sábado, 16 de maio de 2009

CLÁUDIO CARVALHAES E A FEMINIZAÇÃO DE DEUS




Por Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima


INTRODUÇÃO
Sempre que acesso o portal da editora Vida Nova costumo ler alguns artigos que são publicados ali. Vários articulistas conhecidos, eloquentes, eruditos e piedosos aparecem elencados no site, como por exemplo, Augustus Nicodemus Lopes, Gabriele Greggersen, Russel Shedd, Lourenço Stelio Rega e Claúdio Carvalhaes. Temas interessantes e também relevantes são abordados... ops... Claúdio “o quê”? Claúdio Carvalhaes? Mas, quem é Cláudio Carvalhaes? Pois bem, trata-se de um teólogo e pastor ordenado pela Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.[1] Dentre as suas credenciais acadêmicas podem ser destacadas: 1) Especialização em Ecumenismo no Conselho Mundial de Igrejas de Genebra na Suíça; 2) Mestrado pelo Instituto Ecumênico de Pós-Graduação, entidade ligada à Universidade Metodista de São Bernardo do Campo; e 3) Doutorando em Teologia pelo Union Theological Seminary e em Artes pela Universidade de Columbia. Credenciais acadêmicas abundantes, porém, há algo no pensamento de Carvalhaes que me deixa profundamente inquieto.
Quero destacar dois artigos de sua lavra: Somos todos machistas – A Teologia e o lugar da mulher, e É Deus nossa Mãe? – A Teologia e o lugar da mulher. Nestes dois escritos, Carvalhaes pleiteia uma maior inclusão da mulher na vida eclesiástica, ao ponto de afirmar que sonha “com o dia em que as mulheres liderarão nossas igrejas – não somente como aquelas mulheres desconhecidas que mantêm nossas igrejas vivas, mas que não podem assumir o poder. Não! Quero vê-las dirigindo os conselhos das igrejas, liderando igrejas nacionais e liderando nossa nação, nos ajudando a pensar de outra maneira”.[2] Até que isso não me assusta muito, pois tenho convivido bem de perto com essa realidade. Também existem pastores na minha denominação que pleiteiam algo parecido, cegando os olhos e tapando os ouvidos para o que diz a resposta da Pergunta 158 do Catecismo Maior de Westminster: “A Palavra de Deus deve ser pregada somente por aqueles que têm dons suficientes, e são devidamente aprovados e chamados para o ministério”.[3] O irônico é que me deparei com um “Cláudio Carvalhaes” que repete, impulsionado por uma logorréia, que é defensor dos Símbolos de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil e ao mesmo tempo é “doidinho” pra ver uma mulher assumindo o seu púlpito (vai entender!). Mas, voltemos ao Carvalhaes arquetípico.

EISEGESE – FALSA EXEGESE
Insólitas e abomináveis foram suas declarações num outro artigo, a respeito do tratamento dispensado a Deus como uma “figura masculina”. Cláudio Carvalhaes se mostrou revoltado com a forma como tratamos Deus. De acordo com ele, “o tratamos sempre como a figura parental do Pai, e nunca como Mãe”.[4] O artigo, em sua inteireza, é um amontoado de bobagens sem fundamentos, todavia, transcrevo em sua totalidade um dos parágrafos:

É fato que a linguagem bíblica está permeada pela linguagem masculina, e isso se manifesta nas igrejas, ao reproduzirmos essa linguagem sem nenhum cuidado ou precaução nos sermões, louvores e estudos bíblicos. Deus é sempre “Ele”, “Senhor”, “Rei”, “Principe”, “Homem de guerra”, “Pai da Eternidade”. Neste sentido, a linguagem feminina nunca é usada, e a mulher não existe enquanto gênero teológico-literário-lingüístico. A mulher está sempre subentendida, incluída como mensagem secundária, adicionada, escondida, incluída em menções nunca feitas.[5]

