quarta-feira, 27 de abril de 2011

A INCREDULIDADE DE ROB BELL EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

John MacArthur, Jr.

“Tenho mais em comum com o artista performático, o comediante stand up, o roteirista, do que com o teólogo. Estou num mundo estranho, onde faço coisas e as compartilho com as pessoas” (Rob Bell).

A negação de Rob Bell da punição eterna caminha de mãos dadas com uma visão distorcida do evangelho. Isso não é de admirar. Cada erro enche e agrava o outro. Elimine cada sugestão de punição pelo pecado; ignore a ira de uma divindade ofendida; menospreze as demandas da justiça divina, e suprima qualquer necessidade para o evangelho.

O único inferno existente na teologia de Bell é um estado de espírito ou uma experiência terrena de sofrimento que, de acordo com Bell, Deus deseja eliminar. Mas é nosso dever vivermos de forma justa para acabarmos com o inferno na terra que podemos sofrer. Ao viver de modo correto podemos trocar o nosso inferno terreno por uma espécie de paraíso notavelmente terreno.

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 148: “Quando as pessoas usam a palavra ‘inferno’, o que querem dizer? Elas falam de um lugar, um evento, uma situação de ausência de como Deus deseja que as coisas sejam. Fome, dívida, opressão, solidão, desespero, morte, chacinas – todas essas coisas são o inferno na terra. O desejo de Jesus para os seus seguidores é que eles vivam de tal forma que tragam o céu à terra”.

No mesmo parágrafo, Bell ridiculariza a noção de que a angústia no inferno eterno é um maior e mais sério problema do que as aflições da presente vida.

“É preocupante quando as pessoas falam mais sobre o inferno após esta vida do que sobre o inferno aqui e agora. Como cristão, quero fazer o que posso para resistir ao inferno na terra”.

Na visão de Bell, a razão do inferno eterno não é nada para se preocupar, porque a plena reconciliação já foi realizada para todas as pessoas. Novamente, o que todas as pessoas têm de fazer é viver de acordo com isso:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 83: “Essa realidade, esse perdão, essa reconciliação, é verdade para todos. Paulo insistiu que, quando Jesus morreu na cruz, estava reconciliando consigo todas as coisas, no céu e sobre a terra, com Deus. Esta realidade, então, não é algo que tornamos verdade sobre nós mesmos. Isso já está acontecendo. Nossa escolha é viver nessa nova realidade ou se apegar a uma realidade criada por nós mesmos”.

Em outras palavras, o único remédio para o inferno de Bell é algo como o poder do pensamento positivo. Antes de tudo, devemos parar de pensar sobre nós mesmos como pecadores:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 130: “Não consigo encontrar um lugar nos ensinamentos de Jesus, ou na Bíblia para esse assunto, onde está que devemos nos identificar, em primeiro lugar, como pecadores?”

Além disso, Bell sugere que a noção de que a reconciliação universal “já é verdadeira” significa que os cristãos não devem fazer qualquer discriminação entre crentes e não-crentes.

Velvet Elvis, p. 167: “Se o evangelho não é uma boa notícia para todos, então, não é boa notícia para ninguém [...] E isso é porque as coisas mais poderosas acontecem quando a igreja se rende à sua vontade de converter as pessoas e convencê-las a aderir. É quando a igreja se doa em atos radicais de serviço e compaixão, sem esperar nada em troca, que o caminho de Jesus é mais vividamente exibido [...] Para fazer isso, a igreja deve parar de pensar em todas as pessoas em categorias primariamente de dentro ou fora, salvo ou não, crente ou não-crente. Além do fato de que tais termos são ofensivos àqueles que são os “anti” e “não”, eles trabalham contra os ensinamentos de Jesus sobre como devemos tratar uns aos outros. Jesus ordenou que amássemos o nosso próximo, e o nosso próximo pode ser qualquer um. Somos todos criados à imagem de Deus, e todos somos sagrados, criações valiosas de Deus. Todos são matéria. Tratar as pessoas diferentemente, com base em quem acredita é falhar em respeitar a imagem de Deus em todos. Como o livro de Tiago diz: ‘Deus não mostra favoritismo’. Então, não devemos fazer isso”.

