segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

AS CARACTERÍSTICAS DA VERDADEIRA ORAÇÃO - PARTE 1

Wilhelmus à Brakel

As características da oração são as seguintes: ela é feita com humildade, em espírito e em verdade, com sinceridade, fervor, incessantemente, e pela fé.

Em primeiro lugar, há a humildade. Esta é a sensível e humilde disposição do suplicante, decorrente de uma visão da majestade de Deus e da sua própria pecaminosidade, indignidade e impotência para suplicar por sua deficiência ou tê-la suprida por Deus. Em tudo deve o homem ser humilde diante de Deus: “... o que o SENHOR pede de ti... e Andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6.8). Particularmente, este deve ser o caso daquele que se engaja na oração, para:

(1) A criatura, então, se aproxima do seu Criador, humildemente daquele que é majestoso e exaltado, o pecador do Único Santo, o desprezado do Único Glorioso, e o merecedor da condenação do Juiz do céu e da terra, que tem o poder sobre a vida e a morte. Quando Moisés se aproximou da sarça ardente, a voz de Deus ressoou: “Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é terra santa” (Êxodo 3.5). Aqui, alguém pode pensar em verdade: “Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso?” (Miquéias 6.6). Abraão disse: “Eis que me atrevo a falar ao Senhor, eu que sou pó e cinza” (Gênesis 18.27). “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador” (Lucas 18.13).

(2) Humildade na oração é muito agradável a Deus: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Salmo 51.17); “... por ti o órfão alcançará misericórdia” (Oséias 14.3).

(3) Deus ouve e responde suplicantes humildes: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57.15).

(4) Um piedoso suplicante encontra um deleite especial – sim, ele a reconhece como uma grande graça e como uma resposta à sua oração – se, com tal disposição humilde e reverente, ele pode ter uma visão da majestade e glória do Senhor, mesmo se ele não recebeu mais nada à sua oração. Entretanto, ele recebe a segurança imediata de que Deus o ouviu e proporcionará, segundo a Sua vontade, pois Ele “aos humildes concede a sua graça” (1 Pedro 5.5).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 456-457.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

UMA PALAVRA AOS PASTORES DESANIMADOS

James A. Thomson

Os ministros que têm uma atitude desanimada para com seu trabalho deveriam ler novamente estas palavras: “acaso é para vós outros cousa de somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do Senhor e estardes perante a congregação para ministrar-lhes?” (Nm 16.9). O que tinha feito o Senhor a estes homens?

Primeiro, o Senhor “separou” os ministros da congregação do povo do Senhor. O Senhor os colocou a parte, quando os escolheu dentre os seus irmãos.

Segundo, “para vos fazer chegar a Si”. Todo o povo do pacto de Deus habitava na sua presença e usufruía da sua comunhão. Mas de um modo especial, o Senhor trouxe estes ministros para perto de Si. Eles foram privilegiados em pôr de lado seus trabalhos normais e devotar-se a buscar a sua face, a conhecer a sua palavra. “Nos consagraremos à oração e ao ministério da Palavra” (At 6.4).

Estas coisas o Senhor fez aos ministros. Qual então, deveria ser sua função? Era basicamente dupla. Primeiro, eles deviam “cumprir o serviço do tabernáculo do Senhor”. Sob a disposição da Velha Aliança, isto significava as várias cerimônias, oferendas e deveres ligados ao tabernáculo.

Depois, em segundo lugar, “deviam estar perante a congregação para ministrar-lhe”. O ministro recebia a Palavra do Senhor e então a entregava fielmente ao povo. O ministro ficava como mensageiro de Deus e pregava a palavra viva de Deus. Ele diligentemente aplicava aquela Palavra para eles em seus casos e vidas específicos.

O problema era que os “ministros” a quem se refere Números 16 tinham tudo isto como “uma pequena coisa”. Eles eram escolhidos pelo Senhor, separados para o seu serviço, incumbidos da administração do tabernáculo, encarregados da pregação da Palavra de Deus – tudo isso, e eles consideravam “coisa de somenos!” O episódio sugere lições importantes para nós hoje.

Uma visão pobre do ministério não é precisamente culpa da igreja ou da sociedade. Sugerimos que os ministros do evangelho devem recordar seu honroso chamado com mais freqüência. Como Paulo, eles fariam bem em “Glorificar seu ministério” (Rm 11.13). Possa o Senhor da igreja que é o Senhor de tudo, renovar seus servos em seu alto e nobre chamado! Possa ele encher seus corações com fogo e suas colunas dorsais com aço! Possam os ministros não verem a si mesmos, “ajudantes de carreira” na sociedade, nem como “gerente de pessoal” na igreja, mas possam eles verem-se a si mesmos como escolhidos, ungidos e honrados pelo Senhor.