Bem, até onde sei nossos cultos devem ser bíblicos. Até onde sei, os louvores devem ser bíblicos. É do meu conhecimento que os sermões e estudos bíblicos devem ser bíblicos (perdoem-me a tautologia, mas ela foi necessária!). Portanto, ele deve fazer uso de material extra-bíblico para lograr êxito na tarefa de trazer à existência a mulher “enquanto gênero teológico-literário-linguístico”.
Ele afirma que não damos atenção às imagens femininas que a Bíblia atribui a Deus, como por exemplo: “a palavra em hebraico no Antigo Testamento para Espírito é feminina; e Jesus queria que Deus fosse uma galinha para acolher seu povo”. Essa foi pesada! Não dá para não comentar nada aqui! Primeiro, a palavra em hebraico no Antigo Testamento para “Espírito” não é feminina! O termo hebraico em questão é rûach, e tal termo, morfologicamente, admite ambos os gêneros (masculino e feminino).[6] Os especialistas na língua hebraica não categorizam o termo como sendo feminino em absoluto. Por exemplo, J. Barton Payne, falecido professor de Antigo Testamento no Covenant Theological Seminary, deixa aberta a porta para o entendimento de que rûach é um substantivo comum de dois gêneros. Eis suas palavras: “Esse substantivo ocorre 387 vezes no AT, sendo geralmente de gênero feminino”.[7] O advérbio “geralmente” dá a idéia de um conceito que convém à maior parte de ocorrências de determinado termo. Ainda assim, não fecha a questão em absoluto. De igual modo, o Dr. Page H. Kelley, ex-professor de Hebraico no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, no Rio de Janeiro, afirma que, “os substantivos que terminam em qamets-he(sic) normalmente são femininos”.[8] Creio que a base da argumentação de Carvalhaes seja a terminação qamets-he, que geralmente identifica o feminino. Seria interessante se Carvalhaes aprendesse que nem todos os substantivos femininos, necessariamente, terminam com qamets-he. Exemplos: mãe (’êm) e filha (bat). Portanto, Cláudio Carvalhaes se mostra tendencioso em fazer uma afirmação falaciosa. Em segundo lugar, será que Jesus estava, realmente, estava expressando um desejo seu, no sentido de que Deus fosse uma galinha? Não! Jesus não queria que Deus fosse uma galinha! Eis as passagens que trazem esse episódio: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não quisestes” (Mateus 23.37); “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta o seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Lucas 13.34). É consenso geral entre os estudiosos que Jesus fez uso de uma figura de linguagem denominada símile, que, nas palavras de Walter C. Kaiser, Jr., nada mais é do que, “uma comparação expressa ou formal entre duas coisas ou duas ações em que uma é dita ser ‘como’, ou ‘semelhante a’ outra”.[9] Ainda de acordo com Walter Kaiser, a função do símile é “ilustrar o sentido do autor”.[10] O comentário do Dr. William Hendriksen sobre essa passagem confirma minha afirmação:
O símile que Jesus usa é inesquecível. De súbito surge um gavião caçador, suas asas estreitadas para o mergulho, seus olhos centrados na granja, suas ominosas garras prontas para agarrar um pintainho. Ou, mudando de figura, uma tempestade se aproxima. Os relâmpagos que faíscam se tornam mais freqüentes, o ribombar dos trovões aumenta seu volume e cargas elétricas aumentam cada vez mais. As gotas de chuva se desenvolvem num aguaceiro, o aguaceiro numa tempestade. Em ambos os casos, o que sucede é que com um ansioso e imperativo cacarejo a galinha chama seus pintainhos, os oculta debaixo de suas asas protetoras, e tão rápido quanto pode ela busca um lugar onde possa proteger-se.[11]

Pra piorar a situação do colega Carvalhaes, percebe-se que ele faz uso da hermenêutica desconstrucionista, ao atribuir ao texto um sentido estranho ao mesmo. Jesus não queria que Deus fosse uma galinha. Ele nem mesmo faz uma referência a Deus nas passagens. Ele está falando acerca dele mesmo. Realmente, Jesus expressa um desejo nas passagens, porém, bem diferente daquele explicitado por Carvalhaes. Na passagem, Jesus lamenta porque quis reunir o povo de Jerusalém sob seus cuidados, mas foi rejeitado. O desejo era cuidar e pastorear, não ser uma galinha. O testemunho dos Sinóticos é de grande ajuda contra Carvalhaes. Suas afirmações se aproximam perigosamente de blasfêmia!

