quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

COMO ESCREVER UM ENSAIO TEOLÓGICO

John M. Frame
Por John M. Frame


O que se segue é meu método de pesquisa e escrita teológica. Há certamente muitos outros, e nem sonho em impor a minha abordagem a quem quer que seja. Contudo, você deve partir de algum ponto, com algum tipo de modelo em sua cabeça; e, depois de alguns anos de trabalho nesse campo, continuo achando que o seguinte plano tem algum mérito.

Todos os ensaios teológicos, mesmo os que são dedicados às ideias originais do autor, envolvem alguma pesquisa. (Esse é o caso mesmo quanto aos ensaios e outras apresentações não redigidos num estilo acadêmico tradicional.) No mínimo envolve pesquisa exegética e uma inteligente interação com textos bíblicos. De outro modo, à obra teológica dificilmente poderá arrogar-se alguma qualidade escriturística; e, se não for escriturística, simplesmente será sem valor. Adicionalmente, em geral deve haver alguma interação com outros teólogos ortodoxos, a fim de proteger-nos de alguma aberração individualista. Pode haver também alguma interação com alguma teologia não ortodoxa, e, na esfera secular, com a ciência, a política, a economia, a filosofia, as tendências culturais, e coisas semelhantes, em termos de contraste, crítica, e “ponto de contato”.

Além disso, todo ensaio deve conter alguma coisa do próprio teólogo. Raramente é suficiente apenas dizer ao leitor o que alguma outra pessoa diz (um “ensaio expositivo”, como eu lhe chamo). Nos trabalhos do nível de seminário também não é adequado firmar uma série de argumentos-“padrão” sobre um assunto – argumentos que têm sido utilizados repetidamente. Descrevo os trabalhos desse tipo como “linhas partidárias”. Essas muitas vezes são úteis; é bom você ter na ponta da língua os argumentos-padrão a favor do batismo infantil, por exemplo. Eu mesmo uso frequentemente esse tipo de argumento quando falo com inquiridores. Mas em geral os argumentos tipo linha partidária não são próprios para os ensaios teológicos. Exposições, sumários, pesquisas, linhas partidárias – todas essas coisas são, essencialmente, regurgitações de ideias obtidas de outras fontes. Envolvem pouco pensamento analítico ou crítico. Mas esse é precisamente o pensamento necessário, se é que se espera que o ensaio represente um avanço no conhecimento da igreja.

A integração entre a pesquisa e o pensamento criativo pessoal é, pois, a meta – ou melhor, é um importante meio pelo qual chegar à meta final da edificação. Para cumprir esse propósito, trabalho de acordo com os seguintes passos (mais ou menos):

1. Escolha um tópico com cuidado, um tópico que ajude as pessoas e que você possa manejar adequadamente dentro do tempo que lhe estiver disponível e dentro da extensão do documento que você pretende escrever (e na extensão da apresentação não escrita).

2. Procure entender as suas fontes. Deve-se fazer exegese completa dos textos da Escritura. Quanto às outras fontes, em geral faço esboços completos das mais importantes. Se estou fazendo resenha de um livro (ao menos em certa extensão), costumo esboçar o volume inteiro, procurando entender precisamente a estrutura dos argumentos, o que é dito e como é dito. As fontes menos importantes, isto é, as que são referidas só de passagem ou das quais só pequenas porções são de interesse, podem ser tratadas com intensidade proporcionalmente menor; mas o teólogo tem a responsabilidade de fazer uso correto mesmo de fontes incidentais.

3. Escreva o que você achar interessante. Depois de fazer esboços das minhas fontes, costumo tornar a lê-las (mais depressa na segunda vez, pois o esboço ajuda) para descobrir coisas que me interessam. Eu redijo (com página de referências) qualquer coisa que me pareça especialmente útil, qualquer coisa que seja especialmente ruim, qualquer coisa que causa confusão ou perplexidade, qualquer porção que possa acrescentar uma fatia ao meu escrito. Esse é o princípio da real atividade teológica (embora a criatividade de certo tipo não deva faltar inteiramente nem aos estágios 1 e 2).

4. Faça perguntas acerca das suas fontes. Qual é o propósito do autor? A que perguntas ele está tentando responder, e como as responde? Tente parafrasear a posição dele da melhor maneira que puder. A posição dele é clara? Analise toda e qualquer ambiguidade. Que é que ele está dizendo, se lhe dermos a melhor interpretação possível? E se lhe dermos a pior? E a mais provável? Se você topar com alguma coisa especialmente interessante, acrescente-a às notas mencionadas no passo 3.

5. Formule uma perspectiva crítica das suas fontes. Como você as avalia? Use os critérios 1 a 9 do Apêndice E [Avaliando Escritos Teológicos]. Sempre é preciso haver uma avaliação, positiva ou negativa; se você não souber o que é bom ou ruim numa fonte, não poderá fazer nenhum uso responsável dela. Claro está que, quanto a um texto da Escritura, a avaliação sempre deve ser positiva. Com relação a outros textos, geralmente há algum elemento de avaliação negativa.

6. Organize as suas notas de acordo com os tópicos de interesse. Geralmente eu revejo as minhas anotações e anoto tudo o que se relaciona com um tópico particular. O computador pode prestar boa assistência aqui.

7. Depois pergunte: Que é que eu quero dizer aos meus ouvintes com base em minha pesquisa? Determine um ou mais pontos que você acha que os seus leitores, ouvintes, entrevistadores (etc.) devem saber. Esse propósito deve determinar plenamente a estrutura da sua apresentação. Omita tudo o que lhe seja estranho. Você não precisa contar aos seus ouvintes tudo o que aprendeu. Aqui vão algumas coisas que você pode escolher para fazer nesse ponto: (a) Faça perguntas. Por vezes uma pergunta bem formulada pode ser edificante, mesmo que o teólogo não tenha resposta. É bom que saibamos algo que é misterioso, algo que está além da nossa compreensão. (b) Analise um texto ou um grupo de textos teológicos. Análise não é “exposição”, mas “explicação”. Ela descreve por que o texto está organizado ou fraseado de certa maneira – seu pano de fundo histórico, suas relações com outros textos, etc. (c) Compare ou contraste duas ou mais posições. Mostre as suas semelhanças e diferenças. (d) Desenvolva implicações e aplicações dos textos. (e) Suplemente os textos de algum modo. Acrescente ao seu ensino algo que você ache importante. (f) Ofereça crítica – avaliação positiva ou negativa. (g) Apresente uma combinação do que antes foi exarado. É evidente que o objetivo é ser claro justamente sobre o que você está fazendo.

