quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A GENEALOGIA DE JESUS É IMENSURAVELMENTE MAIS DO QUE APENAS UMA LISTA DE NOMES ANTIGOS

John MacArthur, Jr.

“Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera; Perez gerou a Esrom; Esrom, a Arão; Arão gerou a Aminadabe; Aminadabe, a Naassom; Naassom, a Salmom; Salmom gerou de Raabe a Boaz; este, de Rute, gerou a Obede; e Obede, a Jessé; Jessé gerou ao rei Davi; e o rei Davi, a Salomão, da que fora mulher de Urias” (Mateus 1.3-6).

A genealogia de Jesus nos mostra a obra da graça de Deus em Sua escolha de quatro ex-rebeldes, quatro mulheres (as mulheres só são listadas até à menção de Maria), através das quais o Messias e Rei viria. Essas mulheres são ilustrações excepcionais da graça de Deus e, por esse motivo, estão incluídas na genealogia, contrariando a regra de que apenas homens sejam mencionados.

A primeira proscrita foi Tamar, a nora cananéia de Judá. Deus tirara a vida do seu marido, Er, e de seu irmão mais novo, Onã, por causa da sua maldade. Então, Judá prometeu à jovem viúva e sem filhos, que o seu terceiro filho, Selá, se tornaria seu marido e lhe daria filhos em nome de seu irmão, quando ele crescesse. Depois que Judá não conseguiu cumprir essa promessa, Tamar se disfarçou de prostitua e enganado, Judá teve relações sexuais com ela. Desta união ilícita nasceram dois filhso gêmeos, Perez e Zera. A história sórdida é encontrada em Gênesis 38. Como podemos ver na genealogia, Tamar, Judá e Perez estão juntos na linha messiânica. Apesar da prostituição e incesto, a graça de Deus veio sobre três pessoas que não mereciam nada, incluindo uma prostituta gentia desesperada e enganosa.

A segunda proscrita também era uma mulher gentia. Ela também era culpada de prostituição. No entanto, ao contrário de Tamar, para esta a prostituição era uma profissão. Raabe, uma moradora de Jericó, protegeu dois homens israelitas que Josué tinha enviado para espiar a cidade. Ela mentiu para os mensageiros do rei de Jericó, a fim de salvar os espias, porém, por causa de seu temor e seu ato de bondade para com seu povo, Deus poupou a sua vida e de sua família quando Jericó foi sitiada e destruída (Josué 2.1-21; 6.22-25). A graça de Deus não só poupou sua vida, mas a trouxe para a linhagem messiânica, como esposa de Salmom e mãe do piedoso Boaz, que foi avô do grande Davi.

A terceira proscrita foi Rute, a esposa de Boaz. Como Tamar e Raabe, Rute era gentia. Depois que seu primeiro marido, um israelita, morreu, ela veio para Israel com sua sogra, Noemi. Rute era piedosa, amorosa e uma mulher sensível, que aceitou o Senhor como o seu próprio Deus. Seu povo, os pagãos moabitas, era o produto das relações incestuosas de Ló com suas duas filhas solteiras. A fim de preservar a linhagem da família, porque elas não tinham maridos ou filhos, cada uma embebedou seu pai e fez com que ele tivesse relações sexuais com ela. O filho fruto da união de Ló com sua filha mais velha foi Moabe, pai de um povo que se tornou um dos mais implacáveis inimigos de Israel. Malom, o israelita que se casou com Rute, tinha violado a lei mosaica (Deuteronômio 7.3; cf. 23.3; Esdras 9.2; Neemias 13.23). Muitos comentaristas afirmam que a sua morte precoce, e de seu irmão, foi juízo divino por causa da sua desobediência. Embora fosse uma pagã moabita, sem direito a se casar com um israelita, a graça de Deus não somente trouxe Rute para a família de Israel, mas, mais tarde, através de Boaz, para a linhagem real. Ela se tornou a grande avó de Israel, o rei Davi.

A quarta proscrita foi Bate-Seba. Ela não é identificada na genealogia pelo nome, mas é apenas mencionada como a esposa de Davi e ex-mulher de Urias. Como já mencionado, Davi cometeu adultério com ela, e enviou o seu marido para a frente de batalha para ser morto, e depois a tomou como sua própria esposa. O filho fruto do adultério morreu na infância, mas o próximo filho nascido deles foi Salomão (2 Samuel 11.1-27; 12.14,24), o sucessor do trono de Davi e continuador da linhagem messiânica. Pela graça de Deus, Bate-Seba se tornou esposa de Davi, a mãe de Salomão, e uma ancestral do Messias.