O ministério é uma honra advinda do Senhor Jesus Cristo. Uma visão bíblica do ministério da Nova Aliança deve começar com Efésios 4.11: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”... “Para o trabalho do ministério”. O pastor–mestre é um dom do Senhor que ascendeu, para a Sua igreja. Como I Tm 1.12 coloca: "Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério". Que honra advinda de Cristo Jesus, ser colocado no ministério e depois ser habilitado para realizar a obra da sua graça! John Brown podia dizer que o ministro é ”por Cristo designado, dirigido, sustentado e recompensado“. Que honra inexprimível ser tão completamente dependente do Senhor da Glória!

Um dos ministros da Nova Inglaterra olhou para trás com humildade quando se comparou a Davi no Salmo 78.70: “Também escolheu a Davi, seu servo, e o tomou dos redis das ovelhas”. “O idoso pregador não viu qualquer razão por que o Senhor o teria tirado do seu ”aprisco“ e o honrou com um ministério frutífero para muitas almas. Se qualquer ministro mantiver este avançado conceito, que o Senhor o elevou ao ministério por sua graça, isto fará muito para mantê-lo afastado de uma visão pobre do pregar.

Jonathan Edwards pregou um memorável sermão, “A Verdadeira Excelência de um Ministério do Evangelho”. Ali ele mostrou como Jesus havia honrado João Batista, (Jo 5.35): “Ele era a lâmpada que ardia e alumiava”. E assim, solicitou Edwards, todo ministro deve lutar para brilhar, pois Cristo “aprecia grandemente” seus ministros. Edwards também chamou a atenção para os filhos de Eli que não cumpriram seu ofício. “Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; Por que pisais aos pés os meus sacrifícios?” (I Sam2. 28,29 a). Vemos nestes filhos de Eli o mesmo coração existente em Coré, o coração que vê levianamente a grande honra do serviço para o Senhor.

O ministro de Cristo deveria olhar para o seu ofício com o mesmo apreço com que o próprio Mestre o faz. Fazer qualquer coisa menos é desonrar seu nome e ter uma visão pobre do privilégio que lhe é conferido. O ministério é um nobre chamado. Paulo não hesitou em dizer: “Eu magnífico o meu ofício”. Jeremiah Burroughs escreveu: “A obra do ministério é uma grande obra... Cristo a considera uma coisa importante... oh, que aqueles, então, que estão no ministério considerem isto uma obra poderosa e importante, como uma tarefa solene”. Se Moisés diz que é uma grande coisa, e Paulo supremamente, Cristo, então quem somos nós para ter visão pobre do ministério cristão? Dr. Martin Lloyd–Jones deixou um exemplo encorajador para os ministros. Ele deixou uma carreira médica promissora e ainda testificou ao longo de sua vida que não viu isto com sacrifício. Ao contrário, sentiu-se profundamente privilegiado em ter sido chamado para ser ministro do evangelho. Através dos anos, muitos pregadores desanimados chegaram à sacristia da capela de Westminster e saíram com uma visão elevada do ministério e não menos do seu próprio ministério.

Em sua exposição de Efésios, Dr. Lloyd–Jones afirma: “Este é o significado e o propósito do ministério. Esta é a minha função como um pregador e mestre, fui chamado para fazer isto. Passei meu tempo lendo este livro e tentando expô-lo. Esta é a razão porque vocês devem vir e ouvir”. Oh, que todos os ministros possam manter esta atitude com relação ao ministério e não hesitar em dizer assim ao seu povo! Faria um grande bem para nós relembrar o que Latimer disse uma vez para um homem que cinicamente afirmou que pregar “de nada adianta”. Latimer replicou: “Esta é uma resposta perversa, mui perversa”.

O ministro deve clamar ao Senhor para revigorá-lo com um devotamento paciente para a grande obra. Se existe uma porção da Escritura inerrante para a qual ele deve voltar-se, é I Co 4: “Assim, pois importa que os homens nos considerem como ministros e despenseiros dos mistérios de Deus... nos tornamos espetáculo... somos loucos por causa de Cristo... desprezíveis... sendo injuriados... caluniados... escoria de todos” (I Cor 4.1-13). Aqui está um ministro que sabe, ele próprio, ter sido designado por Cristo e comissionado com os mistérios do evangelho. Que grandiosa coisa! E, contudo, que coisa pequena é aos olhos do mundo – algumas vezes também aos olhos da igreja. Que pode fazer e dizer o ministro? “O que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”.