8. Seja autocrítico. Antes de escrever e enquanto escreve o seu trabalho, antecipe objeções. Se você estiver criticando Barth, imagine Barth olhando por sobre o seu ombro, lendo o seu manuscrito, apresentando as suas reações. Esse ponto é crucial. Uma atitude verdadeiramente autocrítica pode livrar você da falta de clareza e de argumentos fracos. Também o livrará da arrogância e de um dogmatismo injustificável – defeito comum a toda teologia (liberal bem como conservadora). Não hesite em dizer “provavelmente”, ou até mesmo “não sei”, quando as circunstâncias o exigirem. A autocrítica também o tornará mais profundo. Sim, pois, frequentemente – talvez usualmente – são as objeções que nos forçam a repensar as nossas posições, a ir além das nossas ideias superficiais, a labutar com questões teológicas realmente profundas. Quando você antecipar objeções às suas réplicas a objeções às suas réplicas, e assim por diante, se verá arrastado irresistivelmente para a esfera das “questões difíceis”, para a esfera das profundezas teológicas.

Na autocrítica o uso da imaginação teológica é tremendamente importante. Faça constantemente perguntas como estas: (a) Posso tomar a ideia da minha fonte num sentido mais favorável? Num sentido menos favorável? (b) A minua ideia provê o único escape da dificuldade, ou há outros meios de escape? (c) Ao tentar escapar de um extremo ruim, corro o perigo de cair num mal diferente no outro lado? (d) Posso pensar nalguns exemplos contrários às minhas generalizações? (e) Devo esclarecer os meus conceitos, para evitar que sejam mal compreendidos? (f) Minhas conclusões vão ser controvertidas, e por isso exigem mais argumentos do que os que eu planejei?

9. Resolva quem serão os seus ouvintes. Crianças de certa idade? Descrentes? Cristãos novos na fé? Com bom nível educacional? Sem instrução? Treinados teologicamente? Eruditos profissionais? Americanos? De outras nações? Os ouvintes escolhidos terão grande efeito sobre o formato e o estilo da apresentação.

10. Tome sua decisão sobre o formato e o estilo. Aqui também a flexibilidade é importante. Considere diversas possibilidades: (a) ensaio de pesquisa acadêmica, (b) sermão, (c) forma de diálogo (forma valiosa por muitas razões, não sendo a menor delas que o diálogo estimula você a ser mais autocrítico), (d) peça teatral, (e) poesia, (f) fantasia, (g) alegoria), (h) meios mistos, (i) artigo popular. Existem muitas outras formas.

11. Produza a sua formulação – no papel ou no meio que preferir. Fazer um esboço antes é útil, mas geralmente me vejo alterando o esboço quando noto para onde o texto vai indo mais naturalmente. É mais útil reescrever a formulação. Um processador de palavras pode ser imensamente útil nesse ponto. Se você tem problemas com a estruturação de sentenças, com a organização de parágrafos, etc., muitas vezes é útil ler seu trabalho em voz alta, preferivelmente para outra pessoa.

A força de impacto não deve estar num sumário da sua pesquisa (isso seria um ensaio “expositivo”), mas em sua própria resposta criativa à sua pesquisa. Não gaste dez páginas para a exposição e só uma para a avaliação ou para a análise. Só inclua exposição suficiente para explicar e justificar as suas conclusões.

O trabalho todo deve ser fundamentado na oração. Temos visto a importância da ação soberana de Deus para o êxito da teologia e da apologética. Quem mais pode produzir conhecimento de Deus senão o próprio Deus?

FONTE: John M. Frame. A Doutrina do Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 387-390.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

AVALIANDO ESCRITOS TEOLÓGICOS

John Frame
Por John Frame


Nos apêndices E, F e G pretendo reafirmar alguns dos princípios do livro que são particularmente relevantes para os “jovens teólogos”, seminaristas, que estão escrevendo os seus primeiros ensaios teológicos. Espero que eles também sejam úteis para alguns mais idosos! Embora muitos desses pontos tenham sido expostos no livro, espero colocá-los aqui numa forma talvez mais conveniente: listas de aferição pelas quais os estudantes podem comparar os seus escritos teológicos com os de outros.

A primeira lista de aferição é uma relação de maneiras pelas quais os artigos, as preleções e os livros podem ser avaliados.

1. Base Escriturística. As ideias são ensinos da Escritura? São ao menos coerentes com a Escritura? Naturalmente, esse é o principal critério.

2. Veracidade. Mesmo que uma ideia não se ache na Escritura, pode ser verdadeira – por exemplo, uma teoria a respeito da influência de Bultmann sobre Pannenberg.

3. Força lógica. A causa do autor é defendida adequadamente? Suas premissas são verdadeiras, seus argumentos são válidos?

4. Edificação (Ef 4.29). É espiritualmente proveitoso? Nocivo? É difícil dizer?

5. Vida cristã fiel. O texto exibe o fruto do Espírito, ou é blasfemo, indiscreto, descortês, etc.?

6. Importância. A ideia é importante? Trivial? Alguma coisa entre essas duas? Importante para alguns, mas não para outros?

7. Clareza. Os termos-chave são bem definidos, ao menos implicitamente? A estrutura formal é inteligível, bem pensada? As posições do autor são claras? Ele formula bem os pontos sobre os quais fala e distingue uns dos outros?

8. Profundidade. O texto lida com questões difíceis, ou só com questões fáceis? (Robert Dick Wilson, o grande especialista em Antigo Testamento, usava como lema: “Não fujo das questões difíceis” – um bom lema para ficar na memória dos teólogos). Vai ao âmago do assunto? Anota distinções e nuances sutis que outros escritores omitem? O texto demonstra discernimento extraordinário de alguma espécie?

9. Forma e estilo. São próprios para o assunto em foco? Mostram criatividade?

O ponto mais importante dessa lista é o primeiro, naturalmente. No ensino que ministro no seminário, me inclino a graduar os trabalhos dos alunos mais pela clareza, 7, pela força lógica, 3, e pela profundidade, 8, em razão da dificuldade de aplicar testes doutrinários e práticos num cenário acadêmico.

Os seguintes critérios não são sólidos, pelas razões discutidas no livro. Não faça uso destes na avaliação de obras teológicas.

10. Ênfase. Ver o Capítulo 6, A. Nessa espécie de crítica um teólogo ataca outro por ter uma “ênfase” imprópria. Mas isso que se chama ênfase normativa singular é coisa que não existe. Uma ênfase só se torna um problema quando leva a outros tipos de problema, os mencionados nos itens 1 a 9.

11. Comparabilidade. Ver o Capítulo 8, 1, (3)-(5). Aqui uma obra é criticada porque é parecida com outra obra considerada pobre. Contudo, essa semelhança nunca é base suficiente para crítica. Os pontos fortes e os pontos fracos devem ser avaliados individualmente.

12. Terminologia. Ver o Capítulo 6, C, (1) e o Capítulo 7, C e D (especialmente D, (5)). Criticar a terminologia de uma obra – suas metáforas, seus temas dominantes e suas definições – nunca é válido, a menos que a terminologia cause algum ou alguns dos problemas listados nos critérios 1 a 9. A terminologia propriamente dita nunca é o problema. Esse tipo de crítica cai sob a nossa condenação da crítica no “nível das palavras”, antes que no “nível das sentenças”.

