quinta-feira, 28 de abril de 2011

O INFERNO DE BELL

John MacArthur, Jr.

“Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6.3-5 – Revista e Atualizada).

Ninguém, em toda a Escritura, tinha mais a dizer sobre o inferno do que Jesus. Nenhum severo mensageiro da desgraça da época dos Juízes, nenhum fervoroso profeta do Antigo Testamento, nenhum escritor de salmos imprecatórios, e nenhum apóstolo apaixonado (incluindo os irmãos Boanerges) – nem mesmo todos eles combinados – mencionaram o inferno com mais frequência ou o descreveram em termos mais aterrorizantes do que Jesus.

E Jesus disse que o inferno não era simplesmente uma provação terrena, algum estado de espírito, ou alguma prisão temporária como o purgatório. Jesus descreveu o inferno como um “lugar de tormento” após a morte (Lucas 16.28) – um lugar de “fogo inextinguível” (Marcos 9.43), “onde o verme não morre e o fogo não se apaga” (v. 48). É um “lugar [onde] haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 25.30) – um lugar de “punição eterna” (v. 46).

Rob Bell está claramente insatisfeito com o ensinamento de Jesus a respeito do inferno. Ele acha a ideia do inferno moralmente repugnante e acredita que é uma das principais razões “por que muitas pessoas não querem ter nada a ver com a fé cristã”. Ele zomba da ideia de que a justiça divina exige a punição eterna para os pecadores não-arrependidos. Em oposição direta ao que o próprio Jesus ensinou em Mateus 25.46, Bell insinua que seria uma atrocidade grosseira e cósmica, se a condenação dos réprobos fosse eterna no mesmo sentido que as bênçãos celestiais para os redimidos são eternas.

A noção de pecado de Bell parece ser a de que sua principal maldade consiste em prejudicar o pecador, em vez de causa uma ofensa ao Deus justo e todo-poderoso. Seu conceito de “justiça” torna o castigo do pecado completamente opcional. Sua ideia de misericórdia sustenta uma falsa promessa de clemência automática e uma segunda chance após a morte a pessoas que já estão inclinadas a aceitar a clemência divina concedida.

O Deus de Rob Bell, claramente, é alguém que não deve ser temido.

Tudo isso está em contradição direta e deliberada com tudo o que Jesus sempre ensinou sobre o pecado, justiça e juízo.

Por colocar assim suas próprias ideias contra a mensagem de Jesus, Bell torna inescapavelmente claro que ele “ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo” (cf. 1 Timóteo 6.3-5 – Revista e Atualizada). Ele está errado – seriamente errado – hereticamente errado – ao questionar a justiça de Deus e sustentar uma falsa esperança para os descrentes. Ele é, como vimos desde o início desta série, um clássico exemplo do falso mestre que secretamente introduz heresias destrutivas (2 Pedro 2.1).

Isso deve ser dito de modo claro e enfático.

Quão grave é a heresia de Rob Bell? Ele não rejeita simplesmente o que Jesus ensinou sobre o inferno; Bell rejeita o Deus da Escritura. Ele deplora a ideia da divina vingança contra o pecado (Romanos 12.9). Ele não pode ficar com o sentido literal de textos como Hebreus 12.29: “Nosso Deus é fogo consumidor”. Não há lugar no seu pensamento para a descrição bíblica do retorno ardente de Cristo com os exércitos de anjos: “tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Tessalonicenses 1.7-8). Toda a mensagem de Bell é uma flagrante oposição às palavras de Jesus em Lucas 12.5: “Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer”.

Bell não concorda com nada disso. Portanto, ele tenta eliminar a autoridade e a clareza da Escritura, de maneira que ele possa reinventar um deus que é mais do seu gosto. É o pecado de todos os pecados; Como o tentador de Eva, Bell é sutil, mas inegavelmente fomenta rebelião contra o verdadeiro Deus. Ele sugere que seu deus é melhor – muito melhor, mais bondoso, mais tolerante, mais clemente – do que o Deus que se revelou na Escritura. Portanto, ele deixa de lado a Palavra revelada de Deus e faz das suas próprias reflexões o padrão inviolável.

Na verdade, ele quer assumir o papel de Deus para si mesmo. Isso não é um mal menor; é épico. É o pecado original de Lúcifer.

Como já foi demonstrado, Rob Bell tem semeado dúvidas, confusão e erros na igreja durante anos. Sua trajetória teológica tem sido evidente por pelo menos uma década. A postura que ele toma em Love Wins é o fruto previsível de muitos outros compromissos e concessões à opinião mundana que já estavam bem estabelecidos no ensinamento de Bell.

Na verdade, a coisa mais surpreendente sobre Love Wins não é a posição que Rob Bell toma, mas o fato de que muitas pessoas realmente parecem pegas de surpresa e inexplicavelmente são confundidas por ele. O registro das palavras do próprio Bell deixa claro que esse seu último livro é um pouco mais que uma destilação de coisas que ele vem dizendo o tempo todo. Ele abandonou anos atrás os ensinamentos de Jesus em favor de uma religião diferente – uma mais de acordo com as suas preferências pessoais. Ele está apontando às pessoas o caminho largo que leva à destruição.

A triste realidade é que, se Rob Bell não confessar a verdade nesta vida, um dia ele perceberá o quão errado o seu entendimento do inferno é realmente. Sua visão do inferno será dolorosamente alterada para sempre, quando ele receber o mais severo castigo, reservado para aqueles que, com uma Bíblia na mão, zombam de Deus e pisam o sangue de Cristo (Hebreus 10.29; cf. 2 Pedro 2.21).

Minha sincera oração é pelo arrependimento de Rob Bell. Mas, eu ainda me encontro mais profunda e urgentemente preocupado com muitos ignorantes e pessoas sem discernimento que estão sendo enganadas por seus ensinamentos contaminados (Judas 22-23). É tempo de os pastores fiéis falarem a alertarem o rebanho acerca do perigo mortal apontado por um falso ensino como esse.

Também é tempo de o povo de Deus proclamar o evangelho mais clara e cuidadosamente do que nunca, incluindo a parte mais difícil da mensagem. Os evangélicos têm sido muito propensos a omitir a verdade plena sobre o pecado, a justiça e o juízo – em vez disso, têm falhado ao apresentar versões imbecis, abafadas e inofensivas da mensagem. Com toda a franqueza, esse é um dos principais motivos porque há tanta confusão entre os evangélicos de hoje acerca do livro de Rob Bell.

