sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O PRINCÍPIO REGULADOR E O CANTO NO CULTO - PARTE 1

Por Stephen Pribble


Pastor da Igreja Presbiteriana Ortodoxa da comunidade da Graça em Holt, Michigan (USA).



Joe[i] foi criado em um lar cristão e veio a crer em Cristo logo em seus primeiros anos. Durante seu periodo na faculdade ele se tornou familiarizado com a teologia reformada através de alguns livros que tornou emprestado de um amigo. Mais tarde esse seu conhecimento tornou-se um crescente compromisso. Ele começou a frequentar reuniões de uma associação estudantil reformada e frequentava os cultos numa igreja próxima onde o calvinismo era defendido eloquentemente.


Depois de se formar ele se casou e conseguiu emprego em outra cidade. de e sua esposa Bárbara entraram para urna igreja presbiteriana conservadora e tornaram-se membros ativos.


Posteriormente Joe leu um livro que o convenceu de que a igreja deveria cantar apenas os Salmos no culto. Ele ansiosamente compartilhou esta sua nova compreensão com Bárbara, que também ficou persuadida por esse posicionamento. Joe e Bárbara continuaram a frequentar os cultos de sua igreja, mas sentiram que precisavam ficar em silêncio sempre que a congregação cantasse hinos. Os outros membros começaram a notar isso e faziam-lhes perguntas. Joe e Bárbara tranquilamente explicavam sua nova compreensão do principio regulador do culto. Muitos de seus amigos mais chegados ainda desejavam cantar hinos, e poucos lamentavam que o culto deles não correspondesse mais ao padrão de Joe e Bárbara.


Entre as congregações reformadas e presbiterianas conservadoras hoje há homens e mulheres iguais a Joe e Bárbara, que têm se convencido de que a Bíblia requer apenas, exclusivamente, a salmodia, o salmodiar. Eles se sentem constrangidos a ficar em silêncio durante o canto de hinos. Além disso, há denominações inteiras que existem para promover a salmodia exclusiva. Esta é uma questão delicada. Aqueles que cantam hinos sentem que seus irmãos que cantam exclusivamente os Salmos têm uma atitude de superioridade (“Minha adoração é mais pura que a de vocês”) . Os cantores dos salmos são mais dogmáticos que seus irmãos que cantam hinos, nem entendem o principio regulador como denunciam uma inconsistência óbvia quando a questão é música. Os cantores de hinos frequentemente se atrapalham em expor os versos das Escrituras que apóiem suas práticas, ou então eles as justificam com o argumento luterano “A Bíblia não proíbe cantar hinos”, em vez de mostrarem um mandamento direto para se cantar hinos.


As Escrituras afirnam: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!”(Sl 133:1). Contudo, desde que as igrejas usam o canto no culto, a música é uma dessas áreas onde os cristãos permanecem divididos. Recentemente, ouviu-se um pastor exclamar exasperado: “Eu sugiro que façamos uma lei proibindo qualquer música no culto pelos próximos cem anos!” Há alguma esperança dos cristãos virem a concordar nesta questão fundamental? O que as Escrituras ensinam acerca da música no culto? Nós devemos considerar as seguintes questões: (1) Há uma ordenança para cantarmos os Salmos no culto? e (2) Nós devemos cantar apenas cânticos inspirados no culto?


O Princípio Regulador
O princípio regulador requer que o homem adore a Deus apenas conforme Ele tem ordenado em Sua Palavra. Acrescentar elementos de inovação humana na adoração a Deus atrai Seu justo desagrado[ii]. Como é definido no Catecismo Menor: “O segundo mandamento proibiu a adoração de Deus através de imagens, ou qualquer outra forma não indicada em Sua Palavra.”[iii] Os oficiais presbiterianos fazem um voto solene de defender este princípio fundamental.


Os defensores da salmodia exclusiva raciocinam que desde que Deus ordenou o canto dos Salmos no culto, cantar qualquer outra coisa a mais na adoração é contrário às Escrituras e uma transgressão do princípio regulador. Um escritor declarou: “Já que os Salmos são claramente prescritos nas Escrituras para a adoração, a obrigação de provar o grau de relevância em que as Escrituras se referem a isso, repousa com toda a certeza nos ombros daqueles que introduziriam o canto de hinos não inspirados no culto a Deus.”[iv] Se as Escrituras nos ordenam cantar os Salmos na adoração, então o princípio regulador requer que a igreja cristã não cante nada além disso. Mas é verdadeiro que “os Salmos são claramente prescritos nas Escrituras para a adoração”? Por mais surpreendente que isto possa parecer; a resposta é não.