FONTE: John M. Frame. A Doutrina do Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 385-386.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 7

Joshua Harris e Shannon.
Por Joshua Harris


7. O namoro cria um ambiente artificial para avaliar o caráter de outra pessoa.
Apesar de muitos relacionamentos não serem direcionados para o casamento, alguns - especialmente entre estudantes de faculdade mais velhos - têm o casamento como sua motiva­ção. As pessoas que querem sinceramente descobrir se deter­minada pessoa é uma boa opção para o casamento precisam entender que o namoro típico, na verdade, atrapalha este pro­cesso. O namoro cria um envolvimento artificial para duas pessoas interagirem. Consequentemente, cada pessoa pode facil­mente apresentar uma imagem igualmente artificial.

Na entrada da garagem de casa temos uma cesta de bas­quete que permite o ajuste em diferentes alturas. Quando regu­lo a cesta quase um metro abaixo do padrão, eu pareço ser um excelente jogador de basquete. Enterrar não é nenhum proble­ma. Eu deslizo pelo chão e faço a cesta todas as vezes. Mas a minha “habilidade” existe apenas porque eu rebaixei os padrões - eu não estou jogando no ambiente real. Me coloque em uma quadra com o aro a três metros do chão, e eu volto a ser um “homem branco que não sabe enterrar.” [1]

De modo semelhante, o namoro cria um ambiente arti­ficial que não exige que a pessoa apresente as suas característi­cas positivas e negativas. Em um namoro, a pessoa pode entrar no coração do parceiro usando atitudes cheias de charme. Ele dirige um carro legal e paga todas as despesas; ela é linda. Mas e daí? Ser um cara divertido em um passeio não diz nada sobre o seu caráter ou a sua habilidade em ser um bom marido ou esposa.

O namoro é algo divertido, em parte porque nos dá uma folga da realidade. Por esta razão, quando estiver casado eu planejo ter o hábito de namorar com a minha esposa. No ca­samento, você precisa tirar uma folga da tensão do trabalho e das crianças; você precisa “dar uma rugida” de vez em quan­do. Mas duas pessoas que estão avaliando a possibilidade de se casarem precisam ter certeza que elas interagem não apenas em situações divertidas e românticas do namoro, A sua prio­ridade não deve ser fugir da vida real; eles precisam de uma boa dose de realidade objetiva! É necessário ver o outro nas situações reais da vida com familiares e amigos. Eles preci­sam ver o outro servindo e trabalhando. Como ele interage com as pessoas que o conhecem melhor? Como ele reage quan­do as coisas não saem como planejado? Ao considerar um parceiro em potencial, precisamos encontrar respostas a estas questões - questões que o namoro não irá responder.


[1] n.t. - Título de um filme sobre jogadores de basquete de rua.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 6

Joshua Harris
Por Joshua Harris


6. O namoro pode causar desgosto com o dom de permanecer solteiro dado por Deus
No aniversário de três anos do meu irmão, ele ganhou uma linda bicicleta azul. A miniatura de bicicleta era novíssima, completa com rodinhas auxiliares, equipamentos de proteção e adesivos. Pensei que ele não poderia desejar uma bicicleta melhor, e mal podia esperar para ver a sua reação.

Mas para o meu desgosto, meu irmão não parecia im­pressionado com o presente. Quando meu pai tirou a bicicleta da caixa de papelão, meu irmão a observou por um momento, sorriu, e então começou a brincar com a caixa. Demorou al­guns dias para que eu e a minha família o convencesse de que a bicicleta era o presente de verdade.

Não consigo evitar de achar que Deus vê a nossa paixão por relacionamentos de curta duração da mesma forma que eu enxergava o amor do meu irmão por uma caixa que não valia nada. Uma sucessão de namoros sem compromisso não é o pre­sente! Deus nos dá o “estar solteiro” - uma época de nossa vida incomparável em termos de oportunidades infinitas de cresci­mento, aprendizado e serviço - e nós vemos isso como uma chance de nos atolarmos ao tentar achar e manter um namorado ou namorada. Mas nós não encontramos a verdadeira beleza de estar solteiro na busca de romance com a maior variedade de pessoas que quisermos. Nós encontramos a verdadeira beleza em usar a nossa liberdade para servir a Deus com total entrega.

O namoro causa insatisfação pois encoraja o uso indevido desta liberdade. Deus colocou um desejo pelo casamento na maioria dos homens e mulheres. Apesar de não estarmos pecando quando ansiamos pelo casamento, podemos ser culpados de mau uso do privilégio de sermos solteiros. É quando permitimos que um desejo por algo que Deus obvia­mente ainda não nos deu, roube a nossa habilidade de aproveitar e apreciar o que ele nos deu. O namoro contribui ao reforçar esta insatisfação pois dá a duas pessoas solteiras a intimidade suficiente para fazê-los desejarem mais. Ao invés de aproveitarem as qualidades únicas de estar solteiro, o namoro faz com que as pessoas concentrem naquilo que ainda não possuem.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 39-40.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TEOLOGIA SISTEMÁTICA

John Frame
Por John Frame


A teologia sistemática procura aplicar a Escritura como um todo. Enquanto a teologia exegética focaliza passagens específicas e a teologia bíblica focaliza os traços históricos da Escritura, a teologia sistemática procura juntar todos os aspectos da Escritura, sintetizá-los. A sistemática pergunta: No que vai dar tudo isso? Ao investigar a fé, por exemplo, o teólogo sistemático examina o que os comentadores exegéticos dizem sobre Romanos 4, Efésios 2.8 e outras passagens da Bíblia que tratam desse tópico. Ele procura saber também o que os teólogos bíblicos dizem a respeito da fé na vida de Abraão, de Moisés, de Davi, de Paulo. Mas depois o teólogo sistemático pergunta: Que é que a Bíblia toda ensina sobre a fé? – ou sobre qualquer outra coisa. Pode ser um tópico mencionado na Escritura mesma, como a fé, ou pode ser um tópico tomado da nossa experiência – Que é que a Bíblia toda ensina acerca do aborto, acerca do desarmamento nuclear, acerca do socialismo?

Uma vez que teologia é aplicação, a mesma pergunta pode ser feita dessa maneira: Que é que a Bíblia diz a nós sobre a fé? Depois de saber o que a fé significou para Abraão, Moisés, Davi e Paulo, queremos saber o que nós devemos confessar. Há, pois, algo muito “existencial” na teologia sistemática, algo raramente notado. No esquematismo de Pratt, a teologia sistemática se centraliza na análise temática ou tópica e, daí, a Escritura funciona como “espelho”. É precisamente quando fazemos teologia sistemática que a questão da aplicação é levantada explicitamente (embora essa questão seja colocada implicitamente por todas as disciplinas teológicas).