Temos o sagrado dever de pregar o que Jesus pregou da maneira como Ele pregou – sem diminuí-la ou ajustá-la para torná-la mais adequada à cultura secular. Aqueles que cortam ou alteram a mensagem para evitar as partes que são ofensivas não são fiéis embaixadores de Cristo. Não importa quais sejam as suas motivações e, apesar das suas melhores intenções, suas versões domesticadas e suavizadas do evangelho não representam o cristianismo autêntico. Mais frequentemente, o resultado é uma religião completamente diferente.

Precisamos ponderar esse fato cuidadosamente, e buscar a graça de Deus para permanecermos fiéis – para proclamar a verdade, integral, pura, mais clara e ousadamente do que nunca num mundo que é cada vez menos tolerante à ofensa da cruz, mais anestesiado contra o temor de Deus e cada vez mais hostil a Cristo.


FONTE: http://www.gty.org/Blog/B110421

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A INCREDULIDADE DE ROB BELL EM SUAS PRÓPRIAS PALAVRAS

John MacArthur, Jr.

“Tenho mais em comum com o artista performático, o comediante stand up, o roteirista, do que com o teólogo. Estou num mundo estranho, onde faço coisas e as compartilho com as pessoas” (Rob Bell).

A negação de Rob Bell da punição eterna caminha de mãos dadas com uma visão distorcida do evangelho. Isso não é de admirar. Cada erro enche e agrava o outro. Elimine cada sugestão de punição pelo pecado; ignore a ira de uma divindade ofendida; menospreze as demandas da justiça divina, e suprima qualquer necessidade para o evangelho.

O único inferno existente na teologia de Bell é um estado de espírito ou uma experiência terrena de sofrimento que, de acordo com Bell, Deus deseja eliminar. Mas é nosso dever vivermos de forma justa para acabarmos com o inferno na terra que podemos sofrer. Ao viver de modo correto podemos trocar o nosso inferno terreno por uma espécie de paraíso notavelmente terreno.

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 148: “Quando as pessoas usam a palavra ‘inferno’, o que querem dizer? Elas falam de um lugar, um evento, uma situação de ausência de como Deus deseja que as coisas sejam. Fome, dívida, opressão, solidão, desespero, morte, chacinas – todas essas coisas são o inferno na terra. O desejo de Jesus para os seus seguidores é que eles vivam de tal forma que tragam o céu à terra”.

No mesmo parágrafo, Bell ridiculariza a noção de que a angústia no inferno eterno é um maior e mais sério problema do que as aflições da presente vida.

“É preocupante quando as pessoas falam mais sobre o inferno após esta vida do que sobre o inferno aqui e agora. Como cristão, quero fazer o que posso para resistir ao inferno na terra”.

Na visão de Bell, a razão do inferno eterno não é nada para se preocupar, porque a plena reconciliação já foi realizada para todas as pessoas. Novamente, o que todas as pessoas têm de fazer é viver de acordo com isso:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 83: “Essa realidade, esse perdão, essa reconciliação, é verdade para todos. Paulo insistiu que, quando Jesus morreu na cruz, estava reconciliando consigo todas as coisas, no céu e sobre a terra, com Deus. Esta realidade, então, não é algo que tornamos verdade sobre nós mesmos. Isso já está acontecendo. Nossa escolha é viver nessa nova realidade ou se apegar a uma realidade criada por nós mesmos”.

Em outras palavras, o único remédio para o inferno de Bell é algo como o poder do pensamento positivo. Antes de tudo, devemos parar de pensar sobre nós mesmos como pecadores:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 130: “Não consigo encontrar um lugar nos ensinamentos de Jesus, ou na Bíblia para esse assunto, onde está que devemos nos identificar, em primeiro lugar, como pecadores?”

Além disso, Bell sugere que a noção de que a reconciliação universal “já é verdadeira” significa que os cristãos não devem fazer qualquer discriminação entre crentes e não-crentes.

Velvet Elvis, p. 167: “Se o evangelho não é uma boa notícia para todos, então, não é boa notícia para ninguém [...] E isso é porque as coisas mais poderosas acontecem quando a igreja se rende à sua vontade de converter as pessoas e convencê-las a aderir. É quando a igreja se doa em atos radicais de serviço e compaixão, sem esperar nada em troca, que o caminho de Jesus é mais vividamente exibido [...] Para fazer isso, a igreja deve parar de pensar em todas as pessoas em categorias primariamente de dentro ou fora, salvo ou não, crente ou não-crente. Além do fato de que tais termos são ofensivos àqueles que são os “anti” e “não”, eles trabalham contra os ensinamentos de Jesus sobre como devemos tratar uns aos outros. Jesus ordenou que amássemos o nosso próximo, e o nosso próximo pode ser qualquer um. Somos todos criados à imagem de Deus, e todos somos sagrados, criações valiosas de Deus. Todos são matéria. Tratar as pessoas diferentemente, com base em quem acredita é falhar em respeitar a imagem de Deus em todos. Como o livro de Tiago diz: ‘Deus não mostra favoritismo’. Então, não devemos fazer isso”.

Por conseguinte, Bell tentar mudar a ênfase da salvação pessoal de pecadores, para uma ênfase ambígua sobre essa vaga esperança de restauração universal:

Rob Bell e Dan Golden, Jesus Wants to Save Christians, p. 179: “Jesus quer nos salvar de criar boas novas sobre outro mundo e não sobre este. Jesus quer nos salvar de pregar um evangelho que é apenas sobre indivíduos e não sobre sistemas que escravizam os indivíduos. Jesus quer nos salvar de encolher o evangelho para uma transação sobre a remoção do pecado e não sobre cada partícula da criação sendo reconciliada com o seu Criador”.

Ele transforma a fé em sua cabeça:

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 124-125: “Quem faz Pedro perder a fé? Não foi Jesus; ele está indo bem. Pedro perde a fé em si mesmo. Pedro perde a fé de que ele pode fazer o que o seu rabino está fazendo. Se o rabino convida você a ser seu discípulo, ele acredita que você pode, realmente, ser como ele. Ao lermos as histórias da vida de Jesus com seus talmidim, seus discípulos, o que encontramos que o frustra no fim? Quando os seus discípulos perdem a fé em si mesmos... Deus tem uma visão surpreendente das pessoas. Deus acredita que as pessoas são capazes de coisas incríveis. Já me disseram que preciso crer em Jesus. Isso é uma coisa boa. Mas o que eu estou aprendendo é que Jesus acredita em mim. Foi-me dito que preciso ter fé em Deus. Isso é uma coisa boa. Mas o que estou aprendendo é que Deus tem fé em mim”.

