quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

QUEM DEVE ORAR?

James W. Beeke e Joel R. Beeke

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 55.6-7).

Em Isaías 55, Deus mostra a Sua compaixão ao convidar “todos os que tendes sede” (v. 1) para entrar em Suas bênçãos prometidas. Esta sede de profundo anseio espiritual nos leva a Ele procurando por misericórdia; os versículos 6 e 7 enfatizam a urgência de responder-Lhe. O verbo buscar sugere o uso ativo dos meios de Deus para a oração. Aquele que nós buscamos é o SENHOR: o imutável, gracioso e mantenedor do Pacto, Jeová. Não devemos demorar, de forma tola, a abraçar a oferta de Deus; devemos busca-Lo “enquanto se pode achar” – agora – antes do dia da nossa morte. O profeta enfatiza a oração pessoal com as palavras “invocai-o”, lembrando-nos que a salvação oferecida por Deus está disponível agora, enquanto Ele “está perto” de nós com Sua Palavra e bênçãos. Não devemos rejeitar essa oferta. Se não atendermos ao chamado virá o tempo quando Ele não será achado e estaremos separados dEle para sempre. Deus exige todo o nosso coração para nos arrependermos dos nossos pensamentos, palavras e ações pecaminosos, recebendo pela fé Sua graça e misericórdia abundante e perdoadora, que excedem em muito as montanhas do nosso grande pecado e culpa.

Algumas pessoas argumentam que, porque não podem orar corretamente, é melhor que não orem de jeito nenhum. Elas retiram apoio de versículos da Escritura que descrevem as orações e culto dos pecadores como um fedor que incomoda a Deus e uma abominação aos Seus olhos. Elas dizem que Deus não ouve a pecadores e que o que não provém da fé é pecado.

A primeira parte desse argumento – que não podemos orar corretamente – é verdadeira, mas a conclusão de que é melhor não orar de jeito nenhum é falsa. Se esse raciocínio fosse verdadeiro, então, poderíamos tirar conclusões semelhantes a respeito de todos os tipos de atividades espirituais. Posso ler a Bíblia corretamente? Se não, é melhor que não a leia. Posso cantar salmos e hinos corretamente? Se não, é melhor não cantá-los. Posso ir à igreja corretamente? Se não, é melhor que eu não vá. Se esse raciocínio fosse verdadeiro, ele manteria os crentes mais distantes da oração do que os incrédulos, uma vez que são os crentes que mais sentem suas enfermidades pecaminosas. É o convertido ou o não-convertido que está mais familiarizado com a sua indignidade? Quem verdadeiramente reconhece que é uma abominação e ofensa a Deus? Quem reconhece plenamente que é um pecador que não tem fé? Quem entende que Deus tem todos os motivos para não ouvir a sua oração – o convertido ou o não-convertido? Esse tipo de argumento, que soa piedoso, na verdade é uma perigosa e ímpia desculpa e uma perversão da mensagem do evangelho. É perigoso acreditar, ensinar ou implicar que não podemos orar até que estejamos perfeitos ou que podemos nos aproximar de Deus apenas quando estivermos espiritualmente justos. O Salmo 130.3-4 encoraja o culpado, que não pode estar diante do Senhor, a vir até Ele: “Se observares, SENHOR, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”.

O evangelho chama os pobres, os coxos e cegos, aqueles que estão cheios de pecado e de feridas espirituais podres, para virem a Cristo, a fim de receberem a cura – a Ele que se deleita em mostrar misericórdia e amor a criaturas miseráveis. Lutero disse certa vez: “Ser salvo é se perder aos pés de Jesus”. O objetivo final de Satanás é manter os pecadores distantes de Jesus Cristo. Se ele não conseguir fazer isso como um leão que ruge, tentará fazê-lo como um anjo de luz. Se você está profundamente preocupado em saber se é a obra genuína do Espírito Santo ou a obra enganosa de Satanás que está em teu coração, faça um teste com essa chave-bíblica: o primeiro te chama para junto de Cristo, o último se esforça por mantê-lo distante de Cristo.

Pecamos quando cantamos salmos, vamos à igreja, lemos a Escritura ou quando oramos e nosso coração não é reto diante de Deus. Mas pecamos duplamente, não apenas quando o nosso coração não é reto diante de Deus, mas também quando negligenciamos o dom divino da oração. Não podemos negar a pecaminosidade do homem, conforme revelada pela lei de Deus; nós somos pecadores, poluídos e uma abominação aos olhos de Deus. Mas também não podemos negar o evangelho de Deus. Ele se deleita em salvar os pecadores e os encoraja a virem até Ele (João 6.37). Ambas as verdades não devem nos impedir de vir a Jesus Cristo, mas devem nos dirigir até Ele, o único remédio para o pecado. O evangelho deve nos levar a orar: “Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador. Por favor, retire toda a injustiça com a qual estou cheio e me encha de tudo aquilo que me falta – a justiça de Jesus Cristo”.

Deus falou a toda a casa de Israel: “permitirei que seja eu solicitado pela casa de Israel” (Ezequiel 36.37). “Buscai o SENHOR”. Você é muito pecaminoso para não orar. Pecadores são as pessoas que verdadeiramente necessitam de oração. Por isso, ore.

FONTE: James W. Beeke e Joel R. Beeke. Developing a Healthy Prayer Life. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2010. pp. 1-3.

Um comentário:

Clodoaldo Brunet disse...

Precisamos orar!Depender mais do Senhor.

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