Por um lado (como frequentemente se observa), a teologia sistemática depende da teologia exegética e da bíblica. Para desenvolver aplicações, o teólogo sistemático precisa saber o que cada passagem diz e conhecer os poderosos atos de Deus nela descritos. É especialmente importante para os teólogos sistemáticos contemporâneos que eles estejam cientes dos desenvolvimentos ocorridos na teologia bíblica, uma disciplina na qual novas descobertas são feitas quase diariamente. Muito frequentemente os teólogos sistemáticos (este aqui inclusive!) ficam muito atrás dos teólogos bíblicos na sofisticação da exegese que eles praticam.

Por outro lado (e este ponto é menos frequentemente observado), o reverso é também real: a teologia exegética e a bíblica dependem também da sistemática. Certamente é possível fazer melhor exegese de partes da Escritura se a pessoa tiver sensibilidade para o ensino completo da Escritura descoberto pela sistemática. E ela pode entender melhor a história da redenção se tiver uma perspectiva sistemática. Por conseguinte, as três formas de teologia – exegética, bíblica e sistemática – são mutuamente dependentes e correlativas; umas envolvem as outras. São “perspectivas” sobre a tarefa da teologia, não disciplinas independentes.

Que significa a palavra “sistemática” na frase “teologia sistemática”? À primeira vista podemos supor que ela se refere à coerência lógica ou à estrutura ordenada. Mas é evidente que todas as formas de teologia devem buscar tal coerência e tal estrutura, não só a sistemática. Outra possibilidade poderia ser que a teologia sistemática busca um objeto particular, um “sistema da verdade”, das Escrituras. Mas, que é um “sistema”? É a própria Escritura? Nesse caso, referir-se a isso aqui não ajuda. É algo que está na Escritura ou por trás dela? Seguir essa direção é perigoso. Anteriormente, na Primeira Parte, critiquei a ideia de que haja algo chamado “sentido” ou “sistema” que se coloque entre o teólogo e sua Bíblia. Há sempre o perigo de que a esse “sistema” se dê (na prática, se não na teoria) mais autoridade do que à própria Escritura, ainda que tão somente como uma espécie de tela ou de quadro indicativo por meio do qual devam ser supridos os dados escriturísticos. E esse é, naturalmente, o maior perigo da teologia sistemática. Por essas razões, não posso fazer nenhum uso positivo do termo “sistema” na frase “teologia sistemática”, o que significa que as três expressões – “teologia exegética”, “teologia bíblica” e “teologia sistemática” – são errôneas!

Não obstante, não posso deter-me sem expressar a minha vibração pelo potencial da teologia sistemática em nossos dias. Se a teologia sistemática fosse meramente uma tentativa de fazer um bom arranjo de sistemas do passado, como os de Calvino, Hodge e Murray, ou uma tentativa de desenvolver outro sistema segundo o modelo deles, ela poderia ser muito bem considerada uma disciplina maçante. E receio que hoje em dia muitas vezes os estudantes a veem desse modo, preferindo suas recém-descobertas emoções na teologia bíblica ao que lhes parece pura monotonia na teologia sistemática. Veem-se, pois, poucos bons teólogos sistemáticos no mundo atual. Mas se os estudantes ou os estudiosos vissem a sistemática tão somente pelo que ela é – a tentativa de responder às questões da Bíblia toda, aplicando a soma total da verdade bíblica à vida –, a sistemática poderia voltar a ser vista como algo fascinante, algo merecedor de comprometida dedicação por toda a vida. A sistemática é de fato uma disciplina amplamente aberta. Há tantas tarefas à espera de que se realizem, tantas perguntas sendo feitas hoje e que nunca foram tratadas com seriedade por teólogos sistemáticos ortodoxos – a natureza da história, a natureza da linguagem religiosa, a crise de sentido na vida moderna, a teologia da libertação econômica, etc. E a sistemática também é amplamente adversa quanto à sua forma. Conforme minha definição, a teologia sistemática não precisa tomar a forma de um tratado acadêmico ou de imitar as convenções dos sistemas filosóficos. Ela pode tomar a forma de poesia, peça teatral, música, diálogo, exortação, pregação, ou qualquer outra forma apropriada. São poucos, porém, os que estão fazendo esse trabalho; precisamos de braços mais fortes para mover os remos.

FONTE: John Frame. A Doutrina do Conhecimento de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. pp. 228-230.

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 5ª PARTE

Joshua Harris
Por Joshua Harris


5.  O namoro, em muitos casos, tira a atenção dos jovens adultos de sua principal responsabilidade, que é de preparar-se para o futuro.
Nós não podemos viver no futuro, mas negligenciar nossas  obrigações atuais nos desqualificará para as responsabilidades de amanhã. Estar distraído por causa do amor não é tão mal assim - a não ser que Deus deseja que você faça algo diferente.

Uma das tendências mais tristes do namoro é desviar os jovens adultos do desenvolvimento dos seus talentos e habili­dades dadas por Deus. Ao invés de equiparem-se com o caráter, formação acadêmica e experiência necessária para obter o sucesso na vida, muitos permitem serem consumidos pelas ne­cessidades atuais que o namoro enfatiza.

Christopher e Stephanie começaram a namorar quando ambos tinham quinze anos de idade. De um modo geral, eles tinham o namoro modelo. Eles nunca se envolveram fisicamente e quando terminaram o namoro após dois anos, o fizeram de forma amistosa. Então que mal houve? Bem, nenhum no senti­do de que não criaram problemas. Mas podemos começar a enxergar alguns problemas quando pensamos no que Christopher e Stephanie poderiam ter feito ao invés de namo­rarem. Manter um relacionamento requer muito tempo e ener­gia. Christopher e Stephanie gastaram incontáveis horas con­versando, escrevendo, pensando e muitas vezes se preocupan­do com o seu relacionamento. A energia que empregaram os privou de outras ocupações. Para Christopher, o relacionamento sugou o seu entusiasmo pelo seu hobby de programação em computadores e pelo seu envolvimento no grupo de louvor da igreja. Apesar da Stephanie não culpar o Christopher, ela rejei­tou diversas oportunidades de viagens missionárias de curto prazo pois não queria ficar longe dele. O relacionamento deles consumiu um tempo que ambos poderiam ter gasto desenvol­vendo habilidades e explorando novas oportunidades.

Namorar pode lhe dar a oportunidade de colocar em práti­ca ser um bom namorado ou uma boa namorada, mas será que são habilidades que valem a pena? Mesmo que você esteja saindo com a pessoa com quem irá se casar, a preocupação em ser a na­morada ou namorado perfeito, podem, na verdade impedi-lo de ser o futuro marido ou esposa que esta pessoa irá precisar um dia.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 37-38.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 4

Joshua Harris
Por Joshua Harris


4. O  namoro  geralmente  isola  o  casal  de  outros relacionamentos vitais.
Enquanto Garry e Jenny estavam namorando, eles não precisavam de mais ninguém. Como era para ficar com a Jenny, Garry não teve problemas em deixar de freqüentar o Estudo Bíblico de quarta à noite com a turma. Jenny nem pen­sou duas vezes sobre o fato de que mal falava com a irmã mais nova ou com a mãe agora que estava namorando o Garry. Também não se deu conta de que ao falar com eles sempre começava as suas frase com “Garry fez isso...” e “Garry disse isso e aquilo...” Sem querer, ambos tinham, egoisticamente e de forma tola, se privado de outros relacionamentos.

