quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A PESSOA E A OBRA DO ESPÍRITO SANTO (O DOM DE LÍNGUAS NA IGREJA APOSTÓLICA E HOJE) - 1ª PARTE

TEXTO (ATOS 2.1-11)

1. Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam reunidos no mesmo lugar; 2. de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. 3. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. 4. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. 5. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. 6. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. 7. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8. E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9. Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10. da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11. tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?

· INTRODUÇÃO

Meus amados irmãos, na semana passada estudamos o que o Novo Testamento ensina a respeito do Batismo com o Espírito Santo. Naquela oportunidade pudemos concluir que o que nos é apresentado pela revelação apostólica do Novo Testamento é diametralmente oposto àquilo que é afirmado pela teoria Pentecostal.

Vimos que os pentecostais se firmam, basicamente sobre quatro premissas: 1) o batismo com o Espírito Santo é uma segunda experiência, um revestimento de poder que o indivíduo recebe algum tempo depois da conversão; 2) nem todos os crentes são batizados com o Espírito Santo; 3) para que o indivíduo receba esse batismo, ele deve buscar, se esvaziar, orar incessantemente; e 4) a evidência inicial do batismo pentecostal é o falar em línguas, ou seja, só é batizado com o Espírito Santo aquele que fala em outras línguas.

Em seguida, através de um exame detalhado do que o Novo Testamento nos diz, vimos que a teoria pentecostal carece de fundamento bíblico. Vimos que o agente ou executor desse batismo é o próprio Senhor Jesus Cristo, o Espírito Santo é o instrumento do batismo efetuado pelo Senhor Jesus Cristo. Além disso, o pensamento de que o indivíduo deve buscar o batismo é antibíblico, pois o batismo com o Espírito Santo teve o seu cumprimento histórico inaugural por ocasião de Pentecostes, como pudemos observar. Por fim, vimos que o batismo com o Espírito não é algo reservado apenas para um grupo especial dentro da Igreja de Cristo. Pelo contrário, todos os crentes, por ocasião da sua regeneração, justificação e conversão recebem o batismo com o Espírito Santo. A idéia de que existe um grupo dentro da igreja que é detentor dessa bênção traz danos enormes para a obra, visto que a mentalidade de dois grupos (nós-eles) pode levar ao ciúme, orgulho e divisão. Fica no ar a noção de certa superioridade espiritual experimentada apenas por um grupo de privilegiados.

Resta-nos tratarmos do famigerado dom de línguas. Ele ainda existe? Qual a sua função? De que natureza é o dom de línguas? São línguas dos anjos, como afirmam os pentecostais? Devemos desejar falar em línguas? E o que dizer daquelas pessoas que afirmam falar em línguas? Isso é importante, meus queridos irmãos, dado o fato de que a teoria pentecostal considera este como um dos dons mais importantes, dando-lhe muita ênfase. Por exemplo, a Constituição do Conselho Geral das Assembléias de Deus afirma o seguinte: “O batismo dos crentes no Espírito Santo é atestado pelo sinal físico inicial do falar em outras línguas conquanto o Espírito de Deus lhes forneça expressão”.[i]

