quinta-feira, 17 de março de 2011

AS CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ORAÇÃO - PARTE 3

Wilhelmus à Brakel

Terceiro, deve existir sinceridade e fervor. Isto não consiste em chamar em voz alta, nem com uma longa expressão de palavras em uma sequência fluente, nem em uma junção de argumentos intelectuais de uma maneira apaixonada e chorosa. Tudo isto um homem natural é capaz de fazer. Pelo contrário, fervor é um movimento intenso do coração, que é gerado por um forte desejo, expresso em uma maneira compreensiva e pensativa. Fervor é o envolvimento de toda a energia da alma e do corpo. Ele penetra através de toda a oposição e vence o vaguear dos pensamentos, a letargia da carne, e o surgimento de pensamentos incrédulos (tais como, “Isto é vão; Deus não vai te ouvir; você não receberá o que deseja”, etc.), e os enganos sutis e insinuações de Satanás, etc. O crente não pode desistir tão facilmente, pois seus desejos são também fortes; ele persevera. “Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gênesis 32.26). Como a mulher cananeia, o crente persegue o Senhor com oração e súplica (Mateus 15.22). Não obstante, fervor não leva embora a reverência a Deus, nem a disposição calma e serena da alma. Quietude e fervor andam de mãos dadas aqui. Aqueles que, por assim dizer, não podem fazer chegar a si mesmos à oração, mas, em vez disso, a evitam e olham por cima dela, deveriam se envergonhar. Quando, sem culpa sua, um impedimento se apresenta em seu tempo devocional, eles não estão tristes, mas, secretamente, estão satisfeitos por estarem isentos do dever da oração. É possível que alguém ore mais para satisfazer sua consciência (por ter orado) do que para atingir a satisfação dos seus desejos. Ele permite a si mesmo ser facilmente prejudicado por um pensamento incrédulo, no sentido de que, não será ouvido. Não possui desejos ardentes direcionados a um assunto e, portanto, movem-se de um assunto para outro por meramente enumerá-los – assunto, palavras, e desejos estando ausentes. Isto é um assunto abominável. Se você não tem desejos, então, desapareça. Se você não vir com suas próprias necessidades, você não precisa vir simplesmente por causa da vontade de Deus. Ele não deseja tal serviço morno, apático e preguiçoso.

Os sacrifícios e incenso tinham de ser acesos com fogo, e nossas orações também devem ser inflamadas com fervor. As razões para isso são as seguintes:

(1) Suplicantes fervorosos são agradáveis aos olhos de Deus: “Meus suplicantes... trarão a minha oferta” (Sofonias 3.10);

(2) Uma oração sincera é muito proveitosa diante de Deus: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tiago 5.16);

(3) O crente deve ser fervoroso em tudo aquilo que faz: “... sede fervorosos de espírito” (Romanos 12.11); “Sê, pois, zeloso” (Apocalipse 3.19);

(4) Os exemplos dos santos, cujos passos devemos seguir, estimulam-nos a sermos fervorosos na oração. Toda a sua vida consistia de oração. Davi levantava-se à meia-noite. Ele clamou, e chorou; e não cessou. Devemos fazer o mesmo, para que o Senhor possa perceber que nosso objetivo é conhecê-Lo e reconhecê-Lo como o Doador – como o Único que dá livremente – e que é a graça somente que pode nos ajudar.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 458-459.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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