sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ORAÇÃO: A EXPRESSÃO DE SANTOS DESEJOS

Por Wilhelmus à Brakel

Nós denominamos oração como sendo uma expressão de desejos – não uma expressão de assuntos. Uma pessoa não convertida que possui um conhecimento crítico de assuntos espirituais, e que, além disso, é eloquente, tem uma voz expressiva, e tem controle sobre suas emoções, pode ter uma percepção da necessidade e da beleza dos assuntos espirituais (embora de uma forma mais natural e como se relacionada com as questões naturais) e apresentá-los em oração de uma forma extremamente emocional e triste. Sim, ela pode agitar suas emoções a tal ponto que pode falar em lágrimas sobre estes assuntos. Isto é particularmente verdadeiro quando ela tem conhecimento que está sendo ouvida ou pode ser ouvida; ou, se ela conduz a oração em uma reunião onde ela pode se tornar agradável por tais expressões e lágrimas, de modo que parece ser muito espiritual, estar muito perto de Deus, e ser inflamada com santo zelo – e ainda assim, não é nada mais do que uma obra natural. Por isso, refiro-me à oração como expressão de desejos, e não de assuntos. Mas o homem é um vaso vazio que deve obter seu enchimento em outra parte – a partir de uma fonte externa a si mesmo. Para este fim o Senhor deu ao homem a capacidade para desejar e dar expressão aos seus desejos. A força dos seus desejos é proporcional à medida que ele é sensível à sua deficiência, a magnitude e caráter desejável dos assuntos que, em seu julgamento, podem satisfazê-lo, e a probabilidade de que eles sejam obtidos. Ele se esforça para expressar esses desejos de acordo com isso. No entanto, isso não significa necessariamente, tornar os desejos santos, e, portanto, não nos limitamos a nos referir à oração como uma expressão de desejos.

Em vez disso, a oração é uma expressão de santos desejos. Podemos realmente desejar assuntos temporais de uma forma espiritual, e os assuntos espirituais de uma forma carnal. Os desejos são carnais quando se relacionam com o pecado, ou se desejamos boas coisas com uma motivação pecaminosa, a fim de ganhar honra, amor, favor, vantagens e prazer. Desejamos assuntos temporais e espirituais de uma forma espiritual quando é lícito desejar estas coisas e as desejamos para melhor servirmos a Deus com alegria e zelo – isto é, quando desejamos aqueles assuntos do modo que descrevemos anteriormente, e de um modo que neles pode-se observar, reconhecer e louvar a graça, a bondade, socorro e poder de Deus, encontrando prazer em fazer isto.

Chamamos oração de uma expressão de santos desejos dirigidos a Deus. Nós, então, olhamos para além de todas as criaturas – tanto boas como más – sabendo que elas não são capazes de ajudar. E mesmo que elas fossem capazes de ajudar, nunca desejaríamos orar a elas. Não desejamos ser ajudados por ninguém a não ser por Deus, porque O amamos e não queremos dar a sua honra a outrem.

(1) É idolatria servir àqueles que por natureza não são deuses (Gálatas 4.8);

(2) Deus quer que clamemos apenas a Ele: “Invoca-me” (Salmo 50.15);

(3) Apenas a oração tem uma promessa associada a ela: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.21);

(4) Somente Deus tem as perfeições exigidas para ser adorado. Aquele que ora corretamente, buscando glorificar a Deus em oração como o Único que é digno de adoração; a Única fonte de todas as boas dádivas; o Único onisciente que conhece o coração e a mente do Espírito; o Único onipotente para quem nada é demasiado maravilhoso; o Único que é bom, misericordioso, gracioso, e o Único que se deleita na misericórdia; o Único que espera que alguém venha a Ele para que lhe seja gracioso; e o Único que é verdadeiro e prometeu ouvir e dar. É por esta razão que o suplicante se volta para o Senhor, prostra-se diante dEle com humildade e reverência, apresenta suas necessidades e suplica pelo cumprimento dos seus desejos, e, então, espera no Senhor. É seu prazer e alegria adorar a Deus.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 449-450.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima.

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