· TEMA: O DOM DE LÍNGUAS NA IGREJA APOSTÓLICA E HOJE

I – A NATUREZA DO DOM DE LÍNGUAS

1.1. AS LÍNGUAS NO NOVO TESTAMENTO ERAM IDIOMAS ESTRANGEIROS

A primeira coisa que precisamos considerar é a natureza do dom de línguas. Que línguas eram essas? Os pentecostais insistem que as línguas se referem a um tipo de idioma celestial, ou a língua dos anjos. Eles baseiam sua teoria na passagem de 1 Coríntios 13.1: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine”. Existem dois problemas com a fundamentação pentecostal: 1) Paulo não está afirmando que fala as línguas dos homens e dos anjos. Tanto em português como em grego o modo subjuntivo expressa incerteza e dúvida. O apóstolo está apenas fazendo uso de uma conjetura ou suposição. Simon Kistemaker afirma que, “não sabemos que linguagem sobrenatural os anjos falam”.[ii] De opinião semelhante é o Dr. Sinclair Ferguson, quando afirma que, “é possível que ‘línguas dos anjos’ expresse uma pretensão dos coríntios, e não um conceito apostólico”[iii], ou seja, os coríntios agiam de forma irrefletida como os pentecostais a respeito do dom em questão. John MacArthur Jr., por sua vez, diz que Paulo “estava usando uma hipérbole – um exagero – a fim de ressaltar um fato”[iv]; e 2) em toda a Bíblia, sempre que os anjos aparecem falando, eles se comunicam com as pessoas em termos humanos (Gênesis 16.9-11; Números 22.32, 35; 1 Reis 13.18; 19.5, 7; Isaías 6.3; Zacarias 1.12-19; Mateus 1.20; 2.13, 19-20; 28.5; Lucas 1.11-13; Atos 1.10, 11). Percebam, que a fundamentação pentecostal é insustentável. Então, nossa primeira obrigação é tirarmos de nossa cabeça a possibilidade de que o “moderno dom de línguas” seja a elocução de idiomas angelicais.

Feito isso, precisamos observar, com base apenas na Bíblia, qual a verdadeira natureza do dom apostólico de línguas.

Em Atos 2, nós encontramos verdades preciosas a esse respeito: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem... E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?... tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus?” (vv. 4, 8, 11). Nestes versículos, duas palavras intercambiáveis são usadas para traduzir “línguas”: glw,ssaij e dia,lektoj. A palavra glw,ssaij diz respeito a “língua, discurso, conversa, idioma, linguagem, linguagem não familiar, nação, definida por sua linguagem ou idioma”.[v] Simon Kistemaker diz que, “a palavra língua equivale ao conceito de idioma falado”.[vi] Já o termo dia,lektoj significa “discurso, maneira de falar, linguagem peculiar de uma nação, dialeto, idioma vernáculo”.[vii] Novamente, o comentário de Kistemaker sobre o termo dia,lektoj é muito interessante:

A língua é o veículo de comunicação que, para cada pessoa, é a sua língua materna. Quando os estrangeiros residentes em Jerusalém ouvem o idioma que aprenderam no país onde nasceram e foram criados, eles ficam completamente pasmos. As barreiras lingüísticas que embaraçam a comunicação eficaz são removidas quando o Espírito Santo capacita os crentes a transmitirem a revelação de Deus em vários idiomas.[viii]

As línguas faladas no dia de Pentecostes eram idiomas humanos estrangeiros. Não eram idiomas angelicais, nem expressões estáticas sem sentido. “Naqueles tempos aqueles que recebiam o dom falaram em idiomas que nunca aprenderam e que eram entendidos por aqueles que os ouviam”.[ix] Podemos identificar alguma dessas línguas ou idiomas? algumas nós podemos, como por exemplo, o egípcio, o caldeu ou babilônico (Mesopotâmia), o líbio, latim. “Eles até mesmo falavam diferentes dialetos da mesma língua (os frígios e panfílios falavam diferentes dialetos do grego)”.[x]

Para sustentar a tese das línguas angelicais, os pentecostais não podem recorrer a 1 Coríntios 13.1. Então, como eles fazem? Ouçamos um defensor falar:

Embora possa estar empregando hipérbole, é igualmente provável que [Paulo] esteja se referindo a dialetos celestiais ou angelicais que o Espírito Santo os capacita a falar... cita evidências de fontes judaicas antigas, segundo as quais se acreditava que os anjos tivessem idioma próprio ou dialetos celestiais e que, por meio do Espírito, seria possível falar com eles.[xi]

Percebam, meus queridos, a que ponto eles precisam chegar para fundamentar sua tese. Eles se baseiam em “fontes judaicas antigas”. Isso é equivalente a material extra-bíblico! Eles não fundamentam sua teoria e prática nas Escrituras canônicas, mas sim, em material apócrifo. Uma dessas “fontes judaicas antigas” é o Testamento de Jó, no capítulo 48.3, uma das filhas de Jó, Hemera (comparar com Jó 42.14. Seria esse o nome de uma das filhas de Jó que morreu?), fala num dialeto angelical.[xii] Irmãos, desde quando devemos basear aquilo em que cremos e aquilo que fazemos em nossa caminhada cristã naquilo que livros apócrifos afirmam? Alguns apócrifos ensinam a rezar pelos mortos. Deveríamos começar a rezar pelos mortos? De maneira nenhuma!