Por conseguinte, Bell tentar mudar a ênfase da salvação pessoal de pecadores, para uma ênfase ambígua sobre essa vaga esperança de restauração universal:

Rob Bell e Dan Golden, Jesus Wants to Save Christians, p. 179: “Jesus quer nos salvar de criar boas novas sobre outro mundo e não sobre este. Jesus quer nos salvar de pregar um evangelho que é apenas sobre indivíduos e não sobre sistemas que escravizam os indivíduos. Jesus quer nos salvar de encolher o evangelho para uma transação sobre a remoção do pecado e não sobre cada partícula da criação sendo reconciliada com o seu Criador”.

Ele transforma a fé em sua cabeça:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 124-125: “Quem faz Pedro perder a fé? Não foi Jesus; ele está indo bem. Pedro perde a fé em si mesmo. Pedro perde a fé de que ele pode fazer o que o seu rabino está fazendo. Se o rabino convida você a ser seu discípulo, ele acredita que você pode, realmente, ser como ele. Ao lermos as histórias da vida de Jesus com seus talmidim, seus discípulos, o que encontramos que o frustra no fim? Quando os seus discípulos perdem a fé em si mesmos... Deus tem uma visão surpreendente das pessoas. Deus acredita que as pessoas são capazes de coisas incríveis. Já me disseram que preciso crer em Jesus. Isso é uma coisa boa. Mas o que eu estou aprendendo é que Jesus acredita em mim. Foi-me dito que preciso ter fé em Deus. Isso é uma coisa boa. Mas o que estou aprendendo é que Deus tem fé em mim”.

Todas essas citações são de fontes que têm sido impressas por anos. Não são novos comentários lançados por Bell pela primeira vez. Então, quando Love Wins nega o coração da mensagem do evangelho, como Kevin DeYoung afirma a seguir, por que deveríamos ficar surpresos?

Kevin DeYoung, “God Is Still Holy and What You Learned in Sunday School Is Still True: A Review of Love Wins” [Deus ainda é Santo e o que Você Aprendeu na Escola Dominical ainda é Verdade: Uma Resenha de Love Wins]: Bell rejeita categoricamente qualquer noção de substituição penal. Ela simplesmente não funciona no seu sistema ou como ele enxerga Deus. ‘Sejamos claros, então’, afirma Bell, ‘não precisamos ser resgatados de Deus. Deus é aquele que nos livra da morte, do pecado e da destruição. Deus é o resgatador’ (p. 182). Não encontro nenhum lugar na teologia de Bell para Cristo como portador da maldição (Gálatas 3.13), ou Cristo sendo ferido pelas nossas transgressões e esmagado por Deus por nossas iniquidades (Isaías 53.5,10), nem lugar para o Filho do Homem que deu sua vida em resgate por muitos (Marcos 10.45, nem lugar para o Salvador que foi feito pecado por nós (2 Coríntios 5.21), nem lugar para o triste Servo sofredor que bebeu o cálice amargo da ira de Deus por nós (Marcos 14.36).

Em última análise, tudo isso tem como pano de fundo a visão de Bell acerca da Bíblia. Tendo rejeitado a autoridade bíblica, Bell colocou-se como sua própria autoridade.

Bell nunca afirmou o princípio protestante do Sola Scriptura.