O Vocabulário do Louvor
É um fenômeno da linguagem que palavras podem ter dois sentidos, um sentido geral e um especial[v] a palavra salmo é uma dessas palavras. De acordo com o Oxford English Dictionary (Dicionário Inglês de Oxford)* a palavra salmo[vi] pode ser definida como: “1. No sentido geral: qualquer música sacra que seja ou possa ser cantada em culto religioso; um hino[vii]: especialmente no uso bíblico... Também, de forma mais geral, qualquer cântico ou ode de caráter sacro ou solene... 2. No sentido especial: qualquer um dos cânticos sagrados ou hinos dos antigos hebreus que formam em conjunto o ‘Livro dos Salmos’...; uma versão ou paráfrase de qualquer um destes, especialmente quando cantados (ou lidos) em culto público ou privado.”** Portanto, a palavra salmo pode se referir a um cântico de forma geral, ou a algum dos cânticos sagrados no Saltério do Antigo Testamento especificamente.


Antigo Testamento — Há quatro diferentes substantivos na Bíblia hebraica traduzidos por salmo***: zimrah, zamir (plural zemirot), mizmor, e tehillah.[viii] Destes, há um que sempre se refere aos salmos contidos no Saltério: mizmor. Esta palavra aparece apenas nos títulos dos Salmos hebraicos e pode ser considerada como um termo técnico para Salmo.[ix]


É extremamente significante que em nenhum lugar nas Escrituras nós somos ordenados de modo específico a cantar mizmor, o termo técnico para Salmo. Na verdade, ao convocar que se cante ao Senhor, as Escrituras usam invariavelmente termos significando “louvor” em sentido mais geral. Por conseguinte, somos convocados a cantar zemirot e zimrah; também somos convocados a “zammeru” (forma plural do verbo). Estas são palavras derivadas da mesma raiz que mizmor, mas afinidade não atesta igualdade[x]. Nós examinaremos todas as referências das Escrituras que ordenam o canto dos salmos.


Em dois lugares nós somos convocados: “Cantai- lhe, cantai-lhe salmos; narrai todas as suas maravilhas.” (1 Cr 16:9, Sl 105:2). Embora a tradução faça parecer - que Deus está ordenando que cantemos o livro dos Salmos, na realidade não há nenhum substantivo hebraico para salmos nesses versos. O hebraico usa, mais precisamente, um verbo que significa “cantar; cantar louvores, entoar música”[xi]. Em outros lugares o mesmo verbo é traduzido das seguintes formas: ...salmodiarei ao Senhor Deus de Israel” (Jz 5:3). “Cantai louvores ao Senhor, que habita em Sião; proclamai entre os povos os seus feitos” (S19:11). “Glorificar-te-ei, pois, entre os gentios, ó Senhor, e cantarei louvores ao teu nome.” (18:49). “Cantarei e salmodiarei ao Senhor” (51 27:6). “Salmodiai ao Senhor, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome” (30:4). “Para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor; Deus meu, graças te darei para sempre” (30:12). “Deus é o rei de toda a terra, salmodiai com harmonioso cântico” (47:7). A ti, Força minha, cantarei louvores, porque Deus é meu alto refúgio, é o Deus da minha misericórdia” (59:17). “Quanto a mim, exultarei para sempre; salmodiarei louvores ao Deus de Jacó” (75:9). “Cantarei a bondade e a justiça; a ti, Senhor, cantarei” (101:1). “Cantarei ao Senhor enquanto eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida” (104:33). “Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom; cantai louvores ao seu nome, porque é agradável” (135:3). “Louvarei ao Senhor durante toda a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver” (146:2). “Cantai louvores ao Senhor; porque fez cousas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra” (Is 12:5). Portanto, a ordem “Cantai- lhe, cantai-lhe salmos”, mais precisamente que cantar o Saltério de modo restrito, como pode parecer, é na realidade de uma natureza geral e ordena que se cante louvores a Deus, o que, por conseguinte, os cristãos têm a obrigação de fazer.


Mais ainda, somos exortados: “Saiamos ao seu encontro, com ações de graça, vitoriemo-lo com salmos” (SI 95:2). Neste texto das Escrituras há um substantivo referindo-se ao conteúdo do que deve ser cantado, mas novamente não é o termo técnico mizmor e, sim, o termo mais geral zemirot, cânticos. A evidência de que esta palavra não se refere invariavelmente ao Saltério do Antigo Testamento provém do uso dela em outros lugares: “Mas ninguém diz: Onde está Deus que me fez, que inspira canções de louvor durante a noite” (Já 35:10). “Os teus decretos são motivo dos meus cânticos, na casa da minha peregrinação” (SI 119:54). “Dos confins da terra ouvimos cantar: Glória ao Justo” (Is 24:16). A palavra é ainda usada quando se refere ao canto hostil de triunfo[xii] dos inimigos: “Tu abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o caLor pela sombra da espessa nuvem, assim o hino triunfal dos tiranos será aniquilado” (Is 25:5).