No final, o que importa é a fidelidade ao Senhor. “Quem é, pois o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Mat 24.45,46).

O ministro, porém, pode perguntar: “Senhor, se tu tens me enviado e eu estou falando fielmente, por que esta grande obra parece não ser bem sucedida?”. Aqui o ministro deve permanecer com Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus... cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho” (I Cor 3.6,8). O Senhor da seara o enviou para plantar, mas não para ver uma vasta colheita? Então, seja devotado à honra de plantar e regar para o Senhor. Spurgeon uma vez colocou assim: “Sua esfera pode ser muito limitada. Isto não importa; mas importa que você seja fiel ao Senhor”. Ministro seja devotado a sua grande obra, pois não há “coisa pequena” a ser encontrada, fazendo o que o Senhor o enviou a fazer.

Como em nossos dias veremos um retorno a uma visão elevada do ministério? Deveria começar com o próprio ministro. Ele deve ter a ousadia dada por Deus para permanecer diante do povo de Deus, sabendo em sua própria consciência que ele é um ministro de Cristo. “Ele me enviou para falar e mostrar para vocês grandes coisas da sua Palavra. Por isto é que vocês devem ouvir”.

Hoje não vemos o parlamento sentado aos pés de um Owen. O povo de Boston não se extasia mais com as palavras de um Jonh Cotton. Mas, os ministros ainda são honrados quando verdadeiramente servem a Cristo. Possam os servos do Senhor magnificar seus ofícios por suas vidas santas, por sua pregação poderosa e por seu devotamento à maior obra de todas! Possam as igrejas apreciá-los altamente, em amor, por causa do trabalho que realizam (I Ts 5.13)!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

RAÍZES DA TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA - RESENHA



COSTA, Hermisten Maia Pereira da. Raízes da Teologia Contemporânea. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, 432p.

I – COMPREENSÃO DA OBRA
O Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa, pastor presbiteriano e professor da Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é um prolífico escritor com inúmeras obras e artigos publicados no Brasil. Dentre os livros publicados por ele podem ser destacados os seguintes de várias editoras: Eu Creio (Parakletos), A Inspiração e Inerrância das Escrituras (Cultura Cristã), Calvino de A a Z (Vida), Fundamentos da Teologia Reformada (Mundo Cristão), O Pai Nosso (Cultura Cristã), A Literatura Apocalíptico-Judaica (Casa Editora Presbiteriana).

A obra em consideração no presente trabalho é Raízes da Teologia Contemporânea, que possui como proposta demonstrar “as relações e correlações entre alguns dos diversos pensamentos que contribuíram para a formação da Teologia do Século 20”, conforme palavras do autor no prefácio. Trata-se de uma obra com um assunto muito vasto, abrangente e por demais complexo.

Na Introdução, Pereira da Costa define a Teologia Contemporânea como sendo “o estudo analítico-crítico das manifestações teológicas surgidas após a Reforma e, em geral, contrárias ao sistema dela” (COSTA, 2004, p. 15). Além disso, ele demonstra a importância do estudo dessa disciplina, bem como apresenta a metodologia empregada na composição da obra, enfocando a relação epistemológica existente entre o estudioso, o historiador, e o fato investigado, o que resulta num grau imprescindível de subjetividade.

Estruturalmente, Raízes da Teologia Contemporânea possui sete capítulos e cinco adendos. Dado o escopo exíguo e diminuto do presente trabalho, as considerações aqui apresentadas limitar-se-ão apenas aos capítulos principais da obra. A ênfase recai na forma como cada sistema de pensamento está relacionado ao outro contribuindo decisivamente para a construção do pensamento teológico contemporâneo. Na primeira parte do livro, que vai do capítulo 1 ao 6, Pereira da Costa descreve a construção do pensamento moderno, abordando assuntos como o Renascimento, a Reforma Protestante, a Ortodoxia Protestante, o Pietismo e o Iluminismo. Na segunda e última parte, o autor se concentra na forte e intrincada relação existente entre o Iluminisno e o Liberalismo Teológico do século XIX.

