quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A REFORMA PROTESTANTE: HISTÓRIA E RELEVÂNCIA DOS SOLAS - 3ª PARTE

II – SOLUS CHRISTUS (SOMENTE CRISTO)
“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (João 5.39). “Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lucas 24.25-27).

Este segundo slogan da Reforma significa literalmente, “Somente Cristo”, e com essa afirmação os nossos antepassados quiseram dizer que o sentido da Bíblia é redentor, e que Jesus Cristo é a figura central da Escritura. Por que esse artigo segue ao Sola Scriptura? Porque só quando se defende a Escritura somente é que estaremos certos de que a igreja se apegará a Cristo somente. Percebam, sempre que Escritura é colocada de lado, as pessoas se apegam ao ego e ao pecado, não a Cristo.

A igreja católica obscureceu a mensagem sobre Jesus Cristo com o seu sacerdotalismo, o culto da Virgem (o Círio é um exemplo disso. Fala-se muito em Maria, mas nada de Jesus), e com a sua teologia centrada no homem. A Bíblia não fala, em primeiro lugar, dos heróis bíblicos ou dá lições de vida, mas sua mensagem central é a revelação de Cristo. Observem o que o apóstolo Pedro disse: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pedro 1.10, 11). Percebam, o Antigo Testamento, tão desprezado por alguns com frases como “isso é lá do Antigo Testamento!”, fala sobre Cristo; sua mensagem é cristocêntrica! Esta foi a luta dos Reformadores Lutero, Calvino, Zuínglio e tantos outros. Eles lutaram para que a pregação da pessoa e da obra de Jesus fosse recuperada. Nada de Maria, nada de santos, nada no lugar de Jesus.

Pregar a Bíblia como “o manual para uma vida feliz” ou “instruções para uma vida vitoriosa”, em vez de pregá-la como a revelação de Cristo, é transformar a Bíblia num livro inteiramente diferente. Na nossa cultura moribunda, pós-moderna, os artistas, radialistas, professores, roteiristas de filmes e programas humorísticos não sabem como retratar um pastor, mas o que sai, quase sempre, é um homem que nos ajuda a pensar em como melhorarmos a nós mesmos. Vivemos numa época em que a Bíblia é usada como na época dos fariseus. Usamos a Bíblia como um catálogo de dicas práticas, como terapia. Deixamos Cristo de lado. Em muitos púlpitos ouvimos falar do direito que cada um tem de ter uma vida feliz, de sentir-se bem, de auto-estima, de vitória financeira, prosperidade. Entretanto, não ouvimos falar de Cristo como Rei, Profeta e Sacerdote; não ouvimos falar da teologia da cruz que era escândalo na época do apóstolo Paulo. Não ouvimos falar sobre a obediência perfeita de Cristo. Ouvimos falar muito de vida feliz, mas nada de vida obediente.

Hoje Cristo é cada vez mais aclamado dentro do evangelicalismo popular. Ele é aquele por quem as pessoas estão cada vez mais “apaixonadas”. E como disse um colega meu de blog: “QUEM É APAIXONADO POR JESUS MARCHA POR ELE... QUEM O AMA, CAMINHA AO LADO DELE”. Ele é visto como o exemplo moral que mais altamente ilustra o amor e perdão de Deus e que nos dá diretrizes úteis. Mas Ele não é visto como o sacrifício que desviou a ira de Deus das nossas vidas, tão merecedoras da ira divina.
E o que isso tem a ver conosco?

APLICAÇÃO
Irmãos, o que vocês pensam a respeito de Jesus Cristo? Quem é Cristo para vocês? O que vocês sentem por ele? Que lugar ele ocupa nas vidas de vocês?

Quando as pessoas são examinadas para fazerem a profissão de fé é comum fazermos a pergunta: “Quem é Jesus para você?” E sempre ouvimos a mesma resposta mecânica: “É meu Senhor e Salvador”. Hoje pensamos em Cristo de uma forma tão mecânica e tão trivial que até parece que ele não tem a mínima importância para nós. Por isso é que hoje se diz que se está apaixonado por Jesus. Paixão é um sentimento descartável, útil para tratarmos outro alguém descartável e sem importância.

Irmãos, Jesus Cristo é Profeta, Sacerdote e Rei! Portanto, vocês não precisam de outros profetas; não precisam de outros sacerdotes para mediar as bênçãos e a salvação; e não precisam de nenhum rei para governar a doutrina e a vida das igrejas. Ele não é Divino Terapeuta, Maior Psicólogo que já existiu, Amante, Herói, Fonte de Poder, Reformador Político, Curandeiro, Treinador. Ele é o Mediador entre Deus e vocês, maus e corrompidos pelo pecado. Vocês só podem orar a Deus por causa dEle, porque ele está entre vocês e Deus.

Vocês o amam? De todo coração? Se sim, louvado seja o Senhor! Mas, porque muitos de vocês não se dobram diante da vontade dele? Por que vocês, e isso eu não consigo entender, sabem que em muitas coisas estão indo contra o querer dEle, e não fazem o contrário? Por que insistem em negar o senhorio de Jesus sobre vocês?

Precisamos de uma nova Reforma, na qual Cristo volte a ocupar o devido lugar, o lugar que é de direito dele, em nossas vidas e em nossos corações.

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