HERESIA – HETERODOXIA
No mesmo artigo, Carvalhaes propõe uma asneira:
Permita-me fazer uma proposta: sem negar a validade e a beleza de se chamar Deus de Pai, proponho que façamos um boicote temporário ao uso de Deus como Pai, Senhor e Homem. Que tal começarmos a orar a Deus como “Mãe nossa, que está nos céus”? Isso pode nos ajudar em nosso relacionamento com Deus, pois, para muitos, a figura paterna compromete uma relação mais próxima com Deus em virtude de histórias pessoais carregadas de dor e dificuldades com a figura paterna.[12]

Dado o princípio da explicitação do implícito, pode-se perceber que, de acordo com Cláudio Carvalhaes, a forma da oração ensinada por Jesus Cristo em Mateus 6.9-13 é incapaz de expressar perfeitamente o nosso relacionamento com Deus. Na verdade, para colocar os devidos “pingos nos is”, ele está querendo dizer que Jesus estava equivocado! Orar a Deus como Pai tem lá a sua validade e beleza. Porém, se começássemos a nos dirigir a Deus como “Mãe nossa”, experimentaríamos uma otimização da nossa comunhão com a Divindade. Nesse ponto suas afirmações são irresponsáveis e heréticas! A grande pergunta é: de onde ele tirou esse pensamento? Quais foram as suas influências? Sim, pois esse pensamento não é original. Dificilmente alguém o é nos dias de hoje. Um dos meus professores na Universidade Presbiteriana Mackenzie chegou a dizer o seguinte: “Quando você pensar em escrever sobre determinado assunto e imaginar que será algo novo, não se iluda, pois muita gente já escreveu antes de você!” É exatamente isso que acontece com o proponente da heresia supramencionada.

SUAS INFLUÊNCIAS
O sr. Carvalhaes é fortemente influenciado pelo pensamento da Teologia Feminista Radical, também conhecido como “emancipação feminina”[13], que adquiriu um tom mais agressivo durante o século XX. Stanley Grenz e Roger Olson citam a descrição de como seria o culto de uma igreja feminista:
Um grupo de mulheres reúne-se na sala de estar de uma casa para adorar, orar e compartilhar suas histórias de opressão numa sociedade e em igrejas dominadas por homens. Elas oram para o Deus Pai e a Deusa Mãe e cantam hinos que não usam linguagem machista. Elas reúnem-se em volta de uma mesa com um sino, uma vela e uma Bíblia. A líder do culto lê passagens da Bíblia que oprimem mulheres e o grupo exclama em uníssono: “Fora, demônios, fora!” No encerramento desse ritual de “Exorcismo dos Textos Patriarcais”, uma mulher declara: “Esses textos e todos os textos opressivos já não têm mais poder sobre nossa vida. Não precisamos mais inventar desculpas para eles ou tentar interpretá-los como se fossem palavras da verdade, mas lançamos fora suas mensagens opressivas como expressões do mal e justificativa do mal”.[14]

Deve-se perceber as orações feitas à “Deusa Mãe” (qualquer semelhança não é mera consciência!).
Várias publicações têm fomentado esse ímpeto feminista na sociedade, de uma forma geral, e, particularmente, na igreja. Simone de Beauvoir escreveu uma obra intitulada The Second Sex [O Segundo Sexo] (1945) e desenvolveu as idéias da “emancipação feminina”. Em 1963, Betty Friedan publicou uma obra que até hoje é uma das mais vendidas nos Estados Unidos: The Feminist Mystique [A Mística Feminista]. Entre as autoras pós-cristãs que desenvolveram idéias feministas radicais destacam-se: Mary Daly, que escreveu obras como The Church and the Second Sex [A Igreja e o Segundo Sexo] (1968) e Beyond God the Father [Além de Deus o Pai] (1973); Elizabeth Schüssler Fiorenza, que publicou In Memory Her [Em Memória Dela] (1983); e Daphne Hampson, com Theology and Feminism [Teologia e Feminismo] (1990).
É perfeitamente possível que estas autoras estejam por trás das heresias escritas por Cláudio Carvalhaes. Compare o leitor as suas declarações com o que Mary Daly escreveu em Beyond God the Father:
Mary Daly, em Beyond God the Father (Além de Deus o Pai) reinterpreta a história de Eva como uma “queda para a liberdade” (p. 44), e o rancor de Daly contra tudo o que é masculino mostra-se em seu desejo de “castrar Deus” da sua masculinidade (p. 19) e em ridicularizar “a idolatria cristã de Jesus como Deus encarnado” (p. 69). Ela gostaria que todos nós voltássemos para a grande Deusa Mãe (p. 92) e reconhecêssemos que a causa do feminismo radical é a única que pode tornar o mundo livre e criar uma sociedade completamente igualitária ou igual.[15]