Pela própria definição, o namoro é basicamente duas pes­soas com o foco uma na outra. Infelizmente, na maioria dos casos o resto do mundo vira um pano de fundo esmaecido. Se você já fez o papel de “vela” ao sair com um casal de amigos que estão namorando, você sabe como isso é verdade.

De todos os problemas referentes ao namoro, este é pro­vavelmente o mais fácil de se resolver. Ainda assim os cristãos precisam levá-lo a sério. Por que? Primeiro, porque quando permitimos que um relacionamento exclua os outros, estamos perdendo a perspectiva. Em Provérbios 15:22 lemos: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos con­selheiros, há bom êxito”. Se tomamos as decisões da nossa vida baseados unicamente na influência de um relacionamento, pro­vavelmente estaremos fazendo julgamentos limitados.

É claro que cometemos este mesmo erro em muitos ou­tros relacionamentos não-românticos. Mas nos deparamos com este problema mais frequentemente no namoro, pois envolve nosso coração e emoções. E como o namoro focaliza os planos do casal, assuntos fundamentais relacionados ao casamento, família e fé estão arriscados.

E se duas pessoas não tiverem definido o seu nível de compromisso, eles estão definitivamente em risco. Você se coloca em uma posição precária ao se isolar das pessoas que o amam e o apóiam pois você mergulha de corpo e alma em um relacionamento romântico não fundamentado no compromisso. No livro Passion and Puríty (Paixão e Pureza), Elisabeth Elliot declara: “A não ser que um homem esteja preparado para pedir a uma mulher que seja a sua esposa, que direito tem de requisitar a sua atenção exclusiva? A não ser que tenha sido pedida em casamento, por que uma mulher sensível pro­meteria a qualquer homem a sua atenção exclusiva?” Quantas pessoas terminam seus namoros e encontram quebrados os seus laços de amizade com os outros.

Quando Garry e Jenny decidiram, em comum acordo, pararem de namorar, ficaram surpresos ao encontrarem os seus relacionamentos de amizade totalmente abandonados. Não que os seus amigos não gostassem dos dois; é que eles praticamente não os conheciam mais. Nenhum dos dois haviam investido tempo ou esforço na manutenção destas amizades enquanto estavam concentrados no seu namoro.


Talvez você tenha feito algo semelhante. Ou talvez co­nhece a dor e frustração de ser deixado de lado por causa de um namorado ou namorada. A atenção exclusiva normalmen­te esperada em um namoro tem a tendência de roubar dos dois a paixão pelo serviço na igreja e de isolá-los dos amigos que mais os amam, dos familiares que mais os conhecem, e, o mais triste, até de Deus, cuja vontade é, de longe, mais importante  que qualquer interesse romântico.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 36-37.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 3ª PARTE

Joshua, sua esposa, Shannon, e seus três filhos:
Joshua Quinn, Emma Grace e  Mary Kate.
Por Joshua Harris


3. O namoro geralmente confunde relacionamento físico com amor.
Dave e Heidi não tinham planejado se envolverem fisi­camente na primeira vez que saíram juntos. De verdade. Dave não fica “só pensando nisso” e a Heidi não é “aquele tipo de garota”. Aconteceu. Eles foram a um show juntos e depois as­sistiram a um filme de vídeo na casa da Heidi. Durante o filme, Heidi fez uma gozação a respeito da tentativa dele de dançar durante o show. Ele começou a fazer cócegas nela. A luta de brincadeirinha de repente parou quando eles se viram encaran­do um ao outro nos olhos, com Dave inclinado sobre ela no chão da sala de estar. Eles se beijaram. Parecia algo de cinema. Parecia tão correto!

Pode ter parecido certo, mas a introdução precoce de uma afeição física no relacionamento acrescentou confusão. Dave e Heidi não se conheciam de verdade, mas de repente se sentiam próximos. À medida que o relacionamento progre­dia, eles achavam difícil manter a objetividade. Quando ten­tavam avaliar as qualidades do relacionamento, eles imediata­mente visualizavam a intimidade e a paixão do seu relaciona­mento físico. “É tão óbvio que nós nos amamos” pensou Heidi. Mas será que era verdade? Só porque lábios se encontraram não quer dizer que corações se uniram. E só porque dois cor­pos são atraídos um ao outro não quer dizer que as duas pes­soas foram feitas uma para a outra. O relacionamento físico não é igual a amor.

Quando consideramos que a nossa cultura como um todo entende as palavras “amor” e “sexo” como sinônimas, não de­veríamos ficar surpresos que muitos relacionamentos confun­dem atração física e intimidade sexual com verdadeiro amor. Lamentavelmente, muitos namoros cristãos refletem esta falsa noção.

Quando examinamos o progresso da maioria dos rela­cionamentos, nós podemos ver claramente como o namoro promove esta substituição. Primeiro, como já ressaltamos antes, o namoro nem sempre leva a compromissos duradou­ros por toda a vida. Por esta razão, muitos namoros come­çam com a atração física; a atitude que está por trás disso é que os valores mais importantes vem da aparência física e da maneira como o parceiro se comporta. Mesmo antes que um seja dado, o aspecto físico e sensual do relacionamento assumiu a prioridade.

Em seguida, o relacionamento normalmente caminha a passos largos na direção da intimidade. Pelo fato do namoro não requerer compromisso, as duas pessoas envolvidas permitem que as necessidades e paixões do momento ocupem o cen­tro de palco. O casal não olha um para o outro como possíveis parceiros para toda a vida e nem avaliam as responsabilidades do casamento. Ao invés disso, eles concentram nas exi­gências do momento. E com esta disposição mental, o relaci­onamento físico do casal pode facilmente se tornar o foco.

E se um rapaz e uma garota pulam o estágio da amizade no relacionamento, a lascívia frequentemente se torna o interes­se comum que atrai o casal. Como resultado, eles avaliam a seri­edade do seu relacionamento pelo nível de envolvimento físico. Duas pessoas que namoram querem sentir que são especiais uma para a outra e elas podem expressar isso concretamente através da intimidade física. Elas começam a distinguir o seu “relacio­namento especial” ao se darem as mãos, beijarem-se e o restante que se segue. Por esta razão, a maioria das pessoas acredita que sair com alguém implica em envolvimento físico.

Concentrar no físico é claramente pecaminoso. Deus exige pureza sexual. E Ele faz isso para o nosso próprio bem. Envolvi­mento físico pode distorcer a perspectiva de cada um dos namora­dos e levá-los a decisões erradas. Deus também sabe que levare­mos as memórias de nosso envolvimento físico do passado para o casamento. Ele não quer que vivamos com culpa nem remorso.

O envolvimento físico pode fazer com que duas pessoas se sintam próximas. Mas se muitas pessoas que estão namo­rando examinassem o foco do seu relacionamento, eles prova­velmente descobririam que a lascívia é o que têm em comum.

