segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O ORIGINADOR DA VERDADEIRA ORAÇÃO

Wilhelmus à Brakel

Uma verdadeira oração procede do Espírito Santo. O homem, por natureza, está espiritualmente morto, e não tem uma boa disposição de coração nem bons desejos. Ele é cego e ignorante acerca do que realmente pode satisfazê-lo. Não obstante, ele percebe as deficiências do corpo e teme o mal. Ele também se refugia em Deus quando é privado do socorro da criatura; entretanto, nem a disposição do seu coração, nem sua oração é agradável a Deus. Para que alguém ore corretamente, o Espírito Santo deve conceder a disposição, os desejos e as expressões: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas” (Zacarias 12.10); “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gálatas 4.6); “... o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Isto significa que Ele concede a disposição e os desejos, coloca as palavras na boca, vai adiante delas, e causa a oração. Na proporção do fato de que o Espírito se move de uma forma moderada ou forte, a oração também é mais fraca ou mais zelosa. Às vezes, o suplicante é fervoroso no início de sua oração, mas, então, gradualmente vem mais escuridão e ele se torna cada vez mais maçante. Às vezes ele está na escuridão e apático no início, mas enquanto luta, ele se torna mais vivo. Às vezes ele está completamente fechado dentro de si, e o Espírito não pode produzir uma oração, suspiro, ou lágrimas, e nessa condição, Ele deve se levantar e partir. Algumas vezes ele está tão cheio que não sabe de onde todos estes desejos, palavras, e lágrimas tiveram origem, de modo que ele está mais carente de tempo do que de desejos.

Pergunta: Se não podemos orar corretamente sem o Espírito Santo, então, por que somos ordenados a orar pelo Espírito?

Resposta: O homem tem um intelecto natural, ele percebe sua deficiência, e a natureza lhe ensina que devemos orar. Sob a administração dos meios de graça ele aprende que o Espírito Santo é o autor da oração, e ele aprende da Palavra de Deus que deve orar a Deus pelo Espírito Santo. Por meio destas convicções e movimentos o Espírito Santo opera no eleito a inclinação para orar e mostra-lhe que ele não tem a disposição correta para a oração, os desejos corretos, nem os expressa adequadamente. O Espírito Santo irá mostrar que deve operar tudo isto nele e que, portanto, ele deve orar pelo Espírito. Dessa forma, ele trabalhou secretamente em oração pelo Espírito, e está, portanto, sempre orando ao Espírito pelo Espírito. Aqueles que, no presente, percebem em si mesmos o início da operação do Espírito orarão para que isso seja aumentado pelo próprio Espírito.

O homem, mediante o Espírito Santo ter forjado e estimulado uma disposição de oração na alma, começa a expressar seus desejos de um coração regenerado. O homem regenerado é, portanto, a causa formal de seus atos. Se mesmo um homem natural tem uma inclinação para orar, o homem regenerado tem uma inclinação muito maior devido à disposição do seu coração regenerado. Uma vez que nem todos os regenerados sabem que este é o caso deles, mas visto que todos percebem que têm um coração pecaminoso, e uma vez que todos os tipos de pensamentos pecaminosos, palavras e atos procedem desta disposição pecaminosa, eles se preocupam por não saberem como lhes é permitido orar – sim, algumas vezes eles não se atrevem a orar, pois sentem que estariam zombando de Deus. Como eles se engajam na oração, é sempre sua intenção não pecar, mas eles sempre caem novamente no mesmo pecado. As seguintes passagens vêm às suas mentes: “O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR” (Provérbios 15.8); “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Provérbios 28.9); “Sabemos que Deus não atende a pecadores” (João 9.31). Para sua instrução você deveria saber:

(1) É dever de todos os ímpios se arrependerem e orarem. A abominação não reside no fato de orarem, mas sim que, enquanto oram por assuntos temporais, eles não se arrependem, mas voluntária e conscientemente continuam pecando; nem suplicam a Deus para serem reconciliados com Ele, nem por uma mudança em seus corações e atitudes. Fazem isso rotineiramente, estando acostumados desde a sua juventude a oferecerem uma oração pela manhã e à noite, o que, se negligenciarem os levará a ficarem perturbados. Ou fazem isso de maneira hipócrita, estando desejosos, apesar de seu estilo de vida mundano, a serem estimados como bons cristãos.

(2) A oração daqueles cujo coração é reto diante do Senhor, que buscam a reconciliação e o perdão dos seus pecados, que desejam ser libertos do pecado e viver no amor e temor de Deus segundo a Sua vontade, e oram por isto enquanto se esforçam para se concentrarem no Senhor Jesus, não será uma abominação, mas será agradável a Deus. O Senhor procura por tais suplicantes, e os trata com carinho como canas quebradas e pavios que fumegam. Portanto, que isto te dê liberdade. Suas repetidas quedas no pecado são contrárias à sua intenção, você chora, e isso não procede de uma má intenção. Pelo contrário, suas quedas são o resultado da fraqueza, a carne se tornando mais forte do que o espírito.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 252-254.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

4 comentários:

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caro Rev Alan

Deus seja louvado em ter disposto o seu coracao para traduzir tao ricos textos!

voltemosaocaminho disse...

Rev. Alan,

Excelente postagem, Parabéns!

Um forte abraço,
Marcos Sampaio

http://voltemosaocaminho.wordpress.com

Alan Rennê disse...

Caro Toka,

Obrigado pelas palavras! Posso testemunhar que tem sido uma experiência extraordinária!

Alan Rennê disse...

Marcos,

Muito obrigado pela visita e pelo comentário. Semanalmente estou postando os textos de Wilhelmus à Brakel.

Que o Senhor o abençoe!

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