segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O ORIGINADOR DA VERDADEIRA ORAÇÃO

Wilhelmus à Brakel

Uma verdadeira oração procede do Espírito Santo. O homem, por natureza, está espiritualmente morto, e não tem uma boa disposição de coração nem bons desejos. Ele é cego e ignorante acerca do que realmente pode satisfazê-lo. Não obstante, ele percebe as deficiências do corpo e teme o mal. Ele também se refugia em Deus quando é privado do socorro da criatura; entretanto, nem a disposição do seu coração, nem sua oração é agradável a Deus. Para que alguém ore corretamente, o Espírito Santo deve conceder a disposição, os desejos e as expressões: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas” (Zacarias 12.10); “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gálatas 4.6); “... o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Isto significa que Ele concede a disposição e os desejos, coloca as palavras na boca, vai adiante delas, e causa a oração. Na proporção do fato de que o Espírito se move de uma forma moderada ou forte, a oração também é mais fraca ou mais zelosa. Às vezes, o suplicante é fervoroso no início de sua oração, mas, então, gradualmente vem mais escuridão e ele se torna cada vez mais maçante. Às vezes ele está na escuridão e apático no início, mas enquanto luta, ele se torna mais vivo. Às vezes ele está completamente fechado dentro de si, e o Espírito não pode produzir uma oração, suspiro, ou lágrimas, e nessa condição, Ele deve se levantar e partir. Algumas vezes ele está tão cheio que não sabe de onde todos estes desejos, palavras, e lágrimas tiveram origem, de modo que ele está mais carente de tempo do que de desejos.

Pergunta: Se não podemos orar corretamente sem o Espírito Santo, então, por que somos ordenados a orar pelo Espírito?

Resposta: O homem tem um intelecto natural, ele percebe sua deficiência, e a natureza lhe ensina que devemos orar. Sob a administração dos meios de graça ele aprende que o Espírito Santo é o autor da oração, e ele aprende da Palavra de Deus que deve orar a Deus pelo Espírito Santo. Por meio destas convicções e movimentos o Espírito Santo opera no eleito a inclinação para orar e mostra-lhe que ele não tem a disposição correta para a oração, os desejos corretos, nem os expressa adequadamente. O Espírito Santo irá mostrar que deve operar tudo isto nele e que, portanto, ele deve orar pelo Espírito. Dessa forma, ele trabalhou secretamente em oração pelo Espírito, e está, portanto, sempre orando ao Espírito pelo Espírito. Aqueles que, no presente, percebem em si mesmos o início da operação do Espírito orarão para que isso seja aumentado pelo próprio Espírito.

O homem, mediante o Espírito Santo ter forjado e estimulado uma disposição de oração na alma, começa a expressar seus desejos de um coração regenerado. O homem regenerado é, portanto, a causa formal de seus atos. Se mesmo um homem natural tem uma inclinação para orar, o homem regenerado tem uma inclinação muito maior devido à disposição do seu coração regenerado. Uma vez que nem todos os regenerados sabem que este é o caso deles, mas visto que todos percebem que têm um coração pecaminoso, e uma vez que todos os tipos de pensamentos pecaminosos, palavras e atos procedem desta disposição pecaminosa, eles se preocupam por não saberem como lhes é permitido orar – sim, algumas vezes eles não se atrevem a orar, pois sentem que estariam zombando de Deus. Como eles se engajam na oração, é sempre sua intenção não pecar, mas eles sempre caem novamente no mesmo pecado. As seguintes passagens vêm às suas mentes: “O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR” (Provérbios 15.8); “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Provérbios 28.9); “Sabemos que Deus não atende a pecadores” (João 9.31). Para sua instrução você deveria saber:

(1) É dever de todos os ímpios se arrependerem e orarem. A abominação não reside no fato de orarem, mas sim que, enquanto oram por assuntos temporais, eles não se arrependem, mas voluntária e conscientemente continuam pecando; nem suplicam a Deus para serem reconciliados com Ele, nem por uma mudança em seus corações e atitudes. Fazem isso rotineiramente, estando acostumados desde a sua juventude a oferecerem uma oração pela manhã e à noite, o que, se negligenciarem os levará a ficarem perturbados. Ou fazem isso de maneira hipócrita, estando desejosos, apesar de seu estilo de vida mundano, a serem estimados como bons cristãos.

(2) A oração daqueles cujo coração é reto diante do Senhor, que buscam a reconciliação e o perdão dos seus pecados, que desejam ser libertos do pecado e viver no amor e temor de Deus segundo a Sua vontade, e oram por isto enquanto se esforçam para se concentrarem no Senhor Jesus, não será uma abominação, mas será agradável a Deus. O Senhor procura por tais suplicantes, e os trata com carinho como canas quebradas e pavios que fumegam. Portanto, que isto te dê liberdade. Suas repetidas quedas no pecado são contrárias à sua intenção, você chora, e isso não procede de uma má intenção. Pelo contrário, suas quedas são o resultado da fraqueza, a carne se tornando mais forte do que o espírito.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 252-254.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A ORAÇÃO DEVE SER OFERECIDA EM NOME DE JESUS CRISTO

Por Wilhelmus à Brakel

A oração a Deus deve ser oferecida em nome de Jesus Cristo: “... e o ramo que tu fizeste forte para ti mesmo” (Salmo 80.15); “... por amor do Senhor” (Daniel 9.17); “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (João 14.14); “... a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (João 15.16).

(1) “Em nome de” algumas vezes significa por amor de alguém. “E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe” (Mateus 18.5). Portanto, orar em nome de Cristo é o mesmo que dizer, “Senhor, Tu amas Teu Filho, Tu tens prazer com o Seu sacrifício, e Teu Filho me ama e eu O amo. Agora, oro por causa do amor que tens por Teu Filho, para que Tu me ouças e me conceda o meu desejo”.

(2) Às vezes “em nome de” significa sob o comando de: “Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo” (2 Tessalonicenses 3.6). Então, significa algo como dizer: “Teu Filho, que é o meu Fiador com Tua aprovação, enviou-me a Ti, e ordenou-me que Te invocasse e pedisse tudo o de que tenho necessidade. Isto me dá coragem para, humildemente, fazer este pedido”.

(3) Algumas vezes, e até, mais frequentemente, significa: por amor do próprio Cristo; por amor do seu sofrimento e morte expiatória: “Pela fé em o nome de Jesus, é que este mesmo nome fortaleceu a este homem” (Atos 3.16); “... porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome” (Atos 4.12); “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus” (Hebreus 7.25). Desde que o homem, em razão do seu pecado, separou-se de Deus, ele não pode nem é capaz de vir a Deus de forma imediata. Para ele, Deus seria um fogo consumidor, e ele experimentaria o mesmo que Nadabe e Abiú, que se aproximaram de Deus com fogo estranho e foram mortos por Deus com fogo. No entanto, o Senhor deu Jesus para ser o Fiador e Mediador para que, por meio de Seu sofrimento e morte, reconciliasse os pecadores com Deus e acabasse com a separação. Após a Sua morte, o véu do templo foi rasgado, para que, sem qualquer outro impedimento, o homem fosse capaz de olhar para dentro do Santo dos Santos e nele entrar. Os crentes, então têm a ousadia de ir a Deus “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hebreus 10.20). Cristo é o único caminho pelo qual alguém pode e deve ir ao Pai (João 14.6). Se nós, portanto, orarmos em nome de Cristo, é como orarmos por causa dos méritos de Cristo. O suplicante recebe a Cristo, que lhe é oferecido, e, assim, torna-se participante de Cristo e de todos os seus méritos. Com estas vantagens, ele vai a Deus e as exibe, e, desta forma, pede a Deus tudo o que deseja.