A genealogia de Jesus Cristo é infinitamente mais do que uma lista de nomes antigos. É muito mais do que uma lista de antepassados humanos de Jesus. É um belo testemunho da graça de Deus e do ministério de Seu Filho, Jesus Cristo, o amigo dos pecadores, que não veio chamar os justos, mas pecadores (Mateus 9.13). Se Ele chamou pecadores, pela graça, para serem seus antepassados, devemos ficar admirados quando Ele os chama, pela graça, para serem seus descendentes? O rei apresentado aqui é verdadeiramente o Rei da graça!

FONTE: The MacArthur Commentary.
Tradução livre: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A REFORMA PROTESTANTE: HISTÓRIA E RELEVÂNCIA DOS SOLAS - 6ª PARTE

V – SOLI DEO GLORIA (SOMENTE A DEUS A GLÓRIA)

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. a ele, pois, a glória eternamente. Amém” (Romanos 11.33-36). “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31).

O quinto e último “sola” da Reforma Protestante significa literalmente “Somente a Deus a glória”. E por qual razão a glória deve ser dada somente a Deus? Bem, por algumas razões óbvias: pensamos na Escritura? Ela é de Deus, veio a nós pela intermediação de Deus, e permanecerá eternamente para a glória de Deus. A justificação pela fé? Vem de Deus, por meio de Deus, e para a glória de Deus. A graça? A graça, também, tem sua fonte em Deus, vem a nós pela obra de Deus o Filho, e é para a glória de Deus.

Este quinto slogan é como que a síntese dos outros quatro, pois onde quer que, na igreja, se tenha perdido a autoridade da Bíblia, onde Cristo tenha sido colocado de lado, o evangelho tenha sido distorcido ou a fé pervertida, sempre foi por uma mesma razão. Porque nossos interesses substituíram os de Deus e nós estamos fazendo o trabalho dele ao nosso modo. A perda da centralidade de Deus na vida da igreja de hoje é comum e lamentável. É essa perda que nos permite transformar o culto em entretenimento, a pregação do evangelho em palestra de auto-ajuda, o crer em técnica, o ser bom em sentir-nos bem e a fidelidade em ser bem-sucedido. Como resultado, Deus, Cristo e a Bíblia vêm significando muito pouco para nós e têm um peso irrelevante sobre nós.

O que nós temos hoje no evangelicalismo brasileiro é uma religião puramente antropocêntrica. Basta assistir a um desses programas de televisão aos sábados e visitar algumas igrejas que percebemos a celebração da auto-realização, do bem-estar terapêutico, e das virtudes morais. Mas, a pregação do evangelho não é isso. Não é auto-realização, bem-estar terapêutico, nem ainda de virtude moral. A pregação do evangelho é a pregação da reconciliação com Deus. O homem, no seu estado de pecado é inimigo de Deus, portanto, ele precisa ser reconciliado com Deus. A pregação da reconciliação é um fim legítimo em si; é o reconhecimento da glória de Deus na redenção de pecadores e não requer algo maior do que isso para justificar sua importância. Pregar a Escritura é pregar Cristo; pregar Cristo é pregar a cruz; pregar a cruz é pregar a graça; pregar a graça é pregar a justificação; pregar a justificação é atribuir o todo da salvação à glória de Deus e responder a essa Boa Nova em grata obediência por meio de nossa vocação no mundo.

Irmãos, quando estamos centrados em volta de Deus e sua obra salvífica em Cristo, nossos cultos ajustam a nossa visão a outro grau: deixamos de servir como pessoas mundanas para ver-nos como pecadores redimidos cuja vida só pode ter um propósito: “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Eu fico pensando nos cristãos do passado, nas gerações que nos precederam, em como aquelas pessoas contribuíram positivamente para a nossa cultura, para a democracia, os direitos civis. Penso na época em que alguns dos pensadores, artistas e profissionais, bem como pais e vizinhos piedosos estavam dispostos a morrer por artigos de fé que hoje são considerados como “irrelevantes” e “divisionistas”. Pessoas deram as suas vidas por esses cinco “solas”, e nós não damos sequer o nosso tempo, ponderando sobre a sua validade.

APLICAÇÃO

Irmãos, Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

A glória por tudo o que existe pertence somente a Deus: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Isaías 42.8). Quem somos nós diante de Deus, para acharmos que podemos reivindicar alguma coisa da parte dele, ou para pensarmos que o culto é para a nossa descontração? Eis a resposta: “Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta... Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo” (Isaías 40.15, 17).