A tradução em inglês do Salmo 98:5 parece ser um exemplo mais próximo de salmodia exclusiva “Cantai com harpa louvores ao Senhor, com harpa e voz de canto.” Igualmente nós lemos: “Salmodiai e fazei soar o tamboril, a suave harpa com o saltério” (SI 81:2). A palavra usada para salmo nestes versos é zimrah, outro termo geral da mesma raiz que significa melodia ou cântico[xiii]. Esta palavra é igualmente traduzida de diferentes maneiras: “O Senhor é a minha força e o meu cântico, ele me foi por salvação” (Ex 15:2; cf. Sl 118:14). “Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação” (Is 12:2). “Porque o Senhor tem piedade de Sião; terá piedade de todos os lugares assolados dela, e fará o seu deserto como o Eden, e a sua solidão como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ações de graça e som de música” (Is 51:3). “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5:23).


Em todas estas ordenanças é digno de nota que são usados termos que denotam “louvor” (o léxico de autoridade reconhecida Brown, Driver, Briggs nem mesmo classifica “Salmo” como uma definição possível de zimrah ou zamir). Aqueles que defendem a salmodia exclusiva não têm comprovado o uso do sentido mais restrito: o Saltério. Entender o sentido genérico “louvor” não transgride nenhuma passagem das Escrituras, e, conforme tentaremos mostrar, faz mais sentido com o ensino total escriturístico.


Novo Testamento — A palavra grega psalmos pode também ter um significado geral, “cantar louvores”, e o significado mais especial “Salmo”. Ela é ligada ao verbo psallo, denotando “cantar (com acompanhamento de harpa), cantar louvores”.[xiv] Além do mais, no sentido especial há uma variedade de significados:pode se referir tanto ao livro dos Salmos como um todo (Lc 20:42; At 1:20); a um Salmo particular (At 13:33), como também à terceira divisão inteira da Bíblia hebraica conhecida como “escritos”[xv], da qual o livro dos Salmos era a primeira e maior (Lc 24:44). Nenhum desses textos específicos das Escrituras em Lucas ou Atos ordena o canto no culto.


O apóstolo Paulo em 1 Coríntios 14:26 faz uma alusão à prática corrente em Corinto: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina, este traz revelação, aquele outra língua, e ainda outra interpretação. Seja tudo feito para edificação.” Aqui o termo salmo poderia ser tomado em ambos os sentidos, no geral (cantar louvores) e também no especial (um Salmo); o contexto não o deixa claro. Em todo caso, a ordenança não é para trazer um salmo (qualquer que seja o tipo), doutrina, língua, revelação ou interpretação, mas para que no culto todas as coisas “sejam feitas para edificação”.


A referência em Tiago 5:13 (“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.”) na verdade não contém o substantivo psalmos, como pode parecer, mas o verbo psallo, “cantar (com o acompanhamento da harpa), cantar louvores”. Poderia ser traduzido simplesmente: “Então cante!” “Alguém está feliz? Cante louvores.”


As duas últimas referências do Novo Testamento são textos clássicos e merecem uma atenção especial: “Habite ricarnente em vós a palavra de Cristo; instruí- vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão, em vossos corações” (Cl 3:16), e “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais” (Ef 5:19). A menção dos salmos nestes versos provavelmente se refere ao Saltério do Antigo Testamento, usado, por assim dizer, como um catálogo das várias categorias de cânticos. Nem o texto de Efésios, nem o de Colossenses se referem especificamente ao culto público do Senhor; não há nestes textos a ordenança para que se cante “salmos e hinos e cânticos espirituais” no culto. Na verdade, não há realmente nenhuma indicação direta acerca do assunto em questão. Mas, mesmo admitindo que haja nesses versos uma aplicação ao culto cristão, é preciso ser enfatizado que a frase completa “salmos e hinos e cânticos espirituais” conforme é usada por Paulo é sem dúvida no sentido abrangente e não no restrito; inclui todos os cânticos legítimos usados no culto conforme determinado em toda a Escritura. Se o Espírito Santo, falando através do apóstolo inspirado tinha a intenção de ensinar o uso exclusivo dos Salmos, seria fácil ter dito: “instruí- vos e aconselhai-vos mutuamente en biblo psalmon [com o livro dos Salmos]” (como é feito em Lc 20:42, At 1:20), omitindo completamente qualquer menção a hinos e cânticos espirituais. Argumenta-se que o termo grego usado, psalmois, humnois e odais, aparecem nos títulos dos Salmos na Septuaginta, e é verdade).[xvi] Mas isto não comprova que eles sejam termos técnicos referentes exclusivamente aos Salmos.[xvii]