Aqueles que oram nem sempre estão na mesma condição. Alguns não são capazes de assegurar a si mesmos de que são participantes de Cristo. Desde que eles possuem um forte desejo por bênçãos espirituais e temporais, refugiaram-se em Deus. Não obstante, eles não fazem isso diretamente, mas com um olho em Cristo e em Sua satisfação, e oram para que Deus lhes seja graciosa por causa de Cristo e Seus méritos e, assim, os abençoe. Trata-se de orar em nome de Cristo – conquanto a fé seja fraca. Alguns estão assegurados principalmente de sua porção em Cristo; entretanto, há um distanciamento de Deus. Para estes, a prática da oração é, portanto, a sua primeira tarefa para receber a Cristo e refletir explicitamente sobre os Seus méritos enquanto conscientemente se arrependem. Então, eles apresentam ao Pai os méritos de Cristo e oram para que sua súplica pelo cumprimento de seus desejos seja ouvida com base nesses méritos. Alguns vivem a vida mais de perto e habitualmente estão focados no pacto da graça, bem como na satisfação e nos méritos de Cristo. Esses, ao se engajarem na oração, nem sempre necessitam de uma transação expressa com Cristo e uma reflexão específica sobre Seus méritos para o propósito de mostrá-los ao Pai, para dizer que vêm e oram em nome de Cristo e que suplicam o cumprimento dos seus desejos por amor dos méritos de Cristo. Em vez disso, eles se aproximam e permanecem na disposição de serem participantes do Pacto, filhos, e participantes de Cristo. Eles oram por meio do Pacto e da expiação de Cristo, mesmo que não os mencionem explicitamente. No entanto, devemos tomar cuidado para não ficarmos sem uma clara transação e com um retorno a Cristo rápido e frequentemente, para não perdermos Cristo de vista e nos aproximarmos de Deus de uma forma mais direta, lidar com Deus de um modo menos humilde e de maneira inapropriada.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 250-252.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ORAÇÃO: A EXPRESSÃO DE SANTOS DESEJOS

Por Wilhelmus à Brakel

Nós denominamos oração como sendo uma expressão de desejos – não uma expressão de assuntos. Uma pessoa não convertida que possui um conhecimento crítico de assuntos espirituais, e que, além disso, é eloquente, tem uma voz expressiva, e tem controle sobre suas emoções, pode ter uma percepção da necessidade e da beleza dos assuntos espirituais (embora de uma forma mais natural e como se relacionada com as questões naturais) e apresentá-los em oração de uma forma extremamente emocional e triste. Sim, ela pode agitar suas emoções a tal ponto que pode falar em lágrimas sobre estes assuntos. Isto é particularmente verdadeiro quando ela tem conhecimento que está sendo ouvida ou pode ser ouvida; ou, se ela conduz a oração em uma reunião onde ela pode se tornar agradável por tais expressões e lágrimas, de modo que parece ser muito espiritual, estar muito perto de Deus, e ser inflamada com santo zelo – e ainda assim, não é nada mais do que uma obra natural. Por isso, refiro-me à oração como expressão de desejos, e não de assuntos. Mas o homem é um vaso vazio que deve obter seu enchimento em outra parte – a partir de uma fonte externa a si mesmo. Para este fim o Senhor deu ao homem a capacidade para desejar e dar expressão aos seus desejos. A força dos seus desejos é proporcional à medida que ele é sensível à sua deficiência, a magnitude e caráter desejável dos assuntos que, em seu julgamento, podem satisfazê-lo, e a probabilidade de que eles sejam obtidos. Ele se esforça para expressar esses desejos de acordo com isso. No entanto, isso não significa necessariamente, tornar os desejos santos, e, portanto, não nos limitamos a nos referir à oração como uma expressão de desejos.

Em vez disso, a oração é uma expressão de santos desejos. Podemos realmente desejar assuntos temporais de uma forma espiritual, e os assuntos espirituais de uma forma carnal. Os desejos são carnais quando se relacionam com o pecado, ou se desejamos boas coisas com uma motivação pecaminosa, a fim de ganhar honra, amor, favor, vantagens e prazer. Desejamos assuntos temporais e espirituais de uma forma espiritual quando é lícito desejar estas coisas e as desejamos para melhor servirmos a Deus com alegria e zelo – isto é, quando desejamos aqueles assuntos do modo que descrevemos anteriormente, e de um modo que neles pode-se observar, reconhecer e louvar a graça, a bondade, socorro e poder de Deus, encontrando prazer em fazer isto.

Chamamos oração de uma expressão de santos desejos dirigidos a Deus. Nós, então, olhamos para além de todas as criaturas – tanto boas como más – sabendo que elas não são capazes de ajudar. E mesmo que elas fossem capazes de ajudar, nunca desejaríamos orar a elas. Não desejamos ser ajudados por ninguém a não ser por Deus, porque O amamos e não queremos dar a sua honra a outrem.

(1) É idolatria servir àqueles que por natureza não são deuses (Gálatas 4.8);

(2) Deus quer que clamemos apenas a Ele: “Invoca-me” (Salmo 50.15);

(3) Apenas a oração tem uma promessa associada a ela: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.21);

(4) Somente Deus tem as perfeições exigidas para ser adorado. Aquele que ora corretamente, buscando glorificar a Deus em oração como o Único que é digno de adoração; a Única fonte de todas as boas dádivas; o Único onisciente que conhece o coração e a mente do Espírito; o Único onipotente para quem nada é demasiado maravilhoso; o Único que é bom, misericordioso, gracioso, e o Único que se deleita na misericórdia; o Único que espera que alguém venha a Ele para que lhe seja gracioso; e o Único que é verdadeiro e prometeu ouvir e dar. É por esta razão que o suplicante se volta para o Senhor, prostra-se diante dEle com humildade e reverência, apresenta suas necessidades e suplica pelo cumprimento dos seus desejos, e, então, espera no Senhor. É seu prazer e alegria adorar a Deus.

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 2007. pp. 449-450.

TRADUÇÃO LIVRE: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A NATUREZA OU ESSÊNCIA DA ORAÇÃO

Wilhelmus à Brakel

Em nosso tratamento do assunto da oração iremos, primeiramente, mostrar qual é a sua natureza, e, então, moveremos você ao exercício da oração. A fim de expandir a verdadeira essência da oração, iremos apresentar: 1) sua definição (sobre a qual discorreremos abaixo); 2) suas características; 3) suas ocorrências externas; e 4) o exercício da oração, consistindo em preparação, prática e reflexão.

Oração é a expressão de santos desejos a Deus, em nome de Cristo, que, por meio da operação do Espírito Santo, procede de um coração regenerado, junto com o pedido do cumprimento desses desejos. Cada palavra possui importância enfática e necessita ser desenvolvida abaixo.