CONCLUSÃO

Quero finalizar, meus amados irmãos, voltando ao questionamento feito no início: o que nós, jovens do século XXI temos a ver com cinco pequenas frases cunhadas no século XVI? Absolutamente tudo! Carregamos conosco o título de cristãos protestantes, mas infelizmente esquecemos o que é protestar. Dizemos que somos protestantes, mas ultimamente não temos protestado contra nada. Muito pelo contrário, temos sido influenciados pelos falsos evangelhos da nossa cultura secular. O primeiro passo que temos que dar, jovens, é reconhecer que enfraquecemos a igreja pela nossa própria falta de arrependimento sério, tornamo-nos cegos aos pecados em nós mesmos que vemos tão claramente em outras pessoas, e é indesculpável o nosso erro de não falar às pessoas adequadamente sobre a obra salvadora de Deus em Jesus Cristo.

Devemos nos arrepender do nosso mundanismo e colocar Deus no centro de nossas vidas. Precisamos voltar a amar a Bíblia, a olhar firmemente apenas para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé; devemos reconhecer que não merecemos absolutamente nada de Deus, a não ser a sua justa condenação, mas ao mesmo tempo, devemos ser gratos porque não é assim que Ele tem nos tratado. Ele tem dispensado sobre nós graça sem medida. E como jovens, muitas vezes abordados pela cultura hedonista, que ensina que o jovem deve buscar o prazer acima de qualquer coisa, devemos repudiar esse ponto de vista e buscar o verdadeiro prazer que está em fazer tudo para a glória maior de Deus.

Que Deus nos abençoe!

Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A REFORMA PROTESTANTE: HISTÓRIA E RELEVÂNCIA DOS SOLAS - 5ª PARTE

IV – SOLA FIDE (SOMENTE A FÉ)

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8, 9). “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1).

Este quarto slogan é como que uma consequência do anterior, pois se a salvação toda se deve à graça divina, isso realça melhor ainda o evangelho da livre justificação. Isso quer dizer que os crentes são justificados por Deus pela fé, inteiramente à parte de quaisquer obras que tenham feito ou que possam fazer. Essa doutrina da Justificação por meio de Cristo unicamente pela fé tornou-se a doutrina primordial da Reforma. Ela foi uma reação de Martinho Lutero contra a idéia de que o ser humano pudesse se tornar justo e aceitável aos olhos de Deus por meio das boas obras e das indulgências que eram vendidas na época. Lutero disse que a justificação pela fé é a doutrina pela qual a igreja se mantém de pé ou cai.

E nesse ponto nós precisamos entender qual o problema histórico. A tradução oficial da igreja medieval era a Vulgata Latina. Quando Lutero leu a tradução que o famoso Erasmo de Roterdam fez a partir do grego e percebeu discrepâncias entre a Vulgata e o Novo Testamento Grego. A mais gritante, pelo menos do ponto de vista de Lutero, era a tradução errada da palavra grega “justificar”. O original grego, que significa “declarar justo” estava traduzido pela palavra latina justificare, que quer dizer “fazer justo”. Dessa forma, a justificação foi vista como processo de se tornar ou ser feito justo em vez de um ato declarativo de um tribunal. Isso levava o indivíduo a crer que para ser salvo, ele precisava cooperar com a graça de Deus à medida que era transformado em pessoa justa.

Só que, quando estava estudando Romanos e Gálatas, Lutero percebeu que Deus exige uma justiça perfeita. Ele não exige apenas a disposição de cooperar com a graça. Assim, ele percebeu que a única justiça perfeita é a de Cristo. Então, ele acabou convicto de que as Escrituras ensinavam claramente dois pontos essenciais: Deus não pode aceitar uma justiça imperfeita, e por isso ele imputa (credita) ao crente a “justiça alienígena” de Jesus Cristo, que é perfeita.assim, o crente é simul justus et peccator - “simultaneamente justo e ainda pecador”.

Mas em nossos dias essa doutrina tem sido amplamente esquecida, ignorada, raramente central, e muitas vezes até negada pelos teólogos e pastores evangélicos. De acordo com uma pesquisa feita, 87% dos evangélicos são praticantes católico-romanos medievais quanto a seu conceito de como o indivíduo se relaciona com Deus. Freqüentemente, a ênfase recai sobre a obra de Cristo ou do Espírito Santo dentro do crente para que ele atinja a “vida cristã vitoriosa”, ou sobre passos e princípios para que ele se aproxime de Deus. A ênfase da nossa geração é puramente subjetiva e terapêutica, a ponto de existir uma “Comunidade Evangélica Spa Espiritual”, no sudeste do país. É desesperadora a necessidade de ouvirmos o famoso conselho que Lutero deu ao seu discípulo Melanchthon: “O evangelho se acha inteiramente fora de você!”

