segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

RAÍZES DA TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA - RESENHA



COSTA, Hermisten Maia Pereira da. Raízes da Teologia Contemporânea. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, 432p.

I – COMPREENSÃO DA OBRA
O Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa, pastor presbiteriano e professor da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é um prolífico escritor com inúmeras obras e artigos publicados no Brasil. Dentre os livros publicados por ele podem ser destacados os seguintes de várias editoras: Eu Creio (Parakletos), A Inspiração e Inerrância das Escrituras (Cultura Cristã), Calvino de A a Z (Vida), Fundamentos da Teologia Reformada (Mundo Cristão), O Pai Nosso (Cultura Cristã), A Literatura Apocalíptico-Judaica (Casa Editora Presbiteriana).

A obra em consideração no presente trabalho é Raízes da Teologia Contemporânea, que possui como proposta demonstrar “as relações e correlações entre alguns dos diversos pensamentos que contribuíram para a formação da Teologia do Século 20”, conforme palavras do autor no prefácio. Trata-se de uma obra com um assunto muito vasto, abrangente e por demais complexo.

Na Introdução, Pereira da Costa define a Teologia Contemporânea como sendo “o estudo analítico-crítico das manifestações teológicas surgidas após a Reforma e, em geral, contrárias ao sistema dela” (COSTA, 2004, p. 15). Além disso, ele demonstra a importância do estudo dessa disciplina, bem como apresenta a metodologia empregada na composição da obra, enfocando a relação epistemológica existente entre o estudioso, o historiador, e o fato investigado, o que resulta num grau imprescindível de subjetividade.

Estruturalmente, Raízes da Teologia Contemporânea possui sete capítulos e cinco adendos. Dado o escopo exíguo e diminuto do presente trabalho, as considerações aqui apresentadas limitar-se-ão apenas aos capítulos principais da obra. A ênfase recai na forma como cada sistema de pensamento está relacionado ao outro contribuindo decisivamente para a construção do pensamento teológico contemporâneo. Na primeira parte do livro, que vai do capítulo 1 ao 6, Pereira da Costa descreve a construção do pensamento moderno, abordando assuntos como o Renascimento, a Reforma Protestante, a Ortodoxia Protestante, o Pietismo e o Iluminismo. Na segunda e última parte, o autor se concentra na forte e intrincada relação existente entre o Iluminisno e o Liberalismo Teológico do século XIX.

No primeiro capítulo, sobre o Renascimento, Pereira da Costa procura apresentar uma definição do Humanismo-Renascentista estabelecendo um contraste com a era medieval e uma linha de continuidade com o pensamento moderno e contemporâneo. Sobre a Idade Média, ela teve como principal característica no plano religioso o teocentrismo, que considerava Deus como o centro de todas as coisas, inclusive das especulações filosóficas. Nesse ínterim, a metafísica era considerada como a “rainha das ciências”. No plano social, a Idade Média era caracterizada pela imobilidade social e lentidão nas transformações culturais, econômicas e políticas. Paulatinamente, um sentimento de insatisfação começou a surgir na sociedade medieval, culminando com movimentos revolucionários, como a célebre “Revolta Campesina” de 1381 na Inglaterra. Mesmo com todos os inúmeros problemas e polêmicas que a marcaram, a Idade Média possuía um elemento agregador entre as pessoas: a Igreja Medieval. A expressão máxima da influência da Igreja na vida das pessoas foi, sem dúvidas, o confessionário, que além de fonte de renda, serviu como forma de controle, dominação e fortalecimento papal. Isso é expresso de forma interessante nas palavras do próprio Costa: “Nessa relação: Igreja e pecador penitente, o confessor era o instrumento de ligação entre eles, representando em muitos aspectos o próprio Senhor Jesus Cristo, com poderes para perdoar pecados” (op. cit., p. 39). Com o passar do tempo, a insatisfação se alastrou, contribuindo para o estabelecimento do Renascimento, que rompeu com os valores medievais, apesar de ter surgido em decorrência deles. O espírito ou consciência do Renascimento foi o Humanismo, que afirmava a total autonomia do indivíduo, de maneira que a tutela da máquina medieval chegara ao fim. As características da filosofia renascentista foram as seguintes: 1) Restauração da cultura clássica, que enfatizava o retorno às fontes literárias e filológicas da antiguidade, especialmente do período do grego clássico; 2) Criação do novo, com o surgimento de gênios pensadores em todas as áreas do saber; 3) Síntese do Cristianismo com a cultura clássica; e 4) A valorização do homem, encarnando a máxima de Protágoras – Homo Mensura – e trocando o teocentrismo característico da Idade Média pelo antropocentrismo. O Humanismo Renascentista foi um movimento importante, entretanto, pregou a elevação do Homem em detrimento de Deus.

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