Oração é a expressão de desejos. Com esta frase desejamos expressar qual é a atividade da alma na oração. Há total envolvimento, isto é, o intelecto, vontade, paixões, olhos, boca, mãos, joelhos, a alma inteira, e o corpo inteiro estão envolvidos.

(1) O suplicante está focado em si mesmo. Ele conhece, vê e percebe sua deficiência. Ele perece de fome e deseja ser saciado. Ele percebe sua impotência – sua inabilidade para ajudar a si mesmo. Ele também sabe que nenhuma criatura pode lhe conceder isso e ele também não deseja receber isso da criatura. Somente Deus pode dar isso a ele, mas ele sabe e percebe com tristeza e angústia de coração sua indignidade, odiosidade e abominação. Desse modo, Deus pode não ser movido a ajudá-lo por sua disposição – de fato, isto logo provocaria Sua ira. Ele percebe que não é digno – nem de longe – de se dirigir a Deus, pois sua oração é tão pecaminosa e tão deficiente que por ela, não pode mover a Deus para ouvi-lo e ajudá-lo. Ele está focado tão intensamente sobre sua disposição que desfalece em miséria e desespero, e não tem esperança em nada dentro de si ou que procede de si.

(2) O suplicante está focado em Deus, mantendo o Senhor diante dele como sendo majestoso, onisciente, glorioso, imanente, santo – bem como gracioso em Cristo, misericordioso, e onipotente. Aqui ele se curva em humildade e treme devido ao respeito que tem. Aqui ele toma liberdade para receber a Cristo e fazer conhecer seus desejos em e por meio dEle, sabendo que Deus é glorificado em ouvir e socorrer pecadores arrependidos.

(3) O suplicante está focado nos assuntos que ele deseja – seja a libertação de um sofrimento que o oprime ou o ameaça, ou uma bênção para a alma ou o corpo. Ele percebe quão necessário e benéfico seria para ele ou ser libertado disso ou receber a bênção. Ele sabe o que deseja, vividamente reflete sobre isso, está encantado com isso, e anseia por isso.

O suplicante confunde estas três questões. Em um movimento ele foca em si mesmo, Deus e o assunto em questão. Estando nesta disposição, ele não apenas se apresenta diante de Deus como tal, mas também dá expressão aos seus desejos diante do Senhor. A expressão de desejos é vividamente apresenta na Escritura, transmitindo-nos tanto o assunto em si, como também todos aqueles que estão ou estiveram em tal disposição. Além disso, a Escritura desperta inclinações para tal disposição – sim, frequentemente faz com que uma alma esteja disposta. Aquilo que denominamos como uma “expressão”, a Escritura denomina:

(1) um derramamento: “... porém venho derramando a minha alma perante o SENHOR” (1 Samuel 1.15); (2)[i] “Oração do aflito que, desfalecido, derrama o seu queixume perante o SENHOR” (Salmo 102.1);

(3) uma declaração: “Eu tenho declarado meus caminhos, e tu me ouviste” (Salmo 119.26)[ii];

(4) uma elevação: “A ti, SENHOR, elevo a minha alma” (Salmo 25.1);

(5) um olhar para cima: “De manhã dirigirei a ti a minha oração (isto é, organizar tudo de forma tão organizada, da mesma forma que um exército é organizado em linhas e divisões) e olharei para cima” (Salmo 5.3)[iii];

(6) uma conversa: “Quando tu disseste: Buscai a minha face, meu coração disse a ti: Tua face, Senhor, eu buscarei” (Salmo 27.8)[iv];

(7) um choro, um suspiro: “Eles choraram a ti, e foram libertos” (Salmo 22.5); “Como a corsa suspira por ribeiros de água, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus” (Salmo 42.1)[v];

(8) uma busca com todo o nosso coração e todo o nosso desejo: “de todo o coração, eles juraram e, de toda boa vontade, buscaram ao SENHOR” (2 Crônicas 15.15)[vi].

Todas estas expressões indicam o envolvimento intenso da alma na oração. Quando a alma intenta orar, frequentemente, ela pode não encontrar palavras – sim, todas as palavras são tão inferiores e inadequadas para expressar o desejo e a intensa disposição da alma. Por conseguinte:

(1) Ela faz isso por simplesmente manifestar sua disposição ao Senhor;

(2) Algumas vezes ela o faz através de um suspiro, que transmite mais do que ela pode expressar;

(3) Quando a alma é mais dilatada, ela começa a formular palavras, ainda que de forma estritamente mental, ou silenciosamente, com a boca, apenas movendo os lábios sem fazer barulho, ou ainda com um suave sussurro;

(4) Como os desejos aumentam em intensidade, a voz também se torna mais alta, e se está tão longe das pessoas, de maneira que elas não podem ser ouvidas, haverá um chamado;

(5) E se as emoções se tornam maia abundantes, haverá lágrimas, especialmente se a esperança e o amor se tornam mais fortes. Quão maravilhoso é quando um homem, que não é movido facilmente às lágrimas e se envergonharia se chorasse (sendo isto incompatível com a sua dignidade), algumas vezes se derrete diante do Senhor, em lágrimas, que correm pelo rosto como rios! A alma nunca esteve mais em seu ambiente do que quando ela foi suave e capaz de chorar de uma forma sincera. Jó, um homem que não era emotivo, foi capaz de chorar: “Clamo a ti” (30.20). Davi, que era um heroi valente, que tinha o coração de um leão, chorou diante do Senhor como uma criança: “todas as noites faço nadar o meu leito, de minhas lágrimas o alago” (Salmo 6.6); “não te emudeças à vista de minhas lágrimas” (Salmo 39.12). O bravo e respeitado Paulo, comumente orava com lágrimas: “servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações” (Atos 20.19).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 1992. pp. 446-448. Edição em pdf., disponível aqui.

TRADUÇÃO: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

[i] Colocamos (1) e (2) no mesmo título, “um derramamento”, visto que as palavras holandesas “uitgieten” e “uitstorten” são traduzidas como “derramar” na KJV.

[ii] Tradução livre.

[iii] Tradução livre.

[iv] Tradução livre.

[v] Tradução livre.

[vi] Tradução livre.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PEQUENA (E ÚTIL) BIBLIOGRAFIA SOBRE O CESSACIONISMO

Segue abaixo uma pequena bibliografia com obras a respeito do Cessacionismo. Em dias de presbiterianos "carismáticos", que um dia, no ato de ordenação juraram subscrever a Confissão de Fé de Westminster, penso ser útil disponibilizar indicações de obras de referência. É possível que alguém deixe comentários afirmando que existem boas obras continuístas, mas esse não é o meu foco.

Eis a bibliografia:

1. Richard B. Gaffin Jr. Perspectivas sobre o Pentecostes. São Paulo: Os Puritanos, 2010.

2. Moisés Cavalcanti Bezerril. Os Profetas do Novo Testamento: uma resposta a Wayne Grudem. Recife: Berith Publicações, s/d.