A teoria pentecostal fica mais fragilizada ainda, quando observamos que a natureza do dom de línguas exercido em Corinto é a mesma de Atos dos Apóstolos: “a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (1 Coríntios 12.10). Observem o nome do dom dado pelo apóstolo Paulo: variedade de línguas. O nome do dom aponta para a natureza do dom. Precisamos observar três coisas nesse versículo: 1) novamente, a palavra usada para “línguas” é glw/ssa, referente a idiomas; 2) existe uma distinção entre as línguas. O termo “variedade” é ge,nh, que significa “espécies, variedade, gêneros”[xiii], ou “identidade comum como uma raça de grupo étnica, espécies distintivas de algo, classe”.[xiv] “As línguas eram distintas porque eram idiomas falados que podiam ser diferenciados”[xv]. Comentando o termo ge,nh, o Dr. Brian Schwertley afirma o seguinte: “Existem várias famílias de línguas no mundo – semítica, eslava, latina, etc. todas elas têm uma coisa em comum, elas possuem um vocabulário definido e construção gramatical”[xvi]. Então, queridos irmãos, “Paulo certamente não podia ter misturado línguas estrangeiras conhecidas com expressões desconhecidas e estáticas colocando-as sob uma mesma classificação. Elas simplesmente não têm nenhuma relação entre si”[xvii]; e 3) no texto grego aparece uma palavra que não foi transposta para a nossa versão: e`te,rw, que significa “diferentes”. Assim sendo, literalmente, o versículo 10 de 1 Coríntios 12 diz o seguinte: “a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, diferentes variedades de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las”.

Outra tentativa dos pentecostais de configurar as línguas como línguas angelicais ou celestiais pode ser percebida na tradução adotada pelas igrejas pentecostais, a Almeida Revista e Corrigida. Esta versão acrescenta uma palavra no capítulo 14 de 1 Coríntios que, simplesmente não existe no original grego, muito menos aparece em outras traduções. Observem o seguinte esquema:

PASSAGEM

ACF

ARA

ARC

1 Coríntios 14.5

E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação.

Eu quisera que todos vós falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação.

E eu quero que todos vós faleis línguas estranhas; mas muito mais que profetizeis, porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas estranhas, a não ser que também interprete, para que a igreja receba edificação.

1 Coríntios 14.6

E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?

Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?

E, agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas estranhas, que vos aproveitaria, se vos não falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina?

1 Coríntios 14.23

Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?

Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar, e todos se puserem a falar em outras línguas, no caso de entrarem indoutos ou incrédulos, não dirão, porventura, que estais loucos?

Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem línguas estranhas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão, porventura, que estais loucos?

Percebam, que há um acréscimo ao texto bíblico. Em todas as outras versões “não encontramos a expressão “línguas estranhas”, o que sugere uma tradução não tão feliz”.[xviii]

Existe outro argumento que vá de encontro à suposição pentecostal/carismática de que o dom de língua faz referência a línguas dos anjos? Existe sim. Outro texto que vai de encontro à posição pentecostal é 1 Coríntios 14.21, 22: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia não é para os incrédulos, e sim para os que crêem”. Este texto, irmãos, é uma referência a Isaías 28.11: “Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SENHOR a este povo”. Esta é uma palavra de juízo que Deus trouxe sobre os judeus impenitentes na época do Antigo Testamento. Aqui o termo “língua” refere-se a uma língua real, um idioma estrangeiro. Em Isaías temos uma promessa sobre a chegada dos assírios, cuja língua os judeus, naturalmente, não entenderiam. Precisamos entender o pano de fundo histórico de Isaías 28.7-13. Aqui Isaías está sendo ridicularizado por sacerdotes e profetas que viviam embriagados e zombando de Isaías. O profeta Isaías afirma que a resposta infantil do povo (desmamados e os que foram afastados dos seios maternos) ofende a Deus. Como “não quiseram ouvir” (v. 12), “então Deus lhes falaria como se estivessem ainda aprendendo a falar por meio de rimas infantis”.[xix] Era apenas: “preceito sobre preceito, preceito e mais preceito; regra sobre regra, regra e mais regra” (28.10, 13). A fraseologia em hebraico é muito interessante, bem mais interessante que em português: “wq"+l' wq:å wq"ßl' wq:ï wc'êl' wc;ä ‘wc'l' wc;Û” (sav lasav sav lasav kav lakav kav lakav). A simplicidade destas palavras em hebraico é notória. Os judeus “desprezavam Isaías, que foi a eles com a Palavra de Deus expressa em hebraico simples e claro. Agora Deus lhes viria com forças armadas assírias, cujos soldados lhes falariam em língua estrangeira”.[xx]