FONTE: Joshua Harris. Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003. pp. 33-35.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - PARTE 2

Joshua Harris e Shannon, sua esposa.
Por Joshua Harris

2. O namoro tende a pular a fase da “amizade” de um relacionamento.
Jack conheceu Libby em um retiro do colégio promovido por uma igreja. Libby era uma garota amigável com uma repu­tação de levar a sério o seu relacionamento com Deus. Jack e Libby começaram a conversar durante um jogo de vôlei e pare­cia que gostaram um do outro. Jack não estava interessado em um relacionamento intenso, mas queria conhecer melhor a Libby. Dois dias depois do retiro ele ligou e convidou-a para um cinema no final-de-semana seguinte. Ela aceitou.

Será que Jack deu o passo certo? Bem, acertou no que se refere a conseguir um programa, mas se ele realmente quisesse construir uma amizade, errou feio. Um programa a dois tem a tendência de levar um rapaz e uma garota além da amizade e na direção do romance muito rapidamente.

Você já ouviu alguém preocupado a respeito de sair sozi­nho com uma amiga de longa data? Seja, provavelmente ouviu esta pessoa dizer algo assim: “Ele me pediu para sair, mas eu temo que se começarmos a namorar isso mudará a nossa ami­zade”. O que ela está realmente dizendo? Pessoas que fazem declarações como esta, estando cientes disso ou não, reconhe­cem que o “programa” estimula expectativas românticas. Em uma amizade verdadeira você não se sente pressionado saben­do que gosta da outra pessoa, ou que ela gosta de você. Você se sente livre para ser você mesmo e fazer as coisas juntos sem gastar três horas na frente do espelho, assegurando-se de que você esteja perfeita.

C.S. Lewis descreve a amizade como sendo duas pessoas andando lado a lado em direção a um objetivo comum. Os seus interesses mútuos os aproximam. Jack pulou esta fase de “coi­sas em comum” ao convidá-la para um programa típico, um jantar e depois um cinema, sem preocupações filosóficas, onde o fato de serem “um casal” era o foco principal.

No namoro, a atração romântica geralmente é a base do relacionamento. A premissa do namoro é: “Eu estou atraído por você; então vamos nos conhecer melhor”. A premissa da amizade, por outro lado, é: “Nós estamos interessados nas mesmas coisas; vamos curtir estes interesses comuns juntos”. Se após o desenvolvimento de uma amizade, a atração romântica aparece, então é um ponto a mais.

Ter intimidade sem compromisso é defraudar. Intimida­de sem amizade é superficial. Um relacionamento baseado somente na atração física e nos sentimentos românticos apenas durará enquanto durarem os sentimentos.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

OS SETE HÁBITOS DE UM NAMORO ALTAMENTE DEFEITUOSO - 1ª PARTE

Joshua Harris e sua esposa, Shannon.

Por Joshua Harris

1. O namoro leva à intimidade, mas não necessariamente a um compromisso.
Jamie era uma caloura no ensino médio; seu namorado, Troy, estava no último ano. Troy era tudo que a Jamie sonhou em um rapaz, e por oito meses eram inseparáveis. Mas dois meses antes do Troy partir para a faculdade, ele abruptamente anunciou que não queria mais ver a Jamie.

“Quando terminamos, foi definitivamente a coisa mais difícil que já aconteceu comigo” Jamie me contou depois. Mes­mo que fisicamente não passaram de um beijo, Jamie tinha entregado o seu coração e as suas emoções completamente ao Troy. Ele tinha aproveitado a intimidade enquanto servia às suas necessidades, mas a rejeitou quando estava pronto para seguir adiante.

Esta estória lhe parece familiar? Talvez você tenha ouvi­do algo semelhante de um amigo, ou talvez você mesmo tenha vivido isso. Como em muitos namoros, Jamie e Troy se torna­ram íntimos com pouco, ou mesmo nenhum, pensamento so­bre compromisso ou como seriam afetados quando terminas­sem. Podemos por a culpa no Troy por ter sido um canalha, mas façamos uma pergunta a nós mesmos. Qual é a idéia prin­cipal na maioria dos namoros? Geralmente o namoro estimula a intimidade pela própria intimidade - duas pessoas se aproxi­mam sem nenhuma real intenção de um compromisso de lon­go prazo.

Intimidade que se aprofunda sem a definição de um ní­vel de compromisso é nitidamente perigoso. É como escalar uma montanha com uma parceira sem saber se ela quer a res­ponsabilidade de segurar a sua corda. Quando estiverem a seiscentos metros de altura em uma encosta, você não quer conversar sobre como ela se sente “presa” por causa do relacionamento. Do mesmo modo, muitas pessoas experimentam mágoas profundas quando elas se abrem emocionalmente e fisicamente apenas para serem abandonadas por outros que declaram que não estão prontos para um “compromisso sério”.

Um relacionamento íntimo é uma experiência linda que Deus deseja que experimentemos. Mas ele fez com que a reali­zação advinda da intimidade fosse um sub-produto do amor baseado no compromisso. Você poderá dizer que a intimidade entre um homem e uma mulher é a cobertura do bolo de um relacionamento que se encaminha para o casamento. Se olhar­mos para a intimidade desta forma, então na maioria dos na­moros só tem a cobertura. Normalmente falta a eles um propó­sito ou um alvo bem definido. Na maioria dos casos, especial­mente no colégio, o namoro é de curta duração, atendendo às necessidades do momento. As pessoas namoram pois querem aproveitar os benefícios emocionais e até físicos da intimidade sem a responsabilidade de um compromisso real.

Na verdade, isso é a essência da revolução original do namoro. O namoro não existia antigamente. Como eu o vejo, o namoro é um produto da nossa cultura direcionada à diversão e totalmente descartável. Muito antes da revista Seventeen[1] (Dezessete) dar dicas sobre namoro, as pessoas faziam as coi­sas de modo muito diferente.

Na virada do século vinte, um rapaz e uma garota ape­nas se envolviam romanticamente quando planejavam se ca­sar. Se um rapaz freqüentasse a casa de uma garota, a família e os amigos deduziam que ele tinha a intenção de pedir a sua mão. Mas as variações de atitude na cultura e a chegada do automóvel trouxeram mudanças radicais. As novas “regras” permitiam às pessoas entregarem-se a todas as emoções do amor romântico sem nenhuma intenção de casamento. A es­critora Beth Bailey documentou estas mudanças em um livro cujo título, From Front Porch to Backseat (Do Alpendre ao Ban­co de Trás), diz tudo sobre a diferença na atitude da sociedade quando o namoro passou a ser a norma. Amor e romance passa­ram a ser aproveitados pelas pessoas apenas pelo seu valor de entretenimento.

Apesar de muita coisa ter mudado desde os anos 20, a ten­dência dos namoros em caminhar na direção de uma maior in­timidade sem compromisso permanece praticamente a mesma.