3. Moisés Cavalcanti Bezerril. A Natureza Apostólica dos Dons de 1 Coríntios 12. Teresina: Berith Publicações, 2005. OBS.: Participei, juntamente com os meus colegas de turma no STNe, das pesquisas para a presente obra.

4. Moisés Cavalcanti Bezerril. Communicatio Extra Scripturae. Recife: Berith Publicações, 2001.

5. Walter J. Chantry. Sinais dos Apóstolos: observações sobre o Pentecostalismo Antigo e Moderno. São Paulo: PES, 1996.

6.O. Palmer Robertson. A Palavra Final: resposta bíblica à questão das línguas e profecias hoje. São Paulo: Os Puritanos, 1999.

7. Wayne Grudem (Org.). Cessaram os Dons Espirituais? São Paulo: Vida, 2003.

8. John MacArthur Jr. Os Carismáticos: um panorama doutrinário. São José dos Campos: Fiel, 1988.

9. Kenneth L. Gentry Jr. The Charismatic Gift of Prophecy: a reformed analysis. Lakeland: Whitefield Smeinary Press, 1986.

10. Kenneth L. Gentry Jr. The Charismatic Gift of Prophecy: a reformed responseto Wayne Grudem. Memphis, TN: Footstool, 1989.

11. Nathan Busenitz. The Gift of Tongues: comparing the church fathers with contemporary pentecostalism, In: The Master's Seminary Journal. Vol. 17, nº1 - Spring 2006. pp. 61-78.

12. Sinclair Ferguson. O Espírito Santo. São Paulo: Os Puritanos, 2000.

13. Anthony Hoekema. E as Línguas? Disponivel em: http://www.monergismo.com/textos/livros/linguasHoekema.pdf

14. Donald G. McDougall. Cessationism in 1 Corinthians 13:8-12, In: The Master's Seminary Journal. Vol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 177-213.

15. John MacArthur Jr. Does God Still Give Revelation?, In: The Master's Seminary Journal. Vol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 217-234.

16. F. David Farnell. The Montanist Crisis: A Key to Refuting Third-Wave Concepts of NT Prophecy , In: The Master's Seminary Journal. Vol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 235-262.

17. James F. Stitzinger. Spiritual Gifts: Definitions and Kinds, In: The Master's Seminary Journal. Vol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 143-176.

18. Robert L. Thomas. The Hermeneutics of Non-Cessationism, In: The Master's Seminary Journal. Sol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 287-310. Em breve, este artigo será traduzido e publicado no Cristão Reformado.

19. Richard L. Mayhue. Cessationism, "The Gifts of Healings", and Divine Healing, In: The Master's Seminary Journal. Sol. 14, nº 2 - Fall 2003. pp. 263-286.

Uma boa e completa bibliografia em inglês (incluindo obras continuístas) pode ser encontrada aqui.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ORAÇÃO - WILHELMUS À BRAKEL

O reconhecimento de todas as perfeições de Deus, e o exercício de todas as virtudes para com Deus se unem em oração – que é um necessário, proveitoso, santo e santificador dever de um cristão. Por conseguinte, o exercício da religião é compreensivamente expresso como orar e clamar a Deus: “daí se começou a invocar o nome do SENHOR” (Gn 4.26).

Desde que a oração procede de uma variedade de movimentos da alma, ela também é referida por várias designações, como (teffila), que significa oração (Salmo 4.2); (techinna), que significa súplica (Salmo 6.10); (siach), que quer dizer queixa (Salmo 64.1); (tse’naqah), que significa clamar ou chorar (Salmo 9.13); (deesis), que significa oração (Tiago 5.16) ou súplica (1 Timóteo 2.1); (hiketeria), que quer dizer súplica (Hebreus 5.7); (enteuksis) (1 Timóteo 4.5), (euchomai) (Tiago 5.16), e (proseuche) (Colossenses 4.2), todas significando oração; e (proskuneo), que significa cultuar (Mateus 4.10).

As várias formas de oração na Escritura
Primeiro, há a adoração. Isso ocorre quando, ao ver e reconhecer as perfeições de Deus, reverentemente, curvamo-nos diante do Senhor e rendemos-Lhe honra e glória, e se – seja sem palavras, com pensamentos interiores, ou por meio de palavras externas – nós – falamos da gloriosa honra de Sua majestade, e de Suas maravilhosas obras (Salmo 145.5). Este é também o trabalho dos anjos em relação a Cristo: “E todos os anjos de Deus o adorem” (Hebreus 1.6).

Segundo, há a invocação. Isso ocorre quando pedimos alguma coisa a Deus, seja a libertação de algum mal opressor ou iminente, ou o recebimento de algum benefício para o corpo e a alma. “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei” (Salmo 50.15); “Ele me invocará, e eu lhe responderei... Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação” (Salmo 91.15,16).

Em terceiro lugar, há a súplica. Isso ocorre quando, com muita humildade e por apresentar muitos argumentos, perseveramos em oração: “Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro” (Salmo 31.22); “chorou e lhe pediu mercê” (Oséias 12.4).

Em quarto lugar, há o gemido. Isso ocorre quando não podemos achar palavras para expressar nossos desejos ou os assuntos nobres que temos em vista e desejamos ardentemente. O apóstolo os chama “gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26), e o salmista diz: “Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não te é oculta” (Salmo 38.9).

Em quinto lugar, há as orações públicas ou comuns. Isso ocorre quando a congregação apela a Deus em qualquer lugar de reunião pública ou em uma casa privada, onde alguém ora de forma audível: “mas havia oração incessante a Deus por parte da Igreja a favor dele” (Atos 12.5). Orações que são oferecidas quando alguns se reúnem para orar em conjunto, são também consideradas orações comuns: “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.19,20).

Em sexto lugar, há as orações privadas. Isso ocorre quando levamos nossos desejos particulares diante de Deus. São elas:

(1) Orações jaculatórias, que são enviadas ao céu, a Deus, durante o nosso trabalho, enquanto caminhamos, ou durante uma conversa com pessoas. Dessa forma, Neemias orou a Deus, enquanto falava com o rei (Neemias 2.4), e Moisés, que orou enquanto estava diante do Mar Vermelho com Israel (Êxodo 14.13);

(2) Orações sazonais, que por sua vez, são de caráter ocasional, quando um incidente em particular nos leva a procurar a solitude, a fim de orar; ou orações regulares, isto é, nossos tempos devocionais designados pela manhã, ao meio-dia, e à noite. Ambas, jaculatórias bem como sazonais são:

[a] Mentais, quando levamos nossos desejos diante de Deus por nos exercitarmos mentalmente, e por meio da reflexão e da contemplação. Isso ocorre sem palavras, como observado nos exemplos de Neemias e Moisés.

[b] Orais, que ocorrem quando expressamos nossos desejos com palavras, mesmo se formarmos e pronunciarmos palavras sem usar a voz: “porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma” (1 Samuel 1.13).

Pode ser também que expressemos nossos desejos com a voz, fazendo isso mais alto ou baixo, dependendo de quão longe ou perto estamos das pessoas: “De manhã, SENHOR, ouves a minha voz” (Salmo 5.3). Não é à toa que os romanistas elevam as orações mentais acima das orações orais, uma vez que suas orações não são nada por via oral, mas recitações de formas de orações, Pai Nosso e Ave Marias.

