aos incrédulos para que estes cultuem com os crentes; 3) Recomendação do misticismo Católico Romano; 4) Ensino da espiritualidade contemplativa, do misticismo oriental e adoção de um livro chamado The Way of the Monk, que ajuda os estudantes a contatarem o seu “monge interior”; e 5) A negação da verdade bíblica da criação da terra jovem e da literalidade dos seis dias de 24 horas na criação.

O post se tornou motivo de controvérsia tão logo o compartilhei. Admiradores da teologia de Tim Keller prontamente saíram em sua defesa, escrevendo textos para explicar o porquê de sua admiração pelos escritos e ministério de Keller, afirmando que os calvinistas não podem ver algo que funciona que prontamente rotulam como pragmatismo, entre outras coisas.

Sinceramente, não vi na postagem compartilhada nada que devesse suscitar essa defesa tão apaixonada. Pelo contrário, vejo que as cinco razões apontadas por Taylor devem ser levadas em consideração. Creio que uma reflexão séria deveria ser empreendida, visto que as razões apontadas não são de somenos importância. Interessantemente, quem se apressou em defender e apontar razões pelas quais a teologia de Tim Keller deve ser apreciada, em nenhum momento tratou das alegações de Joel Taylor. Fica a pergunta: As cinco razões apontadas devem simplesmente ser ignoradas?

Particularmente, sei reconhecer os pontos positivos dos escritos e ministério de Keller. Seu livro, A Fé na Era do Ceticismo (The Reason for God), é de grande valor no que diz respeito à afirmação da fé cristã como plausível do ponto de vista racional. Outra obra de Keller, O Deus Pródigo (The Prodigal God) apresenta o evangelho de maneira apaixonada e bela. Inegavelmente, pontos positivos existem. No entanto, é preciso ser cauteloso, afinal de contas, todos os pastores e teólogos possuem “pés de barro”, ou seja, são falíveis.

O mesmo tipo de postura foi usada em relação a Mark Driscoll há algum tempo. Seus desvios doutrinários – relacionados à expiação, Trindade, dons revelacionais –, além do palavreado chulo usado em suas pregações e livros – o último deles, Real Marriage é um exemplo claro disso – sempre foram apontados por alguns, ao passo que outros o endossavam de maneira entusiasmada. Nem mesmo foram ouvidas as advertências feitas por homens do calibre de John MacArthur, R. Scott Clark e por último, Tim Challies e James White. Hoje em dia parece que, finalmente, compreenderam, pois aquele frenesi primevo passou e pouco se ouve falar em Driscoll.

Creio que um pouco de discernimento e disposição em cumprir o mandamento apostólico não fariam mal a ninguém. O apóstolo Paulo ordenou: “julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Tessalonicenses 5.21). Creio que existam dois extremos contra os quais essa passagem adverte. O primeiro deles é o de rejeitarmos determinadas coisas se reter aquilo que é bom, ou seja, sem saber reconhecer seus pontos positivos e suas virtudes. O outro extremo é o de retermos tudo, achando que tudo é bom, que tudo no ministério de uma determinada pessoa é bom, abstendo-nos assim, de exercermos julgamento, de exercitarmos o discernimento, a fim de termos cautela com algumas questões. John MacArthur colocou a questão de forma magistral: “O discernimento é tão crucial à vida cristã eficaz quanto a oração e o contentamento”.[2]

Se a “anorexia” em relação ao Novo Calvinismo é ruim, a “glutonaria” também o é.

Que o Senhor nos abençoe e nos conceda a disposição para exercitarmos o discernimento que recebemos dEle.



[1] Joel Taylor é pastor, residindo em Southwest Virgínia, nos Estados Unidos.

[2] John MacArthur, Jr. Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma Época de Erro. São José dos Campos: Fiel, 2006. p. 19.

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