sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A REFORMA PROTESTANTE: HISTÓRIA E RELEVÂNCIA DOS SOLAS - 2ª PARTE

I – SOLA SCRIPTURA (SOMENTE A ESCRITURA)
“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”
(2 Timóteo 3.14-17). “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gálatas 1.8).

Essa expressão significa literalmente, “Somente a Escritura”. Ao usar estas palavras, os Reformadores indicavam sua preocupação com a autoridade da Bíblia, e expressavam que a Bíblia é a única autoridade suprema – não o papa, nem a igreja, nem tradições ou concílios de igreja, menos ainda instituições pessoais ou sentimentos subjetivos (como o mau e velho “eu acho!”) – mas tão-somente a Escritura.

Na Idade Média, meus queridos, a Bíblia era confinada nos mosteiros; ela ficava acorrentada. Além disso, apenas os sacerdotes conheciam o seu conteúdo. As pessoas comuns não tinham nenhum conhecimento da Escritura, pois ela só existia em Latim, e a grande maioria era analfabeta na sua própria língua materna, quanto mais em Latim. Isso é interessante, pois todos nós sabemos que o conhecimento é um grande instrumento de libertação. Era interesse de a igreja católica romana manter as Escrituras em Latim e enclausuradas nos porões dos mosteiros, pois se ela conseguisse manter o povo ignorante acerca das verdades bíblicas, ela poderia muito bem manipular a verdade e continuar escravizando muitas almas.

Então, com o advento do Renascimento, os Reformadores foram levados de volta ao estudo das Escrituras em suas línguas originais (hebraico, aramaico e grego). E a prova de que conhecimento é instrumento de libertação é que, uma das primeiras providências de Lutero para levar adiante a Reforma, foi colocar a Bíblia na língua comum do povo alemão, primeiramente, o Novo Testamento em 1522. Lutero terminou a tradução completa das Escrituras para o alemão no ano de 1534.

Eles entenderam quanta tradução errada, mal-entendido e má interpretação haviam se acumulado pelos séculos, obscurecendo o sentido do texto bíblico. Eles começaram a se questionar: “A igreja pode legislar doutrinas ou regulamentos que não são encontrados na Bíblia?” Os Reformadores responderam com um incisivo “Não, somente a Escritura!” A igreja é infalível na interpretação da Bíblia? Não, apenas a Bíblia é infalível em si mesma!

Nesse ponto, gostaria de dizer, meus queridos, que a nossa situação hoje não é muito diferente da enfrentada pelos Reformadores a quase cinco séculos atrás. Hoje ciências comportamentais especulativas é que freqüentemente exigem prioridade na discussão contemporânea. Além disso, a Escritura tem sido abandonada como fator decisivo nas questões do dia-a-dia. Para outras, a Bíblia continua sendo a regra de fé, mas não a regra de prática. Se formos sinceros, nós mesmos confessaremos que temos agido assim. Dizemos que acreditamos na Bíblia, que ela é a nossa regra de fé e prática, o nosso padrão do que é certo e do que é errado, mas no primeiro encontro com uma passagem que vá de encontro àquilo que gostamos, desprezamos o que a Escritura ensina e nos agarramos à podridão do nosso ego.

Outra coisa: costumamos colocar o Espírito Santo contra a Bíblia, naquilo que lamentavelmente costumam chamar de avivamento. Até parece que o Espírito Santo se volta contra aquilo que Ele mesmo inspirou. Avivamento, segundo os sabichões da nossa época é histeria, emocionalismo, êxtase nos momentos de culto. Só que, de acordo com a Bíblia, avivamento é uma percepção muito clara da realidade espiritual que nos cerca, começando pela nossa própria pecaminosidade. O primeiro sinal de um avivamento segundo a Escritura é uma profunda convicção comunitária de pecados. Mas, isso existe em nosso meio? Não! E preferimos dar ouvidos ao que os sabichões de nossa época.