Em sétimo lugar, há a oração intercessória. Isso ocorre quando desejamos algo de Deus para os outros. Pode ocorrer para a igreja em geral: “Ó Deus, redime a Israel de todas as suas tribulações” (Salmo 25.22); “Faze bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém” (Salmo 51.18); “Orai pela paz de Jerusalém!” (Salmo 122.6). Também ocorrer em lugar de indivíduos determinados: “Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele” (Tiago 5.16); “Irmãos, orai por nós” (1 Tessalonicenses 5.25); “Orai uns pelos outros” (Tiago 5.16); “Orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5.44); “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade” (1 Timóteo 2.1,2).

Muitos, por diversas vezes, abusam dessa prática em nossos dias dizendo uns aos outros, em cima da despedida: “Recomendo-me às vossas orações”, “Lembre de mim em suas orações”, “Peço suas orações intercessórias”, ou “Ore por mim”. Comumente, fazem isso como expressão de saudação. Além do fato, que é impossível lembrarmos de todos aqueles que fazem esse pedido. É necessário sabermos especificamente que estamos orando em favor de outra pessoa. A pessoa que faz a solicitação deveria ser, em circunstâncias específicas, revelada àqueles cujas orações intercessórias são solicitadas. Só então, alguém pode solicitar interceder por outro, e aquele a quem o pedido tenha sido feito é obrigado a fazê-lo, para que Deus, sendo buscado por muitos, seja também agradecido por muitos. No entanto, a tendência de fazer esses pedidos é frequentemente não mais do que um costume, e isso pode fazer perder de vista a intercessão do Senhor Jesus.

Não pode haver intercessão pelos mortos, pois eles já estão onde estarão por toda a eternidade e continuarão a estar; purgatório nada mais é do o inferno em si mesmo. Também não pode haver intercessão por aqueles que cometeram o pecado contra o Espírito Santo: “Há pecado para a morte, e por esse não digo que rogue” (1 João 5.16).

Em oitavo lugar, há a oração imprecatória. Aqui devemos ser cautelosos e não ser levados por nossas próprias paixões, como ocorreu com os discípulos de Cristo, que desejaram orar para que o fogo consumisse os samaritanos que não os receberam (Lucas 9.54). Nunca devemos orar pela perdição eterna de alguém, nem pela destruição do corpo de alguém que é nosso inimigo pessoal. Também não podemos fazer isso em relação àqueles que ofendem a congregação do Senhor. No entanto, se o Senhor nos move a orar contra os que oprimem e perseguem a congregação de uma maneira extraordinária, então, podemos orar a Deus para que os converta, e se não for o caso, para que Deus os puna, para que não sejam capazes de oprimir a igreja. Seria, portanto, evidente, que o Senhor toma vingança contra o sangue de sua igreja e, além disso, Deus seria glorificado nisso: “Enche-lhes o rosto de ignomínia, para que busquem o teu nome, SENHOR. Sejam envergonhados e confundidos perpetuamente; perturbem-se e pereçam. E reconhecerão que só tu, cujo nome é SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra” (Salmo 83.16-18).

Em nono lugar, há a ação de graças. Tal ocorre quando reconhecemos com alegria a bondade de Deus manifestada em todas as bênçãos temporais e espirituais concedidas a nós. Deve ser feita por bênçãos específicas. Este reconhecimento motivará o suplicante a orar fervorosamente por aquilo que, no presente, ele deseja. Foi o que Jacó fez em Gênesis 32.9-12, assim como a igreja, no Salmo 75.2-5. Portanto, ação de graças e oração estão frequentemente unidas: “em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Filipenses 4.6); “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens” (1 Timóteo 2.1).

FONTE: Wilhelmus à Brakel. The Christian's Reasonable Service. Vol. 3. Grand Rapids, MI: Reformation Heritage Books, 1992. pp. 443-446 (Edição em pdf., disponível aqui).

TRADUÇÃO: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

THE CHRISTIAN’S REASONABLE SERVICE – WILHELMUS À BRAKEL

Após a postagem com a nota biográfica do “Pai Brakel”, o Cristão Reformado traz aos leitores uma nota bibliográfica, visando “preparar terreno” para a publicação dos excertos traduzidos do capítulo sobre “Oração”. Por aquilo que o leitor observará da nota abaixo, seria de extrema importância para o protestantismo brasileiro, tão carente de profundidade bíblica e teológica, a publicação, em português, da obra de Wilhelmus à Brakel.

NOTA BIBLIOGRÁFICA

The Christian’s Reasonable Service foi organizado em três partes. A primeira forma uma teologia sistemática reformada tradicional, tratando principalmente do conhecimento de Deus, dos ofícios de Cristo, da soteriologia, das alianças, da Igreja, e da escatologia. A força desta seção é tripla: clareza de pensamento, eficácia de apresentação e utilidade de aplicação. As seções conclusivas, no fim de cada capítulo, que aplicam as doutrinas particulares discutidas às vidas dos crentes e dos incrédulos, são fortemente iluminadoras. A casuística prática de à Brakel nessas aplicações supera qualquer outro teólogo sistemático, tanto da sua época como da atualidade. Sua casuística representa a teologia experimental puritana, reformada, em sua melhor expressão.

A segunda parte expõe a ética cristã e o viver cristão. À Brakel escreve: “No primeiro volume falamos da aquisição da salvação e da aplicação da salvação aos eleitos. No segundo volume vamos tratar da vida do verdadeiro povo da aliança, de sua qualidade e condição”. Esta parte inclui os capítulos 42 a 99, abrangendo a seção de conclusão do volume 2, todo o volume 3 e a maior parte do volume 4 na tradução inglesa. É a seção mais extensa e mais fascinante da obra de à Brakel, reunindo notáveis aplicações sobre uma variedade de tópicos pertinentes a como o cristão deve viver neste mundo. Em acréscimo a um magistral tratamento dos Dez Mandamentos (caps. 45-55) e da Oração do Senhor (caps. 68-74), esta parte trata de diversos tópicos, entre os quais estes: como viver pela fé com base nas promessas de Deus (cap. 42); como exercer amor a Deus e ao Seu Filho (caps. 56,57); como temer e obedecer a Deus e esperar nEle (caps. 59-61); como professar Cristo e Sua verdade (cap. 63); e como exercer uma multiplicidade de graças espirituais, tais como a coragem, o contentamento, a abnegação, a paciência, a integridade, a vigilância, o amor ao próximo, a humildade, a mansidão, o espírito pacífico, a diligência, a compaixão, e a prudência (caps. 62, 64-67, 76, 82-88). Outros tópicos tratados com muito proveito incluem o jejum (cap. 75), a solitude (cap. 77), a meditação espiritual (cap. 78), o canto (cap. 79), os votos (cap. 80), a experiência espiritual (cap. 81), o crescimento espiritual (cap. 89), a apostasia (cap. 90), a deserção espiritual (cap. 91), as tentações (caps. 92-95), a corrupção interior (cap. 96), e trevas e morte espirituais (caps. 97,98).