Nosso argumento de que o termo “línguas” se refere a idiomas estrangeiros é apoiado ainda pela palavra grega utilizada por Paulo quando ele diz que “línguas” devem ser interpretadas: “a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (1 Coríntios 12.10); “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro interpretação. Seja tudo feito para edificação... Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1 Coríntios 14.26, 28). A palavra para “interpretação” é e`rmhnei,a. “Quando a palavra hermeneuo não é utilizada para descrever a exposição das Escrituras, ela simplesmente significa ‘traduzir o que foi falado ou escrito em uma língua estrangeira”.[xxi] Friberg nos dá um bom significado desse termo: “interpretação, explanação, tradução; como um dom do Espírito, a habilidade de tornar palavras inteligíveis, que de outro modo, não seriam entendidas”.[xxii] Outro léxico explica o significado de e`rmhneu,w como segue: “Traduzir no vernáculo o que foi falado ou escrito em uma língua estrangeira”.[xxiii] Por esse prisma, meus queridos irmãos, um intérprete é alguém que traduz um idioma estrangeiro para um outro compreensível à audiência presente.[xxiv] “O dom da interpretação (e`rmhnei,a) era um dom empregado para traduzir construções sintáticas de um outro idioma não conhecido pela assembléia”.[xxv] Palmer Robertson diz que, “as línguas de 1 Coríntios 14 eram traduzíveis, o que se sugere que eram idiomas estrangeiros”.[xxvi]

1.2. AS LÍNGUAS NO NOVO TESTAMENTO ERAM REVELACIONAIS

Continuando o nosso estudo sobre o dom de línguas, chegamos num ponto muito importante para o nosso entendimento sobre o mesmo. Já vimos que, as línguas faladas no período apostólico eram idiomas ou dialetos humanos e estrangeiros. Não se tratavam de línguas celestiais ou angelicais. Esse pensamento é pura ficção pentecostal! Várias razões foram dadas para isso: 1) o fenômeno no dia de Pentecostes; 2) o nome que o dom recebe em 1 Coríntios 12: “variedades de línguas”; 3) a necessidade de tradução, o que pressupõe vocabulário e sintaxe; e 4) a aplicação paulina de profecias a respeito de nações de línguas diferentes que viriam contra Israel.

Precisamos avançar no nosso estudo a respeito da glossolalia. Precisamos analisar mais um ponto importante sobre a natureza desse dom apostólico. O nosso foco, agora, concentra-se na afirmação pentecostal de que, quem fala em línguas ora em línguas estranhas, ou seja, os pentecostais asseveram que as línguas são uma forma de oração muito íntima, que se dá entre a pessoa e Deus. Segundo esse pensamento, “falar em línguas é principalmente um discurso dirigido a Deus (ou seja, oração ou louvor)”.[xxvii] Os pentecostais baseiam esse pensamento em alguns versículos do capítulo 14 de 1 Coríntios: “Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios” (v. 2); “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja” (v. 4); “Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (v. 28). Com base nestes versículos os pentecostais afirmam que o falar em línguas é uma espécie de oração e louvor a Deus.