Todas essas citações são de fontes que têm sido impressas por anos. Não são novos comentários lançados por Bell pela primeira vez. Então, quando Love Wins nega o coração da mensagem do evangelho, como Kevin DeYoung afirma a seguir, por que deveríamos ficar surpresos?

Kevin DeYoung, “God Is Still Holy and What You Learned in Sunday School Is Still True: A Review of Love Wins” [Deus ainda é Santo e o que Você Aprendeu na Escola Dominical ainda é Verdade: Uma Resenha de Love Wins]: Bell rejeita categoricamente qualquer noção de substituição penal. Ela simplesmente não funciona no seu sistema ou como ele enxerga Deus. ‘Sejamos claros, então’, afirma Bell, ‘não precisamos ser resgatados de Deus. Deus é aquele que nos livra da morte, do pecado e da destruição. Deus é o resgatador’ (p. 182). Não encontro nenhum lugar na teologia de Bell para Cristo como portador da maldição (Gálatas 3.13), ou Cristo sendo ferido pelas nossas transgressões e esmagado por Deus por nossas iniquidades (Isaías 53.5,10), nem lugar para o Filho do Homem que deu sua vida em resgate por muitos (Marcos 10.45, nem lugar para o Salvador que foi feito pecado por nós (2 Coríntios 5.21), nem lugar para o triste Servo sofredor que bebeu o cálice amargo da ira de Deus por nós (Marcos 14.36).

Em última análise, tudo isso tem como pano de fundo a visão de Bell acerca da Bíblia. Tendo rejeitado a autoridade bíblica, Bell colocou-se como sua própria autoridade.

Bell nunca afirmou o princípio protestante do Sola Scriptura.

Rob Bell, Velvet Elvis, p. 67-68: “Não foi senão no ano 300 d.C., que aquilo que conhecemos como os sessenta e seis livros da Bíblia foram realmente reunidos como a ‘Bíblia’. Isso é parte do problema em insistir continuamente que um dos absolutos da fé cristã deve ser a crença de que ‘somente a Bíblia’ é nosso guia. Isso soa bem, mas não é verdade. Em reação aos abusos da igreja, um grupo de crentes durante um tempo chamado Reforma, afirmou que necessitamos apenas da autoridade da Bíblia. Mas o problema é que nós temos a Bíblia que a igreja votou sobre o que é a Bíblia. Então, quando afirmo que a Bíblia é a Palavra de Deus, no mesmo fôlego eu afirmo que quando as pessoas decidiram, Deus estava, de alguma maneira, guiando-os para fazer o que fizeram. Quando as pessoas dizem que tudo que necessitamos é a Bíblia, isso, simplesmente, não é verdade. Ao afirmar a Bíblia como inspirada, também tenho que afirmar que creio que o Espírito estava inspirando as pessoas a escolher aqueles livros”.

Assim, ele vê a Bíblia como um livro meramente humano.

Andy Crouch, “Emergent Mystique,” Christianity Today (Novembro de 2004): “Bell começou questionando suas suposições sobre a Bíblia em si – ‘descobrindo a Bíblia como um produto humano’, como Rob coloca, em vez de produto do Fiat divino. ‘A Bíblia ainda é o centro para nós’, diz Rob, ‘mas é um tipo diferente de centro. Queremos abraçar o mistério, em vez de conquistá-lo’ [..] ‘Cresci pensando que descobrimos a Bíblia’, diz Kristen, ‘que sabíamos o que ela significa. Agora não tenho ideia do que ela significa. E ainda assim, sinto que a vida é grande novamente – como se antes a vida fosse preto e branco, e agora é colorida...”.

Consequentemente, ele não tem nenhum problema em ignorar certas partes da Escritura e reimaginar outras.

Charles Honey, “‘Velvet Elvis’ Author Encourages Exploration of Doubts” [“Autor de Velvet Elvis Encoraja a Exploração de Dúvidas”], Religion News Service (Agosto de 2005): “A própria Bíblia, ele escreve, é um livro que constantemente deve ser enfrentado e reinterpretado. Ele rejeita alegações de que ‘somente a Escritura’ responderá todas as perguntas. A interpretação da Bíblia é colorida pelo contexto histórico, pelo viés do leitor e pela realidade atual, ele diz. Quanto mais você estudar a Bíblia, mais questões surgem. ‘Não é possível simplesmente fazer o que a Bíblia diz’, escreve Bell. ‘Devemos, primeiramente, tomar decisões sobre o que ela significa nesse momento, nesse lugar, para essas pessoas’”.

Como resultado, Bell está confortável ao distorcer passagens claras do evangelho, de modo a evitar o sentido inequívoco da passagem. Por exemplo, quando perguntado sobre a porta estreita de Mateus 7.13-14, Bell respondeu com essa nova interpretação:

Rob Bell, Entrevista com Lisa Miller (Março de 2011): “Penso que é uma grande passagem porque as coisas na vida que importam têm uma intenção incrível. Acho que, em última análise, é uma passagem sobre a intenção e o poder de se consagrar a algo e a alguém... Jesus – eu acho – está falando de todos os diferentes modos como perdemos o enredo do que significa ser humano. Então, existiu um clima real, um clima político vivido por Ele e um número de pessoas disse: ‘O que estamos fazendo com as pessoas fiéis de Deus, temos de pegar as espadas e lutar contra os romanos’. E Ele diz algo como: ‘Certo, a espada? Já tentei isso. Vamos recuperar o que significa ser uma luz do mundo’. E Ele os leva de volta no caminho para sua história, que era um caminho estreito, então, acho que funciona”.

Trechos como esses e muitos outros, apenas confirmam o ponto de que o evangelho de Rob Bell é completamente antagônico ao verdadeiro evangelho do cristianismo histórico.

Por que deveríamos ficar surpresos com a postura que ele toma em Love Wins?


FONTE: http://www.gty.org/Blog/B110418

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

terça-feira, 26 de abril de 2011

RAZÕES PELAS QUAIS GUARDAMOS O PRIMEIRO DIA DA SEMANA

Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas (Hebreus 4.9-10).

