quarta-feira, 6 de abril de 2011

AS CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ORAÇÃO - PARTE 4

Wilhelmus à Brakel

Quarto, deve existir uma incessante perseverança na oração. “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5.17).

(1) Perseverança consiste em fazer da oração uma atividade diária, disciplinando-nos a não negligenciarmos a oração e a não a tornarmos uma prática não-familiar. Um cristão é um suplicante. Oração é a verdadeira essência da religião (Gênesis 4.26).

(2) Perseverança consiste em sempre estar em uma disposição para a oração. Mesmo se alguém não estiver sempre expressamente engajado na oração, o coração deve, não obstante, estar sempre perto de Deus, estar concentrado nEle, e andar com Ele. Tal disposição trará, de tempos em tempos, oração jaculatórias – seja quando estivermos em solidão, viajando, empenhados em nosso trabalho, ou na presença de pessoas. Neemias orou a Deus enquanto estava falando com o rei (Neemias 2.3-4).

(3) Existem assuntos que Deus não concederá de uma vez, mas gradualmente, passo a passo – tais como crescimento na fé, esperança, e amor, vida espiritual, força contra o pecado, e santificação. Portanto, devemos persistir em oração por estes assuntos durante toda a nossa vida.

(4) Existem circunstâncias específicas em que temos necessidade especial do socorro do Senhor e da orientação do Espírito. Isto acontece quando temos de sair ou entrar em nosso lar, para realizar uma tarefa especial, entrar na companhia de pessoas, retribuir a alguém uma visita especial, enfrentar situações em que armadilhas foram preparadas para nós, quando devemos fazer uma escolha entre coisas diferentes, quando devemos contratar um empregado, comprar ou vender, ou nos deparamos com circunstâncias imprevistas. Em cada situação devemos buscar refúgio na oração.

(5) Existem assuntos que são extraordinariamente opressivos e ameaçadores, ou que desejamos de uma maneira extraordinária – seu gozo sendo iminente. Pode ser verdade tanto em um sentido temporal quanto espiritual, que nós estamos sujeitos à tentação incomum. Pode ser um pecado extremamente forte, pode ser um forte desejo por algo mais do que uma revelação comum de Deus à alma; podemos estar excepcionalmente desejosos de obtermos segurança de nossa participação em Cristo e na salvação, ou por uma antecipação do céu, etc. Em tais circunstâncias, o suplicante perseverará 1) por expressar a mesma oração, não sendo capaz de desistir até ter recebido algo; 2) por repetição da oração pelo mesmo assunto em tempos diferentes, quer na hora devocional regular, quer ocasionalmente fora desse horário, se houver oportunidade de ficar sozinho e se o desejo se torna fervoroso. Desta maneira, podemos perseverar, olhando para o Senhor (Salmo 34.5) até que o assunto esteja resolvido; isto é, até que o Senhor nos conceda o assunto (ou alguma medida dele) ou torne a alma tão contente com Sua vontade que os desejos não se tornem veementes. Em vez disso, estaremos tranquilos e satisfeitos, estando assegurados de que o Senhor nos fará bem.

(6) Algumas vezes haverá um forte desejo pelo bem-estar de outras pessoas – seja a igreja em geral, ou alguém que tem uma necessidade específica ou extraordinária, ou pela eleição de um ministro, presbíteros, ou diáconos. Ou, então, alguém pode ter um forte desejo pelo bem-estar de uma família ou uma pessoa em particular, quer em relação ao corpo ou alma, sejam eles convertidos ou não-convertidos. Marido, esposa, filhos, ou pais podem pesar no coração. Podemos ter um forte desejo por sua conversão e, então, engajamo-nos na oração, não sendo capazes de desistir. Esta oração gerará muitas súplicas, e a repetiremos com frequência outras vezes, até que o Senhor nos conceda o assunto ou nos dê uma confiança tranquila de que a nossa oração por eles foi ouvida, e que o Senhor a atenderá, mesmo se nunca virmos isso. Pode ser também que, o Senhor comece a Se ocultar, e já não nos atrevemos a pressionar o assunto tão fortemente, ou o Senhor pode excluir estas pessoas de nossas orações, não querendo ser abordado por seus filhos em vão. Quando é nosso dever fazer isso, entretanto, não devemos negligenciá-lo devido à frouxidão ou desânimo, mas devemos perseverar até que o Senhor docemente nos refresque, mostrando que nossa sincera oração tem sido agradável a Ele. Teremos, assim, entregado o assunto nas mãos de Deus, nossa oração retornará ao nosso peito (Salmo 35.13), e nossa paz retornará (Mateus 10.13).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 459-461.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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