segunda-feira, 13 de junho de 2011

ORAR COM FÉ

Wilhelmus à Brakel


A quinta característica da oração é que ela é oferecida em fé. Oração requer fé em um sentido especial: “e tudo quanto pedires em oração, crendo, recebereis” (Mateus 21.22); “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Marcos 11.24); “Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando” (Tiago 1.6).


Em primeiro lugar, isso exige que o suplicante seja um crente – alguém verdadeiramente convertido (Tiago 5.16). “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-los?” (Lucas 18.7). Assim como Deus ouve os jovens corvos quando O chamam, assim também Ele ouve uma pessoa não-convertida, e doará algumas bênçãos a ela. Estas são meramente de natureza temporal, no entanto, provenientes da bondade comum de Deus e à parte de Suas promessas. Não obstante, Seus filhos são os herdeiros da promessa e oram através do Espírito de oração. Portanto, “os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor” (Salmo 34.15); “Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e os salva” (Salmo 145.19).


Segundo, isso exige que o suplicante se aproprie de todas as promessas da Palavra de Deus como tendo sido feitas a ele, e que então considere a si mesmo como um herdeiro da promessa (Hebreus 6.17). Ele ainda deve considerar que não são apenas promessas que têm o sim e o amém em Cristo (2 Coríntios 1.20), mas que, para ele, também são fiéis e verdadeiras – particularmente aquelas que pertencem à audição das orações.


Terceiro, é necessário que o suplicante considere, crendo, que:


(1) Deus ordenou a oração como um meio de graça para conceder ao homem tudo aquilo que necessita.


(2) Deus não só é onisciente e conhece os corações de todos os homens, mas também, durante a oração, olha para o suplicante, toma nota das expressões dos seus desejos, e os ouve (Salmos 34; 145).


(3) Deus é onipotente e é capaz de conceder o seu desejo, independentemente de isso ser provável, os meios estarem disponíveis, ou de tudo parecer oposto: “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Efésios 3.20); “Porque para Deus não haverá impossíveis” (Lucas 1.37).


(4) Deus é bom e, portanto, desejoso de dar ao suplicante o cumprimento do seu desejo. Ele está pronto a perdoar (Salmo 86.5), ama livremente (Oséias 14.4), espera, para poder ser gracioso (Isaías 30.18), e se alegra por fazer o bem ao Seu povo (Jeremias 32.41). Na oração, a fé deve reconhecer Deus como tal.


(5) Deus é fiel em cumprir todas as Suas promessas feitas aos suplicantes: “Abre bem a boca, e ta encherei” (Salmo 81.10).


Quarto, o suplicante deve, com impressão e elevando seu coração crer que:


(1) Todo aquele que vem a Deus por intermédio de Cristo, agrada a Deus em Cristo (Daniel 9.23; Atos 10.30,33).


(2) O Senhor se satisfaz com saudade, lágrimas, gemidos e o choro de Seus filhos dirigidos a Ele: “mostra-me o rosto, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e o teu rosto, amável” (Cântico dos Cânticos 2.14).


(3) Deus vê o seu rosto em Cristo, ouve sua oração, e responde de acordo com Sua vontade: “E será que, antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Isaías 65.24). Nesses assuntos mencionados o suplicante deve estar certo e seguro, pois eles estão de acordo com a verdade. Quanto mais sustentá-los diante de si com crescente estima, quanto mais orar com fé, mais agradável a sua oração será, mais certo ele estará de que vai obter o assunto pelo qual orou.


Entretanto, muitos filhos de Deus são deficientes aqui. Eles não perseguem ativamente esses assuntos mencionados e essas disposições, e aleatoriamente expressam seus desejos. Muitos também são fracos na fé – particularmente para crer que Deus os ouvirá e concederá o seu desejo. “Pois”, eles pensam, “como eu posso crer, visto que sou tão pecaminoso, e, além disso, tenho experimentado com muita freqüência que não tenho recebido nada em resposta à minha oração”. Para sua instrução, deve ser observado:


(1) Que Deus não ouve a despeito da nossa justiça, mas por causa da justiça de Cristo. Portanto, para aquele que está em Cristo – a medida da graça da luz e vida é irrelevante na medida em que a oração é respondida – é o descuido da sua oração e sua falha em exercitar a fé em oração que impede sua oração de ser respondida.


(2) Você não pode dizer verdadeiramente que Deus nunca respondeu sua oração nem que Ele nunca concedeu o desejo pelo qual você orou. É certo que Deus, frequentemente, tem se agradado das suas lágrimas e gemidos, e tem abençoado a sua oração. Não obstante, você nem mesmo percebe essas bênçãos nem as menciona em sua oração.


(3) Há casos específicos nos quais esses assuntos foram respondidos, tendo sido trazidos diante de Deus. Contudo, Deus não tem tempo prometido, maneira ou medida. Não sabemos o que é melhor, e se Deus atendesse muitos pedidos nos termos em que os fizemos, posteriormente veríamos que teria sido melhor se não os tivéssemos recebido. O suplicante deve realmente crer que sua oração foi agradável a Deus e que Ele a atendeu. Ele deve se submeter, com contentamento à vontade de Deus, e fazer isso sem murmuração, irritabilidade, incredulidade e sem desviar o pensamento: “Deus não me ama e não me ouve de jeito nenhum”. Isso desagrada a Deus e não é benéfico para o suplicante.


(4) Há coisas que, em absoluto, não podemos desejá-las, e, assim, também não podemos orar para recebê-las. Então, o suplicante também não tem liberdade na oração e não deve parecer estranho que ele não as receba. É uma grande tolice desejar que Deus nos dê aquele assunto particular pelo qual não nos atrevemos a orar. Portanto, governe seus desejos de acordo com a vontade de Deus e não seja tão apaixonado em seus desejos por assuntos temporais. Deixe a sabedoria, bondade e vontade de Deus ser o seu prazer. Você será capaz, então, de orar com fé e, de forma submissa, esperar que seja respondido: “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6).



FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 462-464.



TRADUÇÃO LIVRE: Alan Rennê Alexandrino Lima

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