quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

ORE EM NOME DE CRISTO

Por James W. Beeke e Joel R. Beeke

“Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (João 16.24).

Embora encerremos frequentemente nossas orações com “por amor de Jesus”, frequentemente oramos por amor de nós mesmos. Apesar de condenarmos a doutrina da salvação por meio das nossas próprias boas obras e de crermos na salvação pela graça baseada nos méritos de Cristo, essa verdade frequentemente é esquecida de um modo prático em nossa vida diária de oração.

Tendemos a pensar que, quando temos ternos sentimentos, um vivo sentimento de profunda reverência, um sentimento de um coração humilde, uma forte sensação da presença de Deus, ou uma seriedade real para com o Senhor, que Deus ouvirá a nossa oração. Se raciocinarmos dessa forma, sobre o quê estaremos baseando o nosso julgamento? Será que acreditamos realmente que Deus ouvirá a nossa oração por amor de Jesus, ou por amor a nós? Pensamos que Deus ficará satisfeito, com base em nossos sentimentos, para nos dar o que pedimos? Acreditamos que as nossas orações, por si mesmas, merecem ser ouvidas, respondidas e recompensadas por um Deus perfeito, que pode ser satisfeito unicamente por uma perfeita justiça? Se assim for, estaremos denegrindo as perfeições de Deus – ao nosso próprio nível e, assim, insultando Seu Ser santo e infinito.

Orar em nome de Cristo não é basear minha esperança e expectativa de ser ouvido sobre os méritos das minhas “boas” orações. Em vez disso, é orar colocando toda a minha confiança nos méritos de Jesus Cristo e em Sua intercessão. Algumas vezes sentimos que nossas orações são tão pobres e vazias que nós desesperamos de sermos ouvidos pelo Senhor. Podemos ser tão pouco perseverantes, gratos e sentirmos tanto vazio em nossas orações que concluímos que Deus nunca irá ouvi-las. Raciocinar dessa forma mostra a ausência de oração “por amor de Jesus”. Além disso, testifica da descrença na graça de Deus e no seu amor por pecadores indignos.

Jesus nos ensinou: “Até agora nada tendes pedido em meu nome” (João 16.24). Orar em nome de Cristo é buscar refúgio nEle como o Filho amado de Deus – o Único em quem o Pai se deleita ouvir e honrar. Orar em nome de Jesus inclui confessar quem é o verdadeiro Deus e Mestre em minha vida. Enquanto condenamos as orações feitas aos ídolos como sendo tolas, quantas vezes não temos orado ao ídolo do nosso ego? Frequentemente curvamos os nossos joelhos diante do deus do nosso ego. Satanás tentou Jesus, dizendo: “Ajoelhe-se e me adore”. Pense em quão degradante esse insulto foi a Deus! Nossas orações podem testificar que olhamos para o deus do nosso ego com a atitude de que nós somos o senhor e mestre. Ainda nos atrevemos a dizer a Deus para fazer o que pedimos. Agimos como se fôssemos o Senhor e Deus o nosso servo. Você já se sentiu culpado por isso em suas orações e já foi preso pela idolatria egoísta da sua oração?

Uma das razões pelas quais pedimos e não recebemos é porque pedimos em nosso próprio nome. É semelhante a uma criança que pede alguma coisa ao seu pai, mas seu pedido não está baseado nas necessidades ou no julgamento dos pais e boa vontade em dar. Em vez disso, seu pedido é baseado, de forma egoísta, sobre uma ou duas coisas que ela fez para ajudar em casa. Devido a isso, agora a criança pensa que tem o direito de dizer a seus pais exatamente o que quer que eles façam, e até mesmo como e quando devem fazer. Se seus pais verdadeiramente amam essa criança, responderão às suas exigências egoístas da forma e no momento em que ela quer?

