segunda-feira, 6 de julho de 2009

RUI BARBOSA E O LADRÃO[1]


Abrindo um parêntese nas elucubrações teológicas...


Ontem (05/07/2009), por ocasião do final do Culto Público na Igreja Presbiteriana Filadélfia, igreja da qual sou pastor, duas ovelhas minhas muito queridas (Ana Paula e Salma) interpelaram-me a respeito do significado de uma palavra existente no final do post anterior[2]. Elas brincaram, afirmando que para ler o meu blog é necessário ter um dicionário em mãos. Tudo isso por causa da palavra “sequazes”, que, na verdade, significa “seguidores” e é uma tradução livre do inglês “followers”, presente na edição em inglês de O Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdã.

Depois de rirmos com o comentário, e já em minha casa, senti o desejo de escrever algo que, de fato, exigisse a presença de um dicionário em mãos. Queria ver a reação delas depois. Lembrei de uma piada que li na ótima Revista Língua, periódico que analisa questões pertinentes à língua portuguesa. Tal piada tem como personagem principal o jurista brasileiro Rui Barbosa e brinca com os excessos da linguagem culta na fala cotidiana. Transcrevo-a a seguir, visando proporcionar deleite às minhas duas queridas “ovelhinhas” e aos demais leitores do blog:

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.
Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao atentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fofórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.
E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, resuminu, eu levu ou deixu’s pato?

Pois bem, Salma e Ana Paula, enjoy it! Não fiquem neurastênicas!
Amo vocês em Cristo!

P.S.: NÃO ESQUEÇAM O DICIONÁRIO!


[1] Extraído da Revista Língua, edição nº 43, de Maio de 2009.

[2] “Em Terra de Sapos, de Cócoras com eles”.

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