Pontos de vista errôneos sobre orientação do alto e alegações de ter recebido revelação direta do Espírito contribuem para isso, mas os evangélicos principais muitas vezes confiam tanto quanto os carismáticos nas experiências subjetivas, nos sentimentos e preferências pessoais. A Bíblia é interpretada nestes termos. Por isso que Lutero afirmou que, “interpretar a Palavra à própria maneira é estabelecer o princípio de que cada homem vai para o inferno à sua própria maneira”.
Qual a implicação do primeiro para nós?

APLICAÇÃO
Eu pergunto nessa noite, meus queridos: quem aqui acredita que Deus é Rei? Pois bem, todos vocês disseram acreditar nisso, e de fato é isso que a Bíblia diz. Mas, será que temos agido como que Deus realmente seja o Rei de nossas vidas? Ouso dizer que, para muitos de vocês Deus mais parece um monarca moderno, como a famosa rainha da Inglaterra, poderosa na aparência, mas na realidade impotente para determinar como vocês devem viver. Por que atravessamos uma época na qual ao mesmo tempo em que é proclamado um triunfalismo espiritual (com as freqüentes alegações de crescimento no número de evangélicos, de um suposto avivamento sobre a nossa nação e etc.), podemos perceber o pecado dominando cada vez mais muitas vidas que se encontram dentro das igrejas? Por que mais e mais vidas estão sendo arruinadas pelo pecado? Por qual razão pessoas que aprenderam o evangelho desde a mais tenra idade, ao crescerem abandonam, desconsideram e desprezam tudo aquilo que aprenderam? Por qual razão vidas promissoras, líderes em potencial caem? É verdade que é por causa do pecado. Mas a causa instrumental, digamos assim, é porque, simplesmente, abandonaram a leitura, o estudo e a meditação na Palavra de Deus. Perderam o amor por Deus e por sua Palavra. Existem outras coisas que agora ocupam o lugar que antes era reservado para a Bíblia. Afinal de contas, a Bíblia é um livro antiquado, um livro que está fora de moda, que não satisfaz as necessidades do jovem contemporâneo, pós-moderno.

E ao abandonar a Escritura, a fraqueza espiritual começa a aumentar. Da mesma forma que ficamos fracos ao não nos alimentarmos fisicamente. A Bíblia não é remédio para ser tomado quando já estamos doentes; não é dispositivo de emergência, para acionarmos quando estamos em perigo. Sejam sinceros, meus queridos, vocês têm colocado a Bíblia no devido lugar em suas vidas? Lembrem sempre das palavras do salmista Davi: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra”. Aqui está a chave. É por isso que o Sola Scriptura é tão importante para nós.

2 comentários:

Clodoaldo Brunet disse...

Muito bom esse artigo, estou tomando emprestado para colocar no Boletim da Congregação. Que Deus o abençoe e conserve sempre dentro desta habilidade de expor determinados assuntos importantes da nossa fé. Particularmente estou cada vez mais convecido de que a forma mais honesta de fazer que as pessoas permaneçam na igreja é o exercicio fiel da pregação da palavra. SAIAS 08: 20 “À LEI E AO TESTEMUNHO! SE ELES NÃO FALAREM DESTA MANEIRA, JAMAIS VERÃO A ALVA”. Num mundo tão pragimatista somos tentados a satisfazer anseios humanos e com isso nos envolvemos em caminhos perigosos como do ativismo e tantos ismos humanos. Mas, graças a Deus pelo Espirito que nos guia a toda verdade ( Jo 16.13). Temos sido assim convencido por obra do Espirito que a Escritura é suficiente e tem a palavra final. Soli Deo Glória.

Alan Rennê disse...

Grande Clodoaldo...

Sempre é bom receber comentários teus.
De fato, meu caro, em meio a uma enxurrada de modismos que adoecem a igreja evangélica em nossos dias, não a melhor, mas a única forma de zelarmos pela saúde espíritual das ovelhas do Senhor é com a fiel exposição da Palavra de Deus.

Mais uma vez, obrigado pela visita ao Cristão Reformado! E fique à vontade para utilizar o texto no boletim da igreja. Colocarei um Sola por semana. Ainda restam quatro. Abração!

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