Uma clara evidência desse problema na vida de oração dos cristãos é quando gastamos mais tempo nos preparando para vir a Cristo do que em realmente vir até Ele. Pais, o que vocês pensariam do seu filho que possui uma necessidade, mas passa horas se aprontando, pensando em como dizer as coisas de uma maneira perfeita, trabalhando para demonstrar os sentimentos corretos, mostrando os maneirismos adequados, e em seguida, esperando, talvez, que vocês estarão dispostos a ouvi-lo? Isso honraria ou insultaria você e seu amor por seu filho?

Orar em nome de Cristo exige o repúdio da oração em nosso próprio nome. Orar em nome de Cristo testifica não apenas do nosso status como pecadores, mas também do status de Cristo como Salvador – do nosso pecado, e Sua graça! De forma maravilhosa, a Escritura nos ordena, amorosamente, orar em nome de Cristo.

FONTE: James W. Beeke e Joel R. Beeke. Developing a Healthy Prayer Life. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2010. pp. 4-6.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

QUEM DEVE ORAR?

James W. Beeke e Joel R. Beeke

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Isaías 55.6-7).

Em Isaías 55, Deus mostra a Sua compaixão ao convidar “todos os que tendes sede” (v. 1) para entrar em Suas bênçãos prometidas. Esta sede de profundo anseio espiritual nos leva a Ele procurando por misericórdia; os versículos 6 e 7 enfatizam a urgência de responder-Lhe. O verbo buscar sugere o uso ativo dos meios de Deus para a oração. Aquele que nós buscamos é o SENHOR: o imutável, gracioso e mantenedor do Pacto, Jeová. Não devemos demorar, de forma tola, a abraçar a oferta de Deus; devemos busca-Lo “enquanto se pode achar” – agora – antes do dia da nossa morte. O profeta enfatiza a oração pessoal com as palavras “invocai-o”, lembrando-nos que a salvação oferecida por Deus está disponível agora, enquanto Ele “está perto” de nós com Sua Palavra e bênçãos. Não devemos rejeitar essa oferta. Se não atendermos ao chamado virá o tempo quando Ele não será achado e estaremos separados dEle para sempre. Deus exige todo o nosso coração para nos arrependermos dos nossos pensamentos, palavras e ações pecaminosos, recebendo pela fé Sua graça e misericórdia abundante e perdoadora, que excedem em muito as montanhas do nosso grande pecado e culpa.

Algumas pessoas argumentam que, porque não podem orar corretamente, é melhor que não orem de jeito nenhum. Elas retiram apoio de versículos da Escritura que descrevem as orações e culto dos pecadores como um fedor que incomoda a Deus e uma abominação aos Seus olhos. Elas dizem que Deus não ouve a pecadores e que o que não provém da fé é pecado.

A primeira parte desse argumento – que não podemos orar corretamente – é verdadeira, mas a conclusão de que é melhor não orar de jeito nenhum é falsa. Se esse raciocínio fosse verdadeiro, então, poderíamos tirar conclusões semelhantes a respeito de todos os tipos de atividades espirituais. Posso ler a Bíblia corretamente? Se não, é melhor que não a leia. Posso cantar salmos e hinos corretamente? Se não, é melhor não cantá-los. Posso ir à igreja corretamente? Se não, é melhor que eu não vá. Se esse raciocínio fosse verdadeiro, ele manteria os crentes mais distantes da oração do que os incrédulos, uma vez que são os crentes que mais sentem suas enfermidades pecaminosas. É o convertido ou o não-convertido que está mais familiarizado com a sua indignidade? Quem verdadeiramente reconhece que é uma abominação e ofensa a Deus? Quem reconhece plenamente que é um pecador que não tem fé? Quem entende que Deus tem todos os motivos para não ouvir a sua oração – o convertido ou o não-convertido? Esse tipo de argumento, que soa piedoso, na verdade é uma perigosa e ímpia desculpa e uma perversão da mensagem do evangelho. É perigoso acreditar, ensinar ou implicar que não podemos orar até que estejamos perfeitos ou que podemos nos aproximar de Deus apenas quando estivermos espiritualmente justos. O Salmo 130.3-4 encoraja o culpado, que não pode estar diante do Senhor, a vir até Ele: “Se observares, SENHOR, iniquidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam”.