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 67-68: “Não foi senão no ano 300 d.C., que aquilo que conhecemos como os sessenta e seis livros da Bíblia foram realmente reunidos como a ‘Bíblia’. Isso é parte do problema em insistir continuamente que um dos absolutos da fé cristã deve ser a crença de que ‘somente a Bíblia’ é nosso guia. Isso soa bem, mas não é verdade. Em reação aos abusos da igreja, um grupo de crentes durante um tempo chamado Reforma, afirmou que necessitamos apenas da autoridade da Bíblia. Mas o problema é que nós temos a Bíblia que a igreja votou sobre o que é a Bíblia. Então, quando afirmo que a Bíblia é a Palavra de Deus, no mesmo fôlego eu afirmo que quando as pessoas decidiram, Deus estava, de alguma maneira, guiando-os para fazer o que fizeram. Quando as pessoas dizem que tudo que necessitamos é a Bíblia, isso, simplesmente, não é verdade. Ao afirmar a Bíblia como inspirada, também tenho que afirmar que creio que o Espírito estava inspirando as pessoas a escolher aqueles livros”.

Assim, ele vê a Bíblia como um livro meramente humano.

Andy Crouch, “Emergent Mystique,” Christianity Today (Novembro de 2004): “Bell começou questionando suas suposições sobre a Bíblia em si – ‘descobrindo a Bíblia como um produto humano’, como Rob coloca, em vez de produto do Fiat divino. ‘A Bíblia ainda é o centro para nós’, diz Rob, ‘mas é um tipo diferente de centro. Queremos abraçar o mistério, em vez de conquistá-lo’ [..] ‘Cresci pensando que descobrimos a Bíblia’, diz Kristen, ‘que sabíamos o que ela significa. Agora não tenho ideia do que ela significa. E ainda assim, sinto que a vida é grande novamente – como se antes a vida fosse preto e branco, e agora é colorida...”.

Consequentemente, ele não tem nenhum problema em ignorar certas partes da Escritura e reimaginar outras.

Charles Honey, “‘Velvet Elvis’ Author Encourages Exploration of Doubts” [“Autor de Velvet Elvis Encoraja a Exploração de Dúvidas”], Religion News Service (Agosto de 2005): “A própria Bíblia, ele escreve, é um livro que constantemente deve ser enfrentado e reinterpretado. Ele rejeita alegações de que ‘somente a Escritura’ responderá todas as perguntas. A interpretação da Bíblia é colorida pelo contexto histórico, pelo viés do leitor e pela realidade atual, ele diz. Quanto mais você estudar a Bíblia, mais questões surgem. ‘Não é possível simplesmente fazer o que a Bíblia diz’, escreve Bell. ‘Devemos, primeiramente, tomar decisões sobre o que ela significa nesse momento, nesse lugar, para essas pessoas’”.

Como resultado, Bell está confortável ao distorcer passagens claras do evangelho, de modo a evitar o sentido inequívoco da passagem. Por exemplo, quando perguntado sobre a porta estreita de Mateus 7.13-14, Bell respondeu com essa nova interpretação:

Rob Bell, Entrevista com Lisa Miller (Março de 2011): “Penso que é uma grande passagem porque as coisas na vida que importam têm uma intenção incrível. Acho que, em última análise, é uma passagem sobre a intenção e o poder de se consagrar a algo e a alguém... Jesus – eu acho – está falando de todos os diferentes modos como perdemos o enredo do que significa ser humano. Então, existiu um clima real, um clima político vivido por Ele e um número de pessoas disse: ‘O que estamos fazendo com as pessoas fiéis de Deus, temos de pegar as espadas e lutar contra os romanos’. E Ele diz algo como: ‘Certo, a espada? Já tentei isso. Vamos recuperar o que significa ser uma luz do mundo’. E Ele os leva de volta no caminho para sua história, que era um caminho estreito, então, acho que funciona”.

Trechos como esses e muitos outros, apenas confirmam o ponto de que o evangelho de Rob Bell é completamente antagônico ao verdadeiro evangelho do cristianismo histórico.

Por que deveríamos ficar surpresos com a postura que ele toma em Love Wins?


FONTE: http://www.gty.org/Blog/B110418

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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