No primeiro capítulo, sobre o Renascimento, Pereira da Costa procura apresentar uma definição do Humanismo-Renascentista estabelecendo um contraste com a era medieval e uma linha de continuidade com o pensamento moderno e contemporâneo. Sobre a Idade Média, ela teve como principal característica no plano religioso o teocentrismo, que considerava Deus como o centro de todas as coisas, inclusive das especulações filosóficas. Nesse ínterim, a metafísica era considerada como a “rainha das ciências”. No plano social, a Idade Média era caracterizada pela imobilidade social e lentidão nas transformações culturais, econômicas e políticas. Paulatinamente, um sentimento de insatisfação começou a surgir na sociedade medieval, culminando com movimentos revolucionários, como a célebre “Revolta Campesina” de 1381 na Inglaterra. Mesmo com todos os inúmeros problemas e polêmicas que a marcaram, a Idade Média possuía um elemento agregador entre as pessoas: a Igreja Medieval. A expressão máxima da influência da Igreja na vida das pessoas foi, sem dúvidas, o confessionário, que além de fonte de renda, serviu como forma de controle, dominação e fortalecimento papal. Isso é expresso de forma interessante nas palavras do próprio Costa: “Nessa relação: Igreja e pecador penitente, o confessor era o instrumento de ligação entre eles, representando em muitos aspectos o próprio Senhor Jesus Cristo, com poderes para perdoar pecados” (op. cit., p. 39). Com o passar do tempo, a insatisfação se alastrou, contribuindo para o estabelecimento do Renascimento, que rompeu com os valores medievais, apesar de ter surgido em decorrência deles. O espírito ou consciência do Renascimento foi o Humanismo, que afirmava a total autonomia do indivíduo, de maneira que a tutela da máquina medieval chegara ao fim. As características da filosofia renascentista foram as seguintes: 1) Restauração da cultura clássica, que enfatizava o retorno às fontes literárias e filológicas da antiguidade, especialmente do período do grego clássico; 2) Criação do novo, com o surgimento de gênios pensadores em todas as áreas do saber; 3) Síntese do Cristianismo com a cultura clássica; e 4) A valorização do homem, encarnando a máxima de Protágoras – Homo Mensura – e trocando o teocentrismo característico da Idade Média pelo antropocentrismo. O Humanismo Renascentista foi um movimento importante, entretanto, pregou a elevação do Homem em detrimento de Deus.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

O PROPÓSITO DA ORAÇÃO

Por Wilhelmus à Brakel (1635-1711)

O propósito para o qual alguém apresenta seus santos desejos é o cumprimento desses desejos, implorando que eles sejam concedidos. O suplicante faz um pedido. Quando alguém faz uma súplica a outro, ele sustentará tal súplica com argumentos; como também é o caso aqui. O suplicante não diz meramente: “Senhor, salve-me, e crie um novo coração dentro de mim; dize à minha alma ‘Eu sou tua salvação’; ensine-me e guie-me”, mas o suplicante ampliará seu pedido por meio de argumentação. Isto deve ser observado em Cristo, Davi, e outros santos, pois isso torna o suplicante:

(1) Mais humilde, pois como ele persevera, contemplará a Deus e a si mesmo mais claramente. Ele pensará: “Como me atrevo a falar tão ousadamente – Eu, que sou tão pecaminoso, tão abominável, e tão indigno!” Ele esmorece, por assim dizer, e reconhece que nada é mais incompreensível do que a graça de ele poder falar com Deus e de Deus ouvi-lo.

(2) Mais ativo e sua oração mais fervorosa, pois ele percebe a necessidade e o quão desejosos são todos os assuntos, todos os melhores. Seus desejos são despertados, e seu coração é alargado e começa a fluir como um rio.

(3) Mais santo em sua oração, pois seu objetivo será o mais genuíno, ele está mais consciente deste objetivo genuíno. Quanto mais genuíno o seu objetivo se torna em desejar um assunto, mais liberdade ele terá em desejá-lo.

(4) Mais apto a perseverar em oração, visto que ele, então, vê a questão por todos os ângulos. O desejo, então, gerará outro desejo e estes desejos, por sua vez, originarão outros. Tal perseverança faz com que ele habite mais na presença de Deus; a alma entra e permanece em uma disposição mais santa, e sempre recebe uma bênção.

