terça-feira, 9 de novembro de 2010

ANÁLISE DO HINO "CONTEMPLAÇÃO" (13 do HNC)

Por Rev. Charles Oilveira
Este hino possui uma das melodias mais belas e envolventes do Hinário Novo Cântico. O autor foi o norte-americano Robert Lowry, que nasceu na Pensilvânia em 12 de março de 1826 e morreu em Plainfield, New Jersey em 25 de novembro de 1899. Foi um proeminente pastor batista e professor de Literatura na Universidade de Lewisburg. Como músico, contribuiu bastante na hinódia batista e mundial. No entanto, sua melodia "Always Cheerful" recebeu uma versão bela, porém contendo uma informação que carece de melhor formulação.

Eis a letra:

Se nos cega o sol ardente
Quando visto em seu fulgor,
Quem contemplará Aquele
Que do sol é Criador?
Patriarcas não puderam
O seu rosto contemplar,
Nem Adão chegou a vê-lo
Antes mesmo de pecar!

Luz perante a qual é trevas
Mesmo o sol a fulgurar!
Nossos olhos pecadores
Não te podem contemplar!
Fogo em cima da arca santa,
Sarça ardente do Sinai
São figuras desta glória
Do Senhor e Eterno Pai.

Para termos nós com ele
Franca e doce comunhão,
Cristo, o Filho fez-se carne,
Fez-se nossa Redenção!
Para que na glória eterna
O vejamos já sem véu,
Cristo padeceu a morte,
O caminho abrindo ao céu.

A poesia é de fato maravilhosa e correta, biblicamente, exceto pelas quatro últimas linhas. O texto diz que nós poderemos ver a Deus Pai face a face no céu. Isso não é verdade. Jesus declarou a respeito do Pai: "Deus é espírito" (Jo 4.24). Nós não podemos ver o pai simplesmente porque ele é Espírito, não tem corpo. A comunicação revelacional da Trindade é o Filho, o Verbo, que via de regra se manifestava corporalmente em teofanias (manifestações visíveis), como na sarça ardente, na coluna de fogo, na nuvem, na figura do Anjo do Senhor. Também sabemos da manifestação do Espírito em forma corpórea, como pomba, no batismo de Jesus, mas isso ocorreu numa situação diferente, na revelação da Trindade no início do ministério de Jesus Cristo. Ainda no Evangelho de João, vemos Jesus afirmar: "quem vê a mim, vê o Pai" (Jo 14.9). Pela afirmação de Jesus, nós veremos o Pai no Filho.


Outra frase que carece de melhor formulação é a última: "o caminho abrindo ao céu". Pela mensagem bíblica, abrir caminho é diferente de levar ao céu. Paulo disse em 1 Tessalonicenses 4.17: "Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor". A igreja será arrebatada, levada ao céu. Quando alguém diz que Jesus veio abrir caminho para o céu, se esquece de que a Bíblia fala que seremos levados para lá. Jesus veio, não apra abrir caminho, mas para nos conduzir, como o pastor conduz as ovelhas. Lucas 19.10 diz: "porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido". Não meramente "tornar possível" a salvação.
Agora segue algumas possibilidades para que a letra seja reformulada:

Para termos nós com ele
Franca e doce comunhão,
Cristo, o Filho fez-se carne,
Fez-se nossa Redenção!
Para que na glória eterna
Desfrutemos do bem do céu,
Cristo padeceu a morte,
Lá na cruz partindo o véu.

Ou quem sabe:

Para que na glória eterna
Vejam o Pai no Filho já sem véu,
Cristo padeceu a morte,
Conduzindo a igreja ao céu.

Agora você decide: qual você acha que é a melhor opção?

Abraço!
Pr. Charles

5 comentários:

TÉRCIO disse...

Eu é que num te mando um CD meu rsrs

Alan Rennê disse...

Cara...

A análise não é minha. É de quem, realmente, tem cacife pra isso. O autor da análise é o Rev. Charles Oliveira, presidente da Comissão de Hinologia, Hinódia e Música da IPB. O cara não é fraco! rsrsrs

Fica frio. E como é bom entender que, inspirada mesmo, só a Sagrada Escritura!

Abração!

Salma kellya disse...

eu gostei mais da 1° opção...

Alan Rennê disse...

Olá Salminha...

Pois é. E eu gostei igualmente das duas. Minha sugestão ao Rev. Charles é que criem mais alguns versos para que as duas versões façam parte do hino... rsrsrsrsrsrs...

Mas, creio que, com isso você lembra das vezes em que falei que até mesmo alguns hinos do Novo Cântico merecem atenção, pois contêm algumas afirmações indevidas.

Um abração!

L. G. Freire disse...

Sinto ter que intervir com tecnicalidades, mas este hino tem uma das melodias mais barangas do NC. Por influência da cultura americana, o NC é permeado de melodias desse tipo. Caso haja alguma revisão, deve-se dar atenção redobrada para melodias mais solenes como os corais alemães e os hinos ingleses.

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