terça-feira, 15 de novembro de 2011

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO


·         TEXTO (1 CORÍNTIOS 12.12-14)
12. Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. 13. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. 14. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
·         INTRODUÇÃO
Queridos irmãos no Senhor Jesus Cristo, creio que não se constitua num exagero afirmar que um dos assuntos onde há maior confusão hoje, é a questão do batismo com o Espírito e as manifestações sobrenaturais tidas como consequência de tal batismo. Da mesma forma, creio que essa confusão não se deve ao fato de que a Bíblia não seja clara no seu ensino com respeito ao assunto. Até porque, as Escrituras Sagradas são muito claras sobre isso. Há uma clareza tal, que chega a causar perplexidade diante da confusão teológica e doutrinária de nossos dias.
O grande e real problema, aquilo que explica toda a diversidade de opiniões sobre o batismo com o Espírito Santo é que as pessoas se aproximam do texto sagrado cheias de pressuposições, e buscam apenas encontrar afirmações, por mais vagas que sejam, que corroborem o seu pensamento. A experiência individual-subjetiva, e não a Palavra de Deus, tem ditado a forma de se compreender essa doutrina tão importante.
O protestantismo de orientação pentecostal afirma algumas coisas que precisam ser confrontadas com o que a Escritura realmente ensina, para observarmos a validade ou não de suas afirmações. Por exemplo, os pentecostais afirmam que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência posterior à conversão. “Esta é a doutrina central que distingue as igrejas pentecostais dos demais grupos protestantes e que como temos visto, também é sustentada pela maioria dos neopentecostais”.[1] Primeiro, o indivíduo é regenerado, convertido. Depois, ele recebe aquilo que eles chamam de “o poderoso batismo com o Espírito Santo. No prefácio da Teologia Sistemática de Charles Finney, um dos gurus do movimento pentecostal, está narrada a “experiência” de Finney, quando recebeu o “batismo no Espírito”:
O que lhe faltava senão aceitar a Cristo? Deixemos que ele mesmo fale de sua experiência de salvação: “Num sábado à noite, no outono de 1821, tomei a firme resolução de resolver de vez a questão da salvação de minha alma e ter paz com Deus”. Finney, porém, não se conformava. Queria mais de Cristo. Sua fome pelo Senhor era insaciável. Foi assim, buscando incessantemente a Deus, que ele veio a ser batizado no Espírito Santo. Que o próprio Finney narre como se deu a sua experiência pentecostal...[2]