Dissemos que é pela doutrina da justificação pela fé que a igreja se mantém de pé ou cai, portanto, a que se deve o atual declínio do evangelicalismo brasileiro? Simplesmente porque landmarks como Justificação, Santificação e Redenção estão captulando diante de conceitos como terapia, bem-estar espiritual, felicidade, vida vitoriosa, entretenimento, e muitas outras coisas. As pessoas que estão fora da igreja não sentem a necessidade de serem justificadas, visto que ofenderam a um Deus que é Santo. Muito pelo contrário, elas sentem a necessidade é de terem seus anseios, e até mesmo suas ambições, atendidas por Deus. Deus não é mais “justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias” (Salmo 7.11), agora ele é o Deus-servo de uma geração corrupta e pervertida, existindo apenas para atender aos desvarios do homem decadente. Em 1993, a revista Newsweek publicou uma matéria sobre uma igreja enorme no estado americano do Arizona que tinha abandonado o discipulado bíblico e a pregação em favor de “uma Escola Dominical com coisas apelativas tipo Steven Spielberg e música genérica Amy Grant nos cultos bem como drama em lugar do sermão”.

APLICAÇÃO
O que podemos dizer sobre o Sola Fide? Precisamos recuperar a doutrina da justificação pela fé em Cristo Jesus. Este não é um assunto popular nos círculos evangélicos porque a justificação não é vista como uma necessidade. E é precisamente porque a justificação não é a “necessidade sentida” do não-crente que nós precisamos pregar a Lei de Deus. E por quê? Porque mesmo as pessoas religiosas que achavam que estavam vencendo sentem o fundo do poço de sua depravação quando clamam com o publicano: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lucas 18.13). A necessidade de misericórdia só é sentida depois que a realidade da culpa impressiona. Só então o evangelho pode aliviar.

Pensem, por um instante, meus irmãos, que motivo você para sentir a necessidade da justiça de Cristo, se você não perceber sua nudez perante um Deus santo? De fato, pregar sobre a ira de Deus, sobre pecado, inferno e muitos outros assuntos não vai apelar aos ouvintes dos nossos dias, e isso não deve nos surpreender. O grito pelo socorro da graça nunca cativará o ouvido enquanto não houver novamente um sentimento de culpa e desespero em nossas igrejas.

Essa verdade não foi feita para ser apenas afirmada como parte de uma confissão, mas para ser proclamada como a “boa nova” que justifica não só o crente diante de Deus como também a existência da igreja no mundo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

INDICAÇÃO DO CRISTÃO REFORMADO: POR QUE AMAMOS A IGREJA

Dois livros lançados nos últimos anos fizeram muito sucesso. São eles: A Cabana, de William P. Young, e Por que Você Não Quer Mais Ir à Igreja?, de Wayne Jacobsen e Dave Coleman. No Brasil, ambos foram lançados pela editora Sextante. Ao lado de obras de Brian McLaren, esses livros têm fomentado o pernicioso movimento conhecido como “Os Desigrejados”, de pessoas para as quais o Cristianismo institucionalizado perdeu o seu encanto. São pessoas que afirmam a possibilidade de ser cristão e ter um relacionamento de amor e vida com Jesus Cristo, sem ter nenhum vínculo com alguma igreja local, com suas regras, dogmas, pastores e demais líderes.

Graças a Deus, a editora Mundo Cristão acaba de lançar uma obra que tem como objetivo refutar as premissas dos gurus “desigrejados” e reafirmar a importância da comunhão com uma igreja local. Trata-se do livro Por que Amamos a Igreja, de autoria de Kevin DeYoung, pastor senior da Reformed University Church, em Michigan, e Ted Kluck, arituclista da ESPN Magazine. Transcrevo abaixo dois trechos da Introdução:

Não chamo de “igreja” a reunião de três caras bebendo café na Starbucks, falando sobre a espiritualidade da banda de rock Violent Femmes e discutindo por que a série Sex and the city é realmente profunda. Refiro-me à igreja local que se reúne em determinado lugar e que exulta na cruz de Cristo; que canta músicas a um Deus santo e amoroso; que tem oficiais, boa pregação, celebra os sacramentos, exerce disciplina e recolhe ofertas. Essa é a igreja que combina liberdade e forma na adoração coletiva, que tem pessoas jovens e velhas, tipos alternativos e viciados em corridas de carros, pessoas que buscam a Deus e as que se dedicam fielmente a uma causa, uma igreja que provavelmente tem boletins e regras.