I – A CONTROVÉRSIA ATUAL

Irmãos, não basta afirmar que ninguém tem mais a obrigação de guardar o sétimo dia da semana. Dizer apenas isso pode dar a impressão de que a obrigação moral do dia de descanso não mais existe. Outro erro que devemos evitar, é o cometido por João Calvino, que afirmou o seguinte: “A tal ponto, contudo, não me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois não haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição”.[1] O erro de Calvino consiste, em que “nenhum homem ou igreja tem a prerrogativa de estabelecer um dia para outros”.[2] Teólogos contemporâneos têm afirmado que o descanso é apenas um princípio, não existindo mais nenhum dia específico. Para eles, o crente tem o arbítrio de escolher o seu próprio dia. Michael Horton, por exemplo, afirma o seguinte: “Contudo, desejo dizer que a minha convicção é que o quarto mandamento pertence ao que chamamos de parte ‘cerimonial’ da lei em vez de ‘moral’ [...] Sugerir que o quarto mandamento, então, é parte da lei cerimonial em vez de ser parte da lei moral, é dizer que ele não mais obriga os cristãos”.[3] A mesma linha é seguida pelos colaboradores de D. A. Carson, que, em Do Shabbath para o Dia do Senhor afirmam a premissa de que “o domingo é ‘um novo dia de adoração que foi escolhido para comemorar o evento único e histórico-salvador da morte e ressurreição de Cristo”.[4]


Então, se somos proibidos de adorar no sétimo dia e não podemos legislar um dia, a única alternativa é que Deus já legislou um novo dia. Como, então, Deus revelou à Igreja a mudança de dia? Mais uma vez, é útil examinarmos a afirmação da Confissão de Fé de Westminster:


Desde o princípio do mundo, até à ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.[5]

Qual foi a base da mudança do dia? Para respondermos a esta pergunta, precisamos ler a passagem de Hebreus 4.9,10: Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.


II – A EXIGÊNCIA DA CONTINUAÇÃO DA GUARDA DO SÁBADO

Meus irmãos, esses versículos fazem parte da conclusão de uma exortação, que teve início em 3.7 e termina em 4.13. E a primeira verdade que não pode deixar de ser percebida por nós, é que o autor de Hebreus escreveu esta carta com o propósito de encorajar os cristãos judeus que se sentiam tentados a voltar para o judaísmo. Ele não queria, de forma alguma, que os seus leitores retomassem as antigas práticas, incluindo a proibição de certos alimentos e bebidas, a guarda das festas e do sétimo dia da semana. O autor deseja deixar claro que, em Cristo Jesus, Deus cumpriu todos os seus propósitos pactuais.


Na exortação que tem início em 3.7, o autor ensina aos cristãos hebreus, que é necessária muita perseverança da parte deles. “Se voltarem ao judaísmo, estarão abandonando a realidade plena do evangelho por sombras e tipos, e não entrarão no descanso de Deus”.[6] Então, ele conclui a sua exortação com trecho que lemos em 4.9,10: Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.


Mas, o quê, exatamente, é que o autor está dizendo aqui? Contra a noção daqueles que dizem que nenhum dia é necessário mais hoke, observem quando ele diz: “resta um repouso. Aqui entra a questão que, frequentemente, aponto: Nossa tradução não nos ajuda. A razão disso, queridos irmãos, está no fato de que o autor usa a palavra grega sabbatismo,j, que, literalmente, quer dizer “guarda de um descanso”[7], ou “guarda do sábado”.[8] Esta palavra, em todo o Novo Testamento, é usada apenas aqui. Não se sabe se foi o autor de Hebreus quem inventou esse termo. Isso porque outro autor a usá-la, foi o filósofo e prosador grego, Plutarco de Queronéia, que viveu entre 46 e 126 d.C. Na obra Moralia, Plutarco usa a palavra sabbatismo,j, para “descrever descanso religioso supersticioso”.[9]


Qual a importância dessa palavra para o nosso estudo? Simplesmente, queridos irmãos, está no fato de que o autor tem em mente aqui a guarda de um dia. Muitas pessoas dizem que, com a vinda de Cristo ninguém mais está debaixo da obrigação de guardar um dia de descanso, visto que, em Jesus, já fomos introduzidos no descanso eterno. Mas, esse argumento é por demais fraco. De fato, o autor de Hebreus fala do descanso no qual fomos introduzidos pela obra de Cristo. Como se nos restasse apenas o descanso eterno. Interpretam até mesmo essa passagem de Hebreus 4.9 dessa forma. Mas está errado. Nos capítulos 3 e 4, o autor usa outra palavra mais geral para falar do descanso de Deus, o descanso eterno em que se deve entrar. Ele usa a palavra kata,pausij. Irmãos, se ele quisesse ensinar meramente que não há mais nenhuma obrigação de se guardar um dia, mas que Cristo nos introduziu no descanso eterno, no qual devemos consumar a nossa entrada mediante a fé, por que ele não usou simplesmente a palavra sabbatismo,j?


Ele usa sabbatismo,j porque, além de se referir ao descanso espiritual, a palavra também fala de uma observância religiosa, de uma guarda de um dia, de uma observância de um sábado. Então, irmãos, percebam que, o Novo Testamento não anula a obrigação moral da guarda de um dia, mas a exige claramente. Então, irmãos, o livro de Hebreus ensina claramente que permanece um sábado cristão. A. W. Pink, após analisar o versículo 9 de Hebreus 4, afirmou o seguinte:


Aqui, então, está uma clara, positiva e inequívoca declaração do Espírito de Deus: “Portanto, resta uma guarda de sábado”. Nada poderia ser mais simples, nada mais ambíguo. O que é surpreendente é que esta afirmação ocorre na própria epístola cujo tema é a superioridade do Cristianismo sobre o Judaísmo; escrita e endereçada àqueles que são chamados de “santos irmãos, participantes da vocação celestial”. Por isso, não pode ser negado que Hebreus 4.9 se refere diretamente ao sábado cristão. Daí que, solene e enfaticamente declaramos que qualquer homem que diz que não há sábado cristão critica diretamente as Escrituras do Novo Testamento.[10]

Então, queridos, “assim como o povo de Deus da Antiga Aliança tinha a promessa do descanso futuro juntamente com seu dia de descanso, o povo do Novo Pacto de Deus, a igreja, também tem a promessa de descanso futuro com seu dia de descanso religioso”.[11]


III – O PRIMEIRO DIA DA SEMANA

Irmãos, além de estabelecer o princípio de que ainda permanece uma guarda de sábado no presente, Hebreus 4.9,10 também estabelece o dia para a observância do domingo como sábado cristão. Vejam o versículo 10: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”. Observem irmãos, resta uma guarda de sábado “porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou das suas obras, como Deus das suas”.