Percebam, que de acordo com a citação, Finney passou por duas experiências distintas: 1º) a conversão, onde é dito que ele tomou a decisão de buscar a paz com Deus; 2º) o “batismo no Espírito” como uma experiência subseqüente.
Além disso, os pentecostais também afirmam que nem todos os crentes são batizados com o Espírito Santo. Existe o grupo daqueles que são salvos, regenerados, justificados, não obstante, nunca experimentaram a segunda experiência do batismo pentecostal. Tais pessoas possuem o Espírito apenas como penhor e selo da salvação, mas não o possuem como elemento que reveste de poder para o desempenho da missão espiritual. Por outro lado, existe um segundo grupo constituído por todos aqueles que já receberam o tão almejado e perseguido batismo ou o revestimento de poder.
Em terceiro lugar, de acordo com a “teologia” pentecostal, para que o indivíduo seja “batizado no Espírito” é necessário que ele busque, que se esvazie, que ore incessantemente. Sem buscar, a pessoa nunca receberá esse revestimento especial de poder.
Em quatro e último lugar, dizem os pentecostais, que existe uma evidência inicial, que atesta se o indivíduo recebeu ou não o “batismo no Espírito”. Tal evidência inicial é o falar em línguas. Para a “teologia pentecostal”, só é batizado com o Espírito quem fala em línguas.
E quanto aos pobres outros cristãos? Será que esse pensamento é verdadeiro? Será que ele está fundamentado numa sólida teologia bíblica? O que é esse batismo? Quem é batizado? Quem realiza esse batismo? Para obtermos respostas a estes e outros questionamentos precisamos nos voltar unicamente para as Escrituras! A experiência não tem nenhum peso diante do que a Bíblia ensina. Ninguém tem a permissão de se basear e se agarrar à experiência pessoal, quando esta vai de encontro ao que a Escritura ensina. Irmãos, se eu faço alguma coisa, tenho essa coisa como certa, mas a Bíblia mostra que está errada, eu tenho que abandonar o que faço. Minha experiência pessoal não está acima da Escritura. Pelo contrário, está bem abaixo dela! Se a Bíblia não apóia alguma prática do evangelicalismo, seja de orientação reformada, seja de orientação pentecostal, então, o que não está de acordo com a Escritura tem de ser abandonado! Como expressou um amigo pastor: “As experiências devem ser subservientes da Palavra de Deus, e não ao contrário, dando primazia ao eu. Quem ama a Cristo amará a doutrina da Palavra (João 7.16-19)”.[3] Arrogância é se apegar, firmar-se numa posição só por causa de uma experiência pessoal ou de um achismo subjetivo. Submeter-se ao que a Escritura diz e defender essa posição, pois firme e convicto que a pessoa seja, não é arrogância! O contrário é que é.
Então, o que é o Batismo com o Espírito Santo?   
·         EXPOSIÇÃO
I – O EXECUTOR E O INSTRUMENTO DO BATISMO
A primeira verdade que precisamos entender é quem é o autor ou o executor desse batismo. Isso nós podemos descobrir examinando o que os quatro evangelhos nos ensinam a este respeito. Observemos o que cada evangelista registrou a este respeito:
Mateus 3.11: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A redação grega da última parte do versículo é auvto.j u`ma/j bapti,sei evn pneu,mati a`gi,w| kai. puri,\. Deve-se notar o uso de evn pneu,mati a`gi,w| (en pneumati hagio).
Marcos 1.8: “Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo. auvto.j de. bapti,sei u`ma/j evn pneu,mati a`gi,w|Å Novamente, “en pneumati hagio”.
Lucas 3.16: “disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. A redação é muito semelhante a Mateus e Marcos: auvto.j u`ma/j bapti,sei evn pneu,mati a`gi,w| kai. puri,\. A construção, novamente é “en pneumati hagio”.
João 1.33: “Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. A redação difere um pouco, mas nada que atrapalhe o seu entendimento: ou-to,j evstin o` bapti,zwn evn pneu,mati a`gi,wEntretanto, permanece o padrão “en pneumati hagio”.
Após observarmos as narrativas dos quatro evangelhos podemos perceber duas verdades nestas passagens: 1) o agente ou o realizador desse batismo é Jesus Cristo. Vemos que Jesus é aquele que realizará esse batismo e, segundo João Batista, ele batizará os seus seguidores. Portanto, podemos chamar, a priori, o batismo com o Espírito de, “o batismo de Cristo com o Espírito”.[4] Em cada um dos casos citados, o batizador é sempre Jesus Cristo. 2) o instrumento utilizado no batismo realizado por Jesus Cristo é o Espírito Santo. Isso se deduz da utilização da preposição evn (en) seguida de um dativo nas quatro ocorrências.[5]
II – O CUMPRIMENTO INAUGURAL DO BATISMO
Sobre esse ponto, precisamos observar outras passagens que versam a respeito do batismo com o Espírito Santo, que nos remetem à ocasião do seu cumprimento inaugural.
Atos 1.5: “Porque, João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Podemos perceber aqui, quando Jesus repete praticamente as mesmas palavras ditas por João Batista nos evangelhos, que o Senhor estava apontando para um tempo “não muito depois” daquele dia. Concluímos que Jesus Cristo estava apontando para o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. No capítulo segundo de Atos, Lucas descreve este derramamento, e apresenta Pedro dizendo acerca de Cristo: “Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis” (2.33). O derramamento do Espírito em Pentecostes, então, é o batismo com o Espírito que João Batista e Jesus haviam anunciado. Portanto, queridos irmãos, nas passagens até aqui citadas a expressão “ser batizado com o Espírito Santo” não se refere a uma experiência que cada crente, individualmente, deve buscar e almejar algum tempo depois de sua regeneração, mas a um acontecimento histórico que ocorreu no dia de Pentecostes.
A Igreja Presbiteriana do Brasil possui uma declaração oficial a respeito da ocasião em que se deu esse batismo:
O batismo com o Espírito Santo foi prometido por Deus através do profeta Joel e de outros profetas no Velho Testamento, bem como através de João Batista e pelo Senhor Jesus Cristo no Novo Testamento. Esta promessa cumpriu-se no dia de Pentecoste, quando o Espírito Santo, já presente e atuante na Igreja do Antigo Testamento, veio operar na Igreja Cristã nascente com poder e glória superiores à Sua operação sob o Antigo Pacto, para capacitá-la a testemunhar do Cristo exaltado.[6]

