sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

INDICAÇÃO DO CRISTÃO REFORMADO: POR QUE AMAMOS A IGREJA

Dois livros lançados nos últimos anos fizeram muito sucesso. São eles: A Cabana, de William P. Young, e Por que Você Não Quer Mais Ir à Igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. No Brasil, ambos foram lançados pela editora Sextante. Ao lado de obras de Brian McLaren, esses livros têm fomentado o pernicioso movimento conhecido como “Os Desigrejados”, de pessoas para as quais o Cristianismo institucionalizado perdeu o seu encanto. São pessoas que afirmam a possibilidade de ser cristão e ter um relacionamento de amor e vida com Jesus Cristo, sem ter nenhum vínculo com alguma igreja local, com suas regras, dogmas, pastores e demais líderes.

Graças a Deus, a editora Mundo Cristão acaba de lançar uma obra que tem como objetivo refutar as premissas dos gurus “desigrejados” e reafirmar a importância da comunhão com uma igreja local. Trata-se do livro Por que Amamos a Igreja, de autoria de Kevin DeYoung, pastor senior da Reformed University Church, em Michigan, e Ted Kluck, arituclista da ESPN Magazine. Transcrevo abaixo dois trechos da Introdução:

Não chamo de “igreja” a reunião de três caras bebendo café na Starbucks, falando sobre a espiritualidade da banda de rock Violent Femmes e discutindo por que a série Sex and the city é realmente profunda. Refiro-me à igreja local que se reúne em determinado lugar e que exulta na cruz de Cristo; que canta músicas a um Deus santo e amoroso; que tem oficiais, boa pregação, celebra os sacramentos, exerce disciplina e recolhe ofertas. Essa é a igreja que combina liberdade e forma na adoração coletiva, que tem pessoas jovens e velhas, tipos alternativos e viciados em corridas de carros, pessoas que buscam a Deus e as que se dedicam fielmente a uma causa, uma igreja que provavelmente tem boletins e regras.

A igreja que amamos é tão falha e suja quanto nós, mas ainda assim é a noiva de Cristo. Eu também posso tanto ter um alicerce sem uma casa ou uma cabeça sem um corpo quanto menosprezar a noiva que meu Salvador ama (Kevin DeYoung).


Em resumo, vamos escrever um livro sobre por que gostamos (amamos os) dos cristãos. Sei que existem vários cristãos evangélicos antipáticos por aí. Alguns deles estão na igreja. Tenho certeza de que, às vezes, sou um deles. Os cristãos também fazem coisas esquisitas e embaraçosas de vez em quando (p. ex., a maioria dos filmes cristãos e grande parte da música cristã contemporânea). Mas também existem muitas pessoas bacanas em nossa igreja – pessoas das quais realmente gosto, e não apenas no sentido de que “ele é meu irmão em Cristo e, portanto, tenho de gostar dele”. Alguns deles são até mesmo presbíteros ou estão em outras posições "hierárquicas" (esse é um jargão negativo; perceba a ironia da coisa) dentro da igreja. se minha fé fosse unicamente “pessoal”, ou se fizesse igreja em casa com outras cinco pessoas, sentiria falta deles.

Também fico feliz por minha igreja ser “organizada”. Sou feliz por saber aonde levar meu bebê de colo nas manhãs de domingo. Sou feliz porque alguém foi suficientemente institucional para pensar nos temas de uma ou duas aulas da classe da escola dominical. Sou feliz porque meu pastor, em vez de simplesmente caminhar por sua conta, importa-se o suficiente para estudar as Escrituras e fazer pesquisas numa prateleira cheia de livros de autores mortos para me dar comida espiritual de verdade a cada domingo. Sou feliz porque alguém lidera um ministério de impacto social para os mais necessitados de nossa área. Sou feliz porque alguém (e não eu) garante que as crianças aprendam alguma coisa bíblica em suas aulas. Em seu sentido mais básico, isso é religião organizada. E amo muito isso tudo.

[...]

Portanto, ao mesmo tempo que espero que este livro seja um incentivo aos praticantes da religião organizada com mentalidade evangélica sentados nos bancos (eu) ou nos púlpitos (Kevin), também espero que ele sirva como um convite a João Descontente para que afaste sua insatisfação provavelmente bem fundamentada e se junte a nós na igreja. Não somos perfeitos (longe disso), mas amamos Jesus, amamos o evangelho e fazemos o possível para amar os outros cristãos (Ted Kluck).

Por que Amamos a Igreja traz a recomendação de dois fiéis estudiosos brasileiros: Dr. Augustus Nicodemus Lopes e Rev. Franklin Ferreira. Aquele diz o seguinte:

Muita gente no Brasil, à semelhança do cenário norte-americano, gostaria de ser cristão sem ter de pertencer a uma igreja. O movimento de cristãos “desigrejados”, que vê a igreja mais como obstáculo e empecilho à comunhão com Deus, aparenta encontrar muitos adeptos. Todavia, esse movimento – que não é novo – faz uma análise superficial do conceito de Igreja no Novo Testamento, minimiza suas dimensões e tende a seguir uma visão utópica de cristianismo e de igreja que simplesmente não encontra respaldo nas Escrituras. Por que amamos a Igreja é um livro escrito com paixão, clareza e profundidade por dois autores que entendem bem esse movimento e que, ainda assim, acreditam que vale a pena continuar a amar a Igreja e pertencer a ela.

Já Franklin Ferreira afirma o seguinte sobre a obra:

Numa época em que crescem aqueles que têm se afastado das igrejas locais e ainda querem ser percebidos como cristãos, este livro franco, bíblico e pastoral é uma defesa competente da igreja centrada em Cristo, presente por meio da pregação das Escrituras, da ministração dos sacramentos e da comunhão disciplinada entre os crentes. Seja para aqueles que rejeitaram ou estão considerando deixar uma comunidade ou ainda para aqueles que buscam alento para continuar congregando numa determinada igreja, este livro será de grande ajuda. Como se conclui da argumentação de Kevin DeYoung & Ted Kluck, não podemos amar o Noivo se não amamos a noiva – e isso inclui amar a igreja visível.

Então, seja você um atual “desigrejado”, um cético a respeito da validade de uma igreja local ou um defensor da mesma, o Cristão Reformado recomenda efusivamente o livro Por que Amamos a Igreja.

Boa leitura!

Um comentário:

Arthur Corrêa disse...

Rapaz! Pense num livro bom!

Foi um dos três melhores que li este ano, sem dúvidas. A abordagem dos autores - mais teológica com o DeYoung e mais prática com o Kluck - foi excepcional. Este livro, inclusive, me despertou pro tema que quero tratar em minha monografia.

Excelente indicação.

Abs.

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