A terceira parte (volume 4, pp. 373-538) é dedicada à história da obra pactual e redentora de Deus, desde o princípio até o fim do mundo. Lembra a obra de Jonathan Edwards, History of Redemption (A História da Redenção), embora não seja tão detalhada como a obra de Edwards; a de à Brakel confina-se mais às Escrituras e tem maior ênfase pactual. Conclui com um detalhado estudo da futura conversão dos judeus extraído de passagens das Escrituras (4:511-538). Nos volumes em holandês, uma quarta parte, que serve como uma espécie de apêndice de 350 páginas e que expõe o livro de Apocalipse, não foi traduzida para o inglês.

A obra The Christian’s Reasonable Service representa, talvez mais do que qualquer outra, o pulsar do coração puritano e o equilíbrio da Pós-Reforma Holandesa. Aqui a teologia sistemática e o cristianismo experimental, vital, são entrelaçados biblicamente e praticamente dentro de uma estrutura pactual, o conjunto todo trazendo a marca de um teólogo-pastor profundamente ensinado pelo Espírito. The Christian’s Reasonable Service combina a erudição e a precisão de Gisbertus Voetius, o ensino de Witsius sobre as doutrinas da fé e da aliança, e as melhores percepções da teologia bíblica propiciadas por Johannes Cocceius. Avassalador na abrangência, quase todos os assuntos de interesse dos cristãos são tratados de maneira extraordinariamente proveitosa, sempre visando a promoção da piedade. Se a pessoa pudesse adquirir somente uma coleção de vários volumes, esta coleção seria uma sábia escolha.

FONTE: Joel R. Beeke e Randall J. Pederson. Paixão pela Pureza: conheça os puritanos. São Paulo: PES, 2010. pp. 885-887.

sábado, 8 de janeiro de 2011

EXCERTOS DE WILHELMUS À BRAKEL

Incentivado pelo Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki, comecei a traduzir um dos capítulos da obra The Christian’s Reasonable Service, de autoria do teólogo da Segunda Reforma Holandesa, Wilhelmus à Brakel. Nossa intenção é traduzir, primeiramente, o capítulo sobre “Oração”, com o objetivo de publicá-lo posteriormente. Nesse ínterim, irei postar algumas partes que forem traduzidas.

À guisa de introdução, segue abaixo uma nota biográfica de Wilhelmus à Brakel, a fim de que o leitor do Cristão Reformado conheça um pouco mais desse excepcional teólogo e piedoso servo de Deus. O próximo post constará de uma nota bibliográfica de The Christian’s Reasonable Service. Como fonte para a nota biográfica, fiz uso da excelente obra de Joel R. Beeke e Randall J. Pedersen, Paixão pela Pureza: conheça os puritanos, publicada pela editora PES, págs. 879-885.

NOTA BIOGRÁFICA

Wilhelmus à Brakel nasceu no dia 2 de janeiro de 1635 em Leeuwarden, filho único de Margaretha Homma e de Theodorus à Brakel, um pastor reformado de extraordinária piedade e que veio a ser conhecido por sua obra intitulada De Trappen dês Geestelycken Levens (Os Degraus da Graça na Vida Espiritual). Wilhelmus e suas cinco irmãs foram criados num lar extraordinariamente temente a Deus.

Wilhelmus foi convertido quando menino, provavelmente sob a pregação de seu pai e as orações e rogos de sua mãe. Ele frequentou a escola de latim de Leeuwarden, e depois ingressou na academia de Franeker com dezenove anos de idade, em 1654. Tendo completado os seus estudos em 1659, a Classis[1] de Leeuwarden o admitiu no ministério. Devido à falta de vagas na época, à Brakel continuou seu treinamento teológico por alguns anos em Utrecht, sob Gisbertus Voetius e Andreas Essenius.

À Brakel serviu cinco congregações da igreja nacional da Holanda durante um ministério de quase cinquenta anos. Seu primeiro encargo foi em Exmorra, Friesland (1662-1665), uma congregação difícil por causa da indiferença espiritual generalizada. Durante o seu ministério ali, ele casou-se com Sara Nevius, viúva de Henricus Vege, que tinha sido pastor em Benthuizen. Após a perda do seu primeiro marido, Sara morou em Utrecht, onde participou dos conventículos de Voetius e amadureceu espiritualmente. Ela foi uma grande dádiva para à Brakel e seu ministério.

A segunda congregação de à Brakel, em Stavoren (1665-1670), era maior e lhe propiciou um pastorado mais frutífero. A seguir, à Brakel foi para a florescente cidade portuária de Harlingen (1670-1673), onde o seu ministério e o de seus três colegas foram abençoados com numerosas conversões.

De 1673 a 1683, à Brakel serviu a grande congregação reformada de Leeuwarden, que se reunia em três edifícios de igrejas diferentes, tinha seis ministros e milhares de membros. Todos os domingos três cultos eram dirigidos na Grote Kerk (a Grande Igreja), dois na Galileerkerk (a Igreja da Galiléia) e dois na Westerkerk (a Igreja do Oeste). Três cultos em dias de semana também eram mantidos a cada semana. Cidade onde nasceu e a maior cidade da Friesland, Leeuwarden se gabava de ter uma população de quase 20.000 habitantes.

Na parte final da década de 1670, à Brakel envolveu-se em três controvérsias. Primeiro, como ele tinha feito em Stavoren e em Harlingen, à Brakel estabeleceu conventículos em vários locais de Leeuwarden. Essas reuniões consistiam primariamente de pessoas pertencentes a Deus que partilhavam suas experiências de vida interior da fé e que exortavam umas às outras à piedade. Entretanto, o Consistório[2] de à Brakel temia que esses conventículos promovessem a ideia de igrejas dentro da Igreja e acabassem levando a cisma; em vista disso, o Consistório desencorajou a prática e, em 1676, a Classis de Leeuwarden repreendeu à Brakel por continuar a promovê-los.

Segundo, à Brakel envolveu-se na controvérsia que girava em torno de Jacobus Koelman, ardoroso teólogo da Pós-Reforma que promovia fortes medidas separatistas. Quando Koelman visitou Leeuwarden, à Brakel o deixou pregar do seu púlpito contra os desejos do Consistório, pelo que ele foi repreendido pela Classis de Leeuwarden em 1677. Eventualmente, à Brakel entrou em conflito com o governo sobre Koelman porque o governo havia deposto Koelman do ofício, e à Brakel acreditava que “nenhum corpo político tinha autoridade para depor ministros”. O governo suspendeu à Brakel de todos os seus deveres ministeriais por quatro semanas, mas à Brakel recusou-se a parar de pregar e de trabalhar. Por último, à Brakel assinou uma declaração na qual prometeu respeitar o governo e exortar outros a respeitá-lo também. O conflito todo veio a ser conhecido por toda parte da Holanda, e a fama de à Brakel espalhou-se nas igrejas por sua defesa dos direitos da Igreja.