O fato de que essas palavras sejam usadas numa tradução grega do Antigo Testamento com relação aos Salmos não prova que eles se refiram invariavelmente aos Salmos e que não possam se referir a qualquer outra coisa, ou que o uso que Paulo faz deles em outro contexto exija que se refiram ao Saltério.[xviii] Mais na frente voltaremos a este assunto.



FONTE: Revista Os Puritanos. Ano VIII - Nº 3 - Julho/Agosto/Setembro - 2000. pp. 20-23.



NOTAS:


[i] Personagem fictício com o propósito de ilustração.


[ii] Observe o quão severamente Deus puniu tais inovações humanas em Levítico 10:1-2: “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram neles fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, o que lhes não ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor, e os consumiu; e morreram perante o Senhor.”


[iii] Resposta à pergunta 51.


[iv] Michael Bushell, The Songs ofZion (Os Cânticos de Sião) (Pittsburgh: Crown and Covenant Publications, 1980), p. 49.


[v] Veja, por exemplo: livro, o livro; ceia, a ceia; casa, a casa; senhor, o Senhor.


* Considerado o melhor dicionário da língua inglesa (NT).


[vi] De acordo com a explicação no Oxford English Dictionary, a palavra salmo deriva do grego “psalm-os, uma vibração (das cordas da harpa), o som da cítara ou harpa, uma canção para ser acompanhada pela harpa, de psallein, vibrar, ressoar, tocar (com os dedos), cantar para ser acompanhado com harpa (na LXX e N.T.)”


[vii] Em uma citação (séc. 1175 AD.) transcrita pelo Oxford English Dictionary, a palavra salmo é aplicada ao Credo: “The salm thet heo alie thus writen wes ihaten. Credo. efter than formeste word of the salm.”


** O Dicionário Aurélio traz uma definição parecida (NT).


*** O autor tem como referência a tradução da Bíblia na língua inglesa. Na versão revista e atualizada João Ferreira de Almeida o termo em questão está traduzido muitas vezes por “cantar louvores” e não “salmo” (NT).


[viii] Este termo, derivado de hillel, louvar, é usado no título do Salmo 145, tehillah leda wid. A frase toda é traduzida pela KJV (King lames Version - versão tradicional da Bíblia em Inglês. NT) como “Salmos de louvor de Davi” (entendendendo tehilla como “de louvor” e fornecendo a palavra salmo em itálico para esclarecimento.) A obra clássica de consulta, A Hebrewandtngfish Lexicon oítheOld Testament(Lexico Hebraico e Inglês do Antigo Testamento), editado por Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs (Oxíord: Claredon Press, 1906 119801), pp. 239-40, relaciona um dos significados de tehillah: “3. cântico de louvor, como título, tehihim leda widlSalmo 145:11 (da mesma forma no hebraico moderno sephertehihim& tehihim,, tehillim = salmos).”


[ix] Assim identificado em Brown, Driver, Briggs, op. cit., p. 274. Mizmor é encontrado em 57 para se cantar louvores a títulos dos Salmos: Salmos 3, 4, 22, 23, 24, 29, 30, 31, 38, 39, 40, 41, 47, 48, 49, 50, 51, 62, e 63, 64, 65, 66, 67, 68, 73, 75, 76, 77, 79, 80, 82, 83, 84, 85, 87, 88, 92, 98, 100, 101, 108, 109, 110, 139, 140, 141, e 143. A KJV acrescenta o termo salmo (em itálico) onde no hebraico não há nenhum equivalente em 1 Crônicas 16:7 e nos títulos dos Salmos 11, 14, 18, 25, 26, 27, 28, 32, 34, 35, 36, 37, 52, 53, 54, 55, 61, 69, 70, 72, 81, 103, 138, 144 e 145; não há nenhum grego equivalente em Atos 13:35, Nem zimrah nem zamir aparecem nos títulos dos Salmos.


[x] Um fenômeno similar existe no Inglês: canticle(cântico), cantata (cantata), chant (cantar repetidas vezes uma frase ou palavra), enchantment (feitiço) e incantation (encantamento), todos provenientes do mesmo radical, mas não há como confundilos. Nós demitiríamos o regente do coral se ele fizesse um incantation em vez de uma cantata!


