quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A REFORMA PROTESTANTE: HISTÓRIA E RELEVÂNCIA DOS SOLAS - 6ª PARTE

V – SOLI DEO GLORIA (SOMENTE A DEUS A GLÓRIA)

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. a ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11.33-36). “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).

O quinto e último “sola” da Reforma Protestante significa literalmente “Somente a Deus a glória”. E por qual razão a glória deve ser dada somente a Deus? Bem, por algumas razões óbvias: pensamos na Escritura? Ela é de Deus, veio a nós pela intermediação de Deus, e permanecerá eternamente para a glória de Deus. A justificação pela fé? Vem de Deus, por meio de Deus, e para a glória de Deus. A graça? A graça, também, tem sua fonte em Deus, vem a nós pela obra de Deus o Filho, e é para a glória de Deus.

Este quinto slogan é como que a síntese dos outros quatro, pois onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Porque nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele ao nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em palestra de auto-ajuda, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

O que nós temos hoje no evangelicalismo brasileiro é uma religião puramente antropocêntrica. Basta assistir a um desses programas de televisão aos sábados e visitar algumas igrejas que percebemos a celebração da auto-realização, do bem-estar terapêutico, e das virtudes morais. Mas, a pregação do evangelho não é isso. Não é auto-realização, bem-estar terapêutico, nem ainda de virtude moral. A pregação do evangelho é a pregação da reconciliação com Deus. O homem, no seu estado de pecado é inimigo de Deus, portanto, ele precisa ser reconciliado com Deus. A pregação da reconciliação é um fim legítimo em si; é o reconhecimento da glória de Deus na redenção de pecadores e não requer algo maior do que isso para justificar sua importância. Pregar a Escritura é pregar Cristo; pregar Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação à glória de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo.

Irmãos, quando estamos centrados em volta de Deus e sua obra salvífica em Cristo, nossos cultos ajustam a nossa visão a outro grau: deixamos de servir como pessoas mundanas para ver-nos como pecadores redimidos cuja vida só pode ter um propósito: “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Eu fico pensando nos cristãos do passado, nas gerações que nos precederam, em como aquelas pessoas contribuíram positivamente para a nossa cultura, para a democracia, os direitos civis. Penso na época em que alguns dos pensadores, artistas e profissionais, bem como pais e vizinhos piedosos estavam dispostos a morrer por artigos de fé que hoje são considerados como “irrelevantes” e “divisionistas”. Pessoas deram as suas vidas por esses cinco “solas”, e nós não damos sequer o nosso tempo, ponderando sobre a sua validade.

APLICAÇÃO

Irmãos, Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

A glória por tudo o que existe pertence somente a Deus: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Isaías 42.8). Quem somos nós diante de Deus, para acharmos que podemos reivindicar alguma coisa da parte dele, ou para pensarmos que o culto é para a nossa descontração? Eis a resposta: “Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta... Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo” (Isaías 40.15, 17).

CONCLUSÃO

Quero finalizar, meus amados irmãos, voltando ao questionamento feito no início: o que nós, jovens do século XXI temos a ver com cinco pequenas frases cunhadas no século XVI? Absolutamente tudo! Carregamos conosco o título de cristãos protestantes, mas infelizmente esquecemos o que é protestar. Dizemos que somos protestantes, mas ultimamente não temos protestado contra nada. Muito pelo contrário, temos sido influenciados pelos falsos evangelhos da nossa cultura secular. O primeiro passo que temos que dar, jovens, é reconhecer que enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmos que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável o nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.

Devemos nos arrepender do nosso mundanismo e colocar Deus no centro de nossas vidas. Precisamos voltar a amar a Bíblia, a olhar firmemente apenas para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé; devemos reconhecer que não merecemos absolutamente nada de Deus, a não ser a sua justa condenação, mas ao mesmo tempo, devemos ser gratos porque não é assim que Ele tem nos tratado. Ele tem dispensado sobre nós graça sem medida. E como jovens, muitas vezes abordados pela cultura hedonista, que ensina que o jovem deve buscar o prazer acima de qualquer coisa, devemos repudiar esse ponto de vista e buscar o verdadeiro prazer que está em fazer tudo para a glória maior de Deus.

Que Deus nos abençoe!

Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

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