Finalmente, à Brakel combateu David Flud van Giffen, um ministro seguidor de Cocceius[3] e que pregou do púlpito de à Brakel em 1679 que o Salmo 8 era uma profecia do advento de Cristo. Como o sermão gerou insatisfação, à Brakel pregou sobre o mesmo Salmo na domingo seguinte com base numa posição mais classicamente reformada. Ele publicou seu sermão sob o título de Davids Hallelujah, ofte lof des Heeren in den achste Psalme, verklaert (1680), (Aleluia de Davi, ou os Louvores do Senhor no Salmo 8 Exposto). Depois que van Giffen e à Brakel foram reconciliados, à Brakel acrescentou à sua primeira publicação um extenso tratamento da aliança da graça em Hallelujah, ofte lof des Heeren over het genadeverbond opgesteld (1681), (Aleluia, ou os Louvores do Senhor relativos à Aliança da Graça).

Depois de vinte e um anos de ministério exercido em Friesland, à Brakel aceitou um chamado pastoral em 1683 para Rotterdam, onde permaneceu pelo resto de sua vida. Rotterdam, uma das maiores cidades da república, com uma população de 55.000 habitantes, proveu-lhe um importante campo de trabalho. Ali também os labores de à Brakel foram grandemente abençoados, na edificação dos piedosos em sua fé e na conversão dos incrédulos. Essas bênçãos foram interrompidas na parte final da década de 1680 por dois grandes conflitos. O primeiro levou à Brakel a distanciar-se de Jean de Labadie e seus seguidores, os labadistas, que estavam tentando promover uma “Igreja ideal”, o que os levou a muitos excessos, inclusive o de aconselhar os crentes a não participarem da Ceia do Senhor em igrejas organizadas, todas as quais eles imaginavam ser corruptas. No segundo, à Brakel engajou-se num novo conflito com o governo quando insistiu em que a Igreja é independente do governo e, daí, o governo não tem direito de proibir a extensão de um chamado pastoral vindo de uma congregação local a um ministro particular.

Os anos tranquilos que à Brakel teve na década de 1690 ele dedicou à produção da sua magnum opus, De Redelijke Godsdienst (Discursos Francos sobre o Culto Divino), uma volumosa série de livros que cobrem tanto a teologia sistemática reformada como a ética reformada para leigos interessados, estudantes de teologia e ministros num nível que todos podem entender. Embora ele tivesse dificuldade para encontrar um impressor para a primeira edição (finalmente encontrado um publicador católico-romano), sua obra foi procurada por toda a Holanda dentro de pouco tempo. Redelijke Godsdienst se tornou quase tão popular nos círculos holandeses como o Pilgrim’s Progress de Bunyan nos círculos ingleses. Para o culto doméstico, um típico agricultor do século dezoito costumava ler um “stukje van Vader Brakel” (uma porção ou uma seleção do Pai Brakel) todas as noites, depois de ler as Escrituras. Quando completava a leitura de à Brakel, voltava ao começo e o lia completamente de novo. Redelijke Godsdienst passou por vinte edições, só no século dezoito. Foi reimpresso várias vezes em holandês nos séculos dezenove e vinte também. Esforços para traduzir esta volumosa obra para o inglês (incluindo uma decisão de fazê-lo tomada pelo Sínodo da Igreja Reformada da América em fins do século dezoito) não se materializaram, até o final da década de 1980, mas veio a ser desfrutada em 1995.

A singularidade da obra de à Brakel está no fato de que ela é mais do que uma teologia sistemática. A intenção de à Brakel ao escrevê-la é inevitável: ele deseja intensamente que a verdade exposta se torne uma realidade experimental nos corações dos que a lerem. De maneira magistral, ele estabelece a crucial relação entre a verdade objetiva e a experiência subjetiva dessa verdade.

Além desta obra clássica, à Brakel foi mais bem conhecido em seus dias como um poderoso e efetivo pregador, que podia prender milhares de pessoas com sua eloquência e comunicação intensa. Seu método de pregação era mais analítico que sintético, e era sempre cristocêntrico e experimental. Como faziam os puritanos ingleses, à Brakel aplicava seus sermões a diferentes grupos de pessoas, particularmente aos salvos, aos incrédulos e aos hipócritas. Às vezes ele subdividia a classificação. Por exemplo, entre os incrédulos ele distinguia os ignorantes, os indiferentes, os ímpios e o pecador interessado. Entre os salvos, ele frequentemente propiciava diferentes aplicações aos que estavam interessados e tinham uma fé em Cristo que os levava a “buscar refúgio”, e os que estavam firmes e possuíam plena certeza da fé em Cristo. Ele promovia o exame pessoal, introspectivo, centralizado em Cristo e na Palavra, e advertia muitas vezes contra os pecados da libertinagem e do mundanismo.

No verão de 1711, à Brakel adoeceu gravemente. Quando inquirido em seu leito de morte sobre como estava sua alma, ele respondeu: “Muito bem; posso repousar em meu Jesus. Estou unido a Ele e aguardo Sua Vinda para mim; enquanto isso, em me submeto serenamente a Ele”. No dia 30 de outubro de 1711 à Brakel morreu, com setenta e seis anos de idade. Daniël LeRoy e Abraham Hellenbroek pregaram em seu funeral.

À Brakel foi um popular e proeminente representante da Pós-Reforma Holandesa de mentalidade puritana. Ele foi tão amado entre seu povo por seu ministério paternal, tanto do púlpito como em sua obra pastoral, que muitos lhe chamacam carinhosamente “Pai Brakel”. Esse título honorário ainda hoje permanece indelével nos lares de muitos holandeses na Holanda, os quais ainda leem sua obra clássica e apreciam a tradição puritana experimental, pietista, que ele tão habilmente representou.

NOTA DO CRISTÃO REFORMADO: Para mais informações sobre Wilhelmus à Brakel, ver: WILHELMUS À BRAKEL (1635-1711) - Série biografia 2


[1] Assembleia ou conselho eclesiástico com capacidade de tribunal. Nota do tradutor.

[2] Conselho que exerce o governo da igreja local. Nota do tradutor.

[3] Convém lembrar que Johannes Cocceius (1603-1669), teólogo e hebraísta holandês, foi um dos principais expoentes da teologia federal (sistema baseado na aliança). Nota do tradutor.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pastor, me indique um livro que fale sobre Soberania de Deus X Responsabilidade do homem, por gentileza. Grata.

Olá! Muito obrigado pela consideração.

Posso indicar mais de um? Pois bem, gostaria de sugerir a leitura das seguintes obras:

1. J. I. Packer. A Evangelização e a Soberania de Deus: se Deus controla todas as coisas, porque evangelizar? São Paulo: Cultura Cristã, 2002, 112p. Aqui o autor discorre a respeito da soberania e responsabilidade humana, com um enfoque na atividade evangelística. Os capítulos são os seguintes:
I. A Soberania Divina
II. Soberania Divina e Responsabilidade Humana
III. A Evangelização
IV. Soberania Divina e Evangelização

2. R. K. McGregor Wright. A Soberania Banida: redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo: Cultura Cristã, 1998, 270p. Há uma nova edição disponível no site da editora: http://www.editoraculturacrista.com.br/produtos.asp?codigo=601. Esta é uma obra indispensável para quem quer se inteirar acerca do assunto da soberania divina e responsabilidade. Com maestria, McGregor Wright demole os argumentos libertarianos.

Um grande abraço! Boa leitura!