Interessante, meus amados e queridos irmãos, é que a própria Bíblia se encarrega de confirmar de forma cabal, que a referência ao batismo com o Espírito Santo ocorreu objetiva e historicamente no derramamento do Espírito no Pentecostes. Ao todo, sete passagens fazem referência a esse evento. Destas sete quatro já mencionadas (Mateus 3.11; Marcos 1.8; Lucas 3.16; e Atos 1.5) empregam o verbo “batizar” no tempo futuro[7]. João utiliza o tempo presente[8], e as outras duas passagens falam desse evento como algo que já aconteceu, no passado.[9]
Atos 11.16: “Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”. Notem, meus amados irmãos, que Pedro está em Jerusalém, relatando aos irmãos da Judéia o que havia ocorrido na casa de Cornélio em Cesaréia poucos dias antes. Então, ele está falando de algo que já aconteceu. Foi quando o Espírito “caiu” sobre Cornélio e sua casa que Pedro lembrou das palavras do Senhor.
1 Coríntios 12.13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.
Percebam, que após o Pentecostes, o batismo com o Espírito Santo não é mais visto como algo futuro, mas sim como algo passado, já cumprido. Diferentemente do que a tradição pentecostal nos diz, o batismo com o Espírito Santo já aconteceu, de uma vez por todas, quando aconteceu o seu derramamento em Pentecostes. Não é algo que devemos buscar, pois você não busca algo que já aconteceu; você não busca, não procura por uma coisa que já possui. Isso porque, a teoria pentecostal faz uma séria confusão entre um evento da História da Redenção e um estágio da Ordem de Salvação. Está claro na Bíblia que os eventos peculiares à História da Salvação não se repetem: a encarnação de Jesus, seu sofrimento, morte, ressurreição e ascensão.
Richard Gaffin Jr., faz o seguinte comentário a esse respeito: “Praticamente tudo quanto o NT ensina a respeito da obra do Espírito Santo antecipa o Pentecoste ou remonta a ele”.[10] O Pentecostes se enquadra como um evento que não se repete. Se, após o Pentecostes os apóstolos falam dele como algo passado, então, é porque ninguém deve esperar um Pentecostes futuro. Os pentecostais também fazem uma grande confusão entre aquilo que é descritivo e aquilo que é prescritivo. Eles tomam passagens narrativas ou descritivas e formulam paradigmas e padrões para a igreja contemporânea, como se as passagens fossem prescrições. As passagens narrativas das Escrituras do Novo Testamento (os quatro Evangelhos e Atos) apresentam os acontecimentos da época de Jesus por meio de uma exposição circunstanciada dos mesmos. É muito complicado e perigoso você extrair um paradigma para a igreja contemporânea, sem observar certas circunstâncias que estavam restritas apenas à época apostólica.
Nós precisamos ter em mente que, de fato e incontestavelmente, existem coisas na Bíblia que eram apenas para a época bíblica e apostólica. Algumas pessoas questionam isso. No entanto, o que fazer diante de passagens que, em seus detalhes específicos, limitaram-se apenas aos tempos bíblicos? Creio que apenas alguns exemplos bastem: 1) Apóstolos (Efésios 4.11); 2) Pena Capital aplicada pelo próprio Deus para a mentira (Atos 5.1-11); 3) Lançar sortes como método de se conhecer a vontade de Deus (Atos 1.26); 4) Duas ursas despedaçarem crianças e adolescentes rebeldes (2 Reis 2.24). Creio que ninguém ousa dizer que estas coisas continuam em nossos dias, a menos que assuma Valdemiro Santiago, Renê Terra Nova, Valnice Milhomens e muitos outros sejam apóstolos como os Doze e Paulo.
III – QUEM RECEBE ESSE BATISMO?
Mais uma vez, a teologia pentecostal nos presta um grande desserviço, ao afirmar que nem todos os cristãos são batizados com o Espírito Santo. O Pentecostalismo divide o Corpo de Cristo em dois grupos bem distintos: os crentes batizados no Espírito e os crentes comuns; de um lado, os crentes cheios do Espírito, espirituais, santificados, discípulos, santos e sacerdotes; do outro, os crentes comuns e carnais. Para que alguém chegue à categoria superior, é necessário buscar incessantemente esse batismo com o Espírito Santo.
Isso é muito perigoso! Ensinar um cristianismo de duas categorias provoca danos à igreja, pois “isso contribui para a mentalidade ‘nós-eles’ nas igrejas e leva ao ciúme, orgulho e divisão”.[11] O que fica pairando no ar é a idéia de uma certa superioridade espiritual experimentada apenas por um grupo de privilegiados. O Novo Testamento não apresenta nenhum ensino sobre cristianismo de dois níveis ou duas classes. Em nenhum lugar das epístolas vemos Paulo ou Pedro dizer a uma igreja em problemas: “Vocês precisam ser batizados no Espírito Santo”. Então, o que diz o Novo Testamento? Quem é batizado com o Espírito Santo?
Observemos 1 Coríntios 12.13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.
Aqui, o apóstolo Paulo está se dirigindo a uma igreja que possuía uma variedade étnica de membros. Em Corinto existiam judeus, gregos, romanos, e outros gentios. Ali também existia uma diversidade de posições econômicas: ricos, pobres. Ali existiam senhores, escravos. Foi para uma igreja multifacetada étnica, social e economicamente, e que também experimentava uma diversidade dos dons espirituais, que o apóstolo Paulo ensinou a unidade do Corpo existente por meio do batismo com o Espírito Santo.
Uma expressão que deve ser observada por nós é, “todos nós”. Com essa expressão, meus amados irmãos, “ele não admite exceções. Todos os verdadeiros crentes foram batizados no Espírito Santo”.[12] É como se o apóstolo estivesse dizendo, “somos diferentes tanto em serviços, como em dons e até mesmo em raça, mas numa coisa todos nós, crentes, somos iguais: todos fomos batizados pelo mesmo Espírito, portanto, somos um mesmo corpo”.[13]
E esse não é o único lugar em que isso fica claro. Vejam Romanos 8.9: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. A passagem é clara: se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. Paulo não diz que se alguém não tem o Espírito é crente de segunda classe, mas que não é de Cristo, ou seja, não é crente.
Podemos perceber que foi isso que aconteceu no Pentecostes, em Atos 2.1-4. Existe também uma clara conexão entre 1 Coríntios 12.13, e as palavras de Jesus em João 7.37, 38. Quem fosse até Jesus e bebesse receberia o Espírito Santo quando cresse. Todos os que creram já beberam do Espírito Santo, ou seja, já foram batizados.   
·         CONCLUSÃO
Uma grande confusão tem sido causada nas igrejas por líderes que ensinam a necessidade de uma segunda obra da graça. Por todos os lados, podemos ver a frustração e o desapontamento na vida de muitos que ainda não conseguiram chegar a essa segunda bênção. O problema é que, quando alguém acha que precisa buscar algo que não tem, certamente deixa de dar importância ao que já tem. Ora, todos os crentes já possuem a obra da graça na sua vida e também os meios para alcançar a verdadeira santidade.
O batismo com o Espírito Santo é a obra salvífica de Cristo por seu Espírito em cada filho eleito de Deus. É simultâneo à regeneração, ao novo nascimento. É a limpeza da culpa do pecado e a consagração a Deus.


