sexta-feira, 11 de março de 2011

AS CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ORAÇÃO - PARTE 2

Wilhelmus à Brakel

Em segundo lugar, a oração é feita em espírito e em verdade. Recitar verbalmente o que foi memorizado (mesmo que preste atenção a cada palavra e mesmo que o nosso objetivo geral seja orar a Deus) mas não entender os assuntos, e se ao entendê-los não os desejamos, isso é zombar de Deus. é tolice se nós desejamos um assunto, e para esse fim recitamos a oração do Senhor, uma manhã ou uma oração vespertina, a fim de consegui-lo.

Orar em espírito e em verdade:

(1) Consiste de uma oração com entendimento; isto é, estar familiarizado com o Senhor a quem se está orando; com o Cristo através do qual alguém se aproxima de Deus; com nós mesmos em nossa perplexidade e indignidade; com o assunto que nós desejamos; e com o objetivo em pedir o assunto. Não apenas é necessário estar familiarizado habitualmente com isto (estando, assim, capazes de estar conscientes se dermos ouvidos a isto), mas é preciso haver um conhecimento real de tudo isto. Assim, enquanto oramos presentemente, perceberemos e observaremos o que está sendo expresso, e por tal percepção seremos movidos e nos tornaremos ativos: “Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente” (1 Coríntios 14.15).

(2) É um exercício da vontade, de maneira que nós desejamos os assuntos em verdade. Nossa consciência deve testificar diante de Deus que nós os desejamos, que isso é o nosso objetivo – não apenas quando considerando o assunto em si, mas também juntamente com as suas circunstâncias presentes, renunciando voluntariamente a tudo aquilo que está em oposição ao assunto desejado. Uma pessoa não-convertida quando ouve o desejo de santidade apresentado como tal talvez dirá: “Sim, eu quero isso, e eu tenho um desejo por santidade”. Se, entretanto, ela vê o pecado como uma prática honesta, se o estima, deleita-se nele, e o considera proveitoso é observado sob essa luz, e percebe que deve renunciá-lo por completo, ela não deseja santidade, mas, sim, o pecado em seu lugar. Alexandre desejava ser Diógenes, se não fosse Alexandre. O jovem rico tinha um desejo por salvação e por guardar os mandamentos de Deus; entretanto, quando ele precisou partilhar os seus bens, afastou-se triste (Mateus 19.21,22).

(3) É também acompanhada por reflexão e atenção. Devemos estar atentos para o fato de que a paixão não é executada antes do entendimento e da vontade; pelo contrário, o engajamento do entendimento e da vontade deve preceder, estimular e governar nosso zelo. Se as coisas acontecem dessa forma, o coração permanecerá em uma disposição própria: “Guarda o pé, quando entrares na Casa de Deus [...] Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras” (Eclesiastes 5.1,2).

Espírito e verdade são absolutamente essenciais na oração, pois:

[1] “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24);

[2] Deus requer o coração: “Dá-me, filho meu, o teu coração” (Provérbios 23.26);

[3] Deus conhece o coração, bem como a mente do Espírito: “... porque tu, só tu, és conhecedor do coração de todos os filhos dos homens” (1 Reis 8.39);

[4] Deus deseja a verdade no íntimo (Salmo 58.8);

[5] “Ah! SENHOR, não é para a fidelidade que atentam os teus olhos?” (Jeremias 5.3), “porque são estes que o Pai procura para seus adoradores” (João 4.23);

[6] Deus odeia e pune aqueles que se aproximam dEle fisicamente e não com o coração: “Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu, continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá” (Isaías 29.13,14).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 457-458.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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