Outras autoras não tão agressivas e hostis como Mary Daly têm sugerido “o termo ‘Deus/a como uma designação correta para Deus, apesar da forma desajeitada do termo não contribuir para sua atratividade”.[16] Todavia, o que se pode perceber em praticamente todas as autoras feministas é o uso do método de correlação do teólogo liberal alemão Paul Tillich (1886-1965), “que afirma a necessidade de pensar qualquer realidade juntamente com outra realidade, na medida em que elas se encontram em relação de dependência recíproca”.[17] O método da correlação “consistia em analisar as questões existenciais humanas e propor respostas teológicas cristãs”.[18] Para Paul Tillich, o ponto de partida para se fazer teologia era a cultura, não as Sagradas Escrituras. Nesse afã, Tillich “buscava uma relação positiva – talvez até uma síntese – entre a filosofia secular moderna e a teologia cristã”.[19] Ao empregar tal método, a teologia feminista afirma que “a experiência das mulheres como ‘segundo sexo’, a metade oprimida da humanidade, deve desempenhar um papel determinante nas formulações teológicas”.[20] O mais interessante em relação ao assunto em pauta – as heresias de Cláudio Carvalhaes – é o fato deste ser um profundo admirador de Paul Tillich. Num outro artigo intitulado Toda Teologia é cultural – Um início de discussão, ele diz o seguinte:
Precisamos rever nossa teologia e ver que a agenda teológica, as formas de se adorar a Deus, os valores universais buscados nos evangelhos e mesmo as aspirações que os evangelhos nos trazem têm muito mais de norte-americano do que de universal – e menos ainda de brasileiro. Se quisermos fazer uma teologia brasileira, como é o nome desse site, precisamos romper com esse modelo europeu e norte-americano de fazer teologia, que não leva em conta os dramas locais da vida humana, as experiências únicas de comunidades, suas lutas e sonhos, e atentar criticamente para aquilo que nossa cultura nos direciona, incita e oferece. Precisamos de uma teologia cultural que atente para a nervura social brasileira com suas especifidades, suas contingências e seu rosto índio, negro e europeu, que vai se tornando um rosto tomado pela globalização em suas escolhas e delimitações.[21]

O pano de fundo “tillichano” do pensamento de Carvalhaes se faz mais evidente em outro artigo intitulado Paul Tillich e a Teologia da Cultura.
Tanto a teologia de Paul Tillich quanto a teologia feminista defendida ardorosamente por Cláudio Carvalhaes são muito frágeis. O sistema de pensamento teológico acaba sendo formatado para se adequar a concepções predeterminadas por outras fontes que não as Escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Nesse sentido, o articulista da Vida Nova acaba rejeitando a autoridade das Escrituras, admitindo apenas a autoridade da consciência feminista. O Dr. Alderi Souza de Matos resume bem os principais problemas da abordagem teológica do feminismo radical – e também de Cláudio Carvalhaes: “fazer da experiência de um grupo o princípio fundamental da verdade teológica, do que é ou não é normativo nas Escrituras, é um caminho aberto para o relativismo e para a dissolução da continuidade com o cristianismo bíblico histórico”.[22]

A QUESTÃO DO GÊNERO MASCULINO
Essa discussão sobre o machismo existente na linguagem bíblica também se faz presente nos estudos referentes à língua portuguesa. A revista Língua, na edição de nº 39 de janeiro de 2009, trouxe um artigo denominado A língua portuguesa é machista?, que aborda a problemática das acusações de machismo dirigidas contra a língua portuguesa. Apesar dos apontamentos dizerem respeito à nossa língua vernácula, creio que eles também são pertinentes para entendermos a linguagem escriturística. O autor do artigo, José Augusto Carvalho, afirma que “Deus é masculino não porque a língua é machista, mas porque Deus não tem o ‘do feminino’. O feminino é que tem a marca de gênero, em português. O masculino é, na verdade, a ausência de gênero. Por isso, pronomes como quem, aquilo, isto, nada, tudo, alguém, ninguém, etc. exigem concordância no masculino, que não é gênero. Aliás, o masculino deveria chamar-se neutro ou gênero não-marcado, por oposição ao feminino, que é gênero marcado”.[23] O acadêmico Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia, afirma que,
É pacífica, mesmo entre os que admitem o processo de flexão em barco ® barca e lobo ® loba, a informação de que a oposição masculino – feminino faz alusão a outros aspectos da realidade, diferentes da diversidade de sexo, e serve para distinguir os objetos substantivos por certas qualidades semânticas, pelas quais o masculino é uma forma geral, não-marcada semanticamente, enquanto o feminino expressa uma especialização qualquer.[24]