A apresentação de tais argumentos não deve ocorrer de maneira artificial, mas a questão surge espontaneamente do coração que ora e também o Senhor faz com que o assunto chegue ao nosso conhecimento. Teremos, então, procurado ardentemente a glorificação de Deus, cuja glória, bondade, e poder se manifestam em ele ouvir a oração e conceder o que foi suplicado. Nesse tempo, devemos usar argumentos de tal forma que, se o Senhor nos conceder o nosso desejo, nossas habilidades serão tais que a congregação será edificada e serão para o benefício de outros. Então, novamente nos concentraremos nas promessas de Deus, sendo exercitados com elas até crermos na imutável verdade de Deus de uma maneira mais vívida e podermos ter mais certeza de que este assunto também será a nossa porção – Deus tem prometido ouvir a oração. Em outra ocasião o piedoso apresentará a si mesmo ao Senhor como sendo Seu filho, sabendo que Deus, que se agrada quando seus filhos têm fome e sede dEle, consequentemente, lhes dará algo e irá alegrá-los – da mesma forma que um pai segundo a carne é compassivo para com seus filhos famintos e desejosos, e se alegra em lhes atender os seus desejos e torná-los felizes. Então, novamente, eles apresentarão com urgência os méritos do Senhor Jesus. Eles lembrarão ao Senhor de sua misericórdia previamente manifestada a eles – como Jacó fez em Gênesis 32.9-12, e a igreja, no Salmo 85.1-5. Enquanto estiverem assim ocupados, a fé será despertada, o amor se tornará ativo, eles se engajarão em atitudes mais íntimas, e, com silente resignação, submeter-se-ão à vontade de Deus.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 455-456.
TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CONSIDERANDO A MODÉSTIA NO DIA DO SEU CASAMENTO

C. J. Mahaney

ANTES QUE VOCÊ INICIE sua busca entusiasmada pelo vestido perfeito de noiva ou de madrinha, queremos encorajá-la a considerar uma pergunta que provavelmente você não ouvirá de um vendedor: "A escolha deste vestido trará glória a Deus?"

Sabemos que seu desejo é fazer de Deus o foco do dia do seu casamento. A Palavra de Deus diz, em 1 Timóteo 2.9-10, "As mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade... (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras".
Nós, pastores, desejamos ajudá-la a descobrir como aplicar a Palavra de Deus até mesmo no dia do seu casamento.

Em primeiro lugar, por favor, considere o propósito do dia do seu casamento
Albert Mohler nos lembra: "O objetivo do culto de um casamento é demonstrar a glória por meio da união de um homem e uma mulher em pureza, monogamia e fidelidade diante Dele; ser obediente aos seus mandamentos e receber todos os presentes e dons inclusos na aliança matrimonial". [1]

Em segundo lugar, por favor, considere as seguintes perguntas ao escolher vestido para o casamento
1) Este vestido reflete o fato de que a cerimônia do meu casamento é um momento santo de adoração? (Nossa cultura considera cerimônias de casamento algo como um desfile de moda. Você tem a oportunidade de chamar a atenção para alguém bem mais importante do que você: nosso Salvador, Jesus Cristo).

2) Posso me imaginar usando este vestido por um extenso período de tempo apenas a alguns passos de distância do meu pastor enquanto ele abre a Bíblia e me guia durante meu voto matrimonial? [2]

3) Eu usaria um vestido (ou outra roupa) tão revelador quanto este em um culto normal ou em qualquer outra ocasião?

Finalmente, aqui estão algumas sugestões práticas de como escolher um vestido de noiva ou madrinha:
1) Encontre um vestido com um decote discreto.

2) Procure vestidos que não deixem suas costas à mostra.

3) Lembre-se de que vestidos do tipo tomara-que-caia ou com alças muito finas são reveladores demais e provavelmente não servem aos homens que participarão do seu casamento.

Caso você tenha dificuldade em encontrar um vestido modesto nas lojas de roupas para festa, considere a possibilidade de encomendá-lo a uma costureira. Ela ou ele poderá criar um vestido para você com base em um modelo de revista ou nas suas ideias.

Esperamos que essas recomendações a ajudem a planejar uma cerimônia que glorifique a Deus!

FONTE: C. J. Mahaney (Ed.). Mundanismo: Como resisitir à sedução de um mundo caído. Niterói: Tempo de Colheita, 2010. pp. 139-140.

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NOTAS:
[1] Albert Mohler. The Albert Mohler Radio Program. 16 de maio de 2006. Disponível em http://www.albertmohler.com/radio_show.php?cdate=2006-05-16 (Acessado em 2 de abril de 2008).

[2] As perguntas 1 e 2 foram adaptadas de comentários feitos por Todd Murray na The Bible Church of Little Rock, citados com autorização por Carolyn Mahaney em "Modesty on Your Wedding Day", http://girltalk.blogs.com/girltalk/2006/04/a_pastors_plea.html (Acessado em 10 de abril de 2008).

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

PAIXÃO PELA VERDADE - ALISTER MCGRATH (RESENHA)


MCGRATH, Alister. Paixão pela Verdade: a coerência intelectual do evangelicalismo. São Paulo: Shedd Publicações, 2007, 239p.