O evangelho chama os pobres, os coxos e cegos, aqueles que estão cheios de pecado e de feridas espirituais podres, para virem a Cristo, a fim de receberem a cura – a Ele que se deleita em mostrar misericórdia e amor a criaturas miseráveis. Lutero disse certa vez: “Ser salvo é se perder aos pés de Jesus”. O objetivo final de Satanás é manter os pecadores distantes de Jesus Cristo. Se ele não conseguir fazer isso como um leão que ruge, tentará fazê-lo como um anjo de luz. Se você está profundamente preocupado em saber se é a obra genuína do Espírito Santo ou a obra enganosa de Satanás que está em teu coração, faça um teste com essa chave-bíblica: o primeiro te chama para junto de Cristo, o último se esforça por mantê-lo distante de Cristo.

Pecamos quando cantamos salmos, vamos à igreja, lemos a Escritura ou quando oramos e nosso coração não é reto diante de Deus. Mas pecamos duplamente, não apenas quando o nosso coração não é reto diante de Deus, mas também quando negligenciamos o dom divino da oração. Não podemos negar a pecaminosidade do homem, conforme revelada pela lei de Deus; nós somos pecadores, poluídos e uma abominação aos olhos de Deus. Mas também não podemos negar o evangelho de Deus. Ele se deleita em salvar os pecadores e os encoraja a virem até Ele (João 6.37). Ambas as verdades não devem nos impedir de vir a Jesus Cristo, mas devem nos dirigir até Ele, o único remédio para o pecado. O evangelho deve nos levar a orar: “Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador. Por favor, retire toda a injustiça com a qual estou cheio e me encha de tudo aquilo que me falta – a justiça de Jesus Cristo”.

Deus falou a toda a casa de Israel: “permitirei que seja eu solicitado pela casa de Israel” (Ezequiel 36.37). “Buscai o SENHOR”. Você é muito pecaminoso para não orar. Pecadores são as pessoas que verdadeiramente necessitam de oração. Por isso, ore.

FONTE: James W. Beeke e Joel R. Beeke. Developing a Healthy Prayer Life. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2010. pp. 1-3.

O QUE É A ORAÇÃO?

James W. Beeke e Joel R. Beeke

Você está prestes a embarcar numa jornada através da parte mais importante da vida e experiência cristãs, o desenvolvimento de uma vida saudável de oração. Então, o que é a oração?

A oração é o ato de estabelecer uma ligação entre dois pontos bem específicos: as nossas necessidades humanas e os recursos que Deus nos oferece em Cristo. Você pode começar em qualquer um dos pontos e chegar ao outro na oração.

Os verdadeiros cristãos têm descoberto que Deus, em Cristo, oferece-lhes graça, misericórdia, perdão, paz, vida e amor. Isto é revelado no evangelho ou “boas-novas” de Jesus Cristo (2Pedro 1.2-4). E os verdadeiros cristãos têm experimentado o quanto precisam dessas coisas – de fato, como o coração clama por elas em oração (Salmo 84.2).

A oração identifica os desejos do coração e os expressa a Deus. Ela pode ser silenciosa ou audível. Pode ser tão simples como “Deus, sê propício a mim, pecador” (Lucas 18.13) ou tão detalhada quanto a oração sacerdotal de Cristo (João 17), na qual Ele derramou tudo o que desejava que Deus o Pai desse àqueles que acreditam no Senhor Jesus Cristo. A oração pode até assumir a forma de uma canção. Os Salmos são chamados de “as orações de Davi” (Salmo 72.20).