Ademais, se há algo comum a todas as línguas é a inconsistência do gênero gramatical. Bechara deixa claro que a distinção do gênero nos substantivos não possui “fundamentos racionais, exceto a tradição fixada pelo uso e pela norma”.[25] Podemos observar exemplos dessa inconsistência através da comparação da distribuição de gênero em duas ou mais línguas, e até mesmo no campo de ação de uma mesma língua histórica na sua diversidade temporal, regional, social e estilística. Eis alguns substantivos que evidenciam tal inconsistência: em português “sol” é masculino, mas para os alemães é feminino (die Sonne); “lua” é do gênero feminino, mas, novamente, para os alemães é o contrário, masculino (der Mond); “mulher” é feminino, porém, em alemão é neutro (das Weib); “sal” e “leite” são masculinos em português e femininos em espanhol (la sal e la leche).

CONCLUSÃO
A logorréia disparada por Cláudio Carvalhaes contra a linguagem masculina se revela falaciosa, herética, liberal e acadêmica frágil.
Primeiramente, trata-se de falácia porque ele faz uso de argumentos tendenciosos e inverossímeis a respeito de passagens bíblicas que, supostamente, atribuiriam feminilidade a Deus. Sua exegese do termo rûach pode classificada perfeitamente como falsidade ideológica[26]. Carvalhaes impõe sobre o termo hebraico suas concepções culturais, prática hermenêutica usada pela teologia feminista radical. Em segundo lugar, os argumentos de Cláudio Carvalhaes são heréticos porque ele dá a entender que Jesus possuía como grande auguro do seu coração que Deus fosse uma galinha para ajuntar os seus pintainhos. Além disso, ele faz uso da mesma linguagem de autoras pós-cristãs (devidamente classificadas como anticristãs e pagãs) ao propor que passemos a nos dirigir a Deus em oração como “Mãe nossa que está nos céus”. Em terceiro lugar, Carvalhaes pode e deve ser visto como um liberal dos mais perigosos, visto que minimiza o papel das Escrituras Sagradas na construção de um pensamento teológico sadio e relevante para a nossa sociedade. Como teólogo, Carvalhaes daria um excelente antropólogo. Finalmente, os argumentos apresentados por ele em seus vários artigos presentes no portal da editora Vida Nova são frágeis em termos acadêmicos. Mais parecem desejos anotados numa espécie de “Meu Diário” do que concepções eruditas e persuasivas. Suas palavras expressam seus sonhos. Pois bem, dada a validade eterna da Palavra de Deus – e de sua linguagem masculina – Carvalhaes continuará sonhando por um bom tempo!
Glória, honra e louvor sejam tributados à Trindade Santíssima!
SOLI DEO GLORIA!
[1] FONTE: http://www.vidanova.com.br/
[2] Cláudio Carvalhaes, Somos todos machistas – A Teologia e o lugar da mulher. Disponível no site http://www.vidanova.com.br/. Acessado em 23/10/2008.
[3] CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER, (São Paulo: Cultura Cristã, 2005), 224.
[4] Cláudio Carvalhaes, É Deus nossa Mãe? – A Teologia e o lugar da mulher. Disponível no site http://www.vidanova.com.br/. Acessado em 23/10/2008.
[5] Ibid.
[6] rûah em BIBLEWORKS 7.0.
[7] J. Barton Payne em R. Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr., e Bruce K. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, (São Paulo: Vida Nova, 2001), 1407.
[8] Page H. Kelley, Hebraico Bíblico: Uma Gramática Introdutória, (São Leopoldo: Sinodal, 2003), 61.
[9] Walter C. Kaiser, Jr. e Moisés Silva, Introdução à Hermenêutica Bíblica, (São Paulo: Cultura Cristã, 2002), 87.
[10] Ibid.
[11] William Hendriksen, Comentário do Novo Testamento: Mateus, Vol. 2, (São Paulo: Cultura Cristã, 2001), 475.
[12] Cláudio Carvalhaes, É Deus nossa Mãe? – A Teologia e o lugar da mulher.
[13] Alister E. McGrath, Teologia Histórica: Uma Introdução à História do Pensamento Cristão, (São Paulo: Cultura Cristã, 2007), 261.
[14] Stanley J. Grenz e Roger E. Olson, A Teologia do Século 20: Deus e o Mundo numa Era de Transição, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 269.
[15] Brian Edwards (ed.), Homens, Mulheres e Autoridade: Servindo Juntos na Igreja, (São Paulo: PES, 2007), 62.
[16] Alister E. McGrath, Teologia Histórica: Uma Introdução à História do Pensamento Cristão, 262.
[17] Battista Mondin, Os Grandes Teólogos do Século Vinte, (São Paulo: Teológica, 2003), 115.
[18] Alderi Souza de Matos, Fundamentos da Teologia Histórica, (São Paulo: Mundo Cristão, 2008), 240.
[19] Stanley J. Grenz e Roger E. Olson, A Teologia do Século 20: Deus e o Mundo numa Era de Transição, 136.
[20] Ibid, 275.
[21] Cláudio Carvalhaes, Toda Teologia é cultural – Um início de discussão. Disponível no site http://www.vidanova.com.br/. Acessado em 23/10/2008.
[22] Alderi Souza de Matos, Fundamentos da Teologia Histórica, 259, 260.
[23] José Augusto Carvalho. A LÍNGUA PORTUGUESA É MACHISTA?. Língua, São Paulo, n. 39, p. 40, 2009.
[24] Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa, (Rio de Janeiro: Lucerna, 2004), 132.
[25] Ibid, 133.
[26] O Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa Versão Eletrônica assim define “Falsidade Ideológica: “Juridicamente, é o crime de omitir em documentos (materialmente verdadeiros) declarações que eles deviam constar, ou de neles inserir ou fazer inserir declaração falsa, ou diferente do que devia ser escrita, com o intuito de criar obrigação ou alterar a verdade acerca de fato juridicamente relevante; falsidade intelectual”.