I – COMPREENSÃO DA OBRA
Dentre a nova safra de teólogos/escritores, Alister E. McGrath, professor de Teologia Histórica na Oxford University e pesquisador sênior do Harris Manchester College, tem conseguido destaque, principalmente entre os leitores brasileiros. Interessantemente, suas obras têm sido publicadas em língua portuguesa, especificamente no Brasil, por editoras das mais variadas orientações teológicas, demonstrando assim seu poder de abordar assuntos diversos e de interesse comum aos vários segmentos do evangelicalismo. Podem ser aqui elencadas algumas das suas obras traduzidas para o português, como por exemplo: Apologética Cristã no Século XXI (Vida), O Delírio de Dawkins (Mundo Cristão), O Deus de Dawkins (Shedd Publicações), A Vida de João Calvino (Cultura Cristã), Origens Intelectuais da Reforma Protestante (Cultura Cristã), Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião (Loyola), Teologia Histórica (Cultura Cristã), Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica (Shedd Publicações) e Uma Introdução à Espiritualidade Cristã (Vida).

A obra Paixão pela Verdade aborda a coerência intelectual do Cristianismo, defendendo sua capacidade argumentativa frente a desafios filosóficos e teológicos, que em muitas ocasiões acusam o evangelicalismo de fraqueza intelectual. A intenção do autor é demonstrar com eficácia que o evangelicalismo “é a maior e mais ativamente compromissada forma de cristianismo do mundo ocidental” (MCGRATH, 2007, p. 9). Para isso, seus primeiros esforços são no sentido de destruir a idéia de que o termo “evangelicalismo” evoca idéias reacionárias à intelectualidade. De início, é importante ressaltar que esta obra é construída sobre as bases de outro livro escrito por Mcgrath, Evangelicalism and the Future of Christianity, que não está traduzido para a língua portuguesa, o que dificulta uma melhor compreensão de Paixão pela Verdade. Não obstante, a tese central de McGrath pode ser percebida com muita facilidade: a demonstração de que o evangelicalismo não tem necessidade de permanecer na defensiva. Pelo contrário, para ele, o evangelicalismo é detentor de enorme vigor intelectual e credibilidade suficiente para lhe garantir coerência argumentativa e respeitabilidade no universo acadêmico ocidental.

Na Introdução, McGrath, primeiramente, expõe quatro razões que, segundo ele, explicam a reticência do evangelicalismo em se engajar no mundo intelectual e no diálogo com diferentes cosmovisões: 1) o legado fundamentalista, que impôs uma separação entre as faculdades/universidades americanas e seus ancoradouros cristãos originais; 2) a dominância do pragmatismo no evangelicalismo, que se expressa através da ênfase no crescimento da igreja, pregações que visam o bem-estar dos ouvintes e estilos de ministério moldados pela psicologia humanista; 3) o secularismo predominante na academia teológica, que acaba redundando no afastamento da realidade vivenciada pelas igrejas; e 4) o elitismo intelectual da teologia acadêmica, o que causa uma forte tensão com a cultura e a teologia populista do evangelicalismo.
Estruturalmente, o livro está dividido em cinco densos capítulos, dos quais os dois primeiros apresentam os axiomas do evangelicalismo e os seus aspectos positivos. A ênfase recai sobre a singularidade de Jesus Cristo e a autoridade das Sagradas Escrituras como temas centrais. Nos capítulos finais, o autor evidencia a coerência intelectual do evangelicalismo ao confrontar três sistemas de pensamento que se constituem em verdadeiros perigos contemporâneos para o cristianismo, isto é, o pós-liberalismo, o pós-modernismo e o pluralismo religioso.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

DISCURSO DO REV. BOANERGES RIBEIRO EM SUA POSSE COMO PRESIDENTE REELEITO DO SUPREMO CONCÍLIO (1970)

DISCURSO DE POSSE DO PRESIDENTE DO SUPREMO CONCÍLIO, EM NOME DA MESA ELEITA

Rev. Boanerges Ribeiro

Permiti que vos diga uma palavra de fé.

Somos presbíteros desta Igreja. Presbíteros docentes; presbíteros regentes. Somos presbíteros pela vocação divina, na chamada do Espírito Santo, reconhecida pela Igreja do Senhor e estabelecida no ato solene da ordenação, em nome da Santíssima Trindade.