Para o cristão este desvio negativo está na raiz dos pro­blemas do namoro. A intimidade sem compromisso desperta desejos - emocionais e físicos - que nenhum dos dois pode sa­tisfazer se agirem corretamente. Em I Tessalonicenses 4:6 a Bíblia chama isso de “defraudar”, em outras palavras, roubar alguém ao criar expectativas mas não satisfazendo o que foi prometido. O Pr. Stephen Olford descreve defraudar como “despertando uma fome que não podemos satisfazer justamente” prometendo algo que não podemos ou não iremos cumprir.
Intimidade sem compromisso, semelhante à cobertura sem o bolo, pode ser gostoso, mas no final passamos mal.


[1] N.T.:A revista Seventeen é direcionada ao público adolescente abordan­do temas como sexo e relacionamentos semelhante às revistas Querida, Capricho, etc.

domingo, 11 de novembro de 2012

VISÃO FEDERAL: UMA PEQUENA DEFINIÇÃO

Peter J. Leithart, Jim Jordan e Douglas Wilson: representantes da Visão Federal

Nos últimos dez anos ou mais, comunidades reformadas primeiramente nos Estados Unidos e de forma mais recente e profunda na Europa, têm ficado desnorteadas por um movimento teológico de origem recente, mas de raízes históricas profundas. É interessante que mesmo a tentativa de dar um nome a esse movimento se mostra difícil, visto ser ele conhecido por várias designações, quais sejam elas: 1) Teologia da Avenida Auburn, em referência à Auburn Avenue Presbyterian Church, em Monroe, Louisiana, que hospeda conferências nas quais as ideias do movimento têm sido mais consistentemente promovidas; 2) Shepherdismo, em reconhecimento à influência de Norman Shepherd, professor de Teologia Sistemática no Westminster Theological Seminary de 1963 a 1981, que articulou e promoveu várias das principais doutrinas do movimento; 3) Monopactualismo, que repudia a distinção reformada histórica entre um Pacto das Obras e o Pacto da Graça, insistindo que se trata de apenas um pacto entre Deus e o homem antes e depois da Queda; 4) Neonomismo ou Neolegalismo, rótulo aplicado por alguns dos seus críticos mais severos, que entendem que o seu entendimento peculiar acerca da Teologia do Pacto implica uma soteriologia sinergista; e 5) Visão Federal, nome preferido por seus proponentes, que enfatiza “a reformulação da tradicional Teologia do Pacto, dando destaque à visão em detrimento do sistema proposicional”.[i]
            J. Ligon Duncan afirma que, “entre outras coisas, a Visão Federal acredita que a Teologia do Pacto clássica necessita de uma reforma bíblica e de uma fresca implantação nas igrejas reformadas e nas vidas dos cristãos reformados”.[ii] De acordo com E. Calvin Beisner, a Visão Federal possui contornos híbridos, afetando áreas como a soteriologia, a eclesiologia e a sacramentologia.[iii] No que diz respeito à sacramentologia, a Visão Federal defende um sacramentalismo modificado que se aproxima da doutrina católica do ex opere operato. Steve Wilkins, um dos mais proeminentes visionistas federais, chega a identificar os sacramentos como meios efetivos para converter, não apenas santificar. Ele diz:
Se alguém foi batizado, está em pacto com Deus; pacto é união com Cristo. Então, estar no pacto traz todas as bênçãos de se estar em Cristo [...] Porque estar em pacto com Deus quer dizer estar em Cristo, aqueles que estão no pacto possuem todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais.[iv]

            Tal afirmação certamente inclui a salvação como sendo uma das bênçãos espirituais advindas do sacramento do batismo. Interessantemente, outras críticas feitas à Visão Federal incluem a da apresentação de um arminianismo modificado e a aproximação da Nova Perspectiva sobre Paulo, conforme defendida por N. T. Wright. Sobre a primeira, o entendimento é que a eleição de alguém depende, em última instância, da sua fidelidade ao pacto. Alguém pode ser justificado e, ainda assim, ser condenado devido a apostasia.[v] No que diz respeito à última, a concepção da Visão Federal em muito se aproxima do comentário de N. T. Wright sobre Romanos 2.13: “A justificação, no final, será por meio de performance, não de possessão”.[vi] Trata-se de algo interessante porque, nos dizeres de Beisner, “paradoxalmente, a eficácia dos sacramentos pode ser frustrada por recipientes indignos”.[vii]


[i] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Phillipsburg, NJ: Presbyterian & Reformed Publishing, 2006. Kindle Edition.
[ii] J. Ligon Duncan. “Risking the Truth: Interviews on Handing Truth and Error in the Church”. Acessado em 23/02/2012. .
[iii] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Kindle Edition.
[iv] Ibid.
[v] Ibid.
[vi] Leander E. Keck (Ed.). New Interpreter’s Bible: Acts-First Corinthians. Vol. 10. Nashville: Abingdon, 2002. p. 440. N. T. Wright é o escritor do comentário de Romanos dessa série.
[vii] Guy Prentiss Waters. Federal Vision and Covenant Theology: A Comparative Analysis. Kindle Edition.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