[1] Anthony Hoekema, ...E as Línguas?, pág. 31. Versão eletrônica, extraída do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.
[2] Charles Finney, Teologia Sistemática, (Rio de Janeiro: CPAD, 2004), 14. Versão eletrônica, extraída do site http://www.ebooksgospel.com.br. 
[3] Jefté Alves de Assis, Logos e Praxis: A Convergência e a Subserviência da Experiência para com as Sagradas Escrituras na Construção da Teologia, pág. 8. Extraído do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.
[4] David J. Engelsma, Provai os Espíritos: Uma Análise Reformada do Pentecostalismo, pág. 10. Versão eletrônica, extraída do site http://www.monergismo.com. Sem data de acesso.
[5] Quando a preposição evn é seguida de um dativo, ela pode ser traduzida como “em, por, com”(cf. Francisco Leonardo Schalkwijk, Coinê: Pequena Gramática do Grego Neotestamentário, (Patrocínio: CEIBEL, 1998), 146). Por isso algumas pessoas justificam a terminologia “batismo pelo Espírito Santo”, como se o Espírito fosse o agente do batismo. É uma tradução possível, contudo, a observação de William Douglas Chamberlain é elucidativa: “A idéia instrumental também não raro se expressa mendiante evn: polemh,sw metV auvtw/n evn th/| r`omfai,a (Ap 2.16) – “pelejarei com a espada”. A correta acepção de que se reveste esta preposição só se pode determinar com certeza à luz do contexto” (cf. Gramática Exegética do Grego Neotestamentário, (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989), 143. Nas passagens dos evangelhos fica claro que é a acepção instrumental que merece a preferência, visto que o verbo “batizará” sempre aparece como uma ação de Jesus.
[6] IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, Cartas Pastorais: O Espírito Santo Hoje, Dons de Língua e Profecia, (São Paulo: Cultura Cristã, 1995), 4.
[7] Mateus 3.11: bapti,sei (Indicativo Futuro Ativo, 3ª Pessoa do singular); Marcos 1.8: bapti,sei (Indicativo Futuro Ativo, 3ª Pessoa do singular); Lucas 3.16: bapti,sei (Indicativo Futuro Ativo, 3ª Pessoa do singular); Atos 1.5: baptisqh,sesqe (Indicativo Futuro Passivo, 2ª Pessoa do plural).
[8] João 1.33: bapti,zwn (Particípio Presente Ativo).
[9] Atos 11.16: evmnh,sqhn (Indicativo Aoristo Passivo); 1 Coríntios 12.13: evbapti,sqhmen (Indicativo Aoristo Passivo, 1ª Pessoa do Plural).
[10] Wayne Grudem (org.), Cessaram os Dons Espirituais?: 4 Pontos de Vista, (São Paulo: Vida, 2003), 30.
[11] Wayne Grudem, Teologia Sistemática, (São Paulo: Vida Nova, 2002), 646.
[12] Leandro Antonio de Lima, Razão da Esperança: Teologia para Hoje, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 426.
[13] Ibid.