A teologia reformada, ao contrário do pentecostalismo, crê que o dom de línguas não possuía a função de servir como uma forma de oração entre o indivíduo e Deus. Cremos que o dom de línguas era de natureza revelacional, possuindo a função de comunicar a vontade do Senhor para a sua igreja apostólica que ainda não possuía o cânon perfeito das Escrituras. Dividiremos a nossa análise em duas partes: 1) analisaremos os textos usados pelos carismáticos; e 2) estabeleceremos o verdadeiro conceito das línguas.

1.2.1. Demolindo o argumento pentecostal

Será que as passagens usadas realmente dão o suporte esperado pelos defensores da contemporaneidade dos dons? Primeiramente, observemos o versículo 2 de 1 Coríntios 14: “Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios” (o` ga.r lalw/n glw,ssh| ouvk avnqrw,poij lalei/ avlla. qew/|\ ouvdei.j ga.r avkou,ei( pneu,mati de. lalei/ musth,ria\). A primeira coisa que precisamos ter em mente é que, nesse capítulo de 1 Coríntios o apóstolo Paulo está corrigindo abusos que estavam acontecendo durante os cultos na igreja de Corinto. Então, irmãos, lembrem-se, aqui Paulo não está nem elogiando nem endossando a prática dos coríntios. Esse capítulo chega mais a uma repreensão do que qual quer outra coisa. No verso 2, o apóstolo Paulo está afirmando a conseqüência da preferência injustificada e do mau uso do dom de línguas no seio da igreja. Ele não está afirmando o que o dom é em si mesmo. Muito pelo contrário, o apóstolo está mostrando o que acontece quando o dom é exercido de forma errada. O que, então, acontece? A igreja não é edificada. Isso é tão tal, que Paulo inicia o capítulo 14 com essa preocupação em mente. Ele inicia falando sobre dois dons de comunicação da vontade de Deus: “Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis” (v. 1). Observem, que ele se dirige a toda a igreja enquanto corpo congregacional: os verbos “segui”, “procurai” e “profetizeis” todos estão na 2ª pessoa do plural. Então, ele não tem apenas um indivíduo em mente, mas sim toda a igreja, todo aquele ajuntamento, o qual ele denominou de “Corpo”. Por que a igreja deveria se preocupar em profetizar? Eis a resposta no versículo 2: “Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”. Em outras palavras, que fala em línguas sozinho, não contribui para a edificação do Corpo, pois não comunica a homens.[xxviii] O dom de línguas sem interpretação não edifica a igreja, pois atrapalha a comunicação.

Mas, como isso interfere no entendimento de que é oração dirigida a Deus? O verso diz que quem fala em línguas, fala a Deus. Como entender isso, sem chegarmos à conclusão de que se trata de oração? Pergunto: se eu falasse aqui em línguas da mesma forma como acontecia no período apostólico, vocês entenderiam? E Deus, será que entenderia? É óbvio! É exatamente isso que o apóstolo Paulo está afirmando! O Dr. Simon Kistemaker afirma: “Embora Deus conheça cada palavra dita, seu povo é incapaz de compreender essas palavras e, portanto, não é edificado”.[xxix] Calvino é de opinião semelhante quando afirma: “A razão porque ‘ele não fala a homens’ é que ‘ninguém entende’, ou seja, as palavras não podem ser distinguidas. Pois os ouvintes ouvem um som, porém não entendem o sentido da linguagem”.[xxx]

Outra verdade interessante reside no termo “mistério” (musth,rion), utilizado no versículo 2. Algumas pessoas “argumentam que o termo mistério é empregado para referir-se ao fato das línguas não serem compreendidas, tornando-se, assim, ‘um mistério’”.[xxxi] Entretanto, devemos perceber que o apóstolo Paulo não afirma “falar em mistério”, e sim “falar mistério”, “o que pode ser muito bem entendido à luz de Atos 2.11, como ‘falar as grandezas de Deus’ que estavam ocultas”.[xxxii] Esta palavra “inclui a idéia de comunicação da revelação divina”.[xxxiii] O Dr. Palmer Robertson faz uma análise interessante do termo musth,rion:

Como já foi observado, um ‘mistério’, no Novo Testamento, é uma verdade sobre o método divino de efetuar a redenção que outrora esteve oculta, mas agora foi revelada. Em sua própria essência, um ‘mistério’, no Novo Testamento, é um fenômeno revelacional.[xxxiv]

O termo musth,rion ocorre cerca de vinte e oito vezes no Novo Testamento. Vejamos algumas passagens que confirmam o nosso entendimento sobre o termo musth,rion:

“Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (Mateus 13.11). Os mistérios aqui não são mais ocultos dos discípulos de Jesus. Agora se tratam de verdades reveladas, não ocultas.