Irmãos, isso é extraordinário! De quem o autor aos Hebreus está falando no versículo 10? Queridos, ele está falando aqui de Jesus Cristo! De maneira bem específica, ele está falando do descanso de Jesus de sua obra redentiva por ocasião da sua ressurreição! O autor compara o repouso de Cristo de sua obra da redenção com o descanso de Deus da obra da criação. Alguns dizem que ele está falando do povo de Deus. Mas tal entendimento é impossível! Literalmente, o versículo 10 deve ser traduzido assim: “Pois o que entrou no seu repouso, também ele próprio descansou de seus trabalhos, assim como Deus descansou dos seus labores”.[12] Uma das melhores traduções em inglês, a King James Version, traduz assim o texto: “Pois ele que entrou no seu descanso, ele também cessou de suas próprias obras, como Deus das suas”.[13] A referência é a “ele” que descansou de uma vez por todas.[14]


Existem três razões muito fortes, pelas quais não podemos interpretar esse versículo como falando do crente ou do povo de Deus, de uma maneira geral, mas sim como uma referência à obra de Cristo Jesus.[15] Em primeiro lugar, é completamente inapropriado comparar as obras e o descanso do crente com as obras e o descanso de Deus. “Como não é próprio comparar a obra de um pecador com a obra de Deus, também é impróprio comparar os dois descansos”.[16] O descanso de Deus na criação não foi apenas um cessar de atividades, mas também uma feliz contemplação de sua obra. Deus olhou para sua obra e se alegrou com ela. Diferentemente do crente, que descansar significa para ele, não a contemplação de suas obras – que são más –, mas sim um rompimento abrupto com todo o pecado.


A segunda razão, queridos irmãos, é que quando o autor quer falar do povo de Deus, ele usa o plural, como por exemplo: “Temamos, portanto, que sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado [...] Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (v. 1,11). O uso do pronome singular “aquele” ou “ele” sugere alguém que não seja o povo de Deus. John Owen diz o seguinte: “Uma simples pessoa é aqui expressa; sendo uma sobre cuja descrição as coisas mencionadas são afirmadas”.[17]


Isto nos leva à terceira razão. Observem a diferença entre o verso 10 e o verso 11: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso”. O versículo 10 fala de um descanso já consumado, já realizado, enquanto que o versículo 11 fala sobre a responsabilidade que os crentes ainda têm de entrar “naquele descanso”. São referências distintas!


Então, queridos irmãos, há uma relação de comparação entre o descanso de Deus na criação e o descanso de Jesus Cristo na sua ressurreição. Essa compreensão fornece um paralelo entre a obra da criação e a obra da redenção. Quando Deus concluiu a criação, ele descansou no sétimo para declarar a sua obra concluída, para se deleitar nessa obra, e para prometer o descanso eterno a Adão no Pacto das Obras. De igual modo, Deus, o Filho, descansou de sua obra da redenção no primeiro dia da semana como sinal de que a sua obra estava concluída, tinha sido realizada objetivamente e que nada restava para ser feito. Assim como a conclusão de uma obra instituiu o sétimo dia, a conclusão de outra obra instituiu a observância do primeiro dia.


Com a ressurreição de Cristo a ordem das coisas muda. No Antigo Pacto, a ordem era trabalhar seis dias e descansar no sétimo. Isso se dava em função de que os santos do Antigo Testamento ainda esperavam o cumprimento da obra messiânica. É por isso que para eles, os dias de trabalho vêm primeiro, e o dia de descanso vem depois. Mas, com a ressurreição de Jesus, nós olhamos para a obra já realizada por Cristo. É por isso que celebramos, primeiramente, o descanso. Quero citar aqui, queridos irmãos, as palavras de um dos grandes teólogos reformados, Geerhardus Vos:


O povo de Deus do Antigo Testamento tinha de tipificar em sua vida os desenvolvimentos futuros da redenção. Consequentemente, a precedência do labor sucedido pelo descanso tinha de ter expressão em seu calendário. A igreja do Novo Testamento não tinha que desempenhar tal função típica, porque os tipos haviam sido cumpridos. Mas ela tem um grande evento histórico para comemorar: a realização da obra por Cristo e a sua entrada e de seu povo por meio dele no estado de descanso ininterrupto.[18]

Irmãos, isso é extraordinário! Isso nos mostra que guardar o sétimo dia é, na verdade, uma absurda falta de compreensão teológica do caráter e natureza da obra da redenção realizada por nosso Senhor Jesus Cristo.

· CONCLUSÃO

Quando entendemos isso, meus irmãos, podemos compreender a razão pela qual a Igreja Primitiva se reunia no primeiro dia da semana com o propósito de partir o pão, celebrando a Ceia do Senhor. Nós estamos distante deles cerca de mais de dois mil anos. Isso quer dizer que, nós não conhecemos nem reconhecemos o profundo sentimento que a Igreja Primitiva teve da importância extraordinária da aparição e, especialmente, da ressurreição de Jesus Cristo.


Por que os encontramos reunidos no primeiro dia da semana? Porque eles compreenderam perfeitamente a grandeza do evento ocorrido no domingo. Eles compreenderam de uma forma como nenhum de nós, em pleno século XXI, é capaz de compreender.


Meus irmãos, devemos amar o domingo, o dia que aparece no Novo Testamento como “o dia do Senhor” (Apocalipse 1.10), isto é, o dia que pertence ao Senhor. Por qual razão ele pertence a Cristo? Por direito da sua ressurreição. E a Igreja, em amor a Cristo e em obediência ao que lhe foi legado pelo evento histórico da ressurreição, deve amar o dia do Senhor.

É por isso que guardamos o primeiro dia da semana! Louvado seja Deus pela obra da Redenção! Amém!



[1] João Calvino, As Institutas: Edição Clássica, II.8.34, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 158.

[2] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 115.

[3] Michael Horton, A Lei da Perfeita Liberdade, (São Paulo: Cultura Cristã, 2000), 106. De acordo com informações verbais, Horton posteriormente mudou o seu posicionamento, ao ter contato com a obra do Dr. Joseph Pipa.

[4] D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, informação da contra-capa.

[5] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, XXI.7, 177.

[6] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 119.

[7] Thayer’s Greek Lexicon in BIBLEWORKS 6.0. Minha tradução.

[8] Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 373.

[9] Apud in Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 121.