3 comentários:

Voz do que clama no deserto disse...

Creio que faltou tratar das situações questões:

At 2:38 "Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo". O dom do Espírito Santo posterior à conversão.

Atos 10:44-48 e Atos 19:1-6 "Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus.
Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam." Acontecimentos separados.

Ricardo Reis disse...

Olá Amigo,
vamos tratar das questões mencionadas, de Atos 2:38, 10:44-48 e 19:1-6;
Primeiramente. Vamos voltar um pouco no texto de Atos 2 ao verso 5, alí está claro a que classe de pessoas, Lucas relata que Pedro fez seu discurso; "5 ​Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu". Esses eram Judeus, e Prosélitos do Judaísmo, ainda não cristãos. O apelo de Pedro no verso 38, é para que esses também se arrependessem.
Ainda sobre o verso 38. A afirmação do amado, "O dom do Espírito posterior a conversão", seria válido apenas se Pedro tivesse dito algo como: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados,"e por fim, ou, e posteriormente." recebereis o dom do Espírito Santo. Mas o que vemos é que não há separação, ele afirma que "os batismos", serão simultâneos.

Os dois textos, seguintes, por si mesmos se contrapõem a afirmação: "Acontecimentos separados". Note que os discípulos afirmam terem sido batizados por João, e o batismo de João não era com o Espírito nem com Poder, mas apenas sinal de arrependimento, e conscientização da vinda do Messias. Tanto que assim que Paulo os batiza com o batismo de JESUS, as características de de tal batismo se evidenciam imediatamente.
Que DEUS o Abençoe.

ESTUDOS DA GLOSSOLALIA disse...

EU DESCOBRI TUDO SOBRE AS LINGUAS ESTRANHAS..

VAMOS DEBATER O ASSUNTO?

http://olivrolinguasestranhas.blogspot.com.br/

RUDY ALVES

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