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não sejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Romanos 11.25). O mistério acerca de Israel não mais seria uma matéria de ignorância, pois ele foi revelado.

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações” (Romanos 16.25, 26). Aqui o apóstolo afirma que pode pregar com confiança, porque o mistério do evangelho agora se revelou.

“Ora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus: o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória” (Colossenses 1.24-27). Mais uma vez o mistério está associado à revelação do evangelho de Jesus Cristo (cf. Colossenses 4.3).

Então, percebam como o uso do termo musth,rion não dá nenhum suporte para a teoria pentecostal do falar em línguas como uma oração dirigida a Deus.

Sobre o versículo 4 de 1 Coríntios 14, não é preciso muito argumento exegético para mostrar que não está tratando as línguas como orações. Para entendermos o sentido do versículo, basta ler o verso 5: “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois que profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação”. De acordo com Paulo no verso 5, as línguas interpretadas são equivalentes à profecia. Podemos estabelecer o nosso argumento por meio de um silogismo:

PREMISSA MAIOR: O dom de línguas quando interpretado é equivalente à profecia;

PREMISSA MENOR: Profecia é diferente de oração.

CONCLUSÃO: Portanto, o dom de línguas é diferente de oração.

Se o apostolo Paulo quisesse ensinar que as línguas são uma forma de se dirigir a Deus em oração, ele não teria utilizado “fala em outra língua” (lalw/n glw,ssh), e sim “ora em outra língua”. Mas somente num único lugar do Novo Testamento o verbo “orar” (proseu,comai) se encontra associado ao dom de línguas: “Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera” (v. 14). Percebam que, aqui a palavra “se” (eva,n) deixa claro que o apóstolo está, mais uma vez, fazendo apenas uma suposição. Ele não está tratando de um fato estabelecido. Além disso, é límpida a percepção que aqui ele favorece a oração numa língua conhecida ou vernacular. O Dr. Anthony Hoekema faz a seguinte afirmação: “a interpretação mais provável do versículo 15 não é que Paulo favoreça o orar em línguas no culto da igreja, mas que favoreça o orar em uma língua conhecida, a fim de que seu espírito e sua mente estejam ativos”.[xxxv]

Podemos concluir, então, que mais uma vez, o argumento pentecostal sobre o dom de línguas é falacioso, falso e antibíblico.

1.2.2. A verdadeira natureza do dom de línguas

O entendimento bíblico-reformado a respeito do dom de línguas, é que esse dom era revelacional, ou seja, o conteúdo não se dirigia do indivíduo para Deus, mas sim de Deus para a igreja pela instrumentalidade de um indivíduo. Como podemos entender isso? Várias passagens do Novo Testamento confirmam isso:

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2.4). Observem a expressão “segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (kaqw.j to. pneu/ma evdi,dou avpofqe,ggesqai auvtoi/j). O verbo utilizado para “falassem” é o verbo grego avpofqe,ggomai. É um verbo diferente para o empregado na cláusula “e passaram a falar em outras línguas” (kai. h;rxanto lalei/n e`te,raij glw,ssaij). Aqui, o verbo para “falar” é lale,w. O significado do uso de avpofqe,ggomai é que ele é empregado para a fala produzida pelo Espírito Santo, e até onde sabemos, fala inspirada pelo Espírito Santo de Deus é fala inspirada:

Com este termo, Lucas deu total ênfase na idéia de que línguas consistia na ‘fala do Espírito’... Esta expressão é correlata das afirmações proféticas do Antigo Testamento ‘Assim diz o Senhor’. Dessa forma, línguas consiste numa manifestação profética na qual Deus fala ao homem.[xxxvi]

Por sua vez, o verbo lale,w, se refere à capacidade natural de falar.

“tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus” (Atos 2.11). O fenômeno da glossolalia no dia de Pentecostes teve como propósito a pregação das “grandezas de Deus” a pessoas de diferentes nações, etnias, idiomas e dialetos: partos, medos, elamitas, mesopotâmios, judeus, capadócios, pontenses, asiáticos, frígios, panfílios, egípcios, líbios, cirineus, romanos, cretenses e arábios. Todas estas etnias ouviram a pregação das “grandezas de Deus” em suas próprias línguas maternas. Diz o Dr. Kistemaker,

Os crentes cheios do Espírito Santo proclamam os milagres realizados por Deus. Presumimos que eles declaram especialmente as maravilhas relacionadas à ressurreição e ascensão de Jesus. Lucas diz que os judeus piedosos residentes em Jerusalém ou os que estão em visita à cidade ouvem acerca dessas maravilhas em suas línguas maternas.[xxxvii]

A passagem de 1 Coríntios também é decisiva nessa questão. Mais uma vez, o caráter revelacional do dom de línguas se faz evidente aqui. Voltemos a 1 Coríntios 14.4, 5: “O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois que profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação”. Lembremos, que as línguas interpretadas são equivalentes à profecia. Com isso em mente, se a profecia tem caráter revelacional, por que seria diferente com as línguas? O exegeta da Reforma, João Calvino, comentando o versículo 5, diz que no exercício do dom de línguas, “se a interpretação for adicionada, então teremos profecia”.[xxxviii] Esta é a mesma interpretação de Gordon Lyons: “Se uma pessoa quem fala em uma língua pode interpretar o que diz, então, pode trazer uma mensagem da parte de Deus para a igreja naquela língua, desde que, traduzida corretamente”.[xxxix]

O termo “edificação” (oivkodomh,) no versículo 5 é muito importante. Este termo “só é empregado quando alguma coisa é acrescentada à mente... As línguas, portanto, deveriam edificar, ou seja, trazer conteúdo inteligível à mente”.[xl] Em outras palavras, a função das línguas, quando interpretadas é edificar, ou seja, acrescentar conteúdo na igreja de Deus.

No versículo 16, Paulo mostra o real conteúdo das línguas: “Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco falando em outras línguas, em que vos aproveitarei, se vos não falar por meio de revelação, ou de ciência, ou de profecia, ou de doutrina?”. Paulo mostra que as línguas são um dom doutrinário, e que, por meio dele, a igreja deveria receber o mesmo conteúdo de profecia, revelação, conhecimento e ensino. “sendo assim, as línguas eram um dom que trazia acréscimo teológico à igreja quanto à doutrina da Nova Aliança”.[i] Se a utilidade do dom aparece quando, por meio dele, a igreja é doutrinada e ensinada, isso mostra, indubitavelmente, que o propósito do dom de línguas era o de revelar a vontade de Deus.


[i] Ibid.


[i] Citado em Brian Schwertley, Os Carismáticos e as Novas Revelações do Espírito, (São Paulo: Os Puritanos, 2000), 23.

[ii] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios, (São Paulo: Cultura Cristã, 2004), 627.

[iii] Sinclair B. Ferguson, O Espírito Santo, (São Paulo: Os Puritanos, 2000), 293.

[iv] John F. MacArthur Jr., Os Carismáticos, (São José dos Campos: Fiel, 2000), 156.

[v] Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 86.

[vi] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos, Vol. 1, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 111.

[vii] Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, 99.

[viii] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos, Vol. 1, 115.

[ix] Joseph Mizzi, Batismo no Espírito e Falar em Línguas. pág. 2. Artigo extraído do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.

[x] Brian Schwertley, Os Carismáticos e as Novas Revelações do Espírito, 25.

[xi] C. Samuel Storms em Wayne Grudem (org.), Coleção Debates Teológicos: Cessaram os Dons Espirituais? 4 Pontos de Vista, (São Paulo: Vida, 2003), 229.

[xii] Sinclair B. Ferguson, O Espírito Santo, 293.

[xiii] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, (Teresina: Berith Publicações, 2005), 15.

[xiv] Friberg Lexicon in BIBLEWORKS 7.0.

[xv] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, 15.