NAMORO

Douglas Wilson
Por Douglas Wilson
Todo mundo namora. Ou pelo menos, todo mundo deveria namorar. Ou, se não namoram, então algo está errado, ou alguém é feio, certo? Mas nos Estados Unidos hoje, os relacionamentos entre garotos e garotas, homens e mulheres, maridos e esposas são um caso de hospital. O fato de que o orgulho reside no centro deste problema pode ser visto em nossas várias respostas às dificuldades. Quanto piores ficam nossos problemas, mais fé temos nos nossos métodos e procedimentos. Como aquela mulher no evangelho de Lucas, o tratamento que recebemos dos nossos médicos não tocam ou curam de fato nossa condição. E, como aquela mulher, nossas economias já se foram. O ponto inicial para a maior parte dos nossos relacionamentos de casamento, o moderno sistema de namoro recreativo, pode ser seguramente considerado como falido.
Considere como o nosso sistema funciona. Um rapaz nota uma moça que o atrai. Ele a convida para sair e ela aceita. Eles começam a sair juntos, e uma de duas coisas acontece. Ou eles se gostam ou não, e ambas as possibilidades trazem problemas. Se nenhum se agradou do outro, então ambos tiveram uma má experiência. Se ambos concordaram, então a tentação eventual para a imoralidade é forte, especialmente se se juntaram jovens – digamos, aos catorze anos. “Que bom que vocês se gostam!” “Ok, mãe!” E é claro, se um está interessado em ficar junto e o outro não, as possibilidades de confusão emocional e complicações interessantes são quase infindáveis.
Se o rapaz e a moça se veem com certa frequência, é muito fácil para eles entrarem no que pode ser chamado de zona de vulnerabilidade. Esta zona é aquele lugar em que alguém não consegue deixar o relacionamento sem que se machuque. Em algum ponto do relacionamento, o homem ou a mulher chegarão ao lugar em que, se romperem, se machucarão. Uma vez que as pessoas estejam dentro desta zona, estarão vulneráveis. Enquanto ele ou ela estiverem fora dessa zona, não estão de forma alguma ameaçados pelo relacionamento – é ainda apenas um relacionamento em potencial. E, é claro, em um relacionamento, o grau de vulnerabilidade que sentem um em relação ao outro dependerá de um número de fatores. Se um casal saiu apenas duas ou três vezes, talvez não haja tanto dano – ele virá depois que ambos tiverem visto vinte pessoas três ou quatro vezes. Algumas coisas se acumulam. Com outro casal, se tiverem namorado por três anos, sido bons amigos, e preservado a pureza sexual, um rompimento é nada menos que um divórcio sem as custas legais com advogado.
Isto quer dizer, é claro, que duas pessoas casadas estão na maior distancia possível no interior desta zona de vulnerabilidade. Não existe uma maneira de um casal se divorciar sem devastar a ambos de alguma maneira. Deus odeia o divórcio; Sua Palavra naturalmente fornece a proteção contra o tipo de dano que procede da desobediência. Consequentemente, Deus não nos permite adentrar nesta zona sem construir uma cerca de proteção ao nosso redor. Essa cerca é um juramento pactual; é o que chamamos de casamento. Uma aliança de união sexual permanente e fiel é feita diante de Deus e de inúmeras testemunhas; tanto o homem quanto a mulher declaram que irão entrar juntos nessa zona e permanecer lá. Viverão lá pelo resto de suas vidas.
Mas em nossa cultura, homens e mulheres são treinados para se tornar insensíveis de maneira que possam ir facilmente de um relacionamento a outro. Às vezes, há alianças de casamento feitas e quebradas, e às vezes não. Ir de um relacionamento a outro se tornou o passatempo nacional. As pessoas iniciam muito cedo com o namoro recreativo, e, apesar dos protestos, a maior parte dos namoros de hoje leva à relação sexual. Neste ponto, o padrão de comportamento entre os jovens que professam o cristianismo não é muito diferente do mundo. Porque a igreja adotou largamente um sistema mundano de namoro, os muros de proteção para os nossos filhos projetado por Deus foram quebrados. Fornecemos aos nossos filhos cristianismo o suficiente para assegurar-lhes que se sintam culpados quando fornicam, mas não o suficiente para assegurar sua pureza.
Nosso sistema de namoro recreativo está falido; é tempo de retornar ao padrão bíblico de ajuntamento. À parte do namoro ou corte bíblicos, há muitas consequências destrutivas – emocionais, sexuais e espirituais. Mas se um rapaz quer iniciar um relacionamento, e assume total responsabilidade por ele abaixo do pai da moça, há uma responsabilidade e proteção bíblicas. É o propósito deste pequeno livro definir, defender e descrever como o namoro ou corte bíblicos funcionam.
As objeções a esta avaliação do sistema de namoro moderno tendem a ser rápidas. Por que não podemos apontar os sucessos, os finais felizes no moderno sistema de namoro? Alem disso, tudo isso parece funcionar na televisão. Três respostas vêm a mente. Primeira, é certo que qualquer pessoa de boa vontade se alegra quando um casal cristão piedoso namora, comporta-se e então, casa. As histórias de sucesso dentro do sistema de namoro recreativo moderno, que certamente existem não são o problema com ele. Nada dito nas páginas seguintes deve ser tomado como direcionado contra cristãos piedosos que se juntaram pelo sistema de namoro. A crítica é direcionada contra o sistema em geral considerado como um sistema. As pessoas também sobrevivem a quedas de avião, às vezes sem nenhum arranhão, e devíamos nos alegrar com isso. Mas este reconhecimento não nos desqualifica a nos opor ao hábito geral de cair de aviões.
Isto se relaciona ao segundo ponto. Generalizações são legítimas se descreverem honestamente um padrão global. Esse tipo de generalização consequentemente não é refutada por contra exemplos particulares e individuais. Fariseus honestos viviam no tempo de Cristo, e não foram um embaraço às denuncias ácidas de sua seita religiosa como um todo. De fato, uma indicação de honestidade farisaica seria a sua prontidão em reconhecer a justiça do sarcasmo de Cristo. Assim as generalizações acerca do namoro recreativo não serão universalmente verdadeiras (são generalizações). O que devemos questionar acerca de uma generalização é se é honesta e justa, não se é verdadeira em um dado exemplo.
Terceiro, “as historias de sucesso” não são tão abundantes como pode ser assumido através de uma breve olhada de relance na igreja. Os cristãos não são tão abertos sobre seu comportamento sexual como os pagãos, e os lábios apertados podem ser enganosos. Nossa tendência é julgar baseado na aparência externa, e todos na igreja certamente parecem morais. Mas muitos pastores no seu aconselhamento pré-marital vão além de uma olhadela casual. Tragicamente, muitos pastores não se surpreendem quando descobrem casais de namorados cristãos que se relacionam sexualmente – “Vocês fazem isso?” O dado objetivo com relação a casais solteiros crentes no moderno jogo do namoro não é confortador.
Nosso sistema de namoro, considerado como um sistema, não prepara biblicamente os rapazes e moças para o casamento – pelo menos para o casamento conforme Deus projetou. Algumas razões básicas devem pelo menos introduzir o assunto abordado neste livro. O sistema de namoro moderno não treina os jovens para formar um relacionamento. Treina-os para uma série de relacionamentos, e posteriormente os treina para se tornarem insensíveis ao romper todos, exceto o atual. No mínimo, este sistema é bem mais uma preparação para o divórcio do que para o casamento.
Em adição, o moderno sistema de namoro recreativo encoraja ligações emocionais a parte das proteções de uma cerca de aliança. Isto tem sido chamado com precisão de promiscuidade emocional. Um homem e uma mulher não podem exercer sua função dentro de um relacionamento romântico sem se tornarem emocionalmente vulneráveis um ao outro. Nada há de errado nessa vulnerabilidade; apenas somos delicados o suficiente neste nível para necessitar de proteção antes que entremos em tal estado, uma proteção que a Bíblia afirma ser pactual.
Além do mais, o moderno sistema de namoro também deixa o pai da moça quase inteiramente fora de cena. O pai, que deveria proteger a pureza sexual da filha, envia-a para o escuro com algum rapaz altamente interessado, e aí faz o que acha ser seu dever, que é se preocupar. “Bem querida,” diz à sua esposa, “só nos resta orar. Não há outra opção.” E ele deve se preocupar, porque o moderno sistema de namoro espera uma certa dose de envolvimento físico. É verdade, a versão cristã evangélica desse sistema apenas permite preliminares o suficiente para deixar a todos preocupados que tudo tenha acabado mal sem qualquer liberação legal. Nós, de alguma forma, achamos que um crente piedoso é alguém que pode preaquecer o forno sem cozinhar a torrada.
 FONTE: Douglas Wilson. Her Hand in Marriage. Moscow, ID: Canon Press, 1997. pp. 5-9.
TRADUÇÃO: Tiago Ferreira da Cunha
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