Pode perguntar... qualquer coisa...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

OS 10 MELHORES LIVROS LIDOS NO ANO DE 2010

Como no ano passado, posto aqui os dez livros que mais aqueceram o meu coração no que passou. A lista é composta, majoritariamente, de literatura reformada. Não obstante, como toda verdade é verdade de Deus, na lista também figura literatura dita “secular”. Os melhores livros de 2010 foram os seguintes:

10. MINISTRANDO COMO O MESTRE – Stuart Olyott (Ed. Fiel)
Um pequeno livro, mas de um conteúdo extraordinário. Stuart Ollyot aborda o estilo e o método de pregação de nosso Senhor Jesus Cristo. O grande objetivo da obra é ajudar os pregadores a não se tornarem pregadores enfadonhos, mas sim, pregadores dinâmicos empolgantes e evangelísticos como Jesus Cristo. Há uma preocupação saudável com a explicação, ilustração e aplicação dos sermões. Ademais, Olyott encerra conclamando os pregadores a serem bem mais do que “pulpiteiros”; a serem homens que se identificam com o seu povo pela convivência diária.


9. PERFIL DE TRÊS REIS – Gene Edwards (Ed. Vida)
Este livro veio em boa hora. Trata-se da história parafraseada de Saul, Davi e Absalão. O foco é a pessoa do rei Davi. Edwards apresenta a postura de Davi, que ao ser perseguido tanto por Saul quanto por Absalão, colocou a sua confiança apenas em Deus. O livro é dividido em suas partes. Na primeira, Edwards apresenta um rei idoso – Saul – perseguindo um jovem rei – Davi. Na segunda parte, as coisas se invertem: um rei idoso – Davi – é perseguido por um rei jovem – Absalão.



8. O SEGREDO DA VIDA AO PÉ DA CRUZ – C. J. Mahaney (Ed. Vida)
Como um antídoto contra o legalismo, a vida centrada na cruz de Cristo é a resposta. C. J. Mahaney explora os benefícios advindos da cruz, como por exemplo, a libertação do legalismo, da culpa e da vergonha. Extraordinário é o tratamento dado à questão do farisaísmo. Mahaney explora a diferença entre justificação e santificação, mostrando que se constitui em erro crasso a tentativa de introduzir nossa participação na obra monergista da justificação.



7. APASCENTA O MEU REBANHO – Don Kistler [Org.] (Ed. Cultura Cristã)
Trata-se de uma excelente obra sobre pregação, escrita por alguns dos mais representativos estudiosos reformados, tais como: Albert Mohler, James Montgomery Boice, Derek Thomas, Joel Beeke, R. C. Sproul, John Armstrong, Sinclair Ferguson, Don Kistler, Eric Alexander, John Piper e John MacArthur. Os escritores exploram as diversas facetas da pregação, como por exemplo: sua primazia, o caráter da pregação expositiva e experimental, a importância de se atingir a vontade por meio da mente e do coração, a pregação evangelística e aquela que visa confortar os que sofrem.


6. CINEMA E FÉ CRISTÃ – Brian Godawa (Ed. Ultimato)
Brian Godawa, roteirista profissional de filmes, compartilha uma excelente ferramenta para nos ajudar a discernirmos as visões de mundo que são apresentadas nos filmes de Hollywood. O autor nos previne contra duas atitudes extremadas e prejudiciais: a anorexia cultural e a glutonaria cultural. A primeira consiste em evitar, dizer “não” a toda manifestação cultural. Já a segunda consiste em dizer “sim” de forma acrítica a tudo aquilo que a cultura nos oferece.



5. CONTAGIOUS CHRISTIAN LIVING – Joel R. Beeke (Reformation Heritage Books)
Como é uma vida cristã contagiante? Neste livro, Joel Beeke explora o que as Escrituras dizem a respeito de personagens como: a filha de Jefté, Bartimeu, Jacó e Daniel. Beeke argumenta que uma vida cristã contagiante é caracterizada por uma submissão sacrificial, como a da filha de Jefté, um caráter cristocêntrico, como demonstrado por Bartimeu, uma bênção contagiante, como a de Jacó, e uma consistente integridade, como a demonstrada por Daniel. É nesta obra que o Dr. Beeke apresenta oito argumentos contra a ideia de que Jefté sacrificou a sua filha, oferecendo-a como holocausto.

4. A GUERRA PELA VERDADE – John MacArthur, Jr. (Ed. Fiel)
Este livro é uma convocação a todos aqueles, que amam a fé que foi entregue uma vez por todas aos santos, a se empenharem na defesa pela verdade absoluta da Palavra de Deus. John MacArthur nos adverte acerca dos falsos mestres que, dissimuladamente têm se introduzido na Igreja de Cristo, disseminando as suas heresias. Precioso é o apêndice, que mostra a razão de a prática do discernimento estar fora de moda e apela para que nos engajemos em julgar tudo aquilo que nos é apresentado.


3. COMO LER LIVROS – Mortimer J. Adler e Charles Van Doren (Ed. É Realizações)
Medalha de bronze. Li a famosa obra de Mortimer Adler como cumprimento de um dos requisitos da disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica, do mestrado no Andrew Jumper. E, confesso, foi uma das tarefas mais prazerosas! Adler e Van Doren apresentam os quatro níveis de leitura existentes: Elementar, Inspecional, Analítica e Sintópica. Depois da leitura percebi que ainda não sabia realizar nem a leitura analítica nem a leitura sintópica. Não obstante, com os insights e exposições dos autores colocados em prática, é possível obter uma compreensão maior e melhor daquilo que lemos.


2. OS PURITANOS E A CONVERSÃO – Samuel Bolton, Nathaniel Vincent e Thomas Watson (Ed. PES)
Medalha de Prata. Obra composta de três tratados puritanos: 1) Pecado: O Mal sem Par, de Samuel Bolton (1606-1654); 2) A Conversão de um Pecador, de Nathaniel Vincent (1638-1697); e 3) A Coisa Indispensável, de Thomas Watson (1620-1686). Em uma época, como a nossa, na qual há uma verdadeira confusão sobre o que realmente é a conversão de um pecador, esta compilação é extremamente valiosa.




1. UM GUIA SEGURO PARA O CÉU – Joseph Alleine (Ed. PES)
Medalha de ouro. Certa feita perguntei ao Pr. Josafá Vasconcelos sobre a sua opinião a respeito deste livro. Sua resposta foi emblemática: “Alan, sempre digo aos membros da minha igreja: ‘Não morra sem ler este livro!’” Foi a partir dessa afirmação que tive o desejo de ler a obra do puritano Joseph Alleine (1634-1668). Um Guia Seguro para o Céu é um daqueles livros que abala as estruturas do leitor, que o impele à reflexão e ao auto-exame. Alleine apresenta os erros a respeito da conversão, bem a natureza da verdadeira conversão, as características e as misérias dos que não são convertidos. Ele finaliza dando algumas orientações para os que não são convertidos e apresentando os motivos para a conversão. Eis a frase que mais me marcou: “Ó homem miserável, que monstro deformado o pecado fez de você! Deus o fez ‘um pouco menor do que os anjos’; o pecado o fez um pouco acima dos demônios, um monstro que tem a cabeça e o coração no lugar dos pés, e estes, esperneando contra o céu – tudo fora de lugar” (pág. 49).

Boa leitura!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...