A oração cristã abraça a vontade de Deus como revelada na Escritura como a sua regra ou guia. O objetivo é pedir as coisas em harmonia com o que Deus quer para nós. As promessas da Aliança de Deus, seladas com o sangue de Cristo (1Coríntios 11.25) são a base mais segura para a oração (2Coríntios 1.20). Quando a vontade divina e a humana concordam com a regra de Deus, certamente a oração será respondida (1João 5.14-15).

A oração cristã desenvolve o modo como os crentes passam a confiar em Cristo mais e mais para tudo aquilo que necessitam ou são chamados a fazer, até mesmo para saber como orar ou para pedir a graça de continuar orando. Não temos nenhuma reclamação contra Deus, mas devemos confiar inteiramente no mérito e na intercessão de Cristo, além da indispensável assistência do Espírito Santo (Romanos 8.26). É por isso que Cristo nos ordena a pedirmos “em meu nome” (João 15.16; 16.24).

A oração cristã também é parte do nosso arrependimento pelo pecado. Na oração, confessamos os nossos pecados, pedindo a Deus que nos perdoe os pecados e suplicando a força de que necessitamos para abandoná-los e mortificá-los. Da perspectiva de Deus, um pecado verdadeiramente confessado é um pecado perdoado (Salmo 32.5). Além do mais, o mesmo Deus que perdoa o pecado purifica o crente de toda injustiça (1João 1.9).

Finalmente, a oração cristã é um ato de adoração (Salmo 65.1-2). Como chegamos a conhecer Deus em Cristo, somos movidos a louvá-lo como o Deus Todo-poderoso e nosso Pai celestial. Como nós experimentamos a obra de Deus em nossas vidas diariamente, aprendemos a agradecer pelos muitos dons perfeitos e bons que Ele nos oferece misericordiosamente por sua mão paternal (Tiago 1.17). Também aprendemos a nos alegrar nas provações, dificuldades, perdas e tristezas, pois estas coisas não vêm até nós por acaso, mas de acordo com a vontade de Deus de cumprir o seu propósito para nós (Romanos 8.28,29).

Temos muito que aprender para termos uma vida de oração verdadeiramente saudável. Ore por graça para abrir o seu coração à Palavra e ao Espírito de Deus, a fim de receber o conselho dessas meditações com uma mente ensinável e uma consciência moldável. Comece agora orando por um coração compreensivo e por graça para crescer no conhecimento de Cristo.

FONTE: James W. Beeke e Joel R. Beeke. Developing a Healthy Prayer Life. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2010. pp. xi-xii.

ORDENAÇÃO E INSTALAÇÃO DE UMA DIACONISA NA IGREJA PASTOREADA POR TIMOTHY KELLER

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SOBRE AS IGREJAS RELEVANTES

Cito um trecho de David F. Wells, Coragem para Ser Protestante. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 53:

"Entretanto, lidemos com a realidade. Os evangélicos estão temerosos, mas com medo das coisas erradas. Estão profundamente apreensivos com a possibilidade de se tornarem obsoletos, de serem deixados para trás, por assim dizer, de ficarem ultrapassados, de não serem mais relevantes. Não pensam que deveriam ser, primeiro e antes de tudo, relevantes em referência a Deus e sua verdade. Isso lhes parece uma consideração de pouca monta, conquanto lhes sejam relevantes em termos do último modismo comportamental da cultura (pós) moderna".

Verdade!

SOBRE TIMOTHY KELLER E JOEL TAYLOR

“Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Tessalonicenses 5.21).

Na semana passada compartilhei um post escrito por Joel Taylor[1], intitulado 5 Reasons To Be Cautious with Tim Keller’s Theology. Nele o autor aponta cinco razões pelas quais precisamos ser cautelosos em relação à teologia de Timothy Keller, pastor-senior na Reedemer Presbyterian Church, em Manhattan, Nova York. As razões apontadas por Joel Taylor são as seguintes: 1) Endosso a um livro de uma mística oriental feminista chamada Adele Calhoun; 2) Keller considera o cristianismo atraente tanto para crentes como para descrentes, inclusive afirmando que o propósito da existência da igreja é dar as boas-vindas aos incrédulos para que estes cultuem com os crentes; 3) Recomendação do misticismo Católico Romano; 4) Ensino da espiritualidade contemplativa, do misticismo oriental e adoção de um livro chamado The Way of the Monk, que ajuda os estudantes a contatarem o seu “monge interior”; e 5) A negação da verdade bíblica da criação da terra jovem e da literalidade dos seis dias de 24 horas na criação.