[10] A. W. Pink, An Exposition of Hebrews. Sermon17: Christ Superior to Joshua (Hebrews 4.3-10). Minha tradução.

[11] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.

[12] Waldyr Carvalho Luz, Novo Testamento Interlinear, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 769.

[13] King James Version in BIBLEWORKS 6.0 Minha tradução.

[14] O verbo eivse,rcomai, está no particípio aoristo. O tempo aoristo tem o significado de uma ação realizada uma única vez e de uma vez por todas.

[15] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, Johnstone & Hunter, 1855.

[16] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.

[17] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, 413. Minha tradução.

[18] Geerhardus Vos, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, (São Paulo: Cultura Cristã, 2010), 176, 177.

RAZÕES PELAS QUAIS NÃO GUARDAMOS O SÉTIMO DIA DA SEMANA

Estudo ministrado para a União de Mocidade Presbiteriana, da Igreja Presbiteriana Filadélfia, em Marabá-PA

“Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo” (Colossenses 2.16-17).

· INTRODUÇÃO

Meus amados e queridos irmãos, a questão que gira em torno do sábado, definitivamente, não é tão pacífica quanto imaginamos que deveria ser. Infelizmente, tem havido muita discussão e muita confusão a este respeito no seio da igreja evangélica. Existe um grupo de pessoas chamado de Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo, que fazem um verdadeiro “cavalo de batalha” por causa do sábado. Anos atrás chegou às minhas mãos uma publicação adventista, que afirmava de maneira ousada e veemente, que o número da besta era o domingo, e que todos aqueles que guardavam o domingo estavam adorando a besta de Apocalipse.

Com frequência muitos irmãos são abordados por sabatistas e questionados acerca do porquê de observarem o domingo e não o sábado – o sétimo dia da semana. Infelizmente, muitos dos nossos irmãos não estão preparados para darem aos questionadores a razão da esperança que neles há (1 Pedro 3.15). Um dos argumentos mais utilizados por eles, é que não existe nenhum mandamento específico de Jesus e dos apóstolos no sentido de que, agora, a igreja deveria observar o domingo, e não o sábado. Uma publicação intitulada Enganado (Duped) afirma o seguinte: “Nenhuma referência bíblica ao primeiro dia da semana fala sobre a mudança do Sábado para o Domingo”.[1] Eles afirmam que o imperador romano foi quem inventou a guarda do domingo, e que a Igreja Católica Apostólica Romana deu continuidade a esta prática.[2] Este argumento se torna um verdadeiro problema para as pessoas que não são treinadas em teologia. De fato, queridos irmãos, a mudança do sétimo para o primeiro dia da semana não se baseia num mandamento divino direto. Até porque não é necessário nenhum mandamento divino direto em teologia para a formulação e estabelecimento de doutrinas. Uma doutrina pode ser formulada a partir da dedução da teologia bíblica, da analogia e do exemplo histórico. Este ponto, inclusive, é bem afirmado pela nossa Confissão de Fé de Westminster: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado pela Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela”.[3] Meus irmãos, observem que existem várias doutrinas cristãs cruciais que não são baseadas em um mandamento direto, mas em um estudo cuidadoso de toda a Bíblia e no uso correto da dedução, como por exemplo, a Trindade, a duas naturezas de Cristo, o fechamento do cânon, o batismo infantil, e etc. Então, uma doutrina que é lógica e claramente deduzida do ensinamento das Sagradas Escrituras não é menos verdadeira ou importante do que uma declaração direta da Escritura.

Outro argumento utilizado pelos adventistas é que em todo o livro de Atos dos Apóstolos nós encontramos o apóstolo Paulo entrando nas sinagogas no sétimo dia da semana (Atos 13.14; 14.1; 17.1-2; 18.4; 19.8). Eles afirmam que o próprio apóstolo Paulo deu continuidade à observância do sabbath judeu, isto é, o sétimo dia da semana. Refutar este argumento é a coisa mais fácil que existe, meus irmãos. Basta que analisemos cuidadosamente as passagens citadas. Quando fizermos isso ficará bem claro que, o único propósito de Paulo ao entrar nas sinagogas no dia de sábado era pregar o evangelho aos judeus incrédulos. “A ideia de que Paulo ia para as sinagogas judaicas aos sábados para adorar por crer num sabbath do sétimo dia é absurda. Por que Paulo adoraria com não-cristãos, com incrédulos?”[4]

Nosso primeiro passo será a consideração das alegações sabatistas, de que a observância do sétimo dia continua. Veremos se isto se coaduna com o todo do ensino bíblico. Veremos como o sétimo dia da semana deixou de ser obrigatório. Em seguida, é preciso que nos questionemos também acerca de como o domingo se tornou do dia de guarda para os cristãos. Uma coisa é dizer o porquê do sábado não ser o dia de guarda. Outra coisa completamente diferente é dizermos o porquê de o domingo ser esse dia.

· EXPOSIÇÃO DO ASSUNTO

I – O TERMO “SÁBADO”

A primeira grande confusão que os sabatistas fazem, meus irmãos, é quanto ao termo “sábado”. Eles afirmam que este termo é nada mais nada menos do que o nome exato de um dia da semana. A dinâmica do raciocínio deles é mais ou menos a seguinte: A Bíblia, de Gênesis a Apocalipse fala sobre o sábado. No Antigo Testamento o dia que deveria ser guardado pelo povo de Deus era o sábado. No Novo Testamento vemos Jesus e os seus discípulos entrando nas sinagogas no dia de sábado. Hoje, nós temos em nosso calendário um dia da semana chamado de “sábado”, então, isso quer dizer que, o dia que deve ser guardado pela cristandade em nossos dias é esse “sábado”?

O grande problema com esse raciocínio, é que ele confunde um conceito com o nome de um dia. O termo hebraico “shabbath” (tB'v;), significa literalmente, “cessar, desistir, descansar”.[5] É bem verdade que este conceito está intimamente relacionado com o sétimo dia em si, visto que o numeral “sétimo” em hebraico é y[iybiv., possui a mesma raiz de “shabbath”. Não obstante, a prova de que o termo não está preso a um dia pode ser obtida a partir do entendimento de que, em Israel, havia o que era chamado de Ano Sabático: “Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrares na terra, que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao SENHOR” (Levítico 25.1-2). Interessantemente, o “sábado” mencionado elo Senhor não é apenas um dia, mas sim o ano, como o restante da passagem nos mostra: “Seis anos semearás o teu campo, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos. Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo na tua seara não segarás e as uvas da tua vinha não podada não colherás; ano de descanso solene será para a terra” (vv. 3-5).