terça-feira, 5 de maio de 2009

JOHN PIPER SOBRE A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE


Eu não sei o que você sente em relação à Teologia da Prosperidade, mas eu vou te dizer o que eu sinto: ÓDIO! Isso não é o Evangelho! E está sendo exportada deste país (EUA) para a Ásia e a África, vendendo um cardápio de benefícios aos mais pobres dos pobres. Eles dizem: “Creia nessa mensagem e seus porcos não irão morrer, e sua esposa não terá abortos, e você terá anéis em seus dedos e casacos nas suas costas”. Isso está saindo da América! Pessoas às quais nós deveríamos dar nosso dinheiro, nosso tempo e nossas vidas, ao invés de vender a eles um monte de esterco que eles insistem em chamar de “evangelho”. E esta é a razão pela qual a Teologia da Prosperidade é tão horrenda. Qual foi a última vez na qual um americano, um africano ou um asiático jamais disse que Jesus é totalmente satisfatório por causa da BMW que dirigia? Nunca! Eles dirão: “foi Jesus quem te deu isso? Eu aceito esse Jesus!” Isso é IDOLATRIA! Isso não é o Evangelho! Isso é colocar os dons acima de quem deu os dons. Eu vou te dizer o que faz Jesus parecer lindo. É quando você bate seu carro e sua filhinha voa através do pára-brisas... e cai morta na rua... e você diz, em meio a mais profunda dor possível: “Deus me é suficiente! Ele é bom! Ele cuidará de nós! Ele irá nos satisfazer! Ele nos fará passar por isso! Ele é nosso TESOURO! A quem tenho eu no céu além de Ti? E na terra, não há nada que eu deseje mais que a Ti. Minha carne e meu coração e minha filhinha desfalecem, mas Tu és a força do meu coração, e a minha porção para sempre”. Isso faz Deus parecer Glorioso! Como Deus! Não como alguém que dá carros, segurança ou saúde. Oh, como eu oro para que o Brasil* seja liberto de teologias que enfatizam a saúde, a riqueza, a prosperidade; de fato, que o Brasil seja liberto. E que a Igreja Cristã seja conhecida por SOFRER por Cristo. DEUS É MAIS GLORIFICADO EM VOCÊ QUANDO VOCÊ ESTÁ MAIS SATISFEITO NELE EM MEIO À DOR E POBREZA, E NÃO EM MEIO À PROSPERIDADE!

O CRISTÃO QUANDO CONTEMPLA A CRUZ



"Oprimido andei sempre sob o peso de meus pecados, sem encontrar lenitivo ao meu sofrimento, até que cheguei a este lugar. Onde estou eu? Oh! Aqui é por certo o princípio da minha bem-aventurança,visto que aqui se quebraram os laços que me prendiam aos ombros o fardo que me oprimia. Eu te saúdo, ó cruz bendita! Bendito sejas, santo sepulcro! Bendito seja para sempre Aquele que em ti foi sepultado pelos meus pecados". Extraído de, O Peregrino, de John Bunyan.
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