O post se tornou motivo de controvérsia tão logo o compartilhei. Admiradores da teologia de Tim Keller prontamente saíram em sua defesa, escrevendo textos para explicar o porquê de sua admiração pelos escritos e ministério de Keller, afirmando que os calvinistas não podem ver algo que funciona que prontamente rotulam como pragmatismo, entre outras coisas.

Sinceramente, não vi na postagem compartilhada nada que devesse suscitar essa defesa tão apaixonada. Pelo contrário, vejo que as cinco razões apontadas por Taylor devem ser levadas em consideração. Creio que uma reflexão séria deveria ser empreendida, visto que as razões apontadas não são de somenos importância. Interessantemente, quem se apressou em defender e apontar razões pelas quais a teologia de Tim Keller deve ser apreciada, em nenhum momento tratou das alegações de Joel Taylor. Fica a pergunta: As cinco razões apontadas devem simplesmente ser ignoradas?

Particularmente, sei reconhecer os pontos positivos dos escritos e ministério de Keller. Seu livro, A Fé na Era do Ceticismo (The Reason for God), é de grande valor no que diz respeito à afirmação da fé cristã como plausível do ponto de vista racional. Outra obra de Keller, O Deus Pródigo (The Prodigal God) apresenta o evangelho de maneira apaixonada e bela. Inegavelmente, pontos positivos existem. No entanto, é preciso ser cauteloso, afinal de contas, todos os pastores e teólogos possuem “pés de barro”, ou seja, são falíveis.

O mesmo tipo de postura foi usada em relação a Mark Driscoll há algum tempo. Seus desvios doutrinários – relacionados à expiação, Trindade, dons revelacionais –, além do palavreado chulo usado em suas pregações e livros – o último deles, Real Marriage é um exemplo claro disso – sempre foram apontados por alguns, ao passo que outros o endossavam de maneira entusiasmada. Nem mesmo foram ouvidas as advertências feitas por homens do calibre de John MacArthur, R. Scott Clark e por último, Tim Challies e James White. Hoje em dia parece que, finalmente, compreenderam, pois aquele frenesi primevo passou e pouco se ouve falar em Driscoll.

Creio que um pouco de discernimento e disposição em cumprir o mandamento apostólico não fariam mal a ninguém. O apóstolo Paulo ordenou: “julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Tessalonicenses 5.21). Creio que existam dois extremos contra os quais essa passagem adverte. O primeiro deles é o de rejeitarmos determinadas coisas se reter aquilo que é bom, ou seja, sem saber reconhecer seus pontos positivos e suas virtudes. O outro extremo é o de retermos tudo, achando que tudo é bom, que tudo no ministério de uma determinada pessoa é bom, abstendo-nos assim, de exercermos julgamento, de exercitarmos o discernimento, a fim de termos cautela com algumas questões. John MacArthur colocou a questão de forma magistral: “O discernimento é tão crucial à vida cristã eficaz quanto a oração e o contentamento”.[2]

Se a “anorexia” em relação ao Novo Calvinismo é ruim, a “glutonaria” também o é.

Que o Senhor nos abençoe e nos conceda a disposição para exercitarmos o discernimento que recebemos dEle.



[1] Joel Taylor é pastor, residindo em Southwest Virgínia, nos Estados Unidos.

[2] John MacArthur, Jr. Ouro de Tolo? Discernindo a Verdade em uma Época de Erro. São José dos Campos: Fiel, 2006. p. 19.

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