Percebam, irmãos, o “sábado” em questão não é apenas um dia da semana. O “sábado” de Levítico 25.1-5 é todo o período de um ano, 365 dias. Isso porque em Israel não existia apenas a contagem de semana de dias. Existia também o que era chamado de “semana de anos”, ou seja, um período de sete anos. Nesse período, o sétimo ano era chamado de “sábado” ou “ano sabático”. Durante todo o ano a terra deveria descansar. Não se poderia plantar, colher ou fazer qualquer outra coisa na terra. Ela deveria ser usada para o sustento dos estrangeiros, demais pobres e aos animais de Israel.

No verso 8, nós encontramos o período de tempo chamado de “semana de anos”: “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos terão quarenta e nove anos”. A grande pergunta que devemos fazer aos sabatistas, aos Adventistas do Sétimo Dia, é por qual razão eles não passam o período de um ano completo sem fazer absolutamente nada? Afinal de contas, o sábado também é aplicado pelo Antigo Testamento ao período de um ano. Já que eles fazem tanta questão de se agarrarem à íntegra da letra dos textos veterotestamentários, eles deveriam ter sido coerentes e passado os anos de 1995, 2002 e 2009 sem trabalhar, sem fazer comida, sem pegar em dinheiro. Deveriam fazer a mesma coisa em 2016. A grande questão é: Por que não fazem? Porque o seu método interpretativo das Sagradas Escrituras é defeituoso.

Então, irmãos, a primeira coisa que vocês precisam compreender a fim de fazerem calar os sabatistas, é que shabbath não é, simplesmente, um nome de dia. É um conceito, que no Antigo Testamento foi identificado com o sétimo dia, mas não apenas com ele, também com o período de anos.

II – A CESSAÇÃO DO SÉTIMO DIA DA SEMANA

2.1. O argumento paulino

Precisamos ler novamente a passagem de Colossenses 2.16,17, para entendermos o ensinamento de Paulo a respeito: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. O que nós precisamos entender aqui, é que o apóstolo Paulo não está afirmando que a necessidade de se guardar um dia de descanso não mais existe a partir do Novo Testamento. Na verdade, Paulo está nos dizendo que “não podemos observar o sábado judeu (ou judaico) do sétimo dia. Em outras palavras, Paulo anula a observância do sétimo dia, mas não o princípio envolvido na lei do sábado”.[6]

Para compreendermos o porquê disso, precisamos observar o pano de fundo da Epístola aos Colossenses. Paulo está contra-atacando uma heresia híbrida que havia misturado a doutrina judaizante da salvação pelas obras, que incluía a observância da lei cerimonial com a filosofia ascética do gnosticismo, com a adoração aos anjos e abstinência de certos alimentos e prazeres materiais e físicos.

Então, em Colossenses, o objetivo de Paulo é afirmar a soberania e a supremacia de Jesus Cristo, o Salvador e Legislador. No início do versículo 16, ele repudia toda e qualquer doutrina que proíba o consumo de certos alimentos, considerados por muitos como imundos (cf. vv. 20-23). A Bíblia ensina que o cristão pode comer e beber com moderação qualquer coisa que Deus tenha dado (Salmo 104.15; Marcos 7.19; 1 Timóteo 4.3-6; Atos 10.14-16).

No restante do versículo 16, Paulo aborda o assunto dos dias: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de [...] dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Irmãos, o que Paulo está fazendo aqui? Ele está anulando o princípio da guarda do descanso ou o ensinamento judaizante do sétimo dia? Paulo está dizendo que o cristão não tem a mínima obrigação de observar o ritualismo judaico. Os três termos usados por Paulo são rituais judaicos. Levítico 23 faz um comentário detalhado desses termos. Os versos 1-3 tratam do sábado semanal: Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas. Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas”. Em Colossenses 2.16, Paulo chama isso de “sábados”. Do verso 4 ao verso 44, Moisés fala sobre as grandes festas de Israel: Páscoa, Pães Asmos, Pentecostes e Tabernáculos. Paulo se refere a estas ocasiões como “festas”. Quando fala da “lua nova” Paulo está se referindo a um holocausto que acontecia por ocasião da lua nova de cada mês: “As suas libações serão a metade de um him de vinho para um novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him para um cordeiro; este é o holocausto da lua nova de cada mês, por todos os meses do ano” (Números 28.14).

Irmãos, de acordo com Paulo, ninguém pode nos julgar ou nos condenar por não observarmos estes ritualismos judaicos. E, percebam, que Paulo associa os sábados com as demais cerimônias do Antigo Testamento.

A razão do argumento de Paulo está no versículo 17: porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Todas as cerimônias do Antigo Testamento eram sombra de Cristo. Os rituais do Antigo Testamento preanunciavam a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo. “A pessoa e a obra de Cristo estão atrás de todas as observâncias cerimoniais do Antigo Testamento: as festas, os sábados da lua nova e o sábado do sétimo dia como o original divino”.[7] Outro exemplo desta verdade era o Templo. Cristo afirmou que ele é o verdadeiro templo, a verdadeira habitação de Deus com o seu povo (João 2.19). Isso quer dizer que, até mesmo o sábado, o sétimo dia da semana, era algo que apontava para Cristo. No sábado do fim da semana, o povo aguardava a vinda do Messias, o verdadeiro doador do descanso. Tendo sido cumprido em Cristo, o sábado não é mais obrigatório para o cristão.

2.2. Os elementos cerimonial e moral do Quarto Mandamento

Uma palavra de advertência se faz necessária aqui. Apesar do crente não mais ser obrigado a guardar o sétimo dia da semana, a argumentação do apóstolo Paulo não diz que ele abre mão do dever moral de se observar um dia em sete. Isso quer dizer, meus irmãos, que “há um elemento moral no quarto mandamento, pois faz provisão para a adoração de Deus”.[8] Entendamos, que no quarto mandamento há um elemento cerimonial (o sétimo dia da semana) e um elemento moral (a adoração a Deus). O elemento cerimonial diz respeito à aplicabilidade do mandamento ao Israel físico que havia sido libertado do Egito. O elemento moral diz respeito a algo que é válido para todas as pessoas em todas as épocas.

