sábado, 11 de outubro de 2008

DEVE O CRENTE LER ALGUM OUTRO LIVRO QUE NÃO A BÍBLIA?


"Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos".

Existem algumas pessoas bem intencionadas no seio da Igreja (boa intenção é diferente de boa noção), que afirmam com veemência coisas como: "o crente deve ler apenas a Bíblia", "livros são pensamentos de homens" e muitas outras coisas. Como cristão, um questionamento que nesse momento vem à minha mente é: Pode o crente ler algum outro livro que não seja a Bíblia? Há proveito em alguma outra leitura que não a da Palavra de Deus? De início, quero afirmar a minha convicção de que a Bíblia é o livro por excelência, e como tal, deve ser a principal fonte de leitura do cristão, pois ela é o alimento da alma, a revelação escrita da vontade de nosso amado Senhor e Deus. Creio que isso é ponto pacífico para todos os irmãos.


A passagem citada acima é oriunda da pena do apóstolo Paulo, na sua Segunda Epístola a Timóteo 4.13. Aqui Paulo pede a seu discípulo que traga "os livros". Mas, que livros seriam estes? Seriam apenas os livros que compõem as Escrituras da época? Possível, porém improvável, dado o gosto variado que Paulo nutria pela leitura. Por exemplo, poucos crentes sabem, mas nas suas epístolas e no livro dos Atos dos Apóstolos, Paulo cita poetas e escritores gregos: "pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas tem dito: Porque dele também somos geração" (Atos 17.28, aqui ele cita o poeta grego Arato), "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1 Coríntios 15.33, Paulo cita aqui o filósofo grego Menandro), "Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos" (Tito 1.12, Paulo cita palavras de Epimênides, considerado como um dos "sete sábios do mundo antigo"). Creio que isso prova que o apóstolo Paulo lia outros livros além das Escrituras. No entanto, deve ser sustentado que para ele, as Escrituras devem ocupar o primeiro lugar na vida do seguidor de Cristo (2 Timóteo 3.14-17). Além das passagens referentes a Paulo, gostaria que todos verificassem as seguintes: Esdras 2.62; Neemias 7.64; Eclesiastes 12.12 (aqui a composição e o estudo de outros livros são, no mínimo, pressupostos), Daniel 9.2. Os judeus possuíam outros livros além das Escrituras hebraicas do Antigo Testamento: 1 Crônicas 29.29 e 2 Crônicas 20.34.


Outras passagens poderiam ser citadas, mas as supramencionadas são suficientes para provar o ponto em questão: que o povo de Deus pode e deve ler outras literaturas, desde que, contribuam para o seu crescimento na graça e conhecimento de Deus e de Sua vontade. A tradição cristã é rica nesse sentido, pois são mais de 2000 anos de pensamento teológico e devocional. Os livros escritos por cristãos piedosos têm auxiliado inúmeras gerações no entendimento da Palavra de Deus. Um livro escrito por um filho de Deus é como sabedoria cristã compartilhada. Quem ousará reprovar (ou pelo menos considerar como desnecessária) a leitura de uma obra como O Peregrino, de John Bunyan, uma alegoria do Cristão viajando para a Pátria Celestial? Quem ousará julgar como bobagem a leitura dos comentários e sermões de João Calvino, que tanta esperança e consolo trazem ao coração? Apenas os incautos. Ademais, se a razão de considerar como inviável a leitura de outros livros é porque "são pensamentos de homens", como posso confiar no pensamento de alguém que lê apenas a Bíblia e despreza comentários e outros livros? Não seria a interpretação dessa pessoa "pensamento humano"? A diferença é que outros escrituraram seus "pensamentos humanos".


Concluo com um pensamento que vi, certa vez, num marcador de páginas: "Os livros são os verdadeiros amigos do homem, pois sempre dão, sem nunca pedir". Em outra oportunidade falarei sobre a leitura de livros não-cristãos, como os filosóficos, por exemplo.


Por enquanto, boa leitura!!!!!!!!!!


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