quinta-feira, 28 de abril de 2011

O INFERNO DE BELL

John MacArthur, Jr.

“Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6.3-5 – Revista e Atualizada).

Ninguém, em toda a Escritura, tinha mais a dizer sobre o inferno do que Jesus. Nenhum severo mensageiro da desgraça da época dos Juízes, nenhum fervoroso profeta do Antigo Testamento, nenhum escritor de salmos imprecatórios, e nenhum apóstolo apaixonado (incluindo os irmãos Boanerges) – nem mesmo todos eles combinados – mencionaram o inferno com mais frequência ou o descreveram em termos mais aterrorizantes do que Jesus.

E Jesus disse que o inferno não era simplesmente uma provação terrena, algum estado de espírito, ou alguma prisão temporária como o purgatório. Jesus descreveu o inferno como um “lugar de tormento” após a morte (Lucas 16.28) – um lugar de “fogo inextinguível” (Marcos 9.43), “onde o verme não morre e o fogo não se apaga” (v. 48). É um “lugar [onde] haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25.30) – um lugar de “punição eterna” (v. 46).

Rob Bell está claramente insatisfeito com o ensinamento de Jesus a respeito do inferno. Ele acha a ideia do inferno moralmente repugnante e acredita que é uma das principais razões “por que muitas pessoas não querem ter nada a ver com a fé cristã”. Ele zomba da ideia de que a justiça divina exige a punição eterna para os pecadores não-arrependidos. Em oposição direta ao que o próprio Jesus ensinou em Mateus 25.46, Bell insinua que seria uma atrocidade grosseira e cósmica, se a condenação dos réprobos fosse eterna no mesmo sentido que as bênçãos celestiais para os redimidos são eternas.

A noção de pecado de Bell parece ser a de que sua principal maldade consiste em prejudicar o pecador, em vez de causa uma ofensa ao Deus justo e todo-poderoso. Seu conceito de “justiça” torna o castigo do pecado completamente opcional. Sua ideia de misericórdia sustenta uma falsa promessa de clemência automática e uma segunda chance após a morte a pessoas que já estão inclinadas a aceitar a clemência divina concedida.

O Deus de Rob Bell, claramente, é alguém que não deve ser temido.

Tudo isso está em contradição direta e deliberada com tudo o que Jesus sempre ensinou sobre o pecado, justiça e juízo.

Por colocar assim suas próprias ideias contra a mensagem de Jesus, Bell torna inescapavelmente claro que ele “ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo” (cf. 1 Timóteo 6.3-5 – Revista e Atualizada). Ele está errado – seriamente errado – hereticamente errado – ao questionar a justiça de Deus e sustentar uma falsa esperança para os descrentes. Ele é, como vimos desde o início desta série, um clássico exemplo do falso mestre que secretamente introduz heresias destrutivas (2 Pedro 2.1).

Isso deve ser dito de modo claro e enfático.

Quão grave é a heresia de Rob Bell? Ele não rejeita simplesmente o que Jesus ensinou sobre o inferno; Bell rejeita o Deus da Escritura. Ele deplora a ideia da divina vingança contra o pecado (Romanos 12.9). Ele não pode ficar com o sentido literal de textos como Hebreus 12.29: “Nosso Deus é fogo consumidor”. Não há lugar no seu pensamento para a descrição bíblica do retorno ardente de Cristo com os exércitos de anjos: “tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Tessalonicenses 1.7-8). Toda a mensagem de Bell é uma flagrante oposição às palavras de Jesus em Lucas 12.5: “Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer”.

Bell não concorda com nada disso. Portanto, ele tenta eliminar a autoridade e a clareza da Escritura, de maneira que ele possa reinventar um deus que é mais do seu gosto. É o pecado de todos os pecados; Como o tentador de Eva, Bell é sutil, mas inegavelmente fomenta rebelião contra o verdadeiro Deus. Ele sugere que seu deus é melhor – muito melhor, mais bondoso, mais tolerante, mais clemente – do que o Deus que se revelou na Escritura. Portanto, ele deixa de lado a Palavra revelada de Deus e faz das suas próprias reflexões o padrão inviolável.

Na verdade, ele quer assumir o papel de Deus para si mesmo. Isso não é um mal menor; é épico. É o pecado original de Lúcifer.

Como já foi demonstrado, Rob Bell tem semeado dúvidas, confusão e erros na igreja durante anos. Sua trajetória teológica tem sido evidente por pelo menos uma década. A postura que ele toma em Love Wins é o fruto previsível de muitos outros compromissos e concessões à opinião mundana que já estavam bem estabelecidos no ensinamento de Bell.

Na verdade, a coisa mais surpreendente sobre Love Wins não é a posição que Rob Bell toma, mas o fato de que muitas pessoas realmente parecem pegas de surpresa e inexplicavelmente são confundidas por ele. O registro das palavras do próprio Bell deixa claro que esse seu último livro é um pouco mais que uma destilação de coisas que ele vem dizendo o tempo todo. Ele abandonou anos atrás os ensinamentos de Jesus em favor de uma religião diferente – uma mais de acordo com as suas preferências pessoais. Ele está apontando às pessoas o caminho largo que leva à destruição.

A triste realidade é que, se Rob Bell não confessar a verdade nesta vida, um dia ele perceberá o quão errado o seu entendimento do inferno é realmente. Sua visão do inferno será dolorosamente alterada para sempre, quando ele receber o mais severo castigo, reservado para aqueles que, com uma Bíblia na mão, zombam de Deus e pisam o sangue de Cristo (Hebreus 10.29; cf. 2 Pedro 2.21).

Minha sincera oração é pelo arrependimento de Rob Bell. Mas, eu ainda me encontro mais profunda e urgentemente preocupado com muitos ignorantes e pessoas sem discernimento que estão sendo enganadas por seus ensinamentos contaminados (Judas 22-23). É tempo de os pastores fiéis falarem a alertarem o rebanho acerca do perigo mortal apontado por um falso ensino como esse.

Também é tempo de o povo de Deus proclamar o evangelho mais clara e cuidadosamente do que nunca, incluindo a parte mais difícil da mensagem. Os evangélicos têm sido muito propensos a omitir a verdade plena sobre o pecado, a justiça e o juízo – em vez disso, têm falhado ao apresentar versões imbecis, abafadas e inofensivas da mensagem. Com toda a franqueza, esse é um dos principais motivos porque há tanta confusão entre os evangélicos de hoje acerca do livro de Rob Bell.

Temos o sagrado dever de pregar o que Jesus pregou da maneira como Ele pregou – sem diminuí-la ou ajustá-la para torná-la mais adequada à cultura secular. Aqueles que cortam ou alteram a mensagem para evitar as partes que são ofensivas não são fiéis embaixadores de Cristo. Não importa quais sejam as suas motivações e, apesar das suas melhores intenções, suas versões domesticadas e suavizadas do evangelho não representam o cristianismo autêntico. Mais frequentemente, o resultado é uma religião completamente diferente.

Precisamos ponderar esse fato cuidadosamente, e buscar a graça de Deus para permanecermos fiéis – para proclamar a verdade, integral, pura, mais clara e ousadamente do que nunca num mundo que é cada vez menos tolerante à ofensa da cruz, mais anestesiado contra o temor de Deus e cada vez mais hostil a Cristo.


FONTE: http://www.gty.org/Blog/B110421

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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