sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PAIXÃO PELA VERDADE - ALISTER MCGRATH (RESENHA)


MCGRATH, Alister. Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, 239p.

I – COMPREENSÃO DA OBRA
Dentre a nova safra de teólogos/escritores, Alister E. McGrath, professor de Teologia Histórica na Oxford University e pesquisador sênior do Harris Manchester College, tem conseguido destaque, principalmente entre os leitores brasileiros. Interessantemente, suas obras têm sido publicadas em língua portuguesa, especificamente no Brasil, por editoras das mais variadas orientações teológicas, demonstrando assim seu poder de abordar assuntos diversos e de interesse comum aos vários segmentos do evangelicalismo. Podem ser aqui elencadas algumas das suas obras traduzidas para o português, como por exemplo: Apologética Cristã no Século XXI (Vida), O Delírio de Dawkins (Mundo Cristão), O Deus de Dawkins (Shedd Publicações), A Vida de João Calvino (Cultura Cristã), Origens Intelectuais da Reforma Protestante (Cultura Cristã), Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião (Loyola), Teologia Histórica (Cultura Cristã), Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica (Shedd Publicações) e Uma Introdução à Espiritualidade Cristã (Vida).

A obra Paixão pela Verdade aborda a coerência intelectual do Cristianismo, defendendo sua capacidade argumentativa frente a desafios filosóficos e teológicos, que em muitas ocasiões acusam o evangelicalismo de fraqueza intelectual. A intenção do autor é demonstrar com eficácia que o evangelicalismo “é a maior e mais ativamente compromissada forma de cristianismo do mundo ocidental” (MCGRATH, 2007, p. 9). Para isso, seus primeiros esforços são no sentido de destruir a idéia de que o termo “evangelicalismo” evoca idéias reacionárias à intelectualidade. De início, é importante ressaltar que esta obra é construída sobre as bases de outro livro escrito por Mcgrath, Evangelicalism and the Future of Christianity, que não está traduzido para a língua portuguesa, o que dificulta uma melhor compreensão de Paixão pela Verdade. Não obstante, a tese central de McGrath pode ser percebida com muita facilidade: a demonstração de que o evangelicalismo não tem necessidade de permanecer na defensiva. Pelo contrário, para ele, o evangelicalismo é detentor de enorme vigor intelectual e credibilidade suficiente para lhe garantir coerência argumentativa e respeitabilidade no universo acadêmico ocidental.

Na Introdução, McGrath, primeiramente, expõe quatro razões que, segundo ele, explicam a reticência do evangelicalismo em se engajar no mundo intelectual e no diálogo com diferentes cosmovisões: 1) o legado fundamentalista, que impôs uma separação entre as faculdades/universidades americanas e seus ancoradouros cristãos originais; 2) a dominância do pragmatismo no evangelicalismo, que se expressa através da ênfase no crescimento da igreja, pregações que visam o bem-estar dos ouvintes e estilos de ministério moldados pela psicologia humanista; 3) o secularismo predominante na academia teológica, que acaba redundando no afastamento da realidade vivenciada pelas igrejas; e 4) o elitismo intelectual da teologia acadêmica, o que causa uma forte tensão com a cultura e a teologia populista do evangelicalismo.
Estruturalmente, o livro está dividido em cinco densos capítulos, dos quais os dois primeiros apresentam os axiomas do evangelicalismo e os seus aspectos positivos. A ênfase recai sobre a singularidade de Jesus Cristo e a autoridade das Sagradas Escrituras como temas centrais. Nos capítulos finais, o autor evidencia a coerência intelectual do evangelicalismo ao confrontar três sistemas de pensamento que se constituem em verdadeiros perigos contemporâneos para o cristianismo, isto é, o pós-liberalismo, o pós-modernismo e o pluralismo religioso.

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