[xvi] Brian Schwertley, Os Carismáticos e as Novas Revelações do Espírito, 27.

[xvii] Ibid.

[xviii] Felipe Sabino de Araújo Neto, Resposta a um Pentecostal. pág. 6. Artigo extraído do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.

[xix] O. Palmer Robertson, Línguas: Sinal de Maldição e de Bênção do Pacto, (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991), 15.

[xx] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios, 693.

[xxi] Brian Schwertley, Os Carismáticos e as Novas Revelações do Espírito, 28.

[xxii] Friberg Lexicon in BIBLEWORKS 7.0.

[xxiii] J. H. Thayer, Thayer’s Greek Lexicon in BIBLEWORKS 7.0.

[xxiv] Deve ser observado que todos os léxicos consultados admitem que os termos gregos e`rmhneu,w e e`rmhnei,a referem-se a tradução de línguas estrangeiras (cf. Harold K. Moulton, Léxico Analítico Grego, 177; Gingrich Lexicon; LEH Greek Lexicon; LS Greek Lexicon; Louw-Nida Lexicon e UBS Greek Lexicon, todos disponíveis na versão eletrônica em BIBLEWORKS 7.0.)

[xxv] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, 18.

[xxvi] O. Palmer Robertson, A Palavra Final: Resposta Bíblica à Questão das Línguas e Profecias Hoje, (São Paulo: Os Puritanos, 1999),

[xxvii] Wayne Grudem, Teologia Sistemática, (São Paulo: Vida Nova, 2002), 910. Aqui Grudem não está apenas apresentando pensamento pentecostal. Na verdade, esse é o pensamento do próprio Wayne Grudem.

[xxviii] Digno de nota é o verbo traduzido como “fala” (lalei/). Este verbo é empregado para se referir a comunicação, não a oração.

[xxix] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: 1 Coríntios, 662.

[xxx] João Calvino, Comentário à Sagrada Escritura: 1 Coríntios, (São Bernardo do Campo: Prakletos, 2003), 414.

[xxxi] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, 17.

[xxxii] Ibid, 18.

[xxxiii] O. Palmer Robertson, A Palavra Final: Resposta Bíblica à Questão das Línguas e Profecias Hoje, 29.

[xxxiv] Ibid.

[xxxv] Anthony Hoekema, ...E as Línguas? pág. 53. Livro extraído do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.

[xxxvi] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, 17.

[xxxvii] Simon Kistemaker, Comentário do Novo Testamento: Atos, Vol. 1, 119. O posicionamento de Wayne Grudem sobre o dom de línguas é tão estranho quanto o seu posicionamento sobre o dom de profecia: “Assim, falar em línguas, ao que parece, é oração ou louvor dirigido a Deus, brotando do ‘espírito’ da pessoa que está falando. Isso não discorda da narrativa em Atos 2, porque a multidão disse: ‘Como ouvimos falar em nossas línguas as grandezas de Deus?’ (At 2.11), uma descrição que certamente significaria que os discípulos estavam todos glorificando a Deus e proclamando suas obras grandiosas em adoração, e a multidão começou a ouvir isso que ocorria em várias línguas” (cf. Wayne Grudem, Teologia Sistemática, 910, 911). Em termos de necessidade e utilidade, o que se encaixa melhor no contexto: revelação ou oração? Qual a necessidade de orações nas diferentes línguas em Atos 2? Além disso, nem mesmo Grudem tem convicção daquilo que afirma, pois apenas “parece” que o falar em línguas é oração.

[xxxviii] João Calvino, Comentário à Sagrada Escritura: 1 Coríntios, 416.

[xxxix] Gordon Lyons, New Testament Expository Notes: 1 Corinthians. pág. 167. Extraído do site http://www.1-word.com. Sem data de acesso.

[xl] Moisés Bezerril, Alan Rennê Alexandrino, Alenilton Marques de Andrade, André de Souza Pereira, Ciro de Menezes Ferreira e José Ornilton de Carvalho, A Natureza Apostólica dos Dons Espirituais de 1 Coríntios 12: Uma Abordagem Exegética aos Dons da Era Apostólica, 16.

[xli] Ibid.

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