Nós temos a convicção de que o dia de descanso é uma obrigação moral e perpétua. Tal convicção parte de Gênesis 2.1-3. Percebam, queridos irmãos, que o estabelecimento do descanso está associado com o estabelecimento de outros dois mandatos criacionais: o trabalho (Gênesis 1.24; 2.15) e o casamento (Gênesis 2.18-25). Assim como são permanentes o trabalho e o casamento, o descanso também o é.

2.3. Evidências históricas

Sobre a alegação adventista, de que o domingo é uma invenção da Igreja Católica Romana e do imperador romano Constantino, nós podemos responder que se trata de uma absurda ignorância dos fatos históricos. A Igreja Católica Romana teve a sua instauração oficial no ano de 590 d.C., com a ascensão do papa Gregório Magno. Já Constantino chegou ao poder unificado do Impèrio Romano em 312 d.C. Por qual razão estas informações são interessantes? Porque existe um documento primitivo, datado de mais ou menos 150 d.C., chamado Didaquê ou Instrução dos Doze Apóstolos, que afirma o seguinte: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro”.[9] Interessantemente, uma das principais orientações do autor do Didaquê, era para que os cristãos procurassem se diferenciar dos judeus. Por exemplo, tratando dos dois dias de jejuns semanais, o autor dá a seguinte orientação aos cristãos: “Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas[10]; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta”.[11]

Além do Didaquê, Inácio de Antioquia, discípulo do apóstolo João, escreveu o seguinte ao povo de Magnésia (atual Manisa, Turquia): “Não sejam enganados com doutrinas estranhas, nem com fábulas antigas. Pois se ainda vivemos de acordo com a lei judaica, estamos admitindo que não recebemos a graça”. Em seguida, ele chama os seus leitores de “aqueles que haviam alcançado a posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado”.[12] Na mesma carta, Inácio diz o seguinte, confrontando o domingo com o sábado judaico: “O Dia do Senhor, no qual, também, nossa vida surgiu por meio dele e de sua morte, fato este negado por alguns – é o mistério pelo qual recebemos a fé”.[13] Para Inácio, observar o dia do Senhor é reconhecer que a salvação é, pela morte e ressurreição de Jesus, uma observância do shabbath.

Outros Pais da Igreja do século II poderiam ser citados, para mostrar que a afirmação sabatista é completamente desprovida de fundamentação histórica, como por exemplo, Justino Mártir, Irineu de Lyon, Clemente de Alexandria, e Tertuliano (início do século III).

Então, queridos irmãos, creio que através da conceituação do termo hebraico tB'v;, do argumento paulino da cessação do cerimonialismo judaico e das evidências históricas aqui apresentadas, fica claro que a reivindicação adventista não se sustenta. Eles, na verdade, estão desprezando a pessoa e a obra de Jesus Cristo ao se prenderem àquelas coisas que nada mais eram do que “sombra”. A questão, irmãos, é que para os adventistas as ordens apostólicas não têm nenhum peso. O que Paulo disse, para eles não tem nenhum valor. Um escritor adventista chamado Richard Lewis afirmou o seguinte: “Seja enfatizado que, mesmo se fosse encontrado apoio apostólico para o domingo, ainda o cristão bíblico não o poderia aceitar. Nem mesmo um apóstolo poderia mudar a lei de Deus”.[14] Ele não reconhece a autoridade apostólica inspirada como autoridade do próprio Deus. Isso porque para os adventistas o que vale é o que Ellen G. White afirmou. Para eles, as profecias de Ellen White têm autoridade divina e têm precedência sobre a autoridade apostólica. No mínimo, isso é uma atitude por soberba. No máximo, é heresia.[15]



[1] Citado em Brian Schwertley. O Sabbath é Obrigatório na Era da Nova Aliança. p. 1. Extraído do site http://www.monergismo.com.

[2] Este é o argumento da fundadora do movimento, Ellen G. White, na sua obra The Great Controversy, págs. 58, 59. Citado em G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 274.

[3] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, I.6, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 21.

[4] Brian Schwertley. O Sabbath é Obrigatório na Era da Nova Aliança. p. 6.

[5] Victor P. Hamilton, In: R. Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr., e Bruce K. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, (São Paulo: Vida Nova, 2001), 1520.

[6] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, (São Paulo: Os Puritanos, 2000), 103.

[7] Ibid, 107.

[8] G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 273.

[9] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, XIV.1, (Rio de Janeiro: Vozes, 1970), 39.

[10] Os “hipócritas” referidos pelo didaquista são os judeus.

[11] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, VIII.1, 31.

[12] Citado em G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 272.

[13] Citado em R. J. Bauckham, “O Shabbath e o Domingo na Igreja Pós-Apostólica”, In: D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 270.

[14] Richard Lewis, The Protestant Dilemma, (Mountain View, 1961), 103. Citado em Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 114.

[15] O longo comentário do apologeta reformado Gordon H. Clark é interessante. Comentando o capítulo XXI, seção 7 da Confissão de Fé de Westminster, ele afirma o seguinte: “Com a ressurreição de Cristo o dia de descanso e culto foi mudado do sétimo para o primeiro dia da semana. Quem o mudou? A Igreja Romana reivindica ter autorizado a mudança; e os Adventistas do Sétimo Dia se recusam a cultuar no primeiro dia porque a Igreja Romana não tem nenhuma autoridade para mudar um mandamento de Deus. No entanto, mesmo que um edito imperial do quarto século possa ser citado como autorizando a mudança, ela não foi feita por algum imperador ou papa, mas pelos discípulos imediatos de Cristo. 1 Coríntios 16.2 diz, ‘No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for’. Um adventista do sétimo dia me disse que isto não indica nenhuma oferta como um serviço de culto no primeiro dia da semana, mas ao contrário, significa que no primeiro dia cada adorador deveria pôr de lado o que pretendia dar no próximo sétimo dia. Mas considere: se um homem recebe seu pagamento ao término de uma semana de trabalho – na noite de sexta-feira – e então cultua no sábado, parece estranho preveni-lo a separar sua oferta apenas na manhã de domingo. De Atos 20.7 nós sabemos que o serviço de culto cristão, incluindo a comunhão, tinha lugar no primeiro dia da semana. Esse dia era chamado de Dia do Senhor, como podemos inferir de Apocalipse 1.10. Assim, o Novo Testamento deixa perfeitamente claro que os cristãos não observaram o sétimo dia por trezentos anos para mudar apenas no quarto século por meio de um edito imperial ou papal”. Cf. Gordon H. Clark, What do Presbyterians Believe? The Westminster Confession Yesterday and Today, (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing, 1965), 199, 200. Minha tradução.

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