[xi] R. Laird Harris; Gleason L. Archer, Jr; e Bruce K. Waltke; eds., Theological Wordbook oíthe Old Testament(Dicionário Teológico do Antigo Testamento) (Chicago: Moody Press, 1980), 1:245. Brown, Driver, Briggs, op. cit., dá como significado “entoar música, melodia”.


[xii] Brown, Driver, Briggs, op. cit., p. 274.


[xiii] Idem.


[xiv] W E. Arndt eE. W. Gingrich, ed., A Greek-English Lexicon oí lhe New Testameni and Other Early Ghristian Literature (Lexico Grego-Inglês do Novo Testamento e Outras Literaturas Cristãs Primitivas) (Chicago: The University of Chicago Press, 1957), p. 899.


[xv] Kethubim hebraico, abrangendo os Salmos, jó, Provérbios, Rute, Cantares de Salomão, Eclesiastes, Lamentações, Ester Daniel,’ Esdras, Neemias e os dois livros de Crônicas.


[xvi] “Precisamos levar em consideração várias questões quando tratarmos com comprovações baseadas na Septuaginta (LXX). Primeiro, ela é uma tradução e por isso não tem autoridade equivalente ao original hebraico. Além disso, sua tradução dos Salmos não e considerada uma tradução cuidadosa, mas uma paráfrase interpretativa. Ela é classificada com “textos de estilo popular” em distinção aos “textos de estilo conservador” (Norman L. Geisler e William E. Nix, A General Introduction lo the Bible IChicago: Moody Press, 1968!, p. 265). Nix escreveu: “Em termos de qualidade de tradução, a LXX não foi realizada de forma consistente... lElal varia de uma tradução literal simplória da Torah à tradução livre dos Escritos” (Versions, Ancients and Medieval” na Wycliííe Bíble Encyclopedia Chicago: Moody Press, 19751, p. 1771). Como ilustração de sua tendência à paráfrase livre, observe que ela acrescenta títulos aos seguintes Salmos onde não há de forma alguma no hebraico todos cem numeração inglesa): 33, 43, 71, 91, 93, 94, 96, 97, 99,104, 105, 107, 114, 116, 117, 118, 119, 135, 136, 137, 146, 147 e 148. Ela omite “de Davi” onde isto há no título em hebraico do Salmo 127. Ela acrescenta “de Davi” onde não há no hebraico nos títulos dos Salmos 33, 43, 67, 91, 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 104 e 137.


[xvii] As observações de Murray concernente ao uso dos termos psalmos, humnos e ode na LXX seria mais convincente sea prática nas Escrituras como um todo fosse a de se cantar invariavelmente no culto exclusivamente os Salmos colecionados (The Scriptural Warrant RespectingSong in lhe Public Worship oíGodas Stated lo rhe Minorit,v Report oí the Gommittee on Song in lhe Pubilc Worship oí God Submitted lo lhe fourteenth General Assembly oíthe Orthodox Presbyterian Ghurch, 1947, reeditado pela The Publications Commitee, Presbyterian Reformed Church, Vienna, Virginia, n.d., pp. 9-1 1). Deve-se notar que a LXX não limita seu uso dos termos psalmois, humnois, e odais às seleções musicais celetadas no livro dos Salmos. A oraçâo de Habacuque (na tradução inglesa está “Habakkuk’s psalm”, isto é, Salmo de Habacuqueu NT) é chamada ode(Hb 3:1, 19); igualmente, os cânticos de Moisés (Ex 15:1, Dt31 :19,21,22,30,32:44), Débora e Baraque (jz 5:1 2), Davi (2 Sm 22:1) e Salomão (1 Re 4:32). Em (saías 42:10 somos exortados a cantar um humnon novo. Em Amós 5:23 Deus deseja afastar-se das odes e psalms de Israel, e em 8:10 Ele ameaça converter suas odes em lamentações (provavelmente não se referindo aos Salmos, pois naquele contexto é improvável que o reino do norte ainda fosse fiel ao canto do Saltério ao mesmo tempo em que se entregava à idolatria). O uso no Novo Testamento é idêntico. Em Apocalipese 5:9 e 14:3 o novo cântico dos santos na glória é chamado ode; da mesma forma, em 15:3,0 cântico de Moisés (que começa “Grandes e maravilhosas são tuas obras, Senhor Deus, Todo-poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, é Rei das nações!” — não proveniente do Saltério) também é chamado uma ode.

[xviii]Mesmo o defensor da salmodia exclusiva Bushell reconhece que “Em raras ocasiões o termo psalmos pode se referir a músicas não devocionais (Jó 21.12; Lm 3:14)” (op. cit., p. 72).

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