A igreja que amamos é tão falha e suja quanto nós, mas ainda assim é a noiva de Cristo. Eu também posso tanto ter um alicerce sem uma casa ou uma cabeça sem um corpo quanto menosprezar a noiva que meu Salvador ama (Kevin DeYoung).


Em resumo, vamos escrever um livro sobre por que gostamos (amamos os) dos cristãos. Sei que existem vários cristãos evangélicos antipáticos por aí. Alguns deles estão na igreja. Tenho certeza de que, às vezes, sou um deles. Os cristãos também fazem coisas esquisitas e embaraçosas de vez em quando (p. ex., a maioria dos filmes cristãos e grande parte da música cristã contemporânea). Mas também existem muitas pessoas bacanas em nossa igreja – pessoas das quais realmente gosto, e não apenas no sentido de que “ele é meu irmão em Cristo e, portanto, tenho de gostar dele”. Alguns deles são até mesmo presbíteros ou estão em outras posições "hierárquicas" (esse é um jargão negativo; perceba a ironia da coisa) dentro da igreja. se minha fé fosse unicamente “pessoal”, ou se fizesse igreja em casa com outras cinco pessoas, sentiria falta deles.

Também fico feliz por minha igreja ser “organizada”. Sou feliz por saber aonde levar meu bebê de colo nas manhãs de domingo. Sou feliz porque alguém foi suficientemente institucional para pensar nos temas de uma ou duas aulas da classe da escola dominical. Sou feliz porque meu pastor, em vez de simplesmente caminhar por sua conta, importa-se o suficiente para estudar as Escrituras e fazer pesquisas numa prateleira cheia de livros de autores mortos para me dar comida espiritual de verdade a cada domingo. Sou feliz porque alguém lidera um ministério de impacto social para os mais necessitados de nossa área. Sou feliz porque alguém (e não eu) garante que as crianças aprendam alguma coisa bíblica em suas aulas. Em seu sentido mais básico, isso é religião organizada. E amo muito isso tudo.

[...]

Portanto, ao mesmo tempo que espero que este livro seja um incentivo aos praticantes da religião organizada com mentalidade evangélica sentados nos bancos (eu) ou nos púlpitos (Kevin), também espero que ele sirva como um convite a João Descontente para que afaste sua insatisfação provavelmente bem fundamentada e se junte a nós na igreja. Não somos perfeitos (longe disso), mas amamos Jesus, amamos o evangelho e fazemos o possível para amar os outros cristãos (Ted Kluck).

Por que Amamos a Igreja traz a recomendação de dois fiéis estudiosos brasileiros: Dr. Augustus Nicodemus Lopes e Rev. Franklin Ferreira. Aquele diz o seguinte:

Muita gente no Brasil, à semelhança do cenário norte-americano, gostaria de ser cristão sem ter de pertencer a uma igreja. O movimento de cristãos “desigrejados”, que vê a igreja mais como obstáculo e empecilho à comunhão com Deus, aparenta encontrar muitos adeptos. Todavia, esse movimento – que não é novo – faz uma análise superficial do conceito de Igreja no Novo Testamento, minimiza suas dimensões e tende a seguir uma visão utópica de cristianismo e de igreja que simplesmente não encontra respaldo nas Escrituras. Por que amamos a Igreja é um livro escrito com paixão, clareza e profundidade por dois autores que entendem bem esse movimento e que, ainda assim, acreditam que vale a pena continuar a amar a Igreja e pertencer a ela.

Já Franklin Ferreira afirma o seguinte sobre a obra:

Numa época em que crescem aqueles que têm se afastado das igrejas locais e ainda querem ser percebidos como cristãos, este livro franco, bíblico e pastoral é uma defesa competente da igreja centrada em Cristo, presente por meio da pregação das Escrituras, da ministração dos sacramentos e da comunhão disciplinada entre os crentes. Seja para aqueles que rejeitaram ou estão considerando deixar uma comunidade ou ainda para aqueles que buscam alento para continuar congregando numa determinada igreja, este livro será de grande ajuda. Como se conclui da argumentação de Kevin DeYoung & Ted Kluck, não podemos amar o Noivo se não amamos a noiva – e isso inclui amar a igreja visível.

Então, seja você um atual “desigrejado”, um cético a respeito da validade de uma igreja local ou um defensor da mesma, o Cristão Reformado recomenda efusivamente o livro Por que Amamos a Igreja.

Boa leitura!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...