segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A ORAÇÃO DEVE SER OFERECIDA EM NOME DE JESUS CRISTO

Por Wilhelmus à Brakel

A oração a Deus deve ser oferecida em nome de Jesus Cristo: “... e o ramo que tu fizeste forte para ti mesmo” (Salmo 80.15); “... por amor do Senhor” (Daniel 9.17); “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (João 14.14); “... a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (João 15.16).

(1) “Em nome de” algumas vezes significa por amor de alguém. “E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe” (Mateus 18.5). Portanto, orar em nome de Cristo é o mesmo que dizer, “Senhor, Tu amas Teu Filho, Tu tens prazer com o Seu sacrifício, e Teu Filho me ama e eu O amo. Agora, oro por causa do amor que tens por Teu Filho, para que Tu me ouças e me conceda o meu desejo”.

(2) Às vezes “em nome de” significa sob o comando de: “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 3.6). Então, significa algo como dizer: “Teu Filho, que é o meu Fiador com Tua aprovação, enviou-me a Ti, e ordenou-me que Te invocasse e pedisse tudo o de que tenho necessidade. Isto me dá coragem para, humildemente, fazer este pedido”.

(3) Algumas vezes, e até, mais frequentemente, significa: por amor do próprio Cristo; por amor do seu sofrimento e morte expiatória: “Pela fé em o nome de Jesus, é que este mesmo nome fortaleceu a este homem” (Atos 3.16); “... porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome” (Atos 4.12); “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus” (Hebreus 7.25). Desde que o homem, em razão do seu pecado, separou-se de Deus, ele não pode nem é capaz de vir a Deus de forma imediata. Para ele, Deus seria um fogo consumidor, e ele experimentaria o mesmo que Nadabe e Abiú, que se aproximaram de Deus com fogo estranho e foram mortos por Deus com fogo. No entanto, o Senhor deu Jesus para ser o Fiador e Mediador para que, por meio de Seu sofrimento e morte, reconciliasse os pecadores com Deus e acabasse com a separação. Após a Sua morte, o véu do templo foi rasgado, para que, sem qualquer outro impedimento, o homem fosse capaz de olhar para dentro do Santo dos Santos e nele entrar. Os crentes, então têm a ousadia de ir a Deus “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10.20). Cristo é o único caminho pelo qual alguém pode e deve ir ao Pai (João 14.6). Se nós, portanto, orarmos em nome de Cristo, é como orarmos por causa dos méritos de Cristo. O suplicante recebe a Cristo, que lhe é oferecido, e, assim, torna-se participante de Cristo e de todos os seus méritos. Com estas vantagens, ele vai a Deus e as exibe, e, desta forma, pede a Deus tudo o que deseja.


Aqueles que oram nem sempre estão na mesma condição. Alguns não são capazes de assegurar a si mesmos de que são participantes de Cristo. Desde que eles possuem um forte desejo por bênçãos espirituais e temporais, refugiaram-se em Deus. Não obstante, eles não fazem isso diretamente, mas com um olho em Cristo e em Sua satisfação, e oram para que Deus lhes seja graciosa por causa de Cristo e Seus méritos e, assim, os abençoe. Trata-se de orar em nome de Cristo – conquanto a fé seja fraca. Alguns estão assegurados principalmente de sua porção em Cristo; entretanto, há um distanciamento de Deus. Para estes, a prática da oração é, portanto, a sua primeira tarefa para receber a Cristo e refletir explicitamente sobre os Seus méritos enquanto conscientemente se arrependem. Então, eles apresentam ao Pai os méritos de Cristo e oram para que sua súplica pelo cumprimento de seus desejos seja ouvida com base nesses méritos. Alguns vivem a vida mais de perto e habitualmente estão focados no pacto da graça, bem como na satisfação e nos méritos de Cristo. Esses, ao se engajarem na oração, nem sempre necessitam de uma transação expressa com Cristo e uma reflexão específica sobre Seus méritos para o propósito de mostrá-los ao Pai, para dizer que vêm e oram em nome de Cristo e que suplicam o cumprimento dos seus desejos por amor dos méritos de Cristo. Em vez disso, eles se aproximam e permanecem na disposição de serem participantes do Pacto, filhos, e participantes de Cristo. Eles oram por meio do Pacto e da expiação de Cristo, mesmo que não os mencionem explicitamente. No entanto, devemos tomar cuidado para não ficarmos sem uma clara transação e com um retorno a Cristo rápido e frequentemente, para não perdermos Cristo de vista e nos aproximarmos de Deus de uma forma mais direta, lidar com Deus de um modo menos humilde e de maneira inapropriada.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 250-252.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

2 comentários:

Gunnar Vingren Lima Ferreira disse...

Quem foi Wilhelmus à Brakel?

Alan Rennê disse...

Gunnar,

Wilhelmus à Brakel foi um piedoso pastor holandês, no período da Segunda Reforma Holandesa. À Brakel é considerado por muitos como um legítimo puritano.

Para mais informações sobre ele e a sua Opus Magnum, The Christian's Reasonable Service, recomendo que vc leia os seguintes posts:

http://cristaoreformado.blogspot.com/2011/01/excertos-de-wilhelmus-brakel.html

http://doutrinacalvinista.blogspot.com/2010/08/wilhelmus-brakel-1635-1711-serie.html

http://cristaoreformado.blogspot.com/2011/01/christians-reasonable-service-wilhelmus.html

Um grande abraço!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...