Ao sermos ordenados perguntaram-nos aqueles que constituíam o Presbitério que nos ordenava, fosse Conselho local ou Presbitério regional, se aceitávamos as Sagradas Escrituras como a Palavra de Deus e única regra infalível de fé e prática, ao que respondemos que sim. Aliás, não poderíamos responder que não. Perguntaram-nos, também, se aceitávamos os Símbolos de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil como uma exposição sistemática fiel do ensino das Sagradas Escrituras. Em perfeita e sã consciência respondemos que sim e se assim não tivéssemos respondido não teríamos sido ordenado presbíteros. Em seguida perguntaram-nos se aceitávamos e se poríamos em prática a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, havendo também recebido de nós resposta afirmativa. Em meu caso pessoal isso já foi há algum tempo. Eu tinha pouco mais que 22 anos de idade. No caso dos meus companheiros, em circunstâncias variáveis e em lugares diversos.

Esses Presbitérios jogavam em nossa honradês, na seriedade de nossa palavra. Quando aceitavam nossos votos, faziam-no em uma honrada confiança, porque eram integrados por homens honrados também, e não conviria a homens honrados negarem confiança a outros que de boa fé compareciam perante eles para proferirem os votos sagrados da ordenação.

A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil não é a Palavra de Deus, infalível. Ela é trabalho humano que pode ser alterado, desde que o seja pelos meios estabelecidos na própria Constituição.

A Confissão de Fé e os Catecismos não são Palavra de Deus. Eles podem ser reformulados pelos meios estabelecidos na Constituição da Igreja. Contudo, aqueles Presbitérios aceitaram nossos votos de que nós os subscrevíamos e os praticaríamos, entendendo, evidentemente, que só admitiríamos a sua alteração pelos processos constitucionais vigentes. Aqui assumimos a Presidência do Supremo Concílio; meus companheiros assumem a Vice-Presidência e as Secretarias, na força e na segurança daqueles votos de ordenação.

Os senhores têm diante dos senhores os mesmos homens honrados que foram ordenados presbíteros há dez, vinte e trinta anos atrás e declararam aceitar a Palavra de Deus como única regra de fé e prática, e não entendem uma Igreja Presbiteriana do Brasil que apostate dos ensinos das Escrituras Sagradas.

Os senhores têm diante dos senhores um grupo de homens que aceita os Símbolos de Fé da Igreja Presbiteriana, acata a Constituição, pratica-a e a praticará. Nós jamais fomos infensos à compreensão e ao entendimento com nossos irmãos, ainda aqueles que de nós divergissem em qualquer ponto. Não fomos atingidos, em ocasião alguma, por ofensa pessoal alguma. De maneira alguma, em nenhuma ocasião dominou-nos ressentimento pessoal, seja da parte do Presidente ou de qualquer de seus companheiros de Mesa.

Contudo, meus irmãos, (não creio que fosse necessário dizê-lo, mas perdoai se o repito), a Mesa que elegestes, vós a elegestes porque a conheceis e conheceis os seus compromissos e a segurança com que está disposta a cumpri-los. Ela os cumprirá com toda certeza.

Não há, na Igreja Presbiteriana do Brasil, lugar para insubordinação que desborde daqueles planos de lei que nós aceitamos com liberdade. Ninguém nos obriga a ser Presbiterianos. Mas, se queremos sê-lo, sejamo-lo honradamente. Ninguém nos obriga a aceitar a Constituição da Igreja. Mas, se prometemos aceitá-la e acatá-la, sejamos honrados e cumpramos esses votos da ordenação. Ninguém nos obriga a aceitar esses Símbolos de Fé. Mas, se os aceitamos; se, ao ser ordenados declaramos aceitá-los, sejamos honestos.

Sejamos, além de homens de Deus, simplesmente homens e cumpramos esses votos de ordenação.

Esta Igreja é uma Igreja aberta, na qual entram todas as pessoas que estão dispostas a assumir os compromissos da iniciação. Na qual, uma vez eleitos, são ordenados todos os oficiais que proferem os votos de ordenação.

Contudo, é uma Igreja aberta a pessoas que saibam cumprir os seus votos. Esta Igreja não é horda. Esta Igreja não é caterva. Ela é povo: Povo de Deus, organizado. Ela tem lei. Não é Legalista, mas tem lei. Não lei imposta por alguém, mas, lei que nós livremente aceitamos em sã consciência, sem que ninguém a isso nos obrigasse.

Essa lei é uma das expressões da graça de Deus. Não nos é imposta por poder arbitrário e estranho, mas nós mesmos, para que possamos ser povo, para que possamos viver juntos e juntos servir a Deus e somar nossas forças, nós mesmos é que a aceitamos e a praticamos com liberdade.

Esta Mesa não tem poderes, exceto os poderes da Constituição. Não tem autoridade, exceto aquela que vem da persuasão, que se dirige a homens livres como nós, e que apresenta argumentos razoáveis, que possam ser aceitos.

Esses elementos, contudo, sempre são usados. Porque, meus irmãos, durante o presente quadriênio esta Igreja continuará a ser Igreja e não se transformará em horda solta, desbordando pelos quatro cantos ao furor das paixões desaçaimadas.

Ela tem governo. Esse governo é a presença do Senhor entre nós. Ele se expressa na Palavra do Senhor que todos abrimos e acatamos. Ele se expressa em nossos Símbolos de Fé e nossa Constituição, nas deliberações de nosso Concílio Superior e dos Concílios Inferiores.

Nossa Igreja se encontra na voragem de um mundo em que organizações muito mais antigas, estáveis, se desfazem ou ameaçam desfazer-se com grande rapidez, ou começam a desfazer-se com grande rapidez.

Não possuímos meios de coação. A Igreja, graças a Deus, não tem poder de polícia. A única coisa que mantém a coesão da Igreja de Deus é a presença do Santo Espírito, e a honestidade daqueles que integram seu Ministério e seu Presbiterato.

Nesta reunião do Supremo Concílio, como neste quadriênio, serviremos a Igreja com alegria, com segurança; com a dedicação que o Senhor colocar em nós, nós a serviremos cada dia, todos nós da Mesa.

Mas não desejamos que haja ilusão em alguém, imaginando que o fato de estarmos sempre abertos à compreensão, à exposição do que ocorre, significa que haverá concessões doutrinárias e que haverá concessões à insubordinação e à desordem.

Não houve e não haverá.

Muito obrigado, meus irmãos, pelo seu voto, pela sua presença e pelo trabalho que, juntos, aqui faremos.

FONTE: Jornal Brasil Presbiteriano, Ano XIII, nº 08, agosto de 1970, p. 3.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

ORAÇÃO SOB CONSCIÊNCIA DE UM PECADO COMETIDO

Wilhelmus à Brakel

Aqueles que, presentemente, sabem que foram trasladados da morte para a vida espiritual, ou que percebem as evidências dentro de si mesmos por meio das quais podem concluir isso (mesmo que a segurança disso não seja tão forte), ocasionalmente entram em uma condição mais pecaminosa do que a tendência comum da vida. Também podem ser levados cativos pelo pecado a tal ponto que, no momento, não podem tomar uma resolução completa, alegre e corajosa de se levantarem desse pecado e de se esforçarem seriamente contra ele. Ou pode ser que quando a tendência de sua vida é boa, ocasionalmente caiam em um pecado específico. Se, sob tais condições, eles imediatamente se engajassem na oração – isto é, sem primeiro examinar a si mesmos, tomando uma resolução para se arrependerem, de maneira que seus corações os convencessem de que estão corretos em sua intenção – isso seria um empreendimento irreverente e desagradável a Deus. Tais pessoas não teriam liberdade na oração, nem orariam com santa atenção, pois seus corações as condenariam enquanto estivessem engajadas na oração. Aqueles que estão em tal condição devem primeiro se recuperar, de modo que possam ter uma intenção reta para batalhar contra o pecado, e de se colocarem em oração para implorarem a Deus pela reconciliação e força contra esse pecado. Então, eles estarão em liberdade, porque seus corações nãos os condenarão (1 João 3.20,21).

Ocasionalmente, se algo acontece que uma pessoa regenerada está inteiramente vazia de desejos – não em essência, mas no exercício. Quando tal pessoa se engaja na oração, ela não sabe o que orar, pois não tem vontade para nada. Ela tem perdido de vista o desejo por tais assuntos devido à escuridão espiritual, ou se encontrada desencorajada por não ter recebido o seu desejo após ter orado. Isto fechará o seu coração. O que ela deve fazer? Orar? Ela não pode. Ela deve negligenciar a oração? – tal pessoa negligencia tudo com frequência, e, devido a esta negligência, afasta-se completamente da oração. Ela não pode fazer isso, pois sua natureza regenerada não permitirá e continuamente a inclinará para orar. Tal pessoa não deve resistir a tais fracas inclinações, o que é fácil fazer; pelo contrário, ela deve ser como uma pequenina criança. Ou, como alguém que revive de um desmaio, e se move fracamente, falando baixinho, ela deve seguir suas fracas inclinações, apresentá-las perante o Senhor, perseverar em oração, e familiarizar-se com o Senhor – ou, então, ela apostatará ainda mais. Entretanto, ao fazê-lo ela experimentará que Ele “atendeu à oração do desamparado e não lhe desdenhou as preces” (Salmo 102.17).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. p. 454.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
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