segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AS CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ORAÇÃO - PARTE 1

Wilhelmus à Brakel

As características da oração são as seguintes: ela é feita com humildade, em espírito e em verdade, com sinceridade, fervor, incessantemente, e pela fé.

Em primeiro lugar, há a humildade. Esta é a sensível e humilde disposição do suplicante, decorrente de uma visão da majestade de Deus e da sua própria pecaminosidade, indignidade e impotência para suplicar por sua deficiência ou tê-la suprida por Deus. Em tudo deve o homem ser humilde diante de Deus: “... o que o SENHOR pede de ti... e Andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6.8). Particularmente, este deve ser o caso daquele que se engaja na oração, para:

(1) A criatura, então, se aproxima do seu Criador, humildemente daquele que é majestoso e exaltado, o pecador do Único Santo, o desprezado do Único Glorioso, e o merecedor da condenação do Juiz do céu e da terra, que tem o poder sobre a vida e a morte. Quando Moisés se aproximou da sarça ardente, a voz de Deus ressoou: “Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é terra santa” (Êxodo 3.5). Aqui, alguém pode pensar em verdade: “Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso?” (Miquéias 6.6). Abraão disse: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gênesis 18.27). “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador” (Lucas 18.13).

(2) Humildade na oração é muito agradável a Deus: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17); “... por ti o órfão alcançará misericórdia” (Oséias 14.3).

(3) Deus ouve e responde suplicantes humildes: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57.15).

(4) Um piedoso suplicante encontra um deleite especial – sim, ele a reconhece como uma grande graça e como uma resposta à sua oração – se, com tal disposição humilde e reverente, ele pode ter uma visão da majestade e glória do Senhor, mesmo se ele não recebeu mais nada à sua oração. Entretanto, ele recebe a segurança imediata de que Deus o ouviu e proporcionará, segundo a Sua vontade, pois Ele “aos humildes concede a sua graça” (1 Pedro 5.5).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 456-457.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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