sábado, 19 de fevereiro de 2011

O PROPÓSITO DA ORAÇÃO

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)

O propósito para o qual alguém apresenta seus santos desejos é o cumprimento desses desejos, implorando que eles sejam concedidos. O suplicante faz um pedido. Quando alguém faz uma súplica a outro, ele sustentará tal súplica com argumentos; como também é o caso aqui. O suplicante não diz meramente: “Senhor, salve-me, e crie um novo coração dentro de mim; dize à minha alma ‘Eu sou tua salvação’; ensine-me e guie-me”, mas o suplicante ampliará seu pedido por meio de argumentação. Isto deve ser observado em Cristo, Davi, e outros santos, pois isso torna o suplicante:

(1) Mais humilde, pois como ele persevera, contemplará a Deus e a si mesmo mais claramente. Ele pensará: “Como me atrevo a falar tão ousadamente – Eu, que sou tão pecaminoso, tão abominável, e tão indigno!” Ele esmorece, por assim dizer, e reconhece que nada é mais incompreensível do que a graça de ele poder falar com Deus e de Deus ouvi-lo.

(2) Mais ativo e sua oração mais fervorosa, pois ele percebe a necessidade e o quão desejosos são todos os assuntos, todos os melhores. Seus desejos são despertados, e seu coração é alargado e começa a fluir como um rio.

(3) Mais santo em sua oração, pois seu objetivo será o mais genuíno, ele está mais consciente deste objetivo genuíno. Quanto mais genuíno o seu objetivo se torna em desejar um assunto, mais liberdade ele terá em desejá-lo.

(4) Mais apto a perseverar em oração, visto que ele, então, vê a questão por todos os ângulos. O desejo, então, gerará outro desejo e estes desejos, por sua vez, originarão outros. Tal perseverança faz com que ele habite mais na presença de Deus; a alma entra e permanece em uma disposição mais santa, e sempre recebe uma bênção.

A apresentação de tais argumentos não deve ocorrer de maneira artificial, mas a questão surge espontaneamente do coração que ora e também o Senhor faz com que o assunto chegue ao nosso conhecimento. Teremos, então, procurado ardentemente a glorificação de Deus, cuja glória, bondade, e poder se manifestam em ele ouvir a oração e conceder o que foi suplicado. Nesse tempo, devemos usar argumentos de tal forma que, se o Senhor nos conceder o nosso desejo, nossas habilidades serão tais que a congregação será edificada e serão para o benefício de outros. Então, novamente nos concentraremos nas promessas de Deus, sendo exercitados com elas até crermos na imutável verdade de Deus de uma maneira mais vívida e podermos ter mais certeza de que este assunto também será a nossa porção – Deus tem prometido ouvir a oração. Em outra ocasião o piedoso apresentará a si mesmo ao Senhor como sendo Seu filho, sabendo que Deus, que se agrada quando seus filhos têm fome e sede dEle, consequentemente, lhes dará algo e irá alegrá-los – da mesma forma que um pai segundo a carne é compassivo para com seus filhos famintos e desejosos, e se alegra em lhes atender os seus desejos e torná-los felizes. Então, novamente, eles apresentarão com urgência os méritos do Senhor Jesus. Eles lembrarão ao Senhor de sua misericórdia previamente manifestada a eles – como Jacó fez em Gênesis 32.9-12, e a igreja, no Salmo 85.1-5. Enquanto estiverem assim ocupados, a fé será despertada, o amor se tornará ativo, eles se engajarão em atitudes mais íntimas, e, com silente resignação, submeter-se-ão à vontade de Deus.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 455-456.
TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

2 comentários:

Salma kellya disse...

muito bom o texto, devemos sempre ter uma postura humilde ao orar, e desejos santos tb.
=]

Alan Rennê disse...

Salma,

Nunca devemos esquecer quem é o Ser a quem oramos. Isso nos manterá humildes. Infelizmente, a tendência é perder de vista, cada vez mais, a noção de que o Senhor é o Criador soberano.

Abração.

P.S. Fazia tempo que vc não aparecia por aqui. Se sumir desse jeito... disciplina na certa... hehehehe

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