quinta-feira, 1 de julho de 2010

e que ele morrerá juntamente com seus filhos. Como pode estas coisas sendo que Samuel já estava morto e os mortos não podem se comunicar com os vivos?

Precisamos estabelecer alguns pontos importantes. Em primeiro lugar, o que Saul fez foi algo estritamente proibido pelo Senhor. Deus havia proibido que os necromantes e adivinhos fossem consultados. Por exemplo, em Levítico 19.31, está escrito: “Não vos voltareis para os necromantes, nem para os adivinhos; não os procureis para serdes contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus”. Em Deuteronômio 18.10,11, o Senhor diz: “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos”.
Segundo, o ensino bíblico é que não há possibilidade de alguém que morreu retornar e estabelecer comunicação com aqueles que ainda estão vivos. Isso apreende-se a partir da parábola contada por Jesus sobre o rico e o Lázaro. Quando o rico, em tormentos, pede a Abraão que mande Lázaro à casa dos seus irmãos, a fim de alertá-los sobre os horrores do inferno, o patriarca dá a seguinte resposta: “Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos. Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16.29-31). Devemos perceber que, a única possibilidade aventada por Abraão era a ressurreição de Lázaro. O rico pediu que Lázaro fosse enviado à casa paterna, mas a resposta de Abraão falou apenas de ressurreição, não de uma volta do espírito de Lázaro. Outra passagem que confirma isso é 2 Samuel 12.23, que fala sobre a morte do filho de Davi e Bate-Seba: “Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”.
Com isso em mente, podemos compreender o que aconteceu no episódio de Saul e a médium de En-Dor. O versículo 12 de 1 Samuel 28 diz: “Vendo a mulher a Samuel, gritou em alta voz; e a mulher disse a Saul: Por que me enganaste? Pois tu mesmo és Saul”. Esta expressão não confirma que, de fato, era Samuel, mas apenas afirma o que a mulher disse ter visto. No versículo 13, a mulher diz: “vejo um deus que sobe da terra”. Dizer que essa aparição foi realmente de Samuel contraria vários argumentos teológicos. Além da impossibilidade estabelecida pelo texto de Lucas e do fato, de que o que Saul fez foi abominável aos olhos do Senhor, vemos que a predição dada pelo suposto Samuel foi errada. No versículo 19, ele diz: “O SENHOR te entregará também a Israel contigo nas mãos dos filisteus, e, amanhã, tu e teus filhos estareis comigo; e o acampamento de Israel o SENHOR entregará nas mãos dos filisteus”. Tal predição não se cumpriu. Saul não morreu no dia seguinte, mas tempos depois; e não pelos filisteus, mas por suicídio (1 Samuel 31.2-4). Ademais, nem todos os filhos de Saul morreram na ocasião. 2 Samuel 2.8 relata que Isbosete, um dos filhos de Saul permaneceu vivo durante muito tempo.
O puritano John Gill, comentando esta passagem, mais especificamente o versículo 15, afirma: “É claro que este não era o verdadeiro Samuel; a alma dele estava descansando no seio de Abraão, no estado de delícia e felicidade no céu, e não estava em poder de homens e demônios inquietar isto”. Na verdade, Saul foi enganado por uma bruxa e pelo diabo. Saul se queixa de que Deus havia se desviado dele, e que não o respondia mais nem pelos profetas, nem por sonhos. Se Deus não o respondeu pelos meios aceitos e ordenados por Ele próprio, o responderia através de práticas demoníacas proibidas por Ele em Sua santa Lei?
Abração! Deus te abençoe